quarta-feira, outubro 08, 2008
Reflexão sobre o papel dos sindicatos
Mário Nogueira: "Os professores contam!"
Mário Nogueira - 20081004
Nas escolas, há mais computadores e mais paredes pintadas, mas há também um corpo docente sufocado e esmagadoAconsigna que este ano foi escolhida pela UNESCO e pela Internacional de Educação (IE) para assinalar o Dia Mundial dos Professores, que se comemora amanhã, dia 5 de Outubro, tem um grande significado: "Os professores contam!".
Em Portugal, o significado desta consigna tem uma particular importância, pois, para o actual Governo, como se percebeu desde a primeira hora, os professores têm sido quem menos conta na escola. A ministra da tutela teve o cuidado de deixar isso claro quando, bem cedo, fez saber que o importante seria ganhar a opinião pública, ainda que perdesse os professores.
Se bem o disse, melhor o tem feito, governando de uma forma que não deixa dúvidas sobre a sua opção: muita propaganda para o exterior, muito fogo-de-artifício e muita estatística manipuladora; lá dentro, no entanto, é a desarrumação completa, mal disfarçada pelo lixo que se acumula sob os tapetes e os móveis...
Sem retirar importância aos quadros interactivos, aos computadores ou, até, às migalhas que são abatidas às taxas de insucesso (e esqueçamos, agora, o que ocultam...), é caso para perguntar que Escola pretendem os governantes quando tão mal tratam os profissionais que nela se empenham na procura permanente do sucesso para os seus alunos.
Dentro das escolas, encontram-se professores que estão tristes e que têm visto aumentar a sua indignação e revolta por saberem que mereciam ser considerados com respeito, que deveria ser reconhecido o trabalho dedicado e, por vezes, quase militante que desenvolvem e, principalmente, por serem vítimas de medidas que, burocratizando e funcionarizando o seu exercício profissional, não os deixam ser professores.
Aos docentes estão a ser impostos horários de trabalho - em muitos casos ilegais - que prejudicam a sua vida profissional, pessoal e familiar e dentro da escola foram instituídos grupos hierarquizados que dão corpo à fractura imposta na carreira. Ao crescente número de desempregados e precários a ministra apenas consegue dizer que não é agência de emprego. Por outro lado, agravam-se as condições para a aposentação esperando que, rebentando antes, muitos professores se afastem precocemente com pensões de valor reduzido. O modelo de avaliação que se abate sobre os professores é incompatível com o exercício de funções docentes e servirá, apenas, para impor castigos que incidirão sobre a carreira profissional e quebrar laços de solidariedade e cooperação que existem no corpo docente. A actividade em sala de aula está dificultada, pois a supressão dos apoios devidos a milhares de alunos com necessidades educativas especiais assim o determina. A nova gestão escolar, destinada a afastar a generalidade dos professores dos níveis de decisão estratégica da escola, reduz espaços fundamentais de autonomia e terá, no director, os olhos, os ouvidos e os tentáculos da administração dentro do espaço escolar. E enquanto, nas escolas, os professores se confrontam com o aumento dos focos de indisciplina e violência, os responsáveis do ME desvalorizam essa realidade.
Em suma: nas escolas onde há agora quadros interactivos, mais computadores e mais algumas paredes pintadas, há, também, um corpo docente que começa a estar sufocado e esmagado pela insensibilidade e insensatez de um ministério para quem os professores contam pouco!
Mas como, na realidade, os professores contam muito, irão mostrar quanto contam e essa será a grande a lição que, sem contar, os governantes irão receber.
Secretário-Geral da Federação Nacional de Professores (Fenprof)
APEDE - Reunião 11 Outubro
A APEDE vai retomar as suas actividades, depois deste compasso de espera com um início de um ano lectivo em que andamos afogados em trabalho. As lutas que soubermos travar em 2008-2009 serão decisivas para travar a destruição da escola pública em Portugal. Enviamos um texto em anexo no qual fazemos uma síntese do que nos parecem ser os desafios que os professores têm pela frente. Iremos realizar uma reunião nas Caldas da Rainha no próximo dia 11 de Outubro (Sábado) em local e hora a anunciar brevemente. Como sempre, contamos convosco, pois só com muitos professores poderemos fazer a caminhada difícil que nos espera.
Um abraço,
Mário Machaqueiro (pela Direcção da APEDE)
A APEDE, Associação de Professores e Educadores em Defesa do Ensino, vai realizar uma reunião aberta a todos os interessados no próximo dia 11 de Outubro, nas Caldas da Rainha, em local e hora ainda a anunciar. Queremos debater, com quem esteja disposto a acompanhar-nos, o futuro do movimento e da luta dos professores.
O ano lectivo que teve agora início vai ser, ao mesmo tempo, extremamente difícil e absolutamente decisivo. Difícil porque nós, professores, partimos agora numa posição de desvantagem maior do que aquela em que nos encontrávamos no final de 2007. O movimento de revolta que irrompeu a partir de Fevereiro de 2008, e que tão rapidamente culminou na maior manifestação de sempre de uma única classe socioprofissional, suscitou uma enorme expectativa. Os mais optimistas – mas talvez também os menos lúcidos – pensaram então que a demissão desta equipa ministerial estaria já ao virar da esquina. Por isso, foi tão grande a ressaca quando se descobriu as mãos cheias de nada que nos deixou o acordo assinado pelos sindicatos com o Ministério da Educação. Por isso, os professores estão ainda hoje a remoer os restos da desilusão, do sentimento de frustração e de impotência que parecem ser o saldo de todo um ano de mobilizações, de protestos e de contestação activa.
