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terça-feira, março 02, 2010

Escola Secundária Cristina Torres em situação calamitosa!

Situação calamitosa que se vive na Esc. Sec. Cristina Torres - FIGUEIRA DA FOZ

Julgo que os colegas necessitam do apoio imediato da APPEFIS (info@appefis.org), do próprio sindicato, do CNAPEF (cnapef@gmail.com) e da SEPF


Olá colegas


Venho expor-vos um assunto para o qual gostaria de obter um comentário vosso:

Na Escola Secundária c/ 3ºCiclo de Cristina Torres (Figueira da Foz), o Director, com o apoio do Conselho Pedagógico, veio obrigar a que os professores de Educação Física desta escola, implementem medidas de apoio educativo sempre que a média de um aluno/a nas outras disciplinas difira dois ou mais valores em relação à classificação atribuída em Educação Física.

Este plano tem como objectivo permitir ao aluno/a a recuperação e o desenvolvimento das competências necessárias para este/a atingir um nível equivalente ao seu "perfil".

Ou seja, por absurdo, poderemos ter um aluno com uma classificação de 18 valores em Educação Física, mas que tendo média de 20 valores nas restantes disciplinas, terá que ser sujeito a um plano de recuperação.

Convém referir que mesmo que esta situação se verifique noutras disciplinas, o referido plano só se aplica na disciplina de Educação Física.


Temos portanto aqui uma situação clara de discriminação e de arbitrariedade com a conivência do Conselho Pedagógico, o que é efectivamente grave.

Situações como esta são comuns na nossa escola.

Desde uma gradual degradação das condições de trabalho, passando pela elaboração de horáriosde Educação Física - que não só desrespeitam os professores como ospróprios alunos, impedindo-os de ter condições de prática que lhes permita ter uma aprendizagem de qualidade (a título de exemplo dir-vos-ei que há professores a trabalharem em todos os turnos da semana sem folga alguma, algo nunca visto em nenhuma escola; condições de espaço para 3 professores trabalharem em simultâneo, chegam a trabalhar 5; etc) - e acabando noutras situações que agora não vale a pena aqui relatar.

A verdade é que a desconsideração pela disciplina não tem limites.

Perante estas situações tudo têm os professores feito para alterar este estado de coisas.

Debalde.

A Direcção está apostada em fazer a vida negra aos professores de Educação Física e tem conseguido levar a sua avante para desespero de todos nós.

Perguntar-me-ão o porquê de tudo isto?.

Será que os professores são uns baldas, não trabalham?

Nada disso.

Em vez de reconhecer o trabalho que os seus profissionais desenvolvem, o Director persegue-os pq não reconhece importância à Educação Física e, acima de tudo, não está de acordo com as classificações atribuídas na disciplina que, segundo ele, prejudicam os melhores alunos.

Isto apesar de a média em Educação Física ser a mais alta comparativamente com as restantes disciplinas.

Só que isso para a Direcção e a maioria dos restantes colegas pouco importa.

Para esta "gentalha" se um aluno/a tem média de 18 tem que obrigatoriamente ter a mesma classificação em Educação Física.

Claro está que esta atitude merece o apoio da Associação de Pais.

A guerra está instalada: enquanto não soçobrarmos a declaração de guerra é para manter.

É justo isto? Não me parece.

Agradecendo a atenção dispensada, me subscrevo

Pedro Neto, sócio n.º 99 da appefis

quarta-feira, maio 20, 2009

«HÁ SEMPRE ALGUÉM QUE RESISTE, HÁ SEMPRE ALGUÉM QUE DIZ NÃO



A luta continua!!!!!!!!!! Não desmoreçamos!!!!!!!!!!!!!!!!



09-May-2009

7 de Maio de 2009, dia do patrono da ES/3 Dr. José Macedo Fragateiro. A Ministra da Educação aproveitou a efeméride para ir à escola entregar diplomas e, supostamente, ver a Escola antes das obras que aí vão ser realizadas. Tudo ocorreu com grande secretismo, mas, no próprio dia, adivinhava-se que a visita ia mesmo acontecer.

Ao final da tarde, no exterior, foram-se juntando professores/as de várias escolas de Ovar, vestidos de luto, que de mãos dadas em silêncio, foram ladeando a porta de entrada da escola, por onde presumivelmente passaria o carro da ministra.
Finalmente chegou, mas “num golpe de rins” o carro guinou para um portão lateral.
Maria de Lurdes Rodrigues teve medo daquele luto e daquele silêncio. A indignação foi tão grande que, espontaneamente, em coro (forte, muito forte) os professores gritaram: "há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não!". Foi um momento de grande emoção colectiva.
Dentro da escola os professores também vestiam de luto.
A ministra entro, falou, entregou diplomas, mas os professores mantiveram-se obstinadamente juntos e silenciosos. Depois o "Canto Décimo", também de luto vestido dedicou o seu canto aos professores portugueses, e à memória de José Fragateiro, evocando a frontalidade democrática que o caracterizava, e que o faria, certamente, estar ao lado dos professores, nestes tempos tão difíceis que estão a passar.

No fim da sessão, um grupo de professores entregou à Ministra um documento de protesto, que deixamos aqui, para que conste. A resistência continua! E a Ministra foi-se embora sem visitar a Escola.

Senhora Ministra da Educação
Excelência

Hoje, dia 7 de Maio de 2009, a nossa Escola – a Escola Secundária com 3.º Ciclo do E.B. José Macedo Fragateiro – está em festa.

Durante todo o dia foi possível verificar, em muitos dos nossos espaços interiores e exteriores, o profissionalismo, a dedicação e empenho dos professores, dos alunos e dos funcionários que integram o conjunto da nossa comunidade escolar.

Ao longo do dia, por entre todas as actividades aqui realizadas, pudemos também perceber e sentir o espírito e a presença do legado que nos deixou o nosso patrono, colega e companheiro de alguns de nós em tempos difíceis do nosso sistema educativo, o Dr. José Macedo Fragateiro

O Dr. Fragateiro foi e continua a ser para nós um modelo de pedagogo que, sem alaridos nem arruaça, soube mostrar-nos (a professores, a alunos e a funcionários) como se deve combater pela liberdade, pela justiça e pela qualidade da escola pública. O Dr. Fragateiro foi e continuará a ser para nós um exemplo de cidadão que não verga a cerviz e não cede a tiques de autoritarismo ou à imposição de quaisquer tipo de mordaça ou inibição da liberdade e autonomia que deve reger o verdadeiro trabalho docente (um magistério!) nem ficaria indiferente perante toda e qualquer manifestação de ataque à dignidade e prestígio da função docente. Se cá estivesse ainda, certamente estaria ao nosso lado e não aceitaria a perda da democracia na gestão das escolas nem alinharia com processos de pseudo-avaliação de desempenho docente nem com a divisão da nossa carreira em diferentes categorias.

Neste dia, portanto, que foi de festa e de alegria, não poderíamos deixar de lhe manifestar – em nome da grande maioria dos professores desta escola – a nossa tristeza e mágoa por tudo o que o seu Ministério nos tem feito e continua a fazer, destruindo a nossa vontade de trabalhar mais e sempre em prol da formação dos nossos alunos como cidadãos livres, críticos e independentes.

A senhora Ministra sabe certamente as razões por que lhe dizemos isto.

Professores da Escola Sec. José Macedo Fragateiro


APELO: Recusem a papaguear o manual de instruções para as provas de aferição!


A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, defendeu hoje que o "manual de aplicação" destinado aos professores durante a realização das provas de aferição "é muito útil" e "absolutamente necessário" aos docentes para assegurar igualdade em todas as turmas. A ministra frisou que o manual, que dá indicações muito específicas, incluindo as frases que os professores devem dizer a cada momento da prova, "é um guia de apoio aos professores".

ATENÇÃO
A partir daqui, siga cuidadosamente os procedimentos descritos no Guião de Aplicação de cada prova.
Não procure decorar as instruções ou interpretá-las, mas antes lê-las exactamente como lhe são apresentadas ao longo deste Manual.

Para consultar o texto completo “Clique AQUI”.

