domingo, outubro 19, 2008
15/Novembro: "Uma escola, um autocarro"
15 Nov. 2009, Av. da Liberdade, Lisboa
Eu vou… por mim e pela minha dignidade profissional!
No dia 15 de Novembro, eu vou estar na Avenida da Liberdade (pelo simbolismo de quem se sente acorrentado a grelhas, fichas, evidências, planos e outras enormidades), em Lisboa, protegido pelo direito de manifestação que a Constituição (artigo 45º)* me confere e em nome da minha consciência e dignidade profissionais, pelo que desta vez represento-me a mim próprio e não alieno a minha vontade a intérpretes, generais ou negociadores de nenhum tipo. Até porque não há nada para negociar com esta equipa ministerial. Nesta fase, o tempo é, tão-só, de rejeição e eu rejeito, incondicionalmente, a divisão arbitrária dos professores e este modelo de avaliação. Ponto final!
Para que a iniciativa traduza a dimensão e a intensidade do nosso repúdio, basta que, em cada escola/agrupamento, alguns professores mais voluntariosos organizem as inscrições/pagamentos e aluguem um autocarro.
É minha percepção que esta manifestação só terá sucesso se puder ser lida por cada professor, sindicalizado ou não sindicalizado, como a “sua” inalienável oportunidade de dizer que não aceita este modelo de avaliação. Por conseguinte, esta não deve ser a manifestação de nenhum sindicato, pois muitos professores não adeririam, mas também não deve ser a manifestação de nenhum movimento ou associação à procura de protagonismo ou carta de alforria, porque afastaria os colegas identificados com os sindicatos. Esta deve ser a manifestação de todos e de cada um dos educadores e professores portugueses, sem mais!
Por outro lado, só quem se encontra distanciado e dessensibilizado relativamente ao quotidiano das escolas e à constatação do desencanto de uns (que os leva a anteciparem a sua reforma, fortemente penalizados, após décadas de dedicação à escola) e do actual agastamento de quase todos os outros, pode defender tomadas de posição para mais tarde. Eu e os colegas com quem me relaciono recusamos ser cobaias de qualquer estratégia política ou pessoal delineada à custa dos professores, pelo que não vamos esperar pelo esgotamento físico e psíquico de alguns, pelas injustiças e o caos nas escolas, pela inimizade que possa emergir entre outros, para mostrarmos a nossa indignação. É um imperativo de respeito, de humanidade e de dedicação à escola!
Sobre este governo, esta equipa ministerial, seus apaniguados e seus cúmplices (aplausos, silêncios, colagens, dicas subliminares de desmobilização do tipo “não vai resultar”…), apenas me ocorre o seguinte: nenhum governo de nenhuma sociedade evoluída e civilizada hostiliza os seus professores.
Como a manifestação não esgota outras formas de oposição a esta política educativa persecutória da nossa dignidade profissional, cada professor e cada escola saberão enveredar pelas formas de resistência mais eficazes. A este propósito, participo na divulgação das mais corajosas e coloco em anexo os documentos que as consubstanciam.
Abraço,
O. V. G.
* Para que a manifestação esteja a coberto da lei, basta que três professores comuniquem o evento ao Governo Civil de Lisboa. A logística relativa aos melhores acessos e circulação, parece-me uma competência das autoridades. De resto, não precisamos de mais nada. Espero, em nome do sucesso da manifestação, que ninguém se ponha em bicos de pés ou exorbite a sua mera representatividade pessoal. Caso contrário, temo pelo surgimento de divisões.
Moção Agrupamento de Escolas de Aradas: suspensão da aplicação do novo modelo de avaliação
MOÇÃO COM VISTA À SUSPENSÃO DA APLICAÇÃO DO NOVO MODELO DE AVALIAÇÃO
EX.MA SRª
PRESIDENTE DO CONSELHO PEDAGÓGICO DO
AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE ARADAS
Os professores e Educadores do Agrupamento de Escolas de Aradas, Aveiro, abaixo assinados, declaram o seu mais veemente protesto e desacordo perante o novo Modelo de Avaliação de Desempenho introduzido pelo Decreto Regulamentar n.º 2/2008.
Não questionam a avaliação de desempenho como instrumento conducente à valorização das suas práticas docentes, com resultados positivos nas aprendizagens dos alunos e promotor do desenvolvimento profissional. Consideram que a Avaliação de Desempenho constitui assunto demasiado sério, que deve resultar de uma ampla e séria discussão, não devendo, por isso, estar sustentada em arbitrariedades, desconfiança e vazio de conteúdo. Advogam um modelo de avaliação resultante de um amplo debate nacional entre professores, seus legítimos representantes e a tutela, consistente, que motive os professores e fomente a qualidade e o prestígio da escola pública. O Modelo de Avaliação regulamentado pelo Decreto Regulamentar nº. 2/2008 não assegura a justiça, a imparcialidade e o rigor, nem valoriza, de facto, o desempenho dos docentes.
Os critérios que nortearam o primeiro Concurso de Acesso a Professor Titular geraram uma divisão artificial e gratuita entre “professores titulares” e “professores”, valorizando apenas a ocupação de cargos nos últimos 7 anos, independentemente de qualquer avaliação da sua competência pedagógica, científica ou técnica e certificação da mesma. Nesta “lotaria ministerial” ficaram de fora muitos professores com currículos altamente qualificados, com anos de trabalho dedicado ao serviço da educação e com investimento na sua formação pessoal, gerando nas escolas injustiças aviltantes. Semeia-se terreno para, no nosso quotidiano escolar, se desencadearem situações paradoxais como por exemplo os avaliadores possuírem formação científico-pedagógica e académica inferior aos avaliados.
Este Modelo de Avaliação configura, igualmente, uma lógica burocrática desviando os reais objectivos que devem presidir ao processo de ensino-aprendizagem e criando outras situações paradoxais como a existência de avaliadores oriundos de grupos disciplinares muito díspares dos pertencentes aos dos avaliados.