Perante uma aparente resignação generalizada, as escolas preparam-se para aplicar, neste ano lectivo, todo o pacote legislativo contra o qual lutámos meses atrás: uma avaliação do desempenho delirante, hiperburocratizada e absurda, imposta apenas como um acto de teimosia destinado a vergar os professores, a par de um novo modelo de administração escolar apostado em asfixiar os parcos resíduos de democracia que ainda sobravam dentro da escola pública. Hoje, uma parte significativa dos nossos colegas parece rendida às “estratégias de sobrevivência”: uns optam por tentar adaptar-se aos ditames ministeriais, outros acotovelam-se para obter um “lugar ao sol” nas novas hierarquias que já se perfilam, e a maioria procura simplesmente manter a sanidade mental que lhe permita dedicar-se à sua função primeira – a de educadores e transmissores de saber – no meio de uma sobrecarga de trabalho imenso e esgotante, concebida para nos alienar e nos furtar à distância reflexiva sem a qual é impossível exercer a crítica. E, no entanto…
… E, no entanto, algo começa a pulsar por debaixo da nossa frustração colectiva. O profundo mal-estar que se vive nas escolas volta a estar na ordem do dia, alguns (ainda poucos) órgãos de comunicação social principiam a dar sinais da revolta surda que também agita muitos docentes, o marasmo exibe as primeiras brechas. Pensamos, pois, que é chegada a altura de relançar o movimento. Somos, afinal, uma Associação legalmente constituída e continuamos a pugnar pela unidade e pela representação de todos os professores que entendam juntar-se a nós para derrubar esta equipa ministerial e as suas políticas.
Não tenhamos ilusões. ESTE ANO LECTIVO VAI SER UM ANO-CHARNEIRA. Se, até Junho-Julho de 2009, não conseguirmos inverter as políticas do Ministério da Educação e minar os seus principais pilares – o Estatuto da Carreira Docente, o modelo de avaliação de desempenho e o modelo de gestão escolar –, Maria de Lurdes Rodrigues e José Sócrates poderão cantar vitória e exibir as suas políticas do ensino como uma bandeira para efeitos de campanha eleitoral. E, SE ISSO ACONTECER, TAIS POLÍTICAS TER-SE-ÃO INSTALADO IRREVERSIVELMENTE NO SISTEMA EDUCATIVO DESTE PAÍS. E não se pense, como alguns querem dar a entender, que uma mudança de ciclo eleitoral irá alterar alguma coisa de substancial na escola pública portuguesa. Os actuais decretos que merecem a contestação dos professores moldarão a face deste sistema por muitos e longos anos. E o ensino em Portugal ficará desfigurado até nada restar senão uma caricatura grotesca: professores-amanuenses, vergados e amordaçados pela bufaria e pelo clima pidesco que se está a instalar em muitas escolas, todos domesticados para fabricar em série um “sucesso escolar” puramente artificial. Confrontamo-nos, por isso, com uma grande exigência: EM 2008-2009, TEREMOS A ÚLTIMA OPORTUNIDADE PARA LUTAR CONTRA UMA PERSPECTIVA DE FUTURO TÃO SOMBRIA.
Os desafios que nos esperam são múltiplos, dada a pluralidade dos constrangimentos que nos afectam:
· Devemos lutar pela restauração de um horário laboral condigno e compatível com o rigor do trabalho pedagógico. Muitos dos professores são hoje obrigados a passar 40 e, por vezes, mesmo 50 horas por semana nas escolas, quase sempre com incumbências burocráticas ou pseudo-reuniões de trabalho que nada acrescentam à natureza da sua profissão e ao tempo indispensável para a preparação das aulas e para o acompanhamento dos alunos. Temos, assim, de denunciar esta situação junto dos órgãos de comunicação, recolhendo para isso exemplos que a possam ilustrar. Paralelamente, urge lançar nas escolas uma campanha subordinada ao lema “nem mais um minuto para além das 35 horas”.
· Devemos denunciar todos os abusos de autoridade praticados pelos órgãos executivos de certas escolas e resistir contra o exercício do poder em moldes que começam já a revelar-se fascizantes. De facto, em determinados estabelecimentos de ensino está a desenvolver-se um clima intimidatório e persecutório que é totalmente incompatível com o exercício da liberdade de expressão e com a luta pelos direitos laborais. Isto prolonga o atavismo português que cultiva o gosto pelo autoritarismo, confirmando a persistência da mentalidade salazarista que teima em enraizar-se na nossa sociedade. Temos de contrariar semelhante tendência, recolhendo igualmente todos os exemplos com que a mesma se apresenta nas escolas e denunciando-a o mais amplamente possível. Mas, sobretudo, temos de a combater de forma activa, recusando todo e qualquer autoritarismo arbitrário, venha ele de onde vier.
· Devemos denunciar, junto das associações de encarregados de educação e dos órgãos de comunicação social, a forma insidiosa com que o Ministério pretende, através do novo Estatuto do Aluno e do próprio modelo de avaliação dos professores, fabricar um “sucesso escolar” meramente estatístico, sem qualquer correspondência nos conhecimentos efectivamente adquiridos pelos alunos, com isso hipotecando as qualificações reais das gerações futuras de trabalhadores portugueses. A este respeito, é também fundamental desmontar a enorme fraude subjacente às “Novas Oportunidades” e aos famigerados Cursos de Educação e Formação de Adultos.