Felizmente não sou professor porque não tinha estômago para aturar tanta humilhação. Fazer do professor um incapaz de tomar conta de um exame, dizendo-lhe exactamente, não o que deve dizer, mas o que deve ler em voz alta. O que isto quer dizer é que não há necessidade de na sala da avaliação estar um professor. Podia estar um polícia, um estivador ou um Engenheiro da Independente, desde que soubesse ler.
Até quando vão os professores calar a sua indignação e correr com esta gente? Até quando vão gritar nas manifestações e calar nas escolas? Até quando vão jurar lutar contra as medidas impostas pela sinistra e cumprir às escondidas as ordens do ministério? Até quando?

Apelo a todos os professores que amanhã vão estar envolvidos nas provas de aferição dos 1º e 2º ciclos do ensino básico que não se deixem uma vez mais violentar, humilhar, ultrajar, por este ministério e caso recebam a propalada carta com as instruções a serem lidas aos alunos antes, durante e no final da prova, como se de dementes mentais se tratassem que não sabem comunicar meia dúzia de ordens e comportamentos simples aos alunos, no minímo se recusem a ler esse ignominioso documento. é o mínimo que vos posso pedir. o que o documento pede é ser rasgado de imediato e devolvido ao remetente. com um pouco mais de tempo e se o papel não for de qualidade rasca como tudo o que vem do ministério, o que se devia fazer era após o serviço sanitário, limpar-lhe o rabo e devolvê-lo em carta registada, com aviso de recepção à senhora ministra da educação. se cederes e entregares a tua dignidade na mão desta canalha, só te resta fazer a lobotomia para mostrares aos teus filhos ou amigos uma réstia de dignidade.

As contas que o ME não quer fazer...

Sócrates e os seus fiéis seguidores no Ministério da Educação muito
gostam de contas e de estatística. Números, portanto. Na minha humilde
opinião, há outras contas e outras estatísticas que eu, pessoalmente,
gostaria que viessem a público, pela sua importância óbvia na
eficiência do sistema educativo nacional. Eu acho que a importância é
óbvia, porque sou professor e conheço - por dentro - o que afecta o
insucesso nas nossas escolas. Claro que outros podem achar que a
importância é pouca ou nenhuma, ou que eu, por ser professor, não
conheço o que contribui para o insucesso (os "especialistas de
gabinete" é que dominariam estes assuntos). Cada um que pense por si.

Vamos a contas:

1. As aulas perdidas com a aposentação

Quando os jornais e televisões eram bombardeados com estatísticas
sobre as faltas dos professores, julgo que faltou apresentar os
números relativos às dezenas de aulas que milhares de alunos perdem,
por ano, por via da aposentação de professores a meio do ano lectivo.
Enquanto não vem a aposentação - e isto tem sido a realidade em muitas
situações -, há semanas seguidas sem aulas, atestados médicos
desnecessários, ansiedade escusada, stress e desmotivação. E alunos
prejudicados! Ou seja, um ME que tanto fingiu preocupar-se com as
faltas dos professores, ainda não foi capaz de criar um mecanismo que
evite estas situações. Na prática, os alunos ficam bastante mais
prejudicados com estas situações, do que com alguns 102º espalhados
pelo ano lectivo. Uma estatística comparativa poderia fazer descer
alguma luz sobre o sistema, digo eu.

2. O tempo efectivo de aprendizagem

Se há uma coisa que é notória, é a ignorância do que se passa dentro
das quatro paredes das salas de aula. Os professores que lá trabalham,
sabem-no bem. Mas, derivado a esse fantástico conceito que é o "caso
pontual", as salas de aula portuguesas são todas umas eficientes
fábricas de produção de "Jaguares", segundo a visão iluminada da
senhora Ministra da Educação. As contas que eu gostava de ver feitas e
publicadas, dizem respeito ao tempo efectivo de aprendizagem dentro
das salas de aula. Isto é, numa aula de noventa minutos, quantos
minutos são dedicados efectivamente a aprendizagens (ensinar e
aprender, entenda-se) e quantos são dedicados a outras actividades
menos nobres e desconhecidas dos "especialistas", nomeadamente no
controlo e combate da indisciplina. Convém explicitar que a
interrupção de uma aula, nem que seja para mandar um aluno calar-se ou
virar-se para a frente, resulta de uma situação de indisciplina,
implicando a perturbação da concentração de todos os alunos e,
consequentemente, a diminuição da qualidade das aprendizagens. Por
mais que os pais defendam que não é indisciplina e que os filhos são
apenas muito faladores e/ou irrequietos e/ou outra desculpa qualquer.
Houvesse números públicos, sérios, e quer-me parecer que teríamos um
escândalo nacional. Porque, da realidade que conheço, há situações
frequentes de tempos efectivos de aprendizagens inferiores a 50%, ao
longo de praticamente todo o ano lectivo. Isto equivale a que, por
exemplo, no final do ano lectivo, milhares de alunos tenham tido menos
de 50 aulas de Matemática, em vez das 100 que o Estado diz que os
alunos têm. Milhares de "casos pontuais", claro.

3. O dinheiro oferecido sem nada em troca

Quando tivemos a Avaliação Externa na nossa escola, vi-me, pela
primeira vez, confrontado com o conceito de custo por aluno. Neste
caso, uns 6000 euros anuais por cada um. Ou seja, o Estado, cujo fundo
de maneio vem da remuneração de todos nós, oferece 6000 euros, por
aluno, às famílias que têm os filhos a estudar na nossa escola.
Oferece, mas não pede nada em troca. Não pede esforço, nem dedicação,
nem sucesso, nem sequer comportamentos adequados. A maior parte dos
pais não paga 6000 euros de IRS ao Estado, nem nada que se pareça.
Pelo que se trata, efectivamente, de uma oferta. Um exemplo. Um aluno
entra para o 7º ano e o Estado paga-lhe 6000 euros para andar
gratuitamente na escola. O aluno, que descobriu que os pais não se
importam muito com o seu sucesso escolar ou que não mostraram
autoridade suficiente para o obrigar a ter aproveitamento, chega ao
fim do ano lectivo e fica retido. O Estado, generoso quanto baste,
chega-se à frente com outros 6000 euros para o ano lectivo seguinte. A
estória repete-se, com nova e lamentável retenção. Os pais,
entretanto, já descobriram que o filho ficou retido, pela segunda vez,
por vingança e/ou perseguição dos professores, claro. Pelo terceiro
ano consecutivo, o Estado entra com outros 6000 euros. A escola tenta
dar a volta à situação, com uma transição por baixo da mesa, perante o
ar de gozo e de desplante do aluno (e dos pais, já agora). Com jeito,
talvez integre uma turma de PCA, ou um CEF, ou outra alternativa
qualquer que, pela dimensão das turmas, sugere um custo por aluno
muito superior aos dos alunos aplicados e cumpridores. Nunca o Estado
encosta o aluno e os respectivos pais à parede e lhes pede contas pelo
esbanjamento dos 6000 euros. Nunca! Mas era bom que se fizessem contas
à vida e se contabilizasse o dinheiro que foi literalmente atirado ao
lixo pelas famílias que não obrigaram os seus filhos a estudar e a ter
aproveitamento. Como se isso não bastasse, quantos destes desperdícios
não estiveram (e estão, e vão continuar a estar) associados
directamente ao prejuízo dos alunos que querem aprender (ou cujos pais
os obrigam a aprender)? Contas, precisam-se. Felizmente, este Estado
descobriu o remédio para que nunca mais seja necessário fazer este
tipo de contas e muito menos encontrar soluções: a milagrosa abolição
das retenções. Mais um passe de mágica.

