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sexta-feira, janeiro 30, 2009

E a Escola Pública, é para ir deixando morrer devagarinho?

(recebido por mail)

Escola privada ganha estatuto de Projecto de Interesse Regional

Regional | 2009-01-29 11:37

O Governo dos Açores resolveu reconhecer a iniciativa da Tetrapi-Centro de Actividades Educacionais, Lda de construção, em Ponta Delgada, de uma escola privada para acolher alunos do 1º ao 12º ano de escolaridade como Projecto de Interesse Regional (PIR), criando condições para um tratamento privilegiado do empreendimento em matéria de financiamentos comunitários.

Ao justificar a atribuição do reconhecimento PIR ao projecto da Tetrapi, o Executivo de Carlos César sublinha a intenção do promotor de "demonstrar a pertinência de um novo modelo organizativo e funcional" com programas de ensino privado tendentes á "substantiva melhoria do sistema educativo" da Região.

Considera, ainda, que a iniciativa - a financiar por fundos comunitários inscritos no Quadro de Referência Estratégico dos Açores (QRESA), em vigor até 2013 – se enquadra num dos principais eixos do Programa do X Governo dos Açores, que considera "o capital humano como uma das linhas mestras do desenvolvimento estratégico regional, tornando a educação uma prioridade e uma garantia da sustentabilidade futura da Região".

A Tetrapi tem funcionado como entidade parceira do Executivo em várias iniciativas especialmente dedicadas aos jovens, entre as quais o projecto InfoNetMóvel (autocarro itinerante equipado pela Direcção Regional da Ciência e Tecnologia com material informático e audiovisual para a divulgação das tecnologias de informação e comunicação).

AO Online/Gacs

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quinta-feira, abril 10, 2008

Escola Pública: Experiências Positivas de Ensino

Caros colegas/amigos:

Anteriormente, foi-vos enviado um comunicado dirigido aos Enc. de Educação e população em geral sobre causas (que o grupo de Defesa da Escola Pública teve por legítimas) dos protestos dos professores.
Perante uma Escola Pública desacreditada, muitos pais e EE, ...- por temerem o insucesso dos filhos/educandos - optam pelo ensino privado onde, muitas vezes, trabalham os mesmos professores...
Importa manter o debate, muito necessário, acerca daquilo que pode e deve mudar no ensino público, no nosso País, e
daquilo que não deve mudar porque vai contra os próprios interesses dos alunos.
Trabalhei 37 anos e 10 meses com turmas do 2ºe 3º Ciclos, a maioria muito distante da cultura letrada, e cheguei ao fim da carreira sem stress, salvo aquele que era provocado pelas disfunções do sistema...que poderiam ser corrigidas com a coordenação dos esforços da comunidade educativa ... Violência e grandes faltas de respeito foram a excepção e não a regra... O apoio dos pais e EE foi muito evidente.
Por tudo isto, tenho sido- como saberão, talvez- muito crítica relativamente ao estado da Escola Pública e tenho lutado pela introdução de mudanças sensíveis no seu funcionamento: uma gestão mais democrática (e não menos...), impedindo, designadamente, a acumulação do poder nas mesmas mãos (Presidente do CE e do CP), a introdução de Observatórios de Qualidade em todas as escolas, a avaliação do desempenho das Escolas através dos resultados em provas aferidas (estáveis como as do PISA para permitirem a comparação), a formação aprofundada de todos os professores em áreas decisivas como leitura/escrita/literacia , sociologia, direitos humanos, a instalação de bibliotecas/CRE's em todas as escolas e de armários (sim, armários!) com livros e outros recursos que permitam a diferenciação pedagógica, nas próprias salas de aula (contra a opinião de alguns especialistas...)...
Não posso, portanto, ouvir falar em exclusão escolar quando sabemos que o bem estar dos povos, o desenvolvimento sustentável, o diálogo intercultural exigem a inclusão de TODOS, numa Escola Amiga, onde se aprenda cooperando...
Trabalhei também fora da Escola, com grupos de alunos excluídos do Sistema Educativo, e foi-me grato vê-los querer prosseguir estudos quando, antes, julgavam que não tinham capacidade para aprender...
Ao longo da carreira mantive sempre a esperança de ver melhorar a escola a que todos podem aceder, a escola das diferenças mas não a das desigualdades...
Imaginam como fiquei quando li os parâmetros do concurso para professor titular , incidindo apenas nos últimos 7 anos..., deixando de fora alguns dos colegas mais experientes, rigorosos e inovadores, permitindo que professores não efectivos na escola ultrapassassem os do seu quadro..., sabendo que alguns titulares eram justamente os que se haviam oposto e entravado toda e qualquer mudança no sistema, que reprovavam mais de 50% dos seus alunos, que explicavam o insucesso pela teoria dos dons..., que não frequentavam acções de formação adquadas às suas necessidades e às da escola..., que troçavam abertamente das advertências da Assembleia de Escola quando esta mostrava que o PEE ia para o Norte e o PAA para o Sul...,que os Presidentes do CE (que acumulavam funções no CP) ainda reclamavam mais poder...
Quando vi que o ME falava de qualidade e se apoiava, exactamente, em muitos dos que se opunham à introdução de melhorias em áreas diagnosticadas , juntei -me aos clamores dos colegas humilhados e ofendidos...