· Precisamos de retomar a ideia de construir e propor alternativas credíveis às políticas ministeriais, sem o que continuaremos a ser percepcionados como uma classe corporativa que só se empenha em contestar, mas que nada tem para oferecer de positivo.
Algumas destas propostas poderão ser concretizadas através da iniciativa das cartas enviadas aos órgãos de comunicação e a várias instâncias de soberania (Ministério da Educação, Assembleia da República, Presidente da República, Provedor de Justiça, etc.), uma ideia que, embora integrasse o nosso programa de acção, permanece por realizar.
Para que estas e outras sugestões possam ganhar corpo, para que a APEDE volte a ser uma plataforma de mobilização dos professores, apelamos a que todos compareçam e participem na reunião de 11 de Outubro. Lembramos que, SE NÃO FORMOS NÓS A LUTAR, NINGUÉM O FARÁ
Agrupamento de Ourique: Moção
PSD cria blogue para debate parlamentar
«Neste blogue já disponível, todas as pessoas de sensibilidades diferentes, de qualquer orientação política ou social podem fazer comentários e com isso nós pretendemos dar voz a muita gente que não se vê representada nos argumentos dos partidos políticos», salientou o deputado social-democrata Agostinho Branquinho.
Segundo o deputado, o objectivo do blog, disponível em http://debateeducacao.blogs.
«Com certeza que muitas das ideias que serão colocadas no blogue serão depois amplificadas no debate político que terá lugar na Assembleia da República», disse.
O blogue estará disponível apenas até ao dia do debate.
Lusa/SOL
Conservatório sem cadeiras para os alunos
"O ano lectivo está para já a decorrer sem carteiras e sem cadeiras, com os meninos sentados literalmente no chão", disse à Agência Lusa a professora Ana Mafalda, vice-presidente da Escola de Música do Conservatório de Lisboa.
A escola está este ano lectivo a receber pela primeira vez alunos de ensino integrado (que recebem ali todas as aulas, além do ensino da música), além de continuar com o ensino suplementar (a alunos que apenas aprendem música e vão ter as aulas curriculares noutra escola), depois de ter protagonizado no ano passado a contestação à reforma do Ensino Artístico desenhada pelo Ministério da Educação (ME).
"O Ministério quis que nós implementássemos este novo regime e até ao momento não investiu nada, não nos deu material nenhum", acrescentou.
A docente explicou que as aulas teóricas da Escola, que funcionava até ao ano passado apenas em regime supletivo, eram dadas numa espécie de anfiteatro, em cadeiras de palmatória.
Entretanto, a escola comprou mais pianos e mais quadros brancos para escrever, entre outro material, para fazer face "a mais alunos no Conservatório este ano, com aumento dos que frequentam o regime integrado e diminuição dos outros".
"Agora, a escola não pode investir em tudo", sublinhou.
A responsável destacou que só com o decorrer do ano é que se poderão perceber eventuais problemas, mas ao nível do ensino a experiência está, para já, a decorrer bem.
"Existem alguns problemas práticos. Está a ser difícil encaixar horários, por exemplo", disse, explicando que os professores considerados necessários para o regime integrado foram contratados pela Escola de Dança, que "fez os horários segundo as suas conveniências".
"No ano passado tínhamos poucos alunos e conseguia-se fazer, mas este ano, com mais quatro turmas, é complicado até relacionar os horários com a distribuição do espaço", disse.
Este ano lectivo, iniciado em meados de Setembro, recebem as aulas todas na escola de música do conservatório meninos com idades entre os 10 e os 12 anos, do quinto, sexto e sétimo anos de escolaridade.
Além destes, o conservatório dá aulas de música aos alunos que transitaram do ano passado e "alguns outros que vieram de novo que nós escolhemos através de testes de admissão".
"O projecto que nós apresentámos [ao ME] foi de uma progressiva alteração da escola, em função da dimensão da escola. Por exemplo, não íamos abrir um nono ano de repente, quando não tínhamos tido oitavo nem tínhamos tido sétimo", explicou.
A introdução faseada do ensino integrado prevê que daqui a dois anos a escola tenha todos os anos implementados, já que no próximo ano abrirá uma turma do oitavo ano e no ano seguinte do nono.
"Mas também continuamos a receber meninos novos, não rejeitamos ninguém. O regime integrado se calhar vai-nos impedir de dar aulas apenas de música a tantos alunos como gostaríamos, mas no nosso projecto eles continuam a existir, não são para desaparecer", disse.
O ministério da Educação anunciou no ano passado uma reestruturação do ensino artístico com início este ano lectivo, baseando-se num relatório que recomendava o fim do regime supletivo, que permite aos alunos realizar a formação geral numa escola normal e frequentar simultaneamente uma instituição especializada, como um conservatório.
Segundo o documento, "o regime de frequência dos alunos em todas as escolas públicas do ensino artístico especializado deve ser essencialmente o regime integrado", no qual os estudantes fazem os dois tipos de formação (geral e específica) nos conservatórios e outras escolas especializadas.
A generalização do regime integrado vai permitir, de acordo com o relatório, uma melhoria do trabalho pedagógico e a redução das taxas de retenção e de abandono por parte dos alunos.
Fonte do Ministério da Educação disse à Lusa que o Conservatório de Lisboa já pediu ajuda para solucionar o problema de falta cadeiras e mesas à Direcção Regional de Educação, que está a analisar a situação.