4. O insucesso garantido

Durante o primeiro ciclo do ensino básico, seja no início ou no fim, a
experiência dos professores permite detectar situações de insucesso
garantido entre os alunos. Os professores podem identificar estas
situações, nos casos mais graves podem-nas referenciar a outras
entidades (uma CPCJ, por exemplo), mas, na prática, o resultado é
quase sempre o insucesso. No segundo e terceiro ciclos, também se
conseguem identificar rapidamente situações em que se antevê o
insucesso garantido. Há quem se "mande aos arames" ao ler estas
coisas, culpando os professores - ao bom jeito da senhora ministra e
dos seus secretários - por não fazerem nada para contrariar e inverter
a situação. Pois bem, assim sendo, vamos a um exemplo. Um aluno vive
numa família onde a violência gratuita, o achincalhar dos outros, a
agressão verbal, a linguagem ofensiva e rica em palavrões, e o
desprezo pelo conhecimento e pela cultura compõem o dia-a-dia. Para
além de um ambiente familiar hostil à serenidade necessária ao estudo,
este aluno leva consigo, para a sala de aula, um reboliço mental que
não lhe dá margem de manobra para aprender o mesmo que os outros.
Quando falamos de igualdades e direitos, este aluno fica, obviamente,
de fora. Uma aluna de seis anos vive numa família em que o pai lhe dá
pontapés na cabeça e um familiar do sexo masculino tem autorização
para abusar sexualmente dela, partilhando frequentemente a mesma cama.
As conversas à mesa e pela casa abordam o sexo de forma gratuita e a
menina assiste a filmes pornográficos na presença da família. Na
escola, o comportamento é do mais instável, oscilando entre a ternura
e a agressão verbal e física. A CPCJ pouco pode fazer, pelo que o
destino desta garota será, invariavelmente, o insucesso. Com o devido
prejuízo para os alunos que tiverem o azar de a ter na turma. Não tão
graves, são alunos que já descobriram que são eles que mandam nos
pais. Ou que os pais, afinal, pouco se importam com os seus resultados
escolares. Enfim. Diagnosticam-se os problemas, mas o Estado não dá
soluções. Porque, convenhamos, e deixemos de fora os lirismos, na
maior parte das vezes o problema do insucesso reside em casa, onde a
escola pouca ou nenhuma influência tem. Quantos são estes alunos?

http://pedro-na-escola.blogs.sapo.pt/

quinta-feira, abril 30, 2009

Vital Moreira (candidato PS ao Parlamento Europeu) e os professores

Vital Moreira, reputado professor de Direito da Universidade de Coimbra, foi, no Congresso do Partido Socialista, dado a conhecer como cabeça de lista deste partido nas próximas eleições para o Parlamento Europeu.

Vital Moreira é uma personalidade com um passado e um presente político conhecido de boa parte dos portugueses. O que, talvez, nem todos saibam é que este mestre de Direito nutre um profundo desprezo pela classe docente, só comparável ao da actual Ministra da Educação.

De facto, em 18 de Novembro de 2008, no jornal "Público", Vital Moreira faz um dos ataques mais rasteiros e mais odiosos que me foi dado ler em todo este processo de luta dos professores contra o actual sistema de avaliação. Que diz aí Vital Moreira? Básicamente quatro coisas, a saber:

a) Que não existe qualquer razão para que os professores não sejam avaliados para efeitos de progressão na carreira,

b) Que os professores não gozam de direito de veto em relação às leis do país, nem podem auto-isentarem-se do seu cumprimento, pelo que não é aceitável qualquer posição que implique resistência à aplicação do actual modelo de avaliação;

c) Que o governo não pode ceder às exigências dos professores, devendo antes abrir processos disciplinares a todos aqueles que ponham em causa a concretização da avaliação dos docentes tal como foi congeminada pelo Ministério da Educação;

d) Que o governo, na batalha contra os professores, deve esforçar-se por chamar a si a opinião pública, isolando, desta forma, a classe docente.

Este é o pensamento de Vital Moreira, onde a sua veia caceteira surge bem expressa. Mas, mais do que isso, este texto, publicado no "Público", revela-nos um verdadeiro guia político da acção do Ministério da Educação contra os professores.

sexta-feira, abril 03, 2009

Reacções à demissão do CE do Agrupamento de Santo Onofre

O que se passa na educação não pode deixar ninguém indiferente. A situação de arbítrio, ilegalidade, atropelos às mais elementares regras do Direito, são uma espécie de «campo experimental» do que em breve se irá passar ao nível do país inteiro. A clique que se assenhoriou das rédeas do poder não conhece outra «lei» senão o seu desejo insaciável de poder.
As pressões sobre os docentes, as manobras propagandísticas destinadas a ocultar o descalabro que esta equipa trouxe ao quotidiano das escolas, o «sucesso» meramente estatístico... são gravíssimos.
Não menos grave, porque configura a impossibilidade de futuramente reparar todos os danos causados pela equipa de malfeitores, é a imposição de um modelo completamente autoritário e hierárquico na gestão das escolas e agrupamentos. Este modelo torna possível e gerível a destruição sistemática da escola pública. Pelo menos, da escola pública como local onde se pode ensinar e aprender em relativa liberdade, sem se estar dependente da maior ou menor disponibilidade económica dos progenitores, sem se ter ou não emprego consoante se agrade ou não ao director. Ficará a «escola pública» sem qualidade, onde os professores e demais trabalhadores perderam toda a alegria de trabalhar. A escola destinada aos pobrezinhos, aos coitadinhos que não foram 'espertos' e não enriqueceram (ou não herdaram fortuna).
É preciso fazer algo... estes governantes estão a destruir a escola pública, invocando -hipocritamente- a sua defesa.

MB

Comunicado do SPGL sobre demissão do CE de Sto. Onofre:

http://educar.wordpress.com/2009/03/31/assalto/#comment-212353

Moção aprovada pelos docentes do Agrupamento de Sto. Onofre:

http://mobilizacaoeunidadedosprofessores.blogspot.com/2009/03/mocao-dos-professores-do-agrupamento-de.html

--
Publicada por Luta Social em Luta Social

Uma professora a propósito da ausência de mobilização

Não sou sindicalizada e, por essa razão, não me sinto com autoridade para julgar o comportamento dos sindicatos. Mas sou professora e ainda não consegui deixar de me espantar com a falta de reacção imediata de todos os professores face às afrontas de que temos sido alvo. Perante uma notícia destas era de esperar que todos nos plantássemos em vigília sine die diante do Agrupamento de Escolas de Santo Onofre. Será possível que cada um vá de férias assobiando para o lado na esperança cobarde que o fogo não chegue à sua palhota? Com ou sem sindicatos não temos capacidade para reagir - nem que seja por impulso - a uma cretinice desta monta? Não somos nós professores? Atitudes e valores não contam na avaliação que cada cidadão deve a si próprio?

No Umbigo apareceu uma proposta mas não me parece que a reacção seja significativa ...
"O tema do post foi desaguando em delta e já se vai perdendo o braço principal. Afinal, organizamo-nos para uma vigília frente ao agrupamento de Santo Onofre, ou vamos para férias cantando e rindo?"

http://educar.wordpress.com/2009/03/31/santo-onofre-no-publico/#comment-212484

(recebido por mail)


segunda-feira, março 16, 2009

«As atrocidades continuam»

PROFESSORA COM CANCRO LUTA PARA TER REFORMA

Caminha: docente acusa Caixa Geral de Aposentações de «violar a lei»

Uma professora de Caminha acusou segunda-feira a Caixa Geral de Aposentações de «violar a lei» ao não lhe conceder reforma antecipada completa, por cancro, mas mostrou-se convicta de que, em breve, o tribunal «fará justiça», noticia a Lusa.

«O meu direito à reforma completa está consagrado no decreto-lei 173, de 31 de Maio de 2001. O Governo que não venha dizer que é necessária uma legislação especial para estes casos, pois legislação já há e é clarinha como a água. O que é preciso é que seja cumprida e nada mais que isso», disse, à Lusa, aquela professora.
Isabel Soares, de 57 anos, professora de educação visual na EB 2,3 e Secundária de Caminha e com mais de 30 anos de serviço, está de baixa desde 2001, quando lhe foi diagnosticado um cancro. Já foi a duas juntas médicas, uma em Viana do Castelo e outra no Porto, mas de ambas as vezes foi-lhe recusada a reforma completa.
«Os meus 33 anos de serviço, enquadrados com o decreto-lei 173, conferem-me o direito à reforma completa», reiterou.

