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segunda-feira, novembro 24, 2008

Documentos para reflexão 2

Carta aberta aos dirigentes da FENPROF


Caros colegas, dirigentes da FENPROF


Quarenta mil colegas nossos estão a viver o drama do desemprego. Noventa por cento deles profissionalizados, a grande maioria com vários anos de prática docente no Ensino Público; mas, desgraçadamente, pelo menos 15 mil nem sequer poderão receber um subsídio de desemprego, já que o trabalho que se viram obrigados a aceitar foi pago a recibos verdes, tal como vocês muito bem referem.

E, perante este drama, o Governo ainda vos insulta porque, como dirigentes sindicais, vocês recusam aceitar esta situação, como se estivessem a defender a criação nas escolas de postos de trabalho desnecessários, apenas para responder a estes milhares de professores expulsos do seu trabalho de ensinar e educar.

Pela nossa parte, só pode merecer repúdio esta tão torpe atitude governamental.

Partilhamos convosco a afirmação de que a situação de desemprego da esmagadora maioria dos nossos colegas só existe porque o Governo levou à prática um plano de contra-reformas, desmantelando a Escola Pública democrática, inclusiva e destruindo a nossa carreira profissional:

- Milhares de escolas encerradas, com todas as consequências negativas denunciadas por estudiosos com autoridade para o afirmar.

- Aumento de 10 e mais anos de serviço para atingir a idade da reforma;

- Mais de quarenta mil alunos, com necessidades educativas especiais, a quem foi retirado o legítimo e humano direito a uma resposta educativa adequada, enquanto alguns dos professores com esta especialidade são desviados para substituir nas AECs colegas do regime geral.

- Aumento do número de alunos por turma, até ao limiar de 28 e 30, independentemente de nelas se encontrarem alguns a exigir uma resposta educativa especializada;

- Milhares de docentes sujeitos de novo a um trabalho ultra precário, contratados por empresas privadas ou pelas autarquias;

São estas medidas – postas em prática para que o Orçamento do Estado respeite as exigências Comissão Europeia – que o Governo esconde aos olhos da opinião pública, usando, de forma despudorada, o slogan medíocre e falacioso, de que “os professores estariam a exigir, com os seus sindicatos, que o Governo lhes invente empregos”.

A indignação – que fez com que 100 mil de nós manifestássemos em Lisboa, em Março passado – não pode senão crescer.

Tanto mais que, para aqueles que estão nas escolas, é a hecatombe que se abateu sobre todos os pilares do Ensino.

São eles que afirmam ser impossível realizar uma prática de ensino de qualidade, quando:

- As suas turmas são tão numerosas, e com alunos tão diferenciados, alguns exigindo estruturas de apoio especializado que as escolas não têm condições para criar;

- Há crianças do 1º Ciclo que irão ter Matemática ou Língua Portuguesa no final do dia, privilegiando a leccionação das AEC com os tempos mais favoráveis à aprendizagem – os tempos da manhã.

- Os docentes, em vez de poderem centrar-se no estudo das matérias e na preparação dos planos pedagógicos, de os discutir e partilhar com os outros colegas – num clima de cooperação saudável –, estão centrados na sua própria avaliação, no seu portefólio, uma avaliação destinada a dividi-los em categorias e a individualizá-los, para que, no final, pelo menos dois terços de entre eles fiquem “congelados” em pouco mais do que metade da carreira.

Estes obstáculos à construção da Escola aumentam, de forma ainda mais gritante, quando os professores do primeiro ciclo são sujeitos a horários de trabalho de 26,5 horas semanais, no contacto directo com os alunos, mais as reuniões, o que obriga a terem que fazer a sua formação aos sábados, bem como a preparar ar as aulas no tempo que deveria ser para a família e para o seu descanso. Esta situação é imposta a todos os professores independentemente do número de anos de trabalho.

Estas medidas são, mais uma vez, para baixar o Orçamento do Estado referente ao Ensino.