Por outro lado, a sua apressada implementação tem desviado as funções dos professores para tarefas burocráticas de elaboração e reformulação de documentos legais necessários à implementação deste Modelo de Avaliação em detrimento das funções pedagógicas. Estes documentos têm sido o resultado de um trabalho puramente técnico por parte dos professores, consistindo quase todos num agregado de propostas às já elaboradas por outras escolas e não um trabalho pedagógico e consistentemente estruturado no Projecto Educativo desta escola. Estaremos, deste modo, a pensar numa escola para todos e de cada um, como preconiza a LBSE e à medida da realidade específica deste Agrupamento, de acordo com o regime de Autonomia, Administração e Gestão das escolas? As escolas são, neste momento, cenário de professores afogados em burocracia, instabilidade e insegurança, situação inconciliável com o verdadeiro propósito da docência. Como pode haver ensino de qualidade e sucesso escolar se os professores investem a maior parte do seu tempo (que no momento ultrapassa largamente as 35 horas semanais) na elaboração e preenchimento de um emaranhado de documentos burocráticos nos quais ancora este Modelo de Avaliação?
Não é legítimo que a avaliação de desempenho dos professores e a sua progressão na carreira se subordine a parâmetros como o sucesso dos alunos, o abandono escolar e avaliação atribuída aos seus alunos. Desprezam-se variáveis inerentes à realidade social, económica, cultural e familiar dos alunos que escapam ao controlo e responsabilidade do professor e que são fortemente condicionadoras do sucesso educativo. Neste registo, este modelo não discrimina positivamente os docentes que leccionam turmas com situações problemáticas e com maiores dificuldades de aprendizagem. A imputação de responsabilidade individual ao docente pela avaliação dos seus alunos configura uma violação grosseira do previsto na legislação em vigor quanto à decisão da avaliação final do aluno, a qual é da competência do Conselho de Turma sob proposta do(s) professor (es) de cada área curricular disciplinar e não disciplinar.
Os docentes deste Agrupamento rejeitam a penalização do uso de direitos constitucionalmente protegidos como sejam a maternidade/paternidade, doença, participação em eventos de reconhecida relevância social ou académica, cumprimento de obrigações legais e nojo, nos critérios de obtenção de Muito Bom ou de Excelente.
Rejeitam, igualmente, um modelo que impõe uma avaliação entre pares, parcial e perigosa, porque criadora de um péssimo ambiente na escola. Esta avaliação é, por demais, injusta e geradora de desigualdades, na medida em que aqueles que vão avaliar (coordenadores e avaliadores) não serão avaliados por um inspector, pelo menos, no presente ano lectivo. Por outro lado, a grande maioria não tem formação nem experiência em supervisão que lhe permita a avaliação dos seus pares. A formação que o Ministério da Educação tem vindo, recentemente, a proporcionar aos avaliadores, para além de não abranger uma parte significativa dos mesmos, é perfeitamente extemporânea, dado que decorreu, em grande parte, já depois do início do novo ano escolar, numa fase em que tudo deveria estar pronto para o arranque do “dito processo avaliativo” e em que os professores andam sobrecarregados com toda a parafernália de actividades inerentes ao lançamento do novo ano lectivo.
O horário de trabalho dos professores imposto pelo Ministério da Educação é demasiado escasso para responder às inúmeras tarefas e funções que lhe são atribuídas ou solicitadas. Dez ou onze tempos de trabalho individual não são suficientes para a planificação de aulas, a análise das estratégias mais adequadas, a criação de recursos diversificados e inovadores, a elaboração de recursos para os apoios educativos e para os alunos que exigem um ensino diferenciado, a preparação de instrumentos de avaliação diagnóstica, formativa e sumativa, a correcção dos mesmos, a reflexão sobre os resultados, a reformulação de práticas, … tudo isto multiplicado por uma média de cem alunos; cinco, seis ou sete turmas; três, quatro ou cinco níveis. Para além destas funções, há ainda a participação nas reuniões dos órgãos de gestão intermédia sem esquecer a dinamização/participação em actividades extra-curriculares e de intervenção na comunidade educativa.
Com que legitimidade impõe o Ministério da Educação aos professores uma avaliação que lhes vai consumir o tempo e a alma com reuniões, papéis e relatórios, em prejuízo claro da sua vida pessoal, familiar e, sobretudo, profissional, porque, quer queiramos quer não, os principais lesados serão sempre os alunos.
E os avaliadores?.Além de professores com todo o apelo que a função exige, além de avaliados como os seus pares, terão que “fabricar” tempo para pôr de pé uma estrutura avaliativa megalómana que o Ministério da Educação criou e que ele próprio não é capaz de sustentar, como se pode ver pela incapacidade de preparar e colocar no terreno inspectores para avaliação dos Coordenadores. Num Agrupamento como o de Aradas, os avaliadores são também, em grande parte dos casos, Coordenadores de mega-departamentos, e, por inerência de funções, membros do Conselho Pedagógico e, por inerência, membros da Comissão de Avaliação de Desempenho, e avaliadores de uma dúzia de colegas, e ainda, deverão ser “o espelho dos mesmos”. Estes super-homens ou estas super-mulheres são “premiados” com um tempo de 45 minutos semanais, reduzidos à sua componente não lectiva, para avaliar quatro pessoas. Feitas as contas, o avaliador terá, anualmente, entre oito a nove tempos para avaliar o seu par. Se retirarmos a este “bolo” seis tempos que correspondem a três aulas assistidas, sobrarão dois ou três tempos para a reunião de “negociação” dos objectivos individuais com o avaliado, para as reuniões antes e depois de cada aula assistida, para a reunião final entre avaliadores e avaliado, para a construção de grelhas de observação, para a análise de todas as evidências e documentos necessários ao preenchimento das grelhas de avaliação (planificações, sumários, portefólios, actas, etc.), para a ponderação da própria avaliação final, etc, etc, etc.
Este Ministério não pode pôr de pé um sistema avaliativo construído sobre o desrespeito, a anulação e a exploração dos professores.
O regime de quotas impõe uma manipulação dos resultados da avaliação, gerando nas escolas situações de profunda injustiça e parcialidade, devido aos “acertos” impostos pela existência de percentagens máximas para atribuição das menções qualitativas de Excelente e Muito Bom, estipuladas pelo Despacho n.º 20131/2008, e que reflectem claramente o objectivo economicista que subjaz a este Modelo de Avaliação.