Santana Castilho: "O Magalhães, o porco e o Sócrates (o outro)
01.10.2008, Santana Castilho
Fornecer tecnologia sem cuidar da literacia que a permite utilizar é drasticamente pobre
Sobre o Magalhães (refiro-me ao computador português feito no estrangeiro) já se escreveram muitos e interessantes comentários, uns a favor e outros contra. Tudo visto, parece-me que resta uma generalizada (mas para mim preocupante) aceitação da medida. Ouviram-se escolas e professores sobre a iniciativa? Não, porque por elas pensa a ministra, para quem o Magalhães constitui "o instrumento principal da democratização do ensino"; ponderou-se o impacto que a tecnologia tem na melhoria do aproveitamento escolar dos jovens, analisando estudos disponíveis sobre a matéria, que concluíram pela sua irrelevância? Não, porque o coordenador do Plano Tecnológico já disse ao que vai: dois alunos por computador em 2010!
Dou de barato não saber que critérios presidiram à escolha deste computador e não de outro, da Intel ou da empresa de Matosinhos, e simplesmente não engulo a fantasia da ausência de custos para o Estado. Mas o que acho verdadeiramente preocupante é a generalizada adesão ao culto duma modernização pacóvia, que tudo resume ao mero mercantilismo (e não utilitarismo, como muitos impropriamente referem o conceito que, enquanto teoria filosófica, é coisa bem diferente). A formação sólida, que constitui a missão da Escola e dos professores, deve assentar numa clara hierarquia de valores: primeiro o conhecimento puro, depois o instrumental. Mas o que se tem feito ultimamente é a secagem das actividades cognitivas, substituindo-as pelas meramente instrumentais. Foi assim que se trocaram clássicos da literatura por textos ditos pragmáticos (simples formulários, notícias jornalísticas ou mensagens publicitárias) e se preferiram as actividades conducentes à aquisição de "competências" em detrimento das actividades de forte componente cognitiva. Foi assim que se enfraqueceu o ensino da Gramática, da Filosofia e da História e se reforçaram iniciativas híbridas ("área projecto" e "estudo acompanhado"). Surpreendente? Não, se tivermos em vista que quem decide são tecnocratas deslumbrados pela tecnologia e convencidos que os "bichavelhos" são suficientes para educar o povo.
Parece-me evidente que há mais gente satisfeita com este bodo de Magalhães a eito que gente insatisfeita e ciente, como eu, de que as crianças do ensino básico não vão aprender melhor a ler e a interpretar o que lerem por causa dos computadores; ou de que não aprenderão mais cedo e melhor a Matemática fundamental por via do Magalhães; ou de que não se iniciarão precocemente na actividade de pensar e perceber o que as rodeia, por via do portátil. E é aí que reside o problema: fornecer tecnologia sem cuidar da literacia que a permite utilizar é drasticamente pobre. O impacto da componente cognitiva do ensino só pode ser comparado com o da sua vertente instrumental por quem conhece as duas e tem do exercício profissional uma autoridade que os tecnocratas desprezam. O tecnocrata é por norma e por formação pouco sólida um fanático da tecnologia, que com ela se satisfaz e nem sequer aprende com a natureza efémera de tantos projectos tecnológicos (lembram-se do ensino assistido por computador, do Minerva, do Nónio, das Cidades Digitais e do endereço electrónico para cada português, entre outros?).
Stuart Mill referiu-se assim a esta questão fundamental do pensamento e da natureza humana:
"É indiscutível que o ser cujas capacidades de prazer são baixas tem uma maior possibilidade de vê-las inteiramente satisfeitas; e um ser superiormente dotado sentirá sempre que qualquer felicidade que possa procurar é imperfeita. (...) É melhor ser um ser humano insatisfeito do que um porco satisfeito; um Sócrates insatisfeito do que um idiota satisfeito. E se o idiota ou o porco têm opinião diferente, é porque apenas conhecem o seu lado da questão. A outra parte da comparação conhece ambos os lados..."
Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt)
Mário Nogueira: "a educação estagnou"
Sindicatos: Mobilização dos Professores ou Desmobilização?
RECEBI este pedido de Reenvio.
Peço que reenvies este mail para toda a lista….
A FENPROF não vai desmobilizar os professores.
Trabalhamos neste momento em torno de três grandes questões:
- avaliação do desempenho
- horários de trabalho
- direcção e gestão das escolas
As duas primeiras são as que parecem estar referidas no mail abaixo.
Assim …. Algumas notas muito curtas.
Horários
É fundamental que sejam cumpridas as regras que constam do memorando
de entendimento. Neste domínio o que se espera é que os professores
não aceitem abusos e ilegalidades por parte de C. Executivos 'mais
papistas que o papa'. A FENPROF tem já disponíveis minutas de
reclamação.
Se os professores se remetem ao medo e ao silêncio fica tudo mais complicado.
Avaliação
Este ano a avaliação funciona em regime experimental e será revista –
é o memorando de entendimento que o diz !
Mais uma vez, escola a escola é preciso travar combate firme a abusos
e ilegalidades. É preciso enviar nota desses abusos para o mail verde
(ver www.fenprof.pt) para que, via Comissão Paritária, sejam tratados.
A FENPROF vai apresentar as suas opções e princípios para um outro
modelo de avaliação. Claro que as nossas propostas implicam outra
carreira (sem duas categorias) e a alteração do modelo de gestão
decretado pelo ME. Não apresentaremos uma proposta de remendos ao
modelo de avaliação do ME que, por exemplo, aceite as duas categorias…
Se a nossa opção fosse remendar o modelo do ME tudo seria mais fácil.