Linha do cancro: 100 chamadas por dia link externo
Cancro: trabalho português premiado link externo

Por isso, Isabel Soares moveu em Dezembro de 2006 uma acção contra a Caixa Geral de Aposentações, que corre termos no Tribunal Administrativo e Fiscal de Braga e que espera ver «sentenciada» ainda no primeiro semestre deste ano. «Se o tribunal não me der razão, se calhar vou avançar com um novo pedido de reforma antecipada, desta vez por motivos psiquiátricos», sustentou.
De baixa até Setembro de 2008, a professora só espera que o Estado «não cometa a desumanidade» de a mandar outra vez para a escola. «Estive a morrer, durante dois anos não conseguia andar, escrever ou mesmo telefonar, fiz uma quimioterapia muito forte. O cancro, neste momento, está controlado, mas a doença provocou-me efeitos secundários irreversíveis, nomeadamente a nível da medula e da locomoção», referiu.
Acrescentou que a sua vida, agora, «é andar de médico em médico, de exames em exames» e sublinhou que está a receber tratamento psiquiátrico, face à «angústia» de ter que voltar à escola. «Esta insegurança está a matar-me aos poucos», confessou.
As duas juntas médicas a que Isabel Soares se apresentou não a deram como «totalmente incapacitada» para desempenhar a sua profissão, apesar dos sete relatórios médicos que apresentou «dizerem precisamente o contrário».
Abaixo, comentário retirado do blog Sinistra Ministra
A VERDADE ACIMA DE TUDO disse...
Era o que eu pensava... as atrocidades continuam!
Teresa Silva (filha de Manuela Estanqueiro, falecida de leucemia) - 13 Mar 2009 | 15: 56

Estou totalmente solidária com todas as pessoas que de forma aberta denunciam a sua situação e este respeito, bem como com todos os que por medo de retaliações não o fazem.
Todos se devem lembram do caso da minha mãe (Manuela Estanqueiro, obrigada a ir para a escola dar aulas com uma leucemia aguda, praticamente até ser internada e morrer).
Pois é, bem me lembro do 1º Ministro, dizer que estava "chocado" com a situação, pois é, mas depois apareceu mais um caso, e mais outro e outro e ..., depois de toda aquela escandaleira e diversão política dizendo que iam (o governo) mandar averiguar o que se passou! Pois é, dessa averiguação não saiu nenhum culpado e como eu pensava, tudo caiu no esquecimento mais uma vez e outras pessoas estão a sofrer com estas medidas economicistas. Não tenho dúvidas nenhumas neste momento, que os políticos que nos governam sabem e compactuam e dão ordens para que tudo isto se esteja a passar.
Peço ajuda a toda a comunicação social para vasculharem a fundo o que os nossos gestores políticos estão a fazer com as pessoas que trabalharam uma vida e tiveram o azar de ter uma doença muito grave.
Continuo com o meu espírito revoltado, até porque só esta semana o advogado do SPZC me ligou para ter uma reunião e finalmente mandar o processo para tribunal. Como pode ser isto? Em que país estamos?
Sou franca e sincera, neste momento,não confio nos hospitais, não confio nos nossos políticos, e não confio nos sindicatos.
Os PORTUGUESES estão sozinhos nesta nau das tormentas.
Sinto-me impotente perante tanta "miséria e podridão política", que as únicas preocupações deles são de agressão mútua, para ver quem ganha a batalha nas próximas eleições.
Desculpem este desabafo.
Divulguem todas estas situações por favor e desmascarem o que se anda a passar neste país!

Teresa Silva (filha de Manuela Estanqueiro)

16 de Março de 2009 0:10

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

PROmova - DREN "anima" Carnaval em Paredes de Coura

Carnaval de Paredes de Coura

O PROmova associa-se ao sentimento de revolta dos colegas de Paredes de Coura e denuncia a interferência abusiva e "carnavalesca" da DREN

Divulgação do filme dos acontecimentos, feito por um professor do Agrupamento de Paredes de Coura, devidamente identificado: (ler no blogue do PROmova).

E-mail remetido pela Directora Regional de Educação do Norte:

Doc DREN.png



PROmova dixit:
Este caso é, absolutamente, lamentável e vem substantivar a prepotência, o instinto controlador e a deriva folclórica que a Directora Regional de Educação do Norte tem imprimido ao desempenho do seu comissariado político.
Deste episódio ressaltam as seguintes leituras óbvias:
1) têm razão os milhares de professores que optaram por investir os seus saberes e por direccionar o seu trabalho para a qualificação dos alunos, negligenciando a sua participação neste processo de avaliação do desempenho, por anteverem que deste envolvimento poderia advir prejuízo para os alunos. Neste contexto, é pena que a CONFAP tenha vistas curtas e finja não perceber estas consequências, sacrificando o interesse dos alunos à tentativa de se colar à tutela, porventura para continuar a garantir os subsídios que dela recebe;
2) a situação ocorrida no Agrupamento de Paredes de Coura é o exemplo paradigmático de como este processo de avaliação absorve, inutilmente, o tempo e o empenho dos docentes, retirando-lhes a possibilidade de concretizarem parte das actividades extra-curriculares e dos projectos que tinham sido planeados. Felizmente, existem centenas de escolas/agrupamentos, pelo país fora, que resistem e se recusam a participar na implementação deste modelo de avaliação absurdo e contraproducente;
3) a interferência precipitada, abusiva e desastrosa da DREN na decisão legítima do Conselho Pedagógico constitui um acto intrusivo injustificado e uma estocada na autonomia das escolas, abrindo, desta forma, um precedente da maior gravidade. Acima de tudo, porque o Conselho Pedagógico é o órgão vocacionado para avaliar e redefinir as actividades e os projectos planeados, tendo-se regido, neste caso particular, por critérios pedagógicos que visaram acautelar as iniciativas de maior relevância pedagógica para os alunos;
4) a Directora Regional confirma os seus tiques autocráticos, violentadores da convivência democrática e da inerente liberdade de expressão, além de que aparenta não estar provida do nível cultural requerido à ocupação de um cargo de tão elevada responsabilidade, pois evidencia deficits clamorosos de expressão linguística, como atesta, de forma exuberante, o ponto 3 inserto no e-mail remetido ao Agrupamento, cujo conteúdo é, de todo, ininteligível;
5) a CONFAP mostrou-se ao seu melhor nível, deturpando, falaciosamente, o conteúdo e o alcance da decisão tomada pelo Conselho Pedagógico, o que denota ignorância grosseira ou má-fé;
6) aplicou-se, a esta situação concreta, a orientação política geral que vai no sentido de privilegiar o autoritarismo sem autoridade e de sobrevalorizar o folclore e o espectáculo, em detrimento da imprescindível preservação da autoridade dos professores e das escolas, alimentando-se, assim, um sentimento rasteiro de hostilização aos docentes, o qual, desgraçadamente, começa a grassar pelo país.


«Professores de luto, amordaçados e acorrentados por «serem obrigados» a desfile de Carnaval»
Os professores do Agrupamento de Escolas de Paredes de Coura participaram hoje no desfile de Carnaval vestidos de preto, amordaçados e acorrentados, que consideram como «forma de protesto» por terem sido obrigados pela DREN a promover aquela actividade

Consulte o artigo completo em: http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=126690

sábado, janeiro 17, 2009

Guinote - «Porque não entregarei os objectivos individuais»

Janeiro 16, 2009

Público" target="_blank">Comentário No Público

Posted by Paulo Guinote under Posições, Simplex
Público" target="_blank">[148] Comments

pub16jan09

O texto é uma versão retocada do que postei aqui na 4ª feira. A imagem, por enquanto, não dá para ampliar.