Enquanto todas as limitações, arbitrariedades, incoerências e injustiças que enformam este modelo de avaliação não forem corrigidas, e, ainda que, no presente ano lectivo, o modelo se encontre, apenas, em regime de experimentação, os professores signatários desta moção, por não lhe reconhecerem qualquer efeito positivo sobre a qualidade da educação e do seu desempenho profissional, solicitam ao Conselho Pedagógico a suspensão de toda e qualquer iniciativa relacionada com a avaliação por ele preconizada.
Agrupamento de Escolas de Aradas, 6 de Outubro de 2008
Os professores signatários,
O Imbróglio - Paulo Guinote
By Paulo Guinote on Testemunhos
Eu andava aqui há um par de dias a tentar decidir se haveria de falar
nisto, para não estragar a surpresa quando rebentasse nas páginas dos
jornais, mas o Ramiro antecipou-se e denunciou aquilo que muita gente
parece desconhecer: a delegação de competências em matéria de
avaliação não é só assinar um papelito e já está. Há umas formalidades
por cumprir. A Lei, por exemplo. Que neste caso corresponde ao Código
do Procedimento Administrativo (artigos 35º a 37º para os mais
minuciosos)
Acerca do assunto e da forma como vai decorrendo a avaliação, deixo
aqui o testemunho de uma colega que, por razões óbvias, prefere manter
o anonimato:
Já há tempos que exijo junto do meu CE que a lei seja cumprida.
Alertei muitas vezes para as incompatibilidades e suspeições e
finalmente deram-me ouvidos. Houve reunião de avaliadores e estas
situações existiam mas não sabiam que existia a lei. É mais uma
pedrinha para bloquear a engrenagem.
A delegação de competências tem que ser feita como manda o código do
procedimento administrativo. Isto implica que haja produção de
despachos internos e que estes sejam publicados no DR. Avisei o CE na
2ª semana de Setembro mas o ME negou nessa altura. Afinal é mesmo
preciso. Esta informação não deve circular amplamente porque a maioria
das escolas vai omitir este passo já que o ME está "envergonhado" por
ter sido apanhado desprevenido. A omissão deste passo talvez dê para
salvar alguns colegas mal avaliados, ou nem por isso.
Imagina o tempo que vai demorar a publicação no DR à medida que
algumas escolas forem acordando?
Claro, que os colegas empenhados na luta do cumprimento escrupuloso
devem saber que este paso da delegação de competências é
indispensável porque o próprio decreto o refere.
Na minha escola já estamos nos objectivos individuais. A ficha criada
é de rir à gargalhada. Já a debati com o vice que está mais por dentro
da avaliação de professores e ele reconheceu algumas falhas mas já não
há tempo para mudar. Como a minha escola tem mais de 150 professores
estou para ver a fila de entrega de objectivos. Os colegas andam
esgaziados (ou será gazeados?) e não falam de outra coisa. Cada pessoa
acrescenta mais um ponto de tal forma que vão esperar todos pelo
último momento para entregar a ficha com as últimas novidades que
possam aparecer… Já me lembrei que a entrega fosse pelas vias oficiais
(pela secretaria) e houve quem gostasse da ideia, mas ainda não decidi
qual das formas de entrega, em mão ou via secretaria, teria mais
impacto.
Vem logo depois a entrevista com o CE. Dá cerca de 50 profs por cada
um, ou seja cerca de 50 horas, o que significa quase duas semanas se
não fizerem mais nada.
As aulas assistidas vão ser engraçadas porque a escola tem lotação
esgotada. As salas estão a abarrotar e não sobra um lugar na
esmagadora maioria das aulas. Os professores sugerem que o avaliador
leve um banquinho para se sentar, que talvez se arranje um pouco de
espaço no meio dos alunos.
porque é a melhor forma de provar que tenho razão: esta avaliação não
serve.
Manifestação de 11/Novembro oficial
MANIFESTAÇÃO DE PROFESSORES - 15 DE NOVEMBRO - LISBOA
Para todos aqueles que se têm interrogado sobre as questões legais e de organização, a partir de hoje o apelo é oficial.
Numa reunião da APEDE, em que o MUP participou, ficou decidido que uma comissão composta por elementos desta Associação e deste Movimento tratará dos aspectos legais (pedido de autorização ao Governo Civil de Lisboa) para:
Local de concentração: Marquês de Pombal, Lisboa.
Dia e Hora: 15 de Novembro, às 14 horas.
Segue-se desfile pela Rua Braancamp, Largo do Rato, Rua de S. Bento, terminando a manifestação em frente da Assembleia da República.
Vamos também solicitar a colaboração de outros movimentos e personalidades que têm dado o seu contributo à causa da Educação.
Nota: A APEDE é uma Associação legalmente constituída. Sítios na internet: http://apede.blogspot.com/ e http://apede.pt/.
Esta manifestação será o prenúncio de outra, certamente maior!
Agora, é preciso mobilizar o maior número de professores...
TODOS SEREMOS POUCOS!
Passa esta mensagem a todos os teus contactos.
Sindicatos: revisão do Decreto-Lei 20/2006
| ||
4- Os professores dos quadros de zona pedagógica que sejam opositores ao concurso interno devem indicar no mínimo 25 códigos de agrupamentos de escolas ou escolas não agrupadas e quatro quadros de zona pedagógica, incluindo aquele a que se encontram vinculados.
5- Considera-se que os docentes dos quadros de zona pedagógica que não obtenham colocação nas preferências manifestadas relativamente a agrupamentos de escolas ou escolas não agrupadas manifestam igual preferência por todos os agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas pertencentes aos quadros de zona pedagógica indicados nos termos do número anterior, fazendo-se a colocação por ordem crescente do código de agrupamento ou escola não agrupada.