Mas não é ! Ora, travar este combate implica a mobilização dos
professores e nunca a sua desmobilização. Em ano eleitoral isto é
fundamental…
Gestão
Ao contrário do que eu esperava, em muitas escolas os professores não
entenderam (ainda) a importância desta questão. Só assim se entende a
piedosa apresentação de listas candidatas aos CGT.
Pela parte da FENPROF insistimos na importância de não serem
apresentadas listas.
No plano jurídico pedimos um parecer a um ex-Conselheiro do Tribunal
Constitucional (TC). Aí se demonstra que o DL da gestão se não é
inconstitucional está, pelo menos, ferido de ilegalidade (coisas do
direito mas é assim…). Agora vamos ver quem pede essa declaração de
ilegalidade ao TC – ainda não há deputados suficientes para a isso
porque PCP, Verdes e BE não chegam (quem distribuiu os deputados pelos
partidos foi o povo – incluindo os professores). Vamos ver ….
ENTRETANTO ….
No dia 1 de Outubro, há plenários de professores que vão terminar
junto aos Gov Civis ou DRE
( em Viseu – Auditório da Igreja Nova, 1.Outubro, 9.30 h).
Se os professores quiserem, neste dia podem fechar muitas escolas sem
desconto no salário. Isto não se compadece com 'aquela coisa' … ' é
chato os miúdos ficam sem aulas … aos sábados e domingos é que é bom'
– será eventualmente aos sábados, mas também em dia de aulas.
É o primeiro 'teste' …
Conto contigo na mobilização e esclarecimento.
Um Abraço
Francisco Almeida
Assunto: Se os professores desmobilizarem será a desgraça total!
Reenviem a tds os professores, sff!
'Inclino-me a pensar que os sindicatos vão, mais uma vez, desmobilizar
os professores a troco de coisa nenhuma.
Umas cedências de pormenor, mantendo o modelo tal como está, para dar
a ideia de que houve recuo e que todos ganharam. Se assim for (oxalá
me engane!), será uma desgraça para os professores.
Com os professores de joelhos, outras malfeitorias virão:
fim das pausas da Páscoa e do Natal, escolas abertas e com alunos
durante a Páscoa e o Natal, formação contínua aos sábados, etc.
A profissão tal como a conhecemos está em vias de acabar. A escola
pública vai morrer.
As classes alta e média alta vão colocar os seus filhos em colégios
privados e as escolas públicas transformar-se-ão em imensos CEFs onde
não se aprende nada, apenas se guardam crianças e adolescentes.
Os professores assistirão ao nascimento de um outro estatuto, ainda
pior que o actual: o estatuto de prestadores de cuidados sociais e de
empregados domésticos dos pais.'
Ramiro Marques
Faltas: Leis Absurdas
À ATENÇÃO DOS PROFESSORES E DOS SINDICATOSNuma comunicação escrita, datada de 15 de Abril de 2008, o Presidente do CE da EB 2/3 D. João I da Baixa da Banheira informa os docentes do seguinte:Apesar das faltas legalmente equiparadas a serviço lectivo não contarem para efeitos da falta de assiduidade ao nível de avaliação, no entanto, de acordo com o que consta na ficha de avaliação de desempenho de 7/04/ 2008, o ponto A.2 do Anexo XIII - empenho para a realização das aulas previstas: compensações, permutas, preparação das substituições - remete para todo o serviço lectivo distribuído (total de aulas previstas). Ora, de acordo com este anexo, terá de se registar o número de aulas que não foi leccionado, independentemente das razões que originaram as faltas. Assim, continua o Presidente desta Escola,as aulas não leccionadas acabam por incidir na avaliação de cada docente, independentemente de ter sido leccionada toda a matéria curricular, podendo até agravá-la. E, para ultrapassar esta situação, terão de se aplicar modalidades compensatórias já implementadas na Escola, tal como a permuta e a reposição do serviço lectivo [reprodução não textual, mas fiel ao enunciado escrito].Se todos os Conselhos Executivos seguirem a referida Escola - e ver-se-ão forçados, a curto prazo, a fazê-lo - esta ilegalidade que o ME, através de um Regulamento, lhes impõe executar, revoga o artigo 103.º do ECD, pois retira-lhe efeito útil.Imaginem as subsequentes situações:1. O docente faltou por motivo de greve.Esse dia é-lhe descontado no vencimento. Ao 'exigirem-lhe' que reponha o número de aulas em falta, a greve ficou sem efeito útil. Mais grave ainda: trabalha e não recebe, ou seja, repõe as aulas não leccionadas, mas não lhe repõem o pagamento do dia de greve.2. O docente faltou por motivo de nojo.Não recebe o subsídio de refeição correspondente aos dias em falta. Repõe as aulas não leccionadas, mas não recebe o subsídio de refeição correlativo.3. O professor não lecciona por motivo de visita de estudo.O professor que foi em visita de estudo organizada por outro grupo disciplinar tem de repor as aulas não leccionadas apesar de nesse dia ter trabalhado mais horas do que as referenciadas no seu horário de trabalho.Caros colegas:Temos de lutar contra esta aberração legislativa de compensar as aulas não leccionadas, pois põem em causa o princípio constitucional da igualdade.Conhecem algum médico, juiz ou operário que seja obrigado a repor as horas que justificadamente não trabalhou?Em Direito ensinaram-me que as leis inferiores não revogam leis superiores; que o respeito pela hierarquia das leis é um dos fundamentos de um Estado de Direito Democrático.Ou ensinaram-me mal ou, pelos vistos o Estado de Direito Democrático não existe.Vítor Barros
AVALIAÇÃO DESEMPENHO: Fichas de Avaliação da Tutela
Maria Helena Ramalho| 2008-06-03
Sobre as fichas e as ponderações estabelecidas pela tutela. (ver aqui)
Avaliação do Desempenho: Proposta para derrotar a legislação do ME
recebido por mail:
AVALIAÇÃO DOS PROFESSORES
COMO PODEM OS PROFESSORES DERROTAR ESTA LEGISLAÇÃO
Nota Introdutória
Colegas, ao longo da marcha da humanidade, desde a antiguidade, ficou demonstrado que a inteligência vence sempre a força bruta, a arrogância e a prepotência. Mesmo quando esta força bruta consegue alguma pretensa vitória, ela é sempre efémera e os valores de justiça e solidariedade acabam por se impor.