É impossível fazer viver o princípio sagrado da liberdade de ensinar, quando se está sujeito a ter que respeitar resultados de avaliação do desempenho docente definidos sem sequer existir da parte dos professores um diagnóstico das suas turmas, sem se ter em conta todo o conjunto de variáveis que, ao longo de um ano lectivo, interagem com o processo de desenvolvimento de cada aluno. Como aceitar esta aberração pedagógica? Como aceitar que o trabalho dos professores e dos alunos seja objectivado dentro de grelhas estatísticas?

Não pode haver liberdade de ensino, quando o ambiente vivido na escola deixou de ser de liberdade e de autoridade democrática. Em vez da liberdade, crescem o medo e as condições para emergirem os traços mais negativos que um educador combate – a prepotência e a subserviência – já que o poder ficou individualizado na pessoa de um director. Este, por sua vez, está dependente de um Conselho Geral, no qual prevalece, sobre quem tem o saber e a autoridade para ensinar e formar, o voto maioritário dos autarcas, dos pais e de outras entidades estranhas ao Ensino.

Em vez da autoridade do professor, responsabiliza-se este pelo insucesso dos alunos, protegidos por um estatuto do aluno que os deixa completamente sozinhos, perante um problema que os ultrapassa em várias dimensões.

Caros colegas, dirigentes da FENPROF

Caros colegas, membros da Plataforma sindical dos Professores

Numa situação de hecatombe, é necessário e urgente deitar contas à vida e fazer uma retrospectiva do último ano lectivo.

A situação não melhorou em nada, pelo contrário.

Os professores precisam, mais do que nunca, de sentir a força dos seus sindicatos, na preparação de acções de unidade de todos nós, como já mostrámos que sabemos fazer.

Não se pode estar a agir nesse terreno como prisioneiro de acordos com um Governo que nos destrói, física e moralmente, que destrói a Escola pública, por que só aceita cumprir as exigências da Comissão Europeia.

Rompam com eles, retirem o vosso nome do “Memorando de entendimento”.

Unamo-nos para exigir, desde já que o Ministério da Educação cumpra as disposições praticadas na Região Autónoma dos Açores. Lá, os professores não estão subdivididos entre titulares e outros; não existe prova de ingresso na carreira; as actividades de enriquecimento curricular são asseguradas por docentes contratados pelo Governo Regional, no quadro dos agrupamentos das escolas; o Governo comprometeu-se a não pôr em prática o novo modelo de gestão e a fazer a contagem integral de todo o tempo de serviço… e a pagá-lo.

Pela nossa parte – que somos pela revogação do ECD, pelo restabelecimento da democracia nas escolas, pela retirada de todas as contra-reformas realizadas no Ensino, pela defesa da Lei de Bases do Sistema Educativo, aprovada em 1986, e dos princípios da Escola Pública consignados na Constituição da República – consideramos que não há outro caminho senão o do reforço da FENPROF e dos seus sindicatos, reforço que exige a sua independência para ficar com as mãos livres para o combate democrático.

Consideramos que não existe outro caminho senão o da retirada da vossa assinatura do texto desse “Memorando”.


Primeiros subscritores: Ana Maria Simões (Profª EB2,3 Alto da Barra – Oeiras); Carmelinda Pereira (Profª EB1 aposentada); Conceição Rolo (Profª aposentada); Maria da Luz Oliveira / Samira Vaz Osório / Adelaide Monteiro Cunha / Teresa de Mello e Abreu / Mª da Conceição Raposo de Medeiros Tomé / Mª Cristina Pinto Martins / Marinda Odete Monteiro Gomes (todas professoras da EB1/JI Sá de Miranda – Oeiras), Adélia Gomes (Profª EB1 aposentada); Mª Manuela Leitão (J.I. Palhaço, Linda-a-Velha).