Porque não entregarei os Objectivos Individuais

Esta semana, por todo o país, dezenas, centenas de escolas e milhares de docentes voltaram a manifestar a sua oposição à implementação do modelo de avaliação legislado pelo Ministério da Educação em Janeiro de 2008 e já simplificado por duas vezes para se criar a ficção de que é aplicável. Nesta segunda (terceira?) tentativa de dar vida ao modelo, optou-se por deixar do edifício inicial apenas a fachada, para não o substituir por outro mais correcto.
Na minha escola, em votação secreta, numa Reunião Geral de Professores, uma larga maioria pronunciou-se pela não entrega dos Objectivos Individuais (OI) após debate sobre as várias vias de contestação possível. Não foi elaborada moção por se ter chegado à conclusão consensual que este é um momento para tomadas de posição individuais, assumindo cada um as suas razões para os seus actos. Deixo apenas aqui os fundamentos do meu voto contra a entrega dos OI e porque prefiro isso a adoptar uma das outras duas vias em presença (aceitar o simplex ou pedir a aplicação extensiva do modelo).
a) Não aceito o simplex por ser um simulacro de avaliação, mero pretexto eleitoralista e demagógico, de onde está ausente a componente essencial do trabalho de um docente.
b) Não acho, neste momento, válida a opção da aplicação extensiva do modelo, no sentido da implosão do modelo, porque isso significaria aderir a um processo em que o meu desempenho neste pseudo-"ciclo de avaliação" se resumiria à análise do meu trabalho em menos de seis meses, em duas aulas e um porta-folhas mais ou menos volumoso. Ora não é assim que se consegue aferir da excelência do trabalho de um docente que tem orgulho no que faz.
Por isto, e por outras razões que vos poupo de evocar, decidi não entregar os meus OI no prazo que me for apresentado, independentemente das consequências que isso acarrete, embora garanta que resistirei por todos os meios contra qualquer tentativa de penalização disciplinar que agrave a não progressão na carreira.
Mas não há "lutas" (não gosto da terminologia guerreira, mas…) sem riscos. E ninguém pode ir para a guerra apenas depois de ter a garantia de que ninguém dispara contra si ou que se o fizer é de mansinho e na direcção do dedo mindinho.

sexta-feira, janeiro 16, 2009

Tomadas de Posição Individuais


Não queres perder 50 ou 60 €uritos este mês, mas não te importas de perder

Caros colegas,

Venho, por este meio, expressar-vos a minha posição relativamente à luta contra o Sr. Sócrates e a sua equipa ministerial.

Assim (e não falando na questão dos Concursos que aí vêm, que estão envoltos, ainda, numa névoa escura), se:

Concordas com a divisão da carreira em professores e titulares, onde 2/3 nunca chegarão a titular e, como tal, ao topo da carreira;

Concordas que existam duplamente quotas para a progressão na carreira (excelentes e muito bons / acesso à categoria de titular), independentemente da qualidade do desempenho dos docentes;

Concordas que os professores tenham um acréscimo de trabalho burocrático com preenchimento de fastidiosas e inúteis fichas, não contemplado no horário legalmente atribuído, que naturalmente implica menor disponibilidade de tempo para a preparação das aulas;

Concordas que os professores possam ser penalizados na sua avaliação, porque faltaram às actividades lectivas ou não lectivas, por motivos consignados na lei e por direitos constitucionalmente consagrados (já nem falo na situação das visitas de estudo);

Não queres perder 50 ou 60 €uritos este mês, mas não te importas de perder umas centenas de milhar de €uros nos próximos anos à conta de congelamentos de carreira, do aumento de tempo de permanência em cada escalão e do não acesso a titular (relembro que 2/3, independentemente do seu mérito não entrarão devido às quotas). Aproveito para pegar numa expressão da reunião geral do 1º período, onde um colega contratado alegava ser um dos professores dos 900€. Agora, olha para o colega à tua esquerda. Olha para o da tua direita. De vocês os três, dois não passarão da categoria dos professores dos 1300€., por causa da divisão da carreira e das quotas de acesso a titular, torno a salientar, INDEPENDENTEMENTE DO VOSSO MÉRITO;

Concordas com a constante desautorização a que temos vindo a ser sujeitos (estatuto do aluno e desresponsabilização nas faltas, provas de recuperação, casos de violência verbal, física e psíquica – último caso (conhecido) no Cerco do Porto);

Pretendes a avaliação prevista nos 2/2008 e 15/2008 – O COMPLEX – que só não está a ser aplicada devido à nossa luta, entre em vigor no próximo ano lectivo, depois das eleições, pois o Simplex 2 só será aplicado este ano, conforme declarou a Ministra e seus acólitos (ou seja, nem sequer nos estão a vender gato por lebre. Trata-se mesmo de vender banha de cobra);

Pretendes descapitalizar o que fomos conseguindo ao longo deste último ano, em termos de mobilização docente (considerando o início como sendo o 8 de Março de 2008, passando por 8 de Novembro e 15 de Novembro, culminando, para já, no sucesso de 3 de Dezembro);

Concordas com o futuro modelo de gestão, com a nomeação do Director por compadrio político, recebendo este um bónus de 750€/mês;

CONCORDAS com o ECD...

ENTÃO, ENTREGA JÁ OS TEUS OBJECTIVOS, NÃO FAÇAS GREVE DIA 19 E DESISTE DESTA LUTA QUE NOS TEM PERMITIDO MINORAR OS EFEITOS DO MONSTRO MINISTERIAL
.

EU, COMO NÃO CONCORDO COM NADA DO QUE ENUNCIEI, NÃO DESISTIREI DE LUTAR!!!!


terça-feira, dezembro 16, 2008

Comentários de Professores

Será que o ME vem aos orgãos de comunicação social comentar o assassinato de um aluno na Casa Pia e a sua invasão por um elevado número de jovens, apesar dos segurança?
Será que o M. da Saúde vem explicar as condições em que faleceu um professor por falta de condições de assistência?
Ou ficarão mudos e quedos, porque são "casos pontuais"(?)
Dando crédito ao que vem escrito no DN, os Professores terão 5 dias para tomarem posição sobre a ADD. Fazendo contas, e se for aprovada esta decisão no próximo Conselho de Ministros ordinário, o limite será 22 ou 24 (se forem 5 dias úteis).
Não seria possível às org. que integram a Plataforma Sindical usarem os seus tempos de antena para explicarem quem exerce "terrorismo psicológico" sobre as escolas, na última semana de aulas do 1º período e em que, simultâneamente começam as reuniões?

Não podemos esmorecer!!!
(B.G)

13 de Dezembro de 2008

sábado, dezembro 13, 2008

Aspectos que toda a gente parece ignorar sobre a profissão de professor - versão com direitos de autor

«Se andássemos por aí a dizer exactamente o que pensamos - quando valesse a pena - teríamos outra forma de viver... Estamos numa apatia que parece que se tornou congénita e sinto-me obrigado a dizer o que penso sobre aquilo que me parece importante.»

J. Saramago

Aspectos que toda a gente parece ignorar sobre

a profissão de professor

e que será bom esclarecer:

1º. Esta é uma profissão em que a imensa maioria dos seus agentes trabalha (em casa e de graça, entenda-se) aos sábados, domingos, feriados, madrugada adentro e muitas vezes, até nas férias! Férias, sim, e sem eufemismos, que bem precisamos de pausas ao longo do ano para irmos repondo forças e coragens. De resto, é o que acontece nos outros países por essa Europa fora, às vezes com muito mais dias de folga do que nós: 2 semanas para as vindimas em Setembro/ Outubro, mais duas para a neve em Novembro, 3 no Natal e mais 3 na Páscoa, 1 ou 2 meses no verão.

2º. É a única profissão em que se tem falta por chegar 5 minutos atrasado (5 minutos que equivalem a um tempo, de 45 ou 90 minutos!)

3º. É uma profissão que exclui devaneios do tipo "hoje preciso de sair meia hora mais cedo", ou o corriqueiro "volto já" justificando a porta fechada em horas de expediente.

4º. É uma profissão que não admite faltas de vontade e motivação ou quaisquer das 'ronhas' que grassarão, por exemplo, no ME (quem duvida?) ou na transparente AR.

5º. É uma profissão de enorme desgaste. Ainda há bem pouco tempo foi divulgado um estudo que nos colocava na 2ª posição, a seguir aos mineiros, mas isto, está bom de ver, não convém a ninguém lembrar… E olhe que não, senhor secretário de estado, a escola da reportagem da RTP1 não é, nem de longe, caso "único, circunscrito e controlado"!