Artigo 39º
Bolsa de recrutamento
Para a satisfação de necessidades transitórias dos agrupamentos de escolas ou escolas não agrupadas é constituída uma bolsa de recrutamento sendo os docentes ordenados de acordo com a sua graduação profissional e na seguinte sequência:
a)
Docentes dos quadros de agrupamentos de escolas ou escolas não agrupadas objecto de extinção, fusão, suspensão ou reestruturação, não colocados no concurso interno.b)
Docentes dos quadros dos agrupamentos de escolas ou de escolas não agrupadas com ausência de componente lectiva e dos quadros de zona pedagógica não colocados no concurso interno;c)
Docentes dos quadros candidatos a destacamento por condições específicas;d)
Docentes dos quadros candidatos a destacamento para aproximação à residência familiar;e)
Candidatos não colocados no concurso externo;f)
Candidatos à contratação anual.Fim de citação
| A instabilidade da colocação de professores aumentará! É necessário BOM SENSO! É necessário criar mecanismos de transitoriedade, no caso da passagem de QZP para QA (Quadro de Agrupamento)! "Depressa e bem há pouco e quem", diz o ditado poular. Haja justiça, equilíbrio e transparência nos concursos de professores! Haja respeito pelo princípio Melhor Graduação = Melhor Colocação, respeite-se a lista ordenada e a preferência dos candidados! |
| Projecto de Decreto-Lei de alteração ao DL 20-2006.pdf |
Compromissos...
DN, 09_Out_2008 (ler tudo no anexo)
Governo lembra compromissos
A Fenprof já tinha admitido, esta segunda-feira, voltar a convocar uma manifestação ainda este ano para "quebrar o actual clima de medo e de intimidação" que diz estar a viver-se nas escolas devido ao modelo que está a ser aplicado. O secretário-geral da estrutura, Mário Nogueira, lembrou que foi pedida há duas semanas uma reunião com a ministra, Maria de Lurdes Rodrigues, e avisou que dependerá "das respostas que o Ministério nos der" o recurso ou não a formas de luta.
Uma posição que já motivou críticas da parte do secretário de Estado da Educação. Valter Lemos lembrou ontem, à margem de um encontro nacional de formadores, no Porto, que, ao abrigo do "memorando de entendimento" assinado em Abril entre a ministra, Maria de Lurdes Rodrigues, e a "plataforma" de sindicatos do sector, estes últimos concordaram com a aplicação do actual modelo até ao final do ano lectivo: "No final do ano escolar fazia-se a avaliação dos resultados", lembrou, acrescentando: "Estamos em Outubro e esta postura diz tudo."
Contactado pelo DN, o Ministério da Educação não quis reagir à proposta da Fenprof.
Revogação do ECD - Abaixo-Assinado
ABAIXO-ASSINADO :
http://www.fenprof.pt/
Toca a reencaminhar!!!
Colégios Privados Internacionais
J. S.
MUP: Objectivos individuais - aplicação on-line. Manif 15 de Novembro
Atenção, colegas.
Leiam, por favor, estes dois assuntos no blogue: http://
APLICAÇÃO ON-LINE PARA OS OBJECTIVOS INDIVIDUAIS
Atenção!!! Isto é urgente!!!
A PROPÓSITO DO 15 DE NOVEMBRO...
Está em discussão, neste momento, a realização ou não de uma manifestação em Lisboa, no dia 15 de Novembro.
PASSA A PALAVRA.
APEDE antes da Reunião de 11/Outubro
Porque nesta reunião de Sábado não interessa reeditarmos o tradicional
choradinho, o costumeiro "muro das lamentações" e o já estafado "diagnóstico
da situação", importando muito mais centrarmos a nossa discussão em
propostas concretas de acção, envio-vos um esboço do que poderão ser algumas
dessas propostas. Como verificarão, uma parte delas limita-se a retomar
propostas que já tinham sido aprovadas mas que não foram ainda postas em
prática. Chamo a vossa atenção para a última sugestão, que se prende com
rumores preocupantes que circulam na blogosfera e que, a serem confirmados,
exigem uma resposta muito firme da parte dos professores, pois basta de
tanto achincalhamento!
Só faltava mesmo a introdução de um "Big Brother" para fazer deste modelo de
avaliação um exercício absolutamente agoniativo de pressão autoritária sobre
os professores!
Para os colegas que têm vontade de se inscrever na APEDE e que não dispõem
de ficha de inscrição, lembro-vos que basta entrarem no nosso site
(www.apede.pt) e que lá encontrarão, na barra do "main menu", a ficha de
inscrição. É só clicar e imprimir. Poderão entregá-la em mão no Sábado e até
divulgá-la junto de colegas que queiram participar.
Quanto aos que solicitaram o nome da rua onde se situa o local desta reunião
para poderem lá chegar através do GPS, tentarei que essa informação vos seja
transmitida o mais depressa possível.
Um abraço a todos e até Sábado,
Mário Machaqueiro (pela Direcção da APEDE)
Comunicado PROMOVA

dos professores nas escolas, não pode ficar indiferente ao estado de
desânimo, extenuação e indignação que afecta a esmagadora maioria dos
professores, em resultado da lógica kafkiana e da burocracia inconsequente
que caracterizam o actual modelo de avaliação, impedindo-os de fazerem
aquilo que melhor sabem, isto é, educar e ensinar com entusiasmo, motivação
e desacorrentados de grelhas e fichas patéticas.
Consequentemente, os professores identificados com o Movimento PROmova
consideram que a intenção que muitos colegas vêm expressando, no sentido de
se juntarem numa manifestação, em Lisboa, no dia 15 de Novembro, constitui
um momento ímpar para os professores de todo o país mostrarem que rejeitam,
em definitivo, este modelo de avaliação de desempenho e as políticas
educativas deste governo, na afronta que constituem à dignidade e ao
respeito que a função docente deveria merecer numa sociedade civilizada.
Atendendo ao clima insuportavelmente triste e desalentado que se vive nas
escolas, que apenas veio confirmar aquilo que o PROmova antecipara no ano
lectivo anterior, sentimo-nos na obrigação de valorizar a manifestação do
dia 15 de Novembro como uma iniciativa genuína da vontade individual dos
professores, pelo que a mesma não deve ficar refém nem de sindicatos, nem de
movimentos. Desta vez, os professores vão, espontaneamente, e por si
próprios, manifestar a sua indignação, pelo que nenhum sindicato ou
organização poderá afirmar que qualquer entendimento em vigor é a expressão
do sentir de toda uma classe. Como tal, os professores não deixarão,
certamente, de se organizarem nas escolas, segundo o lema "Uma escola, um
autocarro", rumando a Lisboa, no dia 15 de Novembro.