100 000 professores manifestaram-se no dia 08 de Março de 2008, numa “marcha da indignação” contra um governo e uma equipa ministerial que, desde 2005, nada mais tem feito que desvalorizá-los, humilhá-los, desautorizá-los e manipular a opinião pública contra eles.
Nunca os verdadeiros interesses do Ensino Público, da qualificação, da formação e da valorização dos recursos humanos foram o principal objectivo desta equipa ministerial e deste governo.
É hoje notório que este ministério da educação foi empossado com dois objectivos políticos prioritários: o primeiro, era o de criar mecanismos administrativos que impedissem a maior parte dos professores de progredir na carreira, e, portanto, poupar milhões e milhões de euros aos cofres do estado; o segundo, era o de criar uma máquina propagandística que fizesse crer à opinião pública que o insucesso estava a diminuir drasticamente devido à sua acção, o número de alunos estava a aumentar nas escolas e por último que se apostava em grande na qualificação dos recursos humanos.
Nada mais falso… O insucesso não diminui por decreto. Assim como os acidentes rodoviários nunca diminuirão por decreto, mas antes pelo aumento da educação e civismo dos cidadãos, aliados a medidas de prevenção rodoviária ao longo de dezenas de anos. Também o insucesso escolar é fruto entre outros, do tipo de formação cultural e da estrutura socioeconómica da nossa população. Querer resolver o insucesso escolar em três ou quatro anos é mera questão propagandística que se baseia numa pressão intolerável sobre os professores, para que estes, administrativamente, acabem com ele.
As estatísticas podem dizer que o insucesso está a diminuir, mas o conhecimento, a educação, os valores e a civilidade estão claramente num plano inclinado descendente, nas nossas escolas e na sociedade, porque essas não são as prioridades deste ministério nem deste governo.
Relativamente ao aumento do número de alunos nas escolas, ele é meramente conjuntural, e, se bem que muito positivo, ele não representa uma vaga de fundo que contrarie o abandono escolar por motivos económicos e educacionais, cujas causas não estão na escola, mas na sociedade e nos seus graves problemas.
Quanto à qualificação dos recursos humanos, o exemplo de toda a falsidade da política deste governo e deste ministério são as “Novas Oportunidades”. Não há, nem nunca houve, maior traficância de habilitações literárias em Portugal, do que o programa “Novas Oportunidades”.
Dezenas de milhares de portugueses com a antiga “quarta classe” ou pouco mais do que isso, são habilitados com o nono ano, em apenas três meses. Nada de transcendente aprendem que verdadeiramente os qualifique, mas preenchem as estatísticas que em 2009 serão exibidas em época de eleições, como um passo fundamental no progresso futuro do país… Ó Portugal que tão mal vais…
Mas o que se passa nas “Novas Oportunidades” a nível do secundário é muito mais grave. Dezenas ou centenas de milhar de candidatos provenientes das “Novas Oportunidades” do terceiro ciclo, lançam-se na aventura de conseguirem o diploma do décimo segundo ano. É legítimo. Pois se fazer o terceiro ciclo foi tão fácil porque não continuar?
O problema reside, mais uma vez, em que nada de importante e qualificante (excepto nos de dupla certificação) é fornecido a estes candidatos, e eles lá vão escrevendo as suas histórias de vida, onde, muito a custo, os formadores vão descortinando as mais bizarras competências que lhes atribuirão o 12º ano.
São estas as coroas de glória desta ministra e deste governo ???
Nós que estamos por dentro deste processo dizemos… “que DEUS nos acuda”.
A actual legislação sobre a avaliação dos professores não é um fim em si mesma, ela é, apenas, um elo de uma cadeia legislativa que começou com o estatuto da carreira docente e tem por fim último, com dissemos atrás, impedir a maioria dos professores de progredir na carreira.
Depois da marcha da indignação, Sócrates assustou-se e reorganizou a estratégia. A ministra politicamente está morta, no entanto, enquanto cadáver político, ela está incumbida de levar até ao fim a missão de aplicar, na prática, estes diplomas, depois … irá à sua vida….
As instruções foram para que o discurso fosse “adocicado”, parassem os insultos públicos à classe docente (havia que calar Valter Lemos), ceder em questões pontuais de pouca importância e manter inalterável o núcleo duro da avaliação, custe o que custar.
Nós, professores, consideramos fundamental a avaliação. Fazemos ponto de honra disso. Ela é um instrumento crucial de valorização e de reafirmação da qualidade do nosso trabalho.
Somos os primeiros a exigir uma avaliação digna, isenta, rigorosa, valorativa e formativa na perspectiva da ultrapassagem de dificuldades.