6º. É uma profissão que há muito deixou de ser acarinhada ou considerada, humana e socialmente. Pelo contrário, todos os dias somos agredidos – na nossa dignidade ou fisicamente (e as cordas vocais não são um apêndice despiciendo…) , enxovalhados na praça pública, atacados e desvalorizados, na nossa pessoa e no nosso trabalho, em todas as frentes, nomeadamente pelo "patrão" que, passe a metáfora económica tão ao gosto dos tempos que correm…, ao espezinhar sistematicamente os seus "empregados" perante o "cliente", mais não faz do que inviabilizar a "venda do produto"

7º. É uma profissão em que se tem de estar permanentemente a 100%, que não se compadece com noites mal dormidas, indisposições várias (físicas e psíquicas) ou problemas pessoais …

8º. É uma profissão em que, de 45 em 45, ou de 90 em 90 minutos, se tem de repetir o processo, exigente e desgastante, quer de chegar a horas, quer de "conquistar" , várias vezes ao longo de um mesmo dia de trabalho, um novo grupo de 20 a 30 alunos (e todos ao mesmo tempo, não se confunda uma aula com uma consulta individual ou a gestão familiar de 1, 3, 5 filhos...)

9º. É uma profissão em que é preciso ter sempre a energia suficiente (às vezes sobre-humana) para, em cada turma, manter a disciplina e o interesse, gerir conflitos, cumprir programas, zelar para que haja material de trabalho, atenção, concentração, motivação e produção. (Batemos aos pontos as competências exigidas a qualquer dos nossos milionários bancários, dos inefáveis empresários, dos intocáveis ministros! Ao contrário deles (da discrepância salarial e demais benesses não preciso nem falar) e como se não bastasse tudo o que nos é exigido …

10º. ainda somos avaliados, não pelo nosso próprio desempenho, mas pelos sucessos e insucessos, os apetites e os caprichos dos nossos alunos e respectivas famílias, mais a conjuntura política, económica e social do nosso país!

Assim, é bom que a "cara opinião pública" comece a perceber por que é que os professores "faltam tanto":

Para além do facto de, nas suas "imensas" faltas, serem contabilizadas também situações em que, de facto, estão a trabalhar :

- no acompanhamento de alunos em visitas de estudo,

- em acções, seminários, reuniões, para as quais até podem ter sido oficialmente convocados,

- para ficarem a elaborar ou corrigir testes e afins , que não é suficiente o tempo atribuído a essas tarefas ,

- ou, como vem sucedendo ultimamente, a fazerem em casa, que é o sítio que lhes oferece condições, horas e horas não contabilizadas do obrigatório "trabalho de escola"….

Para além disto, e não é pouco, há pelo menos, como acima se terá visto, toda uma lista de 10 boas e justificadas razões para que o façam.

…………………………………………………………………………………………….

Correcção : as nossas faltas nem sequer são faltas! São dias descontados ao período de férias!

sexta-feira, dezembro 12, 2008

Carta Aberta à MInistra da Educação

Excelentíssima Senhora Ministra da Educação

Ao fim de três décadas e meia de docência, as políticas educativas do Governo do meu país levaram-me a pedir a aposentação antecipada e com penalização. Fugi da escola pública de hoje. A escola do facilitismo, da mediocridade, da desautorização dos professores, da desumanização, da irresponsabilidade, das estatísticas, da entrega dos deveres aos professores e dos direitos aos alunos,… Não foi para esta escola que dei tantos anos da minha vida. Nem foi assim que pensei terminar uma longa carreira de que gostei muito.

De Amarante a Matosinhos passando por Lisboa, Figueira da Foz, Porto, Espinho, Bragança, Marco de Canavezes, Vila Real, Barcelinhos, Penafiel, Famalicão e S. Pedro da Cova, ajudei a formar milhares de jovens. Foram muitos quilómetros percorridos quando não havia uma única auto-estrada. Mais do que uma vez tive que me sujeitar a ver as minhas três filhas pequeninas apenas aos fins-de-semana para ir, para longe, ensinar os filhos dos outros. Sem nada que me ajudasse a suportar as despesas. Tudo isto fiz com muito sacrifício mas muito gosto. Durante anos e anos amei o que fiz.

Para minha actualização frequentei mais de 50 acções de formação/seminários quer na área de informática, quer na minha área específica.

Fui Directora de Instalações, Representante de Disciplina, Delegada de Grupo, Directora de Turma, Vice-presidente do Conselho Executivo, Presidente do Conselho Administrativo, Representante de Área Disciplinar, Coordenadora de Departamento, Responsável pela Sala de Estudo, Presidente da Assembleia de Escola.

Leccionei todos os níveis de ensino desde o 5º ao 12º ano.

Orgulho-me do trabalho que sempre desenvolvi apesar do desânimo aumentar ano após ano. Nunca aspirei aos prémios que o Ministério atribui anualmente. Os meus prémios são as mensagens que recebo dos meus ex-alunos.

“Boa tarde professora,
Não sei se ainda tem esta conta de email activa, mas espero que sim. Eu sou o seu antigo aluno Eduardo …, fui seu aluno de química no ano lectivo de 2004/2005, não sei se ainda se lembra de mim. Eu estou a acabar o meu curso na faculdade, estou já no ultimo ano e sou finalista, como tal, temos a tradição de assinar as fitas e eu gostava que a professora me assinasse a fita, uma vez que a considero a melhor professora que tive ate hoje, pois sempre acreditou em mim e fez todos os possíveis para me ensinar, não só a matéria correspondente a sua disciplina, mas também a ser um homem decente. Para alem de excelente professora, foi também uma grande amiga, que e algo que muitos professores não são e por isso gostava que me desse a honra de me assinar a fita. A minha queima das fitas é já esta semana e tenho de ter as fitas no dia 27, por isso peço resposta a este email o mais rápido possível, caso a professora não possa assinar-me as fitas antes dessa data, não há problema, assina depois pois o que conta para mim é que a fita seja assinada, independentemente da data. Gostava também de lhe pedir um favor…

Peço desculpa pelo incómodo e espero atentamente uma resposta.

Beijos e abraços, do seu antigo aluno e amigo,

Eduardo …”

Ou como esta recebida há dias quando chegou a minha aposentação.

“Soube ontem ao último tempo que a professora tinha recebido a carta da reforma. Vou ser sincero, fiquei muito triste por perder uma das melhores professoras de sempre.
Paciente, simpática, honesta, humilde…. são muitas das características que a professora tem.
A escola perdeu uma das melhores professoras ao serviço.
Pessoalmente n estou triste por perder uma professora mas sim estou triste por ter perdido uma grande amiga que me ajudou sempre.
Toda a turma ficou um bocado triste (embora querendo disfarçar através de sorrisos e risos), pois tem a consciência que vai ser difícil substituir uma professora como a s’tora.
Diz-se que ninguém é insubstituível, mas a professora é das poucas pessoas que não podem substituídas por nada deste mundo.
Aqui está á minha despedida muito humilde, não é que desejaria dar á professora pois o que lhe queria dar está para além dos meus alcances.
Só deixo votos de felicidade e desejos que um dia nos voltemos a encontrar.
Muitos beijos e abraços:
Bruno …”

Pelos Eduardos, pelos Brunos e por todos os alunos que já me passaram pelas mãos, e que me atribuíram “medalhas” aguentei enquanto pude. Agora, acabou.

Numa quinta-feira de Novembro fui chamada para uma substituição. Não havia plano de aula. A professora em causa tinha acabado de receber a sua aposentação antecipada e com penalização. Uma professora que já estava na escola quando para lá fui e eu estive lá 20 anos. Dirigi-me à sala de aula. Estavam os (talvez) 28 alunos de uma turma do 7º ano que não conhecia. Muitos choravam e diziam “A Professora M. era nossa amiga. Ensinava bem e ajudava-nos muito”.
Estes alunos só conheciam esta professora desde meados de Setembro.
Em contraste com isto, a professora estava num sino. Irradiava felicidade e até as lágrimas lhe vieram aos olhos de tanta alegria. Finalmente estava livre do inferno que se vive hoje nas escolas.
Analisando esta situação, só se pode concluir que algo está errado. Uma pessoa que dedicou uma vida ao ensino, uma professora de quem os alunos gostam ao ponto de chorar a sua saída, abandona a profissão de uma vida sem tristeza e com penalização na sua reforma. A debandada é geral e os que estão a sair são os mais experientes.