Nesta sequência, aproveitamos para reafirmar a nossa incondicional oposição,
tanto à lotaria que consumou a divisão arbitrária e injusta da carreira,
como ao modelo de avaliação inconsistente e desacreditado que nela se
suporta. Como pode um modelo de avaliação, que se quer sério e credível,
sustentar-se numa diferenciação de professores que não avaliou desempenhos e
desrespeitou currículos, formações, experiências e
capacidades/empenhamentos? Alguém, com uma nesga de ética, o pode defender?
Além do mais, este modelo de avaliação está a provar ser improfícuo e,
mesmo, contraproducente, pois não só esgota os professores inutilmente, como
desmobiliza e desincentiva os mais empenhados. A filosofia penalizadora que
o alimenta torna-o, quer um instrumento de desmandos para os mais
deslumbrados e arrogantes, que assim encobrem lacunas pessoais e
profissionais, quer um instrumento de humilhação para a esmagadora maioria
dos professores, desautorizando-os e expondo-os ao ridículo, em aulas
observadas em que se exige desde o pino a um enigmático timbre de voz,
depois de décadas de uma docência valorizada por colegas, alunos, pais e
sociedade.
É chegada a hora de darmos uma lição de democracia e de coragem a quem nos
quer vergar.
Vamos rejeitar esta burocracia que funcionaliza a docência numa obsessão por
condutas e por competências sem qualquer relevância pedagógica e didáctica.
E, como resposta à conflitualidade e à competitividade doentia em que nos
querem mergulhar, vamos todos, em cada escola, definir os mesmos objectivos
individuais e enveredar pelo trabalho em equipa e cooperativo, como
recomenda aliás, uma recente resolução do Parlamento Europeu.
Por tudo isto, encontrar-nos-emos, em Lisboa, no dia 15 de Novembro.
Aquele abraço solidário.
Revista Rubra: Balanço crítico do estado do ensino
DEIXEM OS PROFESSORES ENSINAR!
A revista Rubra, nº 3, Outubro 2008, tem um dossier dedicado aos professores:
Luís Farinha, professor, faz um balanço crítico do acordo de professores e do estado do ensino em Portugal. Se as escolas ainda funcionam deve-se exclusivamente ao esforço dos professores.
Sandra Duarte, professora de matemática, explica porque cada vez mais só os filhos da classe média alta vão para as áreas científicas.
Demerval Saviani o mais conhecido pedagogo marxista brasileiro, defende em entrevista à Rubra, que o professor assuma como tarefa principal a de ensinar os alunos, deitando para o lixo as falsas teorias «da inclusão», que só servem para nivelar por baixo. Contra a pedagogia autoritária mas também contra as teorias dominantes na esquerda, que vêm dos anos 70, e que na verdade só servem para justificar a manutenção do statu quo. A escola não é um «lar», um prolongamento da família, mas sim um espaço onde os nossos filhos se preparam cientificamente, onde aprendem a conhecer o que de melhor no campo da ciência, da arte, da cultura a humanidade produziu. Há muito para aprender a sério. Ao professor deve ser devolvida a sua função: ensinar.
Aprender a aprender: um slogan para a ignorância
Entrevista realizada por Raquel Varela e Sandra Duarte
Qual é o papel da escola?
O papel da escola é o de ser o ambiente adequado para que o professor possa exercer da melhor forma possível o seu papel.
E qual é o papel do professor?
O papel do professor é elevar os alunos do nível não elaborado, do nível do conhecimento espontâneo, de senso comum, para o nível do conhecimento científico, filosófico, capaz de compreender o mundo nas suas múltiplas relações e portanto, passar da visão empírica, fragmentada do Mundo, para uma visão concreta, articulada.
Quem são, politicamente falando, os defensores da pedagogia do «aprender a aprender»?
Hoje em dia a pedagogia do «aprender a aprender» é a grande referência da orientação dominante. Tanto que está nos documentos oficiais e internacionais que depois se reproduzem em cada nação, como está nos meios de comunicação onde tentam convencer os professores das suas virtudes. O Relatório Jacques Delors das Nações Unidas sobre educação para o século XXI tem como eixo essa orientação do «aprender a aprender» e os países reproduzem isso nas suas políticas educativas. É uma pedagogia que tem origem na escola nova, no construtivismo de Piaget, que estava apoiado no keynesianismo. Agora foi recuperada, no contexto político do neoliberalismo, pelos pós-modernos. A ideia é que todo o ambiente é educativo – aprende-se em diferentes lugar, em diferentes circunstâncias e … também na escola! O argumento que dão para isso é que aquela visão rígida foi superada em benefício de uma sociedade flexível em que nada se pode prever. A escola não pode formar para 5 ou 10 anos, não se sabe como vai ser o futuro que está em constante mudança. Portanto a escola não deve ensinar algo mas apenas aprender. Mas este novo aprender a aprender já nem sequer dá a importância que os construtivistas davam à ciência. Não sei como é aqui, mas no Brasil introduzem parâmetros curriculares nos temas «transversais» – é como se os temas não fossem objecto desta ou daquela disciplina mas atravessam todo o currículo – educação cívica, moral, ambiental, sexual.
Nos seus livros defende que deve haver uma diferença clara entre currículo e extra currículo?
As actividades devem integrar as actividades da escola desde que elas colaborem para aquilo que é central no currículo. Não se pode apagar essa diferença, como fazem os pós-modernos, para quem tudo tem a mesma importância. Fazer um passeio na cidade e estudar matemática não tem a mesma importância.
O que pensa da memória, da repetição, no processo de ensino?
