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quinta-feira, março 27, 2008

Carta aberta aos encarregados de educação

Esta Carta Aberta aos Encarregados de Educação resultou da reunião de 15/03/2008 organizada por iniciativa da Comissão de Defesa da Escola Pública (CDEP) em Algés e tem por finalidade ser entregue pelos professores aos pais, aproveitando o momento das reuniões da avaliação do 2º. período, devendo também ser divulgada por associações de pais junto dos seus associados, dos pais e dos encarregados de educação.

A sua atempada divulgação junto dos professores, educadores e cidadãos é extremamente importante pois quanto mais cedo chegar aos seus destinatários, mais depressa as consciências serão despertadas e alertadas para os perigos em que incorre hoje a Escola Pública. Só em unidade e em plena consciência será possível detê-los!


Carta aberta aos encarregados de educação

Os professores e educadores estão em luta pela defesa da Escola Pública!

Neste momento delicado do ano escolar, quando a actividade lectiva está em pleno, quando decorre um processo de avaliação dos alunos em que a máxima serenidade deveria pontuar, os professores e educadores estão profundamente inquietos com o futuro da Escola Pública.

O Governo e os meios de Comunicação Social querem fazer crer à opinião pública que as recentes manifestações de professores e educadores visam reivindicações laborais egoístas e, muito concretamente, que os professores se recusam a ser avaliados.

TAL NÃO CORRESPONDE À VERDADE!

Efectivamente, os professores sempre têm sido avaliados: avaliados pelas provas prestadas, pelo trabalho diariamente desenvolvido e pelos resultados obtidos ; avaliados pelas acções de formação permanente que frequentam e as provas a que aí se sujeitam ; avaliados pelos colegas, pelos funcionários, pelas direcções das escolas e pelos serviços de inspecção do Ministério da Educação ; avaliados, ainda, pelos encarregados de educação que, em permanência, podem acompanhar a actividade desenvolvida pela escola junto dos seus educandos.

Para compreendermos a actual situação é necessário perceber que, mais do que um direito à educação e à instrução, a Escola Pública é um dever que envolve o Estado e os cidadãos.

O Estado tem, por esse motivo, a pesada obrigação de promover e manter uma Escola Pública com o máximo de ambição e qualidade. Por sua vez, os cidadãos – obrigados que são a frequentar a escola – têm todo o direito de exigir do Estado uma Escola onde as novas gerações possam beneficiar de uma vasta e segura formação que as capacite para o exercício pleno de uma vida adulta em sociedade.

Como profissionais do ensino – além de encarregados de educação e de cidadãos atentos que também são – os professores apercebem-se, em primeira linha, dos principais problemas que afectam a Escola e, desde sempre, têm vindo a alertar o Ministério para o tipo de mudanças que julgam ser as mais necessárias. O Ministério da Educação, para além de não ouvir os professores, tem vindo a pôr em prática, desde há muito, reformas que, apesar de terem alterado substancialmente a vida das escolas, nunca foram devidamente avaliadas.

Além disso, de há três anos para cá, o Ministério da Educação, confrontado com os fracos resultados obtidos pelos alunos, em comparação com os de outros países – e numa lógica baseada no cumprimento da agenda de Lisboa e dos prazos impostos pela União Europeia (2013) – achou por bem atribuir aos professores a responsabilidade pelo grave estado da educação em Portugal. É nesta linha que se insere uma avaliação do desempenho burocrática, penalizadora e hipócrita que apenas impede a progressão na carreira. O seu objectivo não é o verdadeiro sucesso escolar dos alunos, mas apenas produzir boas estatísticas em termos internacionais.

Estas medidas integram-se ainda num plano de contenção de despesas (encerramento de escolas, transferências de responsabilidades de gestão para os Municípios, medidas contra o ensino especial, etc.) de que só pode resultar a degradação da escola pública. As leis aprovadas (o Estatuto da Carreira Docente, o novo Estatuto do Aluno, as alterações ao regime do Ensino Especial, a alteração do modelo de gestão das escolas, o recurso a empresas para o fornecimento, em regime de trabalho precário, de monitores das Actividades de Enriquecimento Curricular no 1º Ciclo, a Escola a Tempo Inteiro, o programa Novas Oportunidades) apontam para a preparação de indivíduos para o mercado de trabalho precário, submissos e conformados a uma sociedade não democrática.

Os professores estão hoje unidos em defesa da Escola Pública, a única escola que, efectivamente, pode formar cidadãos emancipados e à qual todos, ricos ou pobres, têm garantido o acesso.

Apelamos assim aos encarregados de educação que juntem a sua voz à nossa para que, conjuntamente, saibamos definir os caminhos que levem à concretização de uma melhor escola para todos.