Vi e ouvi, com tristeza e uma revolta imensa, as posições inqualificáveis de membros do Governo perante a manifestação de 85% dos docentes do meu país. Não consigo aceitar que me apelidem de chantagista com uma leviandade sem nome. Não sou sindicalizada nem filiada em nenhum partido. Sempre pensei pela minha cabeça, disse o que penso, escrevi o que disse e assumi o que escrevo. Durante anos escrevi uma crónica mensal num semanário e insurgi-me contra a avaliação em vigor na altura. Realmente tinha que ser substituída. Mas por uma melhor, o que não é o caso. A mobilização que se conseguiu em Março a em Novembro não foi conseguida pelos sindicatos. Eles não têm capacidade para tal. A internet e o telemóvel são hoje os melhores meios de mobilização. A Senhora Ministra consegui, pela primeira vez, unir os professores e pô-los em contacto permanente uns com os outros.

O dia a dia de um professor é inimaginável por quem não o vive, como é o caso da Senhora Ministra. Pede-se aos professores que sejam, para além de transmissores de conhecimentos, mães, pais, psicólogos, assistentes sociais, amigos, …

Os professores têm, cada vez mais, à sua frente um conjunto de órfãos de pais vivos.” - uma verdade que li aqui há tempos.

Mas pede-se mais. Pede-se aos professores que apliquem um ensino individualizado a turmas com 28 alunos num número de aulas que não chega para leccionar os conteúdos programáticos estupidamente extensos. Pede-se o impossível. “Dar aulas, de facto, é tão simples como falar trinta e cinco línguas ao mesmo tempo ou cantar sozinho uma partitura para trinta e cinco vozes”. (Bernard Houot)

Para esta super-escola eram precisos super-homens e super-mulheres e isso só existe na banda desenhada.

“Nós somos como somos, com altos e baixos. Com momentos de entusiasmo e momentos de quebra. Com rasgos de génio e sombras travessias do deserto. E ninguém poderá nunca tornar-nos perfeitos. Se nos pedem para sermos perfeitos é, pois, abusivamente porque o sistema que se encontra acima de nós não o é.” (Bernard Houot)

Que posso eu exigir de um aluno que vive com uma mãe com problemas mentais que lhe diz que o odeia e que o quer matar? E de uma jovem que chega às aulas da tarde sem ter comido absolutamente nada? E de uma jovem que vive, a meias com a mãe, com outro homem que não o pai? E de uma criança que dorme na sala e só pode descansar quando os pais resolvem deitar-se? E da jovem que fica a trabalhar no café dos pais até às tantas da madrugada? E poderia ficar aqui um tempo infindo a pôr a nu as situações com que os professores se debatem. Esta é a escola real. Uma escola cheia de problemas cuja resolução compete ao Estado mas com os quais os professores vivem diariamente. Estes jovens não podem ter o rendimento desejável mas, pressionar o professor a passá-los, não lhes resolve os seus problemas. Como não lhes resolve os seus problemas um computador oferecido pelo Governo. Ou o TGV. Ou um novo aeroporto na capital. Mas quem pode manda e define as prioridades que entende. Não são as minhas e não as entendo.

Para juntar a tudo isto, a Senhora Ministra elaborou um modelo de avaliação perfeitamente inaceitável. Diz a Senhora Ministra que os professores devem confiar nos seus colegas mais competentes (refere-se aos professores titulares) mas quem lhes atribuiu essa competência foi a Senhora Ministra ao pôr em prática o mais escandaloso dos concursos - o primeiro concurso para professor titular. “Há coisa mais injusta do que uma avaliação que não premeia o mérito?” - perguntou um dia destes a Senhora Ministra. Claro que não. Mas, pergunto eu, há maior injustiça do que o primeiro concurso para professor titular? E foi com base neste concurso, eivado de injustiças e arbitrariedades, que foi construído este modelo de avaliação. Sobre alicerces podres. Por mais voltas que lhe dêem, será sempre um modelo de avaliação em que a competência estará ausente.

Para o acesso ao cargo de professor titular não era preciso ser competente em nada. Bastava ter tido muitos cargos entre 1999 e 2006. Por que razão foram escolhidos estes anos e não todo o percurso dos docentes? Só a Senhora Ministra sabe. No meu caso, professora do topo de carreira, a Senhora Ministra deitou-me, pura e simplesmente, ao lixo mais de 25 anos da minha carreira. Consegui, apesar disso, ser provida como professora titular. Por acaso, como todos, e não por mérito, como gostaria. É a isto que a Senhora Ministra chama justiça? É a isto que a Senhora Ministra chama competência? Este concurso criou nas escolas situações inaceitáveis.

Um professor com 100 pontos, numa Área Disciplinar, ascende a professor titular e, na mesma escola, outro professor com 140 pontos, numa outra Área Disciplinar, não o consegue.

Um professor do 10º escalão que tenha exercido todos os cargos possíveis numa escola antes de 1999 mas que entre 1999 e 2006 foi apenas professor, por melhor que tenha sido, não ascende a professor titular.

Um professor do oitavo escalão que, por exemplo, por não ter horário na sua Área Disciplinar, integrou um cargo no Conselho Executivo mesmo que o tenho exercido sem competência, foi provido como professor titular.

Neste momento, este último professor pode ser avaliador do anterior.

Um professor que foi orientador de estágio pode vir a ser avaliado pelo seu avaliando de estágio, desde que o segundo tenha conseguido ascender a professor titular e o primeiro não.

Mas o descalabro a que a educação chegou não se limita a estes problemas.

A Lei 3/2008 de 18 de Janeiro é uma perfeita aberração. Trata da mesma maneira um aluno que falta por doença e outro que falta porque lhe apetece. No Despacho do domingo, dia 16 de Novembro de 2008, a Senhora Ministra, mais uma vez remete as culpas para os professores quando diz “que a adaptação dos regulamentos internos das escolas ao disposto no Estatuto do Aluno nem sempre respeitou o espírito da Lei, permitindo dúvidas nos alunos e nos pais acerca das consequências das faltas justificadas designadamente por doença ou outros motivos similares.” A lei é clara pelo que não é aceitável estar no despacho “Tendo em vista clarificar os termos de aplicação do disposto no Estatuto do Aluno…”. Sejamos honestos, o Despacho altera a Lei, se é que juridicamente isso é possível.

O Programa Novas Oportunidades é outro embuste. Por aquilo que vejo, e pelas pressões das DREs para aprovar todos os alunos dos Cursos de Educação e Formação, dos Cursos Profissionais e Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências, estão a qualificar-se milhares de analfabetos. Será isto que o país precisa, Senhora Ministra?

Segundo a Senhora Ministra, a implementação das aulas de substituição, que tanta polémica gerou, hoje faz-se confortavelmente. Engano, Senhora Ministra. Os professores que conheço, e são muitos, fazem-no porque a tal são obrigados mas fazem-no sem o mínimo de conforto e com o máximo descontentamento dos alunos.

O ambiente que se vive nas escolas é de uma tensão imensa. O desalento e a desmotivação são gerais e o clima de medo está instalado. E ainda vai piorar quando aparecer a figura do director prevista na lei.

O que se fez da escola pública? Como se pode ter toda uma classe profissional desmotivada? Eu saio sem conseguir perdoar a este Governo o ter-me roubado o prazer que eu tinha em exercer a profissão que escolhi. Nestes últimos anos foi muito penoso ir trabalhar. Muito penoso, mesmo.