Esse é um outro aspecto que me parece importante. As teorias psicológicas modernas e pós-modernas tendem a secundarizar a memória enquanto faculdade psicológica e a repetição enquanto estratégia pedagógica. Mas isso é algo que as pesquisas psicológicas de base dialéctica, marxistas, como a da escola de Vigotsky, questionam. Elas mostram o papel da memória e da repetição no desenvolvimento. Eu elaborei algo nessa direcção não pela via das teorias psicológicas mas pela via da observação dos processos pedagógicos. A tese de que a criatividade é o oposto da mecanização, da automatização, não se sustenta porque essa visão dá à criatividade um carácter espontaneísta, como se a pessoa pudesse ser criativa a partir do nada. O que se constata no processo de desenvolvimento das crianças, da própria formação, é que a fixação de mecanismos não é impeditiva da criatividade, pelo contrário, é condição da criatividade.
Um músico só é livre de compor, livre de ser criativo, depois de muitos anos de estudo…
Sim, outro exemplo que dei é o do aprender a dirigir o automóvel. Enquanto não se mecaniza as operações não se é livre de conduzir um automóvel. Eu fui mais longe e generalizei numa espécie de lei pedagógica. O aprendiz nunca é livre. Ele só é livre depois de dominar o objecto de aprendizagem e quando domina deixou de ser aprendiz. Essa ideia da liberdade do aluno, liberdade de aprendizagem, é um enunciado ideológico.
Os alunos devem reprovar?
A reprovação não é uma exigência pedagógica porque a tendência das crianças e dos jovens é aprender. Nesse sentido se organizarmos adequadamente o processo educativo não vai haver reprovação.
É preciso estar na escola o dia todo, como estão as crianças portuguesas, para aprender?
Na educação infantil ou primária não acho produtivo as crianças ficarem 8, 9 horas na escola. Mas isso tem muito a ver com as condições sociais do país em causa – no Brasil a maioria das crianças não tem uma secretária, um lugar para estudar em casa.
O que pensa de políticas educativas como as que se estão a implementar em Portugal, em que os alunos vão passar a ter só um professor até ao 6.º ano?
No contexto em que isto está a ser posto há aí um objectivo político e que concorre para esvaziar as escolas do conhecimento elaborado, científico, que é a sua função. A burguesia tende a esvaziar a escola dos conteúdos mais elaborados mediante os quais os trabalhadores poderiam fazer valer os seus direitos, as suas reivindicações.
Defende que a escola que luta pelo socialismo é aquela onde se ensina o saber da classe dominante à classe dominada? Isto coloca em causa quase tudo o que a esquerda tem vindo a defender a respeito da pedagogia...
Essa é uma ideia central da proposta pedagógica que formulei. Eu acredito que ela tem base empírica e teórica. Ela tem base empírica a partir daquilo que observamos no dia a dia. Os trabalhadores consideram a escola algo importante, enviam os seus filhos para a escola na expectativa de que lá eles vão aprender. A expectativa deles é que os filhos estudando adquiram condições que eles não tiveram. No livro Escola e Democracia sintetizo assim a fala dos pais: «Se o meu filho não quer aprender o professor tem que fazer com que ele queira.» Essa frase foi interpretada por alguns colegas como sendo a evidência de que eu defendia uma pedagogia autoritária. Eu respondi a esses sectores a dois níveis: primeiro ao nível da linguagem. Eu disse: «Se o meu filho não quer aprender o professor tem que fazer com que ele queira.» Não disse: «Se o meu filho não quer aprender o professor tem que fazer com que ele aprenda, mesmo que não queira.» Isso sim seria impositivo – se ele não quer aprender vai aprender na marra, vou enfiar goela abaixo! O filho, que não tem experiência da vida, das lutas sociais, é compreensível que não perceba, mas o professor tem condições e obrigação de saber a importância do estudo e mostrar para a criança essa importância.
Mas a nível teórico, uma resposta mais elaborada a essa crítica deve começar pela diferença entre o empírico e o concreto. Comummente se usa o termo concreto como sinónimo de empírico, mas em Marx há uma diferença muito clara. No Método da Economia Política vai-se do empírico ao concreto pela mediação do abstracto. O concreto não é o ponto de partida mas o ponto de chegada do conhecimento. Eu traduzo isso na pedagogia da seguinte forma: parte-se do confuso, das primeiras impressões, para uma visão articulada, uma visão de síntese, pela mediação do abstracto, ou seja, da análise.
Quando o professor se defronta com o aluno ele tem que estar frente ao aluno concreto não ao aluno empírico. O aluno empírico é essa criança que está aí, com essas manifestações que eu capto à primeira vista, que eu capto pelos sentidos na aparência. Mas o ser humano é síntese de relações sociais, por isso eu tenho que o encarar enquanto indivíduo concreto e não apenas enquanto indivíduo empírico. Por isso quando me dizem que tenho que ter em conta os interesses dos alunos eu pergunto: do aluno empírico ou do aluno concreto? A escola nova fica no aluno empírico, por isso devemos fazer o que ele tem vontade e cai-se no espontaneísmo. Agora para o aluno concreto – enquanto síntese de relações sociais – é da maior importância passar da visão de senso comum para uma visão articulada, uma visão científica, ter acesso a conteúdos elaborados. Eu tenho que levar em conta os interesses do aluno concreto e portanto deve-se estruturar um ensino que vai além das primeiras impressões, subjectivas, dos desejos subjectivos que esse aluno tem. Mas ele só vai perceber isso na medida em que o professor lhe mostra, fazendo-lhe ver a importância dos conhecimentos para ele assimilar.
Defende que o conhecimento é um meio de produção e que a burguesia se apropriou dele?
O conhecimento elaborado é um produto do desenvolvimento da humanidade, um produto do desenvolvimento social do homem no processo de produção da sua existência. A burguesia apropria-se disto como se apropria dos outros elementos, mas isto não significa que ele seja inerentemente burguês. Trata-se de arrancar do controle dominante aquilo que são produções humanas, neste caso o conhecimento. Quando a burguesia era revolucionária, na passagem do feudalismo para o capitalismo, fez isso, arrancou o conhecimento das mãos estritas do clero e da nobreza.
E só liberta esse conhecimento na estrita medida em que o trabalhador precisa dele para desempenhar o seu papel no processo produtivo?