Mas como todos já percebemos… a ministra não cede…nem cederá…(???)
A sua estratégia é simples… e pretensamente eficaz!!! Atribuir ás escolas e aos professores a responsabilidade de se auto e hetero-avaliarem (diria talvez, se auto e hetero-crucificarem).
A estratégia é velha e já foi aplicada no estatuto da carreira docente. Dividir para reinar. Ela ficará de fora, cantando e rindo e, em 2009, com uma classe profissional, das mais qualificadas que existe no país, completamente esfrangalhada, dirá “…estão a ver que afinal não custou nada, eu afinal é que tinha razão!!!”
Como aliás diz das aulas de substituição, com a sua infindável demagogia, que só não engana quem está dentro do sistema e sabe bem o que por cá se passa.
Os sindicatos, forças importantes na condução da luta dos professores, estão a chegar a um beco sem saída, onde as alternativas escasseiam.
Resta-nos a nós, professores, num quadro de unidade continuar a luta que iniciámos com as manifestações e que podemos levar mais longe duma forma eficaz.
QUE ESTRATÉGIA ADOPTAR ?
A mesma que Gandhi adoptou contra o todo poderoso Império Britânico, aplicando o célebre princípio… “contra a força… haja resistência… passiva”.
Ou seja:
1º. A ministra quer que sejam as escolas a criar os seus próprios instrumentos de avaliação…
2º. Que sejam as escolas a adoptar os seus próprios calendários…
3º. Que sejam professores a avaliar outros professores…
ESTRATÉGIA:
1º . Braços caídos… nada fazer…
2º . Protelar indefinidamente a elaboração dos materiais
3º . Negar-se a avaliar…
4º . Negar-se a ser avaliado desta forma…
5º Criar um ambiente de calma nas escolas… Deixar que seja a ministra a enervar-se…
6º. Deixar que tudo vá correndo sem que nada seja feito…
7º . Resistência passiva…sempre… sempre…sempre…
Que pode a ministra fazer fazer-nos ?
Instaurar processos disciplinares a 140 000 professores ? Assim seja !!!
Esta é a minha proposta.
Aplicar os princípios de Gandhi a esta avaliação.
NOTA FINAL
Chamaria a atenção para aqueles “colegas” que “mais papistas que o papa” querem mostrar serviço, desejosos que reparem neles, provavelmente esperançados em benesses em futuras directorias das escolas, ou quem sabe, em futuros cargos políticos, sabe-se lá... O seu entusiasmo em fazer cumprir aquilo que está errado e que afronta toda a classe, não é um bom exemplo pedagógico e, já agora, lembrar-lhes-ia o episódio da História das Guerras Lusitanas, quando aqueles que, por meia dúzia de moedas, assassinaram Viriato à traição, as foram receber junto do Senado Romano, lhes foi dito que “…Roma não paga a traidores”. Para bom entendedor…
Francisco da Silva
Professor
FENPROF no Dia Mundial do Professor: "Saudação aos Professores"
FENPROF apela aos Deputados
para que aprovem "saudação aos Professores"
Sistemas de Vídeo-Vigilância chegam às Escolas
O coordenador do Plano Tecnológico da Educação, João Trocado da Mata, afirmou ainda à imprensa que “foi desenvolvido um trabalho conjunto com a Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD) no sentido de facilitar e simplificar a notificação e aprovação deste processo”, uma vez que a instalação dos sistemas de vídeo-vigilância exige a autorização prévia deste organismo.
(recebido por mail)
O Clima (nas Escolas) Piorou
O que se previa está a acontecer.
O silêncio da maioria dos professores em relação ao estatuto regional da carreira docente, a cumplicidade de algumas associações sindicais com o governo e a arrogância deste fizeram com que tenhamos um ECD pior do que o anterior.
Na sequência das primeiras reuniões de Departamento realizadas nas escolas, embora a maioria dos professores continue adormecida, algumas pessoas cairam em si.
A partir de agora vamos todos participar em actividades, mesmo de interesse duvidoso, vamos, por via das dúvidas, registar todas as evidências, vamos elaborar portfolios, vamos fazer planos para tudo, mesmo que sejam desnecessários, e vamos teatrializar duas aulas.
De uma coisa estou certo, não vou ter tempo para dedicar-me aos alunos.
Esta não é a escola com que sonhei, vou fazer com que a escola apenas seja o local onde vou buscar o que preciso para sobreviver. A Vida passou a estar do lado de fora dos portões...
Teófilo Braga (http://poisaleva.blogspot.
Blog: http://terralivreacores.
o desbloqueio maravilhoso de mundos e fundos em matéria de educação
SOLAVANCOS DA PAIXÃO
Joshua, in PALAVRASSAVRVS REX
Mail Verde da FENPROF - "a avaliação é uma aberração"
Denúncias dos professores através do "mail verde" confirmam que a avaliação imposta pelo ME é uma aberração que gera conflitos
A FENPROF decidiu colocar à disposição dos educadores e professores, um Mail Verde para acompanhamento do processo de avaliação de desempenho dos professores, que constitui uma forma adicional de recolher informação sobre o que se passa nas escolas em relação a esta matéria.