Em Novembro, entreguei ao Ministério um trabalho sobre Políticas de Leitura com mais de 1000 páginas...uma vez que a leitura é o cerne do currículo escolar e a biblioteca a 'alma da Escola'...Durante a licença sabática pude ler sobre matérias que me interessa(va) m muito e estou disponível para partilhar convosco as reflexões que tive oportunidade de fazer. Assim, começo já por vos sugerir três actividades:

- uma visita às páginas do Ministério da Educação e da Embaixada da Finlândia onde poderão verificar quais os segredos do sucesso escolar nesse país. Não há rankings, as expectativas dos professores sobre os alunos são altas (Efeito de Pigmaleão) porque é normal aprender..., usam-se técnicas Freinet, ..Enfim ...os nossos colegas são os menos angustiados da zona da OCDE.

- uma consulta às conclusões do PISA 2000 sobre competência leitora: lê melhor os textos do quotidiano (alvo das provas internacionais) quem convive assiduamente, na família, com os bens da cultura clássica:literatura, pintura, teatro, música...Claro que se percebe porquê se pensarmos que a literatura é o lugar de produyção dos sentidos inesgotáveis da Língua e a resposta às mais fundas necessidades da condição humana...Se a Escola Pública não providenciar este convívio a todas as crianças...o fosso agravar-se-á...e Portugal nunca mais sairá dos últimos lugares....

- uma consulta ao Relatório da IGE que mostra os pontos fortes e fracos das 100 escolas avaliadas...É interessante verificar que a própria inspecção não traça , das escolas, o panorama negro que o ME difunde...E, já agora, os parâmetros poderiam inspirar o Modelo de Avaliação...
Peço desculpa àqueles que não perfilham estas ideias, o que é legítimo em democracia, mas não consigo estar do lado de quem defende a exclusão e a segregação, contra a Escola Inclusiva...

Agradeço a paciência de quem conseguiu chegar até ao fim deste texto...

Cordiais saudações

MC Rolo

quinta-feira, março 20, 2008

A propósito de um tal «Fórum para a liberdade de educação»

A liberdade da educação é posta em causa pelos (pseudo) arautos dessa
mesma «liberdade» !!!

Eles escondem o essencial do seu próprio projecto: que o Estado seja
(ainda mais) o fornecedor dos meios para as escolas privadas.
Sendo assim, para que houvesse real liberdade de ensinar e aprender,
os educandos não poderiam ser objecto qualquer de discriminação por
parte dessas instituições, como são e de várias maneiras:

- Os estabelecimentos privados seleccionam à partida os alunos.
Primeiro, de forma muito directa pelas elevadas propinas. É uma
hipocrisia atribuírem uma dúzia de bolsas a alunos de famílias
carenciadas, destina-se apenas a justificar o título e a consequente
isenção de impostos como «empresas com fins sociais e não-lucrativos».

- Mas também confessionais: os mais conhecidos colégios privados em
Portugal são detidos por ordens religiosas, pertencendo à Igreja
Católica.

-Mas ainda com selecção à entrada dos «bons alunos»: por exemplo, o
Colégio dos Maristas de Carcavelos selecciona os alunos com base nas
notas obtidas anteriormente e faz testes para ordenar os candidatos. O
mesmo ocorre com outros colégios tidos como de «elite» (S. João de
Brito - Jesuítas; Planalto - Opus Dei ; Salesianos; etc. etc)

O Estado subsidia a fundo perdido muitos colégios e estabelecimentos
de educação por esse país fora. Por exemplo, tem sido divulgado pelos
sindicatos que, na região de Coimbra, há colégios privados com apoios
do Estado, enquanto escolas públicas da zona sofrem de desinvestimento
crónico.
Mas ainda mais: o Estado vai favorecer directamente os pais que
colocam os filhos nesses colégios: no IRS podem descontar muito mais
do que os pais que colocaram numa escola pública os filhos. Isso
significa que pagarão menos impostos, em relação ao seu rendimento. É
uma outra forma indirecta de subsidiar os colégios privados.
Outro aspecto muito omitido é o do recrutamento do pessoal docente: os
colégios podem recrutar (e quase só, de facto) professores com longos
anos de formação em escolas superiores públicas, seguidos de longos
anos como profissionais no ensino público. Os anos de formação inicial
e aperfeiçoamento são suportados pelo sistema público de ensino, mas
os frutos dessa formação exigente são colhidos pelo ensino privado.

Não existe igualdade, de facto, sem igualdade económica. Por muito que
gritem os arautos da «liberdade de ensino», eles são contra a
liberdade dos menos abonados em terem as mesmas condições e
oportunidades que os filhos dos privilegiados. Senão, teriam realmente
projectos de caridade verdadeira, ou seja, alguns filhos de ricos,
pagariam as propinas elevadas que permitissem aos filhos dos pobres
aprender nas mesmas condições.

Mas os pais que colocam os filhos em colégios caros, fazem-no - em
muitos casos- porque julgam que assim perpetuam o privilégio, ao
pagarem um ensino caro, pensam que estão a «comprar o futuro» dos seus
filhos. Compreensível nesta sociedade, onde o dinheiro é o único valor
e a única bitola.
O que está subjacente a toda a retórica em torno da «liberdade» de
ensino é que o ensino público, frequentado pelos filhos dos pobres e
em úmero dez vezes superior, seja de fraca qualidade e assim se
mantenha, de molde a que se perpetue o privilégio para os filhos dos
ricos.

Não é a escola pública em si mesma que vai desaparecer; é a qualidade
e seriedade mínima nesta escola!
Portanto, vai ficar uma escola muito degradada para as classes mais
baixas, sendo assim o segmento «superior» segregado da «ralé» e
beneficiando de um ensino convencional e capaz de os habilitar a serem
os «chefes» dos futuros «falhados», os que não tiveram oportunidade de
se desenvolver e de realizar o seu potencial na escola. Isto é
«apartheid social» massiço.

Os inimigos da liberdade têm um rosto tão hediondo, que nunca o
poderão revelar sem que sejam logo evidentes os seus objectivos.