A minha posição é que considerar que o saber elaborado corresponde aos interesses dominantes, como fazem os reprodutivistas (ver caixa) é sonegar aos trabalhadores um instrumento de luta e nesse sentido manter os trabalhadores subordinados.
Os alunos portugueses são os piores da Europa a Matemática mas dominam a máquina de calcular desde a primeira classe. Têm Inglês e Informática desde o jardim infantil. O que significa para si este domínio da tecnologia combinado com uma absoluta ignorância da ciência?
A educação vai-se cada vez mais reduzindo a operações mecânicas. As máquinas da revolução industrial substituíam a força física do homem, hoje há máquinas que também realizam operações intelectuais. Isso deveria ter como função libertar o homem das funções repetitivas, tanto as braçais quanto as intelectuais, para assim libertar o homem para fruir, pensar, elaborar. Nas condições capitalistas a maioria é colocada na posição de só operar. O que possibilitou a existência dessas máquinas, que envolve matemática avançada, fica restrito a um grupo muito pequeno que frequenta universidades de ponta. O projecto de Bolonha ilustra bem isto, destrói toda a experiência da riqueza universitária europeia, que era um contraponto à americana onde eles têm grandes universidades para formar cientistas de ponta e depois uma grande diversificação de universidades de diferentes níveis.
Nós travamos esta luta, entre uma educação ao serviço da ordem dominante e uma educação que seja enriquecedora do homem. É claro que essa outra educação só se pode desenvolver na medida em que está articulada com aqueles que têm interesse nessa nova educação.
Dermeval Saviani, doutor em filosofia da educação, é professor emérito da UNICAMP (São Paulo, Brasil) e autor de grande número de livros, como Escola e Democracia (Ed. Autores Associados, 40.ª edição, 2008), História da Educação, Pedagogia Histórico-Crítica, Intelectual, Educador, Mestre ou Capitalismo, Trabalho e Educação, entre outros.
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Avaliação - Ante-projecto da Fenprof:organograma
DAR A VOZ E A PALAVRA AOS PROFESSORES PARA CONSTRUIREM A SUA PROPOSTA
Avaliação do Desempenho — Proposta da FENPROF
Os professores e educadores vão poder intervir, a partir de amanhã, na construção de uma proposta alternativa ao modelo imposto pelo Ministério da Educação.
A FENPROF, tal como se comprometeu, apresenta publicamente, em Conferência de Imprensa, a sua proposta para um modelo de Avaliação do Desempenho que seja seja assumido pela generalidade dos docentes portugueses e que vá ao encontro das exigências, mas também dos desafios profissionais que se colocam na profissão docente.
Responsavelmente, o Secretariado Nacional da FENPROF, mandatado pelos docentes, apresentará um ante-projecto que, numa primeira fase, será aberto a propostas que o enriqueçam e coloca, mesmo, em alternativa, algumas sugestões de configuração do modelo.
A preocupação é que, ao mesmo tempo, seja pedagógioco, formativo, participativo, democrático e construtivo do próprio sistema.
Que se constitua como um ponto de partida para a valorização de áras colaterais como são as da estrutura da carreira e da formação contínua, abrindo portas para uma configuração da escola pública que assente os seus pilares em alicerces fortes da Democracia e da participação dos docentes no futuro dos destinos das suas escolas e do sistema educativo.
Para o SPRC e para a FENPROF, o modelo ideal não poderá nunca co-habitar com um modelo autoritário e fortemente hierarquizado de gestão das escolas, nem com um estatuto da carreira docente negativo que espartilha as possibilidades de carreira dos docentes e que quebra vida profissional em duas categorias artificialmente criadas para impedir os docentes de progredir e para reduzir a despesa com os salários dos docentes.
O modelo de avaliação do desempenho que a FENPROF espera vir a finalizar até ao final do 1.º período, depois do debate nas escolas, como, aliás, já foi divulgado, será uma resposta positiva e construtiva de uma escola pública de qualidade, em que os professores contem, efectivamente.
LISBOA — 8 DE OUTUBRO
CONFERÊNCIA DE IMPRENSA
AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO
Apresentação Pública do ante-projecto de modelo alternativo à legislação imposta pelo ME
Mais uma marchazita para iludir a realidade???
"O problema não são os sindicatos"
D. (professora)
Profavaliação: vantagens das concentrações distritais vs vantagens de uma marcha a 15/Nov em Lisboa
sábado, outubro 18, 2008
Filme "Entre les Murs" (A Turma)
de Laurent Cantet
128´ França 2008
O grande vencedor da Palma de Ouro do último Festival de Cannes e um verdadeiro acontecimento em França: Entre les Murs ilustra a multiplicidade cultural e as várias tensões acumuladas dentro de uma turma de liceu em Paris. Adaptado do livro homónimo do professor, jornalista e escritor François Begaudeau (que neste filme se representa a si mesmo), este projecto revela a experiência diária do ensino e alunos de carne e osso que interpretaram e improvisaram os seus próprios papéis numa crónica ambígua sobre a Europa contemporânea.
29-09-2008 19:38:00
A 9ª Festa do Cinema Francês arranca quinta-feira em Lisboa e chega a Faro dia 29 de Outubro, com uma estreia.
"A Turma" ("Entre les Murs" no original), vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes, será apresentado a 29 de Outubro como filme de abertura do festival na cidade de Faro (onde decorre até 2 de Novembro).
Mãe do Guilherme (NEE) - depoimento
Exmo. Senhores
Escrevo-lhes este mail em virtude de ter uma situação em mãos que não a consigo resolver sozinha, infelizmente é mais um dos muitos casos isolados que estão acontecendo no nosso País, só que este é com o meu filho e por isso não posso deixar de lutar até conseguir o que lhe é devido.
Peço-vos que percam um pouco do vosso tempo e leiam a minha carta que está em anexo e que reporta mais uma injustiça criada pelo nosso Governo e que afecta muitas crianças com Deficiências.
O Guilherme tem cerca de 2 anos e foi diagnosticada uma Paralisia Cerebral aos 6 meses de idade, fruto de ter estado privado de oxigénio à nascença. A partir dessa idade iniciamos uma longa caminhada para a reabilitação do meu filho. Actualmente apresenta um atraso no seu desenvolvimento global, nomeadamente na parte cognitiva.
