segunda-feira, abril 21, 2008

A luta vista como partida ... de bilhar

(recebido por mail)

Deixem-me comparar o que se passa com um bilhar:

-nós demos uma tacada a 26 de Jan. (na Baixa da
Banheira) e logo se percebeu que algo estava a mudar.
Houve auto-organização de movimentos independentes dos
sindicatos (uns em aberta hostilidade ou concorrência
para com eles, outros críticos e apostados a fazer
pressão para dentro deles).
- esta tacada inicial pôs em movimento as bolas de
chumbo das direções sindicais, manobradas pelos
estados maiores partidários, diga-se que já estão a
«desenhar» a pré-campanha (no fundo já estamos em
pré-campanha)
-o movimento de 8 de março foi «uma bola de neve»:
ultrapassou todas as expectativas... foi a resultante
de todas as movimentações de rua precedentes. Os
sindicatos não podiam ficar indiferentes, os
professores inteligentemente foram para a rua,
aproveitando as condições e exigiram na rua as suas
principais reivindicações.
-o problema é que uma «bola de neve» se esboroa e se
funde com imensa facilidade. E assim foi.
-O acordo firmado («entendimento» quer dizer acordo em
bom portugês) deve-se ao facto de que os que queriam
realmente luta para vencer não conseguiram (não se
uniram e não tiveram sentido estratégico) manter o
impulso no 8 de março.
- a contestação, não tão marginal cquanto isso, ao
modo como o «acordo» foi «impingido» no tal dia D, é
absolutamente natural e saudável.
-Não se trata de separar águas entre os que votaram
«sim» ao acordo ou votaram «não», ou os que se
abstiveram etc... trata-se de ver, como a plataforma
imbuída de uma vsão «magestática» rouba as poucas
ocasiões de debate sério e democrático nas escolas.
-devemos portanto «dar um voto de desconfiança» às
direcções dos sindicatos que temos
-devemos portanto nos organizar na base, isto é nas
escolas, em comissões inter-sindicais, abertas
- promover reuniões que mandatam os delegados
sindicais a defenderem em assembleias sindicais
(assembleias de delegados e outras reuniões) o ponto
de vista, as posições acordadas em reunião da comissão de cada escola.
-eles têm de prestar contas a todo o momento daquilo
que fazem ou deixam de fazer, podendo ser substituídos
a todo o momento
-devemos nos coordenar entre comissões inter-sindicais
de base, de forma a que as nossas posições sejam
amplamente divulgadas, para que as convergências se
dêem no terreno concreto da luta.
-A unidade só é possível se for vista como unidade na
acção: não é possível unidade ideológica porque a
«classe» docente é a mais heterogénea possível (e
esclarecida) em termos ideológicos e/ou políticos...
como não podia deixar de ser. O corolário, é que as
pessoas sectárias podem ter um discurso de «unidade»,
mas têm uma prática não coerente com o seu discurso.

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