Maria da Graça Pimentel

9 de Dezembro de 2008

http://educar.wordpress.com/2008/12/10/carta-aberta-graca-pimentel/

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Moita Flores: «... definitivamente o Ministério perdeu a razão»

in Correio da Manhã

07 Dezembro 2008 - 09h00

Impressão Digital

O desnorte

O braço-de-ferro entre o Ministério da Educação e os professores já teve melhores dias. A greve desta semana deu cabo do equilíbrio de forças e já não se percebe bem se estamos no plano da discussão sindical, se em situação pré-insurreccional, se apenas a assistir a uma birra sem jeito.
O alastramento do descontentamento entre os professores tem toda a razão de ser. O processo negocial, e de discussão pública, tem-se pautado por uma soberba sem limites, humilhando mesmo quem procura discutir, e resolver, um problema que cada vez é mais sério. As várias intervenções sobre o modelo de avaliação que têm sido produzidas pela ministra são contraditórias, não são perceptíveis para o cidadão comum – que nem é professor nem aplaude cegamente as propostas do Governo –, não se compreendem e, finalmente, não têm sustentação razoável. Por outro lado, enquanto a ministra faz um discurso o secretário de Estado produz o sermão inverso e está aquele Ministério de tal forma baralhado que a única coisa em que acertou nos últimos dias foi no reconhecimento de que sofrera, por parte dos professores, a maior greve de que há memória entre aquela classe. Parece que no essencial estão de acordo as duas partes: os professores devem ser avaliados. Discutem os métodos. Estão em guerra por causa da forma e não por causa do conteúdo. E sendo certo que até o primeiro-ministro já reconheceu que a proposta que continua teimosamente a ser imposta é burocrática e ineficaz, não faz sentido que em vez de escutar o protesto e perceber a razoabilidade das coisas se venha dizer que o modelo até pode ser mau mas não se mexe em tal coisa até ao fim do ano lectivo. Se é mau, então que se lhe ponha termo o mais depressa possível. Isto não é sério. Nem é sério confundir o protesto de tantos milhares com o estafado argumento de que os professores que andam nisto querem boa vida. Numa sociedade que se quer desenvolvida, os professores são o instrumento mais poderoso de transformação. A classe que mais de perto determina a capacidade, a formação e o desenvolvimento das nossas crianças. Deve, pela sua importância social, ser tratada com o respeito que a sua função merece e aquilo que temos vindo a assistir é a um processo de humilhação que não é razoável num Estado democrático. Não admira a situação de pré-insurreição que se vive. Alguma humildade democrática faria bem a esta maioria absoluta. No caso dos professores, definitivamente o Ministério perdeu a razão.

Francisco Moita Flores, Professor universitário

quarta-feira, dezembro 10, 2008

E as ACTAS das reuniões Plataforma/ME? Também gostaríamos de conhecê-las!

AONDE ESTÁ A ACTA DO ENCONTRO?

Até quando é que vamos continuar todos a fazer o papel de palhaços?
Se em qualquer encontro informal de conselho de turma existe uma acta, como é possível que num encontro entre uma plataforma sindical e o ministério da educação, com os olhos do país inteiro postos nos seus resultados, não haja uma acta oficial, e cada uma das partes se sinta no direito de vir para a rua apresentar a sua própria versão do encontro?

SE NÃO HÁ UMA ACTA, NENHUMA DAS PARTES TEM O DIREITO DE VIR CÁ PARA FORA DIZER SEJA O QUE FOR, PORQUE O ENCONTRO NÃO TEM QUALQUER VALOR LEGAL.

CHEGA DE PALHAÇADAS.

Obrigado,

(J.F)

"Mário Nogueira afirma existir uma acta do acordado com o Ministério da Educação, em que as duas partes iriam apresentar os argumentos que sustentam as propostas divergentes, procurando convencer-se uma à outra. "

Afinal parece que se confirma que existe uma acta. (J.F.)

Resposta de um professor a Fernanda Câncio

A Fernanda Câncio escreveu este artigo de opinião no DN:

Parece que os professores que ontem se concentraram para a vigília à porta do ministério da Educação cantarolavam "um, dois, três, já cá estamos outra vez". O intuito irónico da cantilena não contou decerto com o ricochete. Sim, lá estão eles outra vez, pensa uma parte não negligenciável das gentes, saturada de protestos professorais (e agora também, nos últimos tempos, de alunos a clamar por coisas como "fim dos exames nacionais"- e chocolates grátis, já agora, não?).

Não me entendam mal: não estou, de modo nenhum, contra o protesto. Simplesmente, estou farta deste e não vejo o ponto da sua continuação. Já percebi, como toda a gente já percebeu, que os professores estão zangados com o ministério, com o estatuto da carreira docente, com o aumento do tempo de permanência nas escolas, com as aulas de substituição e, claro, com o modelo de avaliação. Anotámos todos. Anotámos todos também que o ministérioefectuou alterações ao dito modelo, tendo em conta uma série de críticas. E esperámos que os professores, em troca, aceitassem uma evidência simples: é preciso parar com esta história. Porque é preciso que as escolas funcionem e porque não chega encher a avenida da Liberdade nem fazer greves muito participadas para mandar.

É disso que se trata: mandar. Para o caso de ainda não se ter percebido. E para decidir quem, durante um dado espaço de tempo, manda, costuma haver eleições. Chama-se ao processo eleitoral processo de legitimação democrática por alguma razão. E a última vez que olhei para as eleições os professores não se tinham candidatado a governar - mesmo se entre os mails que recebi nas últimas semanas havia um, enviado por professores ( guardei-o, já agora) em que se lia "começou a campanha eleitoral dos professores contra o PS".

Haverá quem considere o meu raciocínio anti-democrático. Não é grave - ou melhor, é, porque é esse o problema, saber o que é democracia e como funciona. É o poder da rua? Não, não é. Claro que há governos que caem na rua, por protestos massivos. Claro que é isso que os professores pretendem representar - um protesto massivo. Mas se calhar é altura de pararem para contar quem têm do lado deles. A oposição? Sim, têm a oposição. Mas se contarem com o que vale em votos a oposição têm de contar com o que vale em votos o governo. E há esse pequeno pormenor: é o governo legítimo em funções. Claro que uma pessoa se pode estar nas tintas para isso, mas é estar-se nas tintas para a democracia. A democracia não é só eleições? Não, não é. Governar não é só mandar? Não, não é. Também é ouvir e negociar. Tudo isso sucedeu, e os professores averbaram várias vitórias. Querem "ir até ao fim"? Bom, é com eles. Mas se a ideia for derrubar o governo, talvez seja boa ideia dar uma olhadela às sondagens e tentar perceber quem ganhará se houver novas eleições. É capaz de não ser o PCP.|


Enviei-lhe este email de resposta:

Cara Sra. jornalista Fernanda Câncio,

O seu artigo com o título "UM, DOIS, TRÊS, VAMOS CONTAR OUTRA VEZ", disponível em http://dn.sapo.pt/2008/12/05/opiniao/um_dois_tres_vamos_contar_outra_vez.html, tem algumas coisas positivas. O tom de escrita é leve, fácil de ler, e, até certo ponto, original.
Apesar disso, fica-se por aqui no que de positivo tem. Tudo o resto revela uma postura tendenciosa e pouco (ou nada) aberta! O que, à partida, me parece inconsistente com uma imagem de jornalista moderna e, diria, quase radical que parece querer transmitir.

Concordei com uma frase sua: "Simplesmente, estou farta deste e não vejo o ponto da sua continuação.". Eu também estou. Infelizmente, vamos ter de continuar. A Razão assim o demanda.

Se, para si, abertura é arrogância. Se, para si, diálogo é autoritarismo (muito diferente de autoridade - e os professores sabem-no bem). Se, para si, democracia é governar para os números. Se, para si, democracia é afirmar "A" à segunda e "não A" à terça. Se, para si, democracia é ser dono da verdade. Se, para si, democracia é desrespeitar a lei. Se, para sim, democracia é dizer uma coisa e fazer outra. Se, para si, democracia é fazer tudo o que de anti-democrático este governo PS tem feito. Então, não sei o que é democracia.

Já votei PS. Mas, PS, com este(s) sr.(s) onde a aparência é uma e a essência é o oposto, nunca mais. A Verdade (em toda a sua plenitude) e os Princípios ainda valem para os Professores. Os Professores, mesmo que zecos, são políticos com uma nobreza incomparavelmente superior à de qualquer dos seus democratas.

A propósito, e para que conste. Sou professor. Não sou militante de nenhum partido. Não sou sindicalizado. Nunca votei PCP.
Aconteceu assim. Poderia ter acontecido de outra forma. Mantinha-se igual tudo o que escrevi.

O único objectivo deste email é contribuir, mesmo que infinitesimamente, para que a sua essência se aproxime um pouco mais da aparência. Não foi isso que vi neste artigo. Não é isso que vejo neste governo. E é por isso que luto. Uma Escola, um País, e um Mundo, mais justos e mais verdadeiros. Não quero um mundo de ilusão.

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João Sá