Esta carta aberta foi elaborada numa reunião de professores, educadores e encarregados de educação,

realizada por iniciativa da Comissão de Defesa da Escola Pública, no passado dia 15 de Março, em Algés.

segunda-feira, março 17, 2008

Comentário Pertinente

Colegas,

Ando à espera que os animos se acalmem para poder haver uma troca de ideias construtivas, mas o entusiasmo, compreensível, de muitos opinadores tem-na tornado um pouco difícil.
Penso ter chegado a hora de fazer um “brainstorming” para, de forma criativa, passarmos ao plano B, ou a vários planos. Se fomos capazes de nos mobilizar desta forma, poderemos fazer muito mais. Com calma, com inteligência e com criatividade. Estas demonstrações e manifestações mostraram que algo não vai bem com a educação e chamou a atenção de opinadores e opinião pública, para o mal e para o bem. Até acho bem que as opiniões se extremam um pouco, como no caso do artigo do Rangel, para mostrar até que ponto a atitude dos “contra” são geralmente grotescas, insultuosas, ou apenas desconhecedoras da realidade.

Tenho pensado muito e creio, sinceramente, que a continuar as manifestações nos mesmos moldes, estas poderão virar-se contra nós. Foram eficazes, pronto. Estamos aqui, agora há quem nos ouça. Façamo-nos ouvir! Penso que devemos agora passar ao esclarecimento da opinião pública, começando pelos encarregados de educação dos nossos alunos e pelas associações de pais das nossas escolas e/ou agrupamentos. Deveriamos mostrar-lhes, ponto por ponto, as alterações que “mexem” com os seus educandos, com as aulas dos seus filhos, com o futuro deles. NÂO PARA NOS QUEIXARMOS apenas daquilo que nos toca, mas daquilo que toca aos alunos. Mostrar-lhes, por aritmética simples e em português claro, que os professores sempre cumpriram mais do que as 22h dos seus horários e lembrar-lhes dos projectos pedagógicos, actividades desenvolvidos nas escolas destacando, inclusive, o mérito e os prémios alcançados por muitos alunos e turmas, porque os há em todas as escolas. E depois:

- alertá-los para os moldes em que estão a decorrer a maioria das aulas de substituição, uma vez que não é o ouro sobre azul propalado pelo ME. Eles que perguntem aos filhos.

- Mostrar-lhes as desvantagens de uma escola a tempo inteiro, do cansaço dos alunos decorrente destas iniciativas. Nem todos os alunos são iguais e não se lhes pode impor actividades iguais para todos durante 8, 9, 10 h.


- Do grande logro que serão as aulas dos alunos de professores titulares que passarão para 2º plano em certas alturas do ano. Estes deixarão os seus alunos com professores substitutos quande faltares a 20, 30 40 aulas por ano para poderem avaliar os colegas.

- Da injustiça do sistema de faltas do novo estatuto do aluno que vai ser aplicado mais dia menos dia.

- Do problema criado pela novo sistema de classificação dos alunos do ensino especial e das implicações que irão ter em futuras turmas” normais”.


- Da crescente falta de apoios aos alunos com NEE temporárias, ao abrigo de uma classificação polémica como é o CIF.

- Mostrar a grande fragilidade do sistema de um professor generalista para o 2º ciclo, que provocará uma maior infantilização das crianças e uma menor preparação das mesmas.


- Lembrar que a forma irresponsável como o ME quis impor a TLEBS, contrária a todas as opiniões de professores, pedagogos e especialistas, é a mesma que está presente nestas imposições legais todas.

- Mostrar que o nosso cepticismo face ao novo RAAG e da influência da gestão autarquica se prende com o modo, por exemplo, como 30 anos de gestão autárquica conduziram as escolas do 1ºciclo que estão a ser fechadas

E isto é só do que me lembro agora, no momento. Certamente que outros se lembrarão de muito mais que possa ser dito e serão capazes, de forma mais simples e objectiva, apresentar aos Pais e EE. Talvez em folheto, talvez em pps ou, porque não, num Flipbook tão querido ao ME. Se os blogs e sms inundaram as ruas de profs, que continuem a ser as novas tecnologias a chamar à razão os EE.

Creio que a nossa próxima alternativa é chamar os pais a colaborarem connosco. Tenho mesmo muito receio da mera politização e sindicalização da nossa marcha. Apropriarem-se e estropiarem ou deixarem morrer esta nossa posição seria um crime.

Vou enviar esta minha posição a outros blogs e movimentos e gostaria de saber a vossa opinião.

Muito obrigada pela vossa criatividade, oportunidade e dedicação. Um bem-haja!

Um abraço
Elsie

16 de Março de 2008

Comentário extraído deste post no blog A Sinistra Ministra