O que me leva a este contacto é o facto do meu filho ter sido inserido no passado Ano Lectivo no Programa de Intervenção Precoce do Agrupamento de Escolas da Alapraia no Estoril tendo o apoio de uma Educadora do Ensino Especial 4h por semana. Todo o seu processo foi elaborado de acordo com a publicação do DL 3/2008 de 7 de Janeiro do Ministério da Educação, onde foram alteradas as medidas para os alunos com Necessidades Educativas Especiais, bem como o acesso às mesmas, tornando-se imperativo a utilização de instrumentos padronizados, nomeadamente na utilização da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde – CIF.
No entanto e por falta de colocação na referida Escola, de Educadoras do Ensino Especial para a Intervenção Precoce para darem apoio educativo às crianças com necessidades Educativas Especiais, este ano o meu filho ainda não iniciou o referido Programa, não existindo sequer nenhuma data para o começo do mesmo, sendo que este Programa deveria ter iniciado com o início do Ano Lectivo, 15 de Setembro de 2008.
Acresce o facto de saber que no Fundo de Desemprego se encontram muitos Educadores do Ensino Especial, bem como Professores com Especializações na Educação Especial, não percebendo por isso porque é que os mesmos não são colocados nas Escolas onde ainda não existem esses Técnicos.
Em contactos com a Escola e com a DREL, fui informada que das 7 Educadoras solicitadas pela Escola só 1 foi colocada, sendo que nenhuma das Entidades poderá resolver esta situação, então se estas Entidades não têm competências para resolver este tipo de situações, quem as terá? É que da parte do Ministério da Educação também já me contactaram telefonicamente informando que este Ministério nada tem a ver com a colocação de Professores, estando essa situação sobre a alçada da DREL. Com tudo isto mais pareço uma bola de “ping-pong” entre as diversas Entidades, sendo que nenhuma assume as suas responsabilidades perante este caso.
Nesta situação e neste Agrupamento estarão cerca 60/70 crianças que se encontram sem Apoio Educativo. Pelo que a minha questão é se estas crianças não têm o mesmo direito das outras crianças. Afinal o Ano Lectivo começou, a questão é se será que começou para todos?
Junto envio carta expondo o meu caso, estarei disponível para mais contactos, esperando que alguém com mais influência que eu consiga resolver esta situação, já que eu, como mãe de uma criança com deficiência não consigo fazer exercer os direitos do meu filho.
Atentamente
Cláudia Alexandra Rocha
______________________________
Esta mensagem é exclusivamente dirigida ao(s) destinatário(s) indicado(s). Se a recebeu por engano, agradecemos que não a copie nem a reenvie e que nos comunique o ocorrido através do email de resposta e, como a mensagem pode conter informação de natureza confidencial, agradecemos que a apague.
O texto desta mensagem é absolutamente pessoal e em nada compromete a posição da REFER EP.
Suspensão do processo de avaliação: que escolas?
Gostava de saber, com alguma urgência, se alguém tem conhecimento
CONCRETO de escolas que tenham decidido suspender o processo de
avaliação de desempenho a partir do início deste ano lectivo (não falo
do ano anterior). Tenho ouvido falar de escolas onde o processo ou não
avança ou está "emperrado", mas as informações são todas um bocado
vagas e raramente se lê ou ouve falar de a escola X ou Y ter decidido
tomar, concretamente, uma posição. Por exemplo, houve uma escola de
Odemira que recentemente decidiu, em reunião geral de profs., pedir ao
Conselho Pedagógico que suspendesse o processo (foi uma informação que
recebi via Net, tal como muitos de vocês). Alguém sabe, neste momento,
se a proposta foi aceite ou rejeitada pelo Pedagógico?... Seria
interessante sabê-lo porque, se o CP desta escola decidiu responder
positivamente à proposta e parar com a avaliação, não só isso seria um
ponto de apoio extremamente importante para todas as escolas onde há
processos de resistência, como esses colegas precisam da nossa
solidariedade e apoio.
Quero fazer em breve uma reunião sindical na minha escola (sou
delegada sindical do SPGL) e é por isso que vos peço estas informações
com alguma urgência. Acho que temos todo o interesse em estabelecer
uma rede de ligação e informação onde troquemos tudo o que é moções
contra a avaliação, decisões de Pedagógicos e/ou Conselhos Executivos,
posições de grups de profs., processos de luta mais activos, etc.,
etc..
Sozinhos e isolados escola a escola não vamos a lado nenhum, não é?
Um abraço para todos da
Paula Amaral, profª na Escola Sec. dos Casquilhos (Barreiro)
A grande evasão
Por outras palavras, de Manuel António Pina em http://jn.sapo.pt/Opiniao/
Se não ficasse na história da educação em Portugal como autora do lamentável "pastiche" de Woody Allen "Para acabar de vez com o ensino", a actual ministra teria lugar garantido aí e no Guinness por ter causado a maior debandada de que há memória de professores das escolas portuguesas. Segundo o JN de ontem, centenas de professores estão a pedir todos os meses a passagem à reforma, mesmo com enormes penalizações salariais, e esse número tem vindo a mais que duplicar de ano para ano.
Os professores falam de "desmotivação", de "frustração", de "saturação", de "desconsideração cada vez maior relativamente à profissão", de "se sentirem a mais" em escolas de cujo léxico desapareceram, como do próprio Estatuto da Carreira Docente, palavras como ensinar e aprender. Algo, convenhamos, um pouco diferente da "escola de sucesso", do "passa agora de ano e paga depois", dos milagres estatísticos e dos passarinhos a chilrear sobre que discorrem a ministra e os secretários de Estado sr. Feliz e sr. Contente. Que futuro é possível esperar de uma escola (e de um país) onde os professores se sentem a mais?
(recebido por mail)
sexta-feira, outubro 17, 2008
Manifestação a 15 de Novembro
Ensaio da Municipalização
Se não fosse triste esta era uma piada para rir
(do blogue Sinistra Ministra)
Novo blogue Educar é resistir
Educar é Resistir