Educação Especial - comunicado FENPROF + Comentário de Paulo Ambrósio
Por isso dizemos: este comunicado do SN - que se limita a reeditar a posição da FENPROF do ano passado - é insatisfatório e recuado, por emanar da cúpula da maior federação sindical docente e justamente aquela de que se esperava maior combatividade e firmeza face a este ME. Mas mais grave: este comunicado ilude o cerne da questão: a necessidade dos responsáveis máximos da 5 de Outubro serem confrontados pelos sindicatos com as suas promessas (de Nov. do ano passado) de reverem o DL 95/97 para breve, removendo a exigência dos docentes especializados acumularem 5 anos de serviço. E confrontados, até lá, com a necessidade urgentíssima da criação de uma sub-prioridade da lista nacional para os que detém menos de 5 anos (há semelhança do que fizeram com os HPs do ensino regular), de modo a não ultrapassarem os que detêm mais, acabando desta forma com as denúncias e exclusões, e com a posterior contratação desses excluídos em oferta de escola - enquanto crianças e jovens com NEEs permanecem todos esses meses sem apoio especializado. Era de elementar justiça.
E era isto que se esperava, exigia (e exige) do SN da FENPROF. No entanto - refém de posições conservadoras advogadas por lobies "sindicais" que manobram até ao arrepio de normas estatutárias - lamentavelmente foram estas justas expectativas de professores, famílias, crianças e jovens com NEEs que este comunicado defraudou.
Mas a luta - não se compadecendo com estes constrangimentos adicionais e desnecessários - vai continuar! Em vários campos, como os colegas lesados já anunciaram, e também com acções de rua. Por isso, já no próximo dia 30 às 15h, diremos frente ao ME: "TODOS PRESENTES, TODOS SOLIDÁRIOS!"
Paulo Ambrósio
- sócio nº 55177 do SPGL/FENPROF
- 2º subscritor da Moção aprovada pela AGS do SPGL de 28/04/2008 "Professores de Educação Especial exigem alteração da Lei"
- sub-coordenador da Frente de Professores e Educadores Desempregados do SPGL
- membro do Grupo de Trabalho da Precariedade e Desemprego Docente da FENPROF
- membro da Comissão de Professores e Educadores Contratados do SPGL desde 1999
- ex-delegado sindical do SPGL
- moderador global do maior forum de professores portugueses www.saladosprofessores.com
2ª "Cíclica" manteve inaceitável discriminação na colocação de docentes de Educação Especial
Saiu a segunda colocação cíclica e o Ministério da Educação manteve a discriminação na Educação Especial ao continuar a excluir candidatos que se encontram nas mesmas condições de outros que, entretanto, vai colocando.
Esta situação ilegal e discriminatória já se arrasta desde o ano passado, altura em que a FENPROF não só protestou junto do Ministério da Educação, como apresentou queixa na Assembleia da República e junto do Senhor Provedor de Justiça.
Já este ano, foram efectuados os contactos indispensáveis junto do Ministério da Educação no sentido de ser regularizada a situação que exige, por um lado, a correcção das colocações efectuadas ilegalmente e, por outro, a criação de uma nova prioridade de candidatos, após as actualmente existentes, em que se situem todos os que não reuniam condições para se candidatarem.
Recorda-se que este problema abrange cerca de três centenas de docentes que adquiriram uma especialização para a Educação Especial, embora sem terem os cinco anos de serviço legalmente exigidos. Absurdo é que o ME, no ano transacto, colocou cerca de duzentos professores sem qualquer especialização ou experiência na Educação Especial. Isto é absolutamente ilegal e, só por si, demonstra necessidades que obrigam a corrigir a situação e a recorrer, sem discriminação, aos citados docentes que adquiriram a especialização. Apesar disto, o ME está a prorrogar o problema para este ano.
A FENPROF voltou a protestar por esse facto e, mais uma vez, denunciou-o na Assembleia da República e na Provedoria de Justiça.
É, pois, de toda a justiça a resolução deste problema nos termos que antes se referem, situação que foi exposta junto do Ministério da Educação na passada semana e ali reforçada no início desta. A saída da segunda colocação cíclica e a repetição do acto discriminatório, vem provar que o ME continua a compreender, apenas, o som do protesto e a agir sob a pressão da luta dos professores. Se assim é, a FENPROF não hesitará em mobilizar os que, com razão, estão disponíveis para lutar.
O Secretariado Nacional da FENPROF
26/09/2008
Proposta de Acção: Colabore neste desafio!
Quem quer participar?
PROPOSTA
Considerando que
a) Falta pouco mais de um ano para as próximas eleições legislativas;
b) estamos presentemente a atravessar um momento animado da vida política nacional que afecta vários sectores do espectro partidário e que essa situação torna o debate ideológico muito premente;
e que
c) o Ensino/Educação e a Escola Pública constituem questões políticas da maior relevância para o futuro da democracia na república portuguesa;
Propomos que se constitua um grupo de trabalho que assuma o acompanhamento permanente daquelas matérias na vivência política nacional e que, nesse sentido, promova um programa sistemático de interpelação dos partidos relativamente àquelas questões.
Mais concretamente, a esse grupo de trabalho caberia:
1. acompanhar a actividade partidária nestes domínios e recolher todas as posições públicas tomadas pelos partidos nesta matéria – programas eleitorais, iniciativas legislativas, intervenções nos meios de comunicação, etc.;
2. organizar um questionário pormenorizado com questões concretas a apresentar aos partidos;
3. promover um programa de debates públicos a nível nacional sobre estas questões.
4. criar um espaço específico na internet destinado a promover a difusão pública alargada de toda a informação recolhida.
5. animar, naquele mesmo espaço, um debate vivo e permanente sobre esses temas.
Maria Isabel Guerreiro
Luis Manuel Mateus