Subscrevo esta carta:


NOME ESCOLA SINDICATO CONTACTO


Leiam aqui

a resposta de Mário Nogueira à

Carta Aberta à FENPROF

terça-feira, novembro 18, 2008

Tarjeta distribuída pela CDEP


Comissão de Defesa da Escola Pública

http://escolapublica2.blogspot.com e-mail: escolapublicablog@gmail.com

Denúncia formal do “Memorando de entendimento”

pela Plataforma sindical dos professores


Perante a manifestação de 120 mil professores e educadores – realizada no passado dia 8 de Novembro, em Lisboa – a Plataforma sindical fez um apelo aos docentes de todas as escolas para que suspendessem o processo de avaliação do seu desempenho e, em simultâneo, decidiu suspender a participação na Comissão Paritária de Acompanhamento do Regime de Avaliação do Pessoal Docente.

Congratulamo-nos com este passo positivo.

No entanto, afirmamos que a suspensão da participação nesta Comissão Paritária só será consequente se levar à retirada da assinatura, por parte dos dirigentes da Plataforma sindical, no “Memorando de entendimento” com o ME, para o prosseguimento do combate em unidade – de todos os docentes com os seus sindicatos – com vista à:


Revogação do ECD;

Revogação do decreto sobre a Avaliação do Desempenho dos docentes;

Revogação do decreto sobre a Gestão das Escolas.


Em conformidade com esta posição, dirigimo-nos à Plataforma sindical dos professores para que – respondendo às expectativas dos 120 mil manifestantes de 8 de Novembro – retire a sua assinatura do “Memorando de Entendimento” com o ME.


Assina pela retirada da assinatura em http://www.PetitionOnline.com/mocaoecd/petition.html

sábado, novembro 15, 2008

Posição da CDEP sobre Memorando e dia 15 Nov


A Comissão de Defesa da Escola Pública (CDEP) vai participar na manifestação do dia 15 de Novembro, em Lisboa, com o objectivo de que esta contribua para o reforço da unidade dos docentes com as suas organizações sindicais e para que – no seguimento do passo positivo dado pela Plataforma sindical dos professores, ao suspender a sua participação na Comissão Paritária de Acompanhamento do Regime de Avaliação do Pessoal Docente – esta Plataforma denuncie, formalmente, o "Memorando de Entendimento" com o ME, retirando dele a sua assinatura. Entretanto, na moção que se dirige à Plataforma sindical a pedir-lhe a retirada da assinatura (colocada na Internet em http://www.PetitionOnline.com/mocaoecd/petition.html) já tem cerca de 650 subscritores, pertencentes a mais de 150 escolas.
Colega, se ainda não assinou esta moção, é muito importante que o faça – e convença outros colegas a fazê-lo – de modo a sermos milhares a dizer o mesmo que ficou expresso no movimento dos 120 mil, e dando assim força ao movimento sindical, sem o qual não poderemos ganhar as nossas reivindicações em defesa da profissão e da Escola pública.

Saudações fraternas,

Pela CDEP

Carmelinda Pereira

Conclusões da reunião da CDEP de 13/11/2008


Reunião da Comissão de Defesa da Escola Pública

Data: 13 -11-08

Notas mais importantes

1- Foi feito o ponto da situação, em relação:

- Ao impasse entre o desenvolvimento do movimento dos docentes que, por toda a parte, pedem a suspensão da avaliação ou decidem mesmo suspendê-la, em conjunto com os órgãos de gestão das escolas, apoiados na manifestação dos 120 mil e na posição da Plataforma sindical que suspendeu a sua participação na Comissão Paritária para a Avaliação, e, por outro lado, a posição da ministra da Educação e do Primeiro-ministro que afirmam que esta avaliação é para aplicar.

- À posição de centenas de professores de Braga que teriam decidido a greve ilimitada, para fazer recuar o Governo

- Às acções dos estudantes dos ensinos básico e secundário, procurando agredir com ovos e tomates a ministra e os seus secretários de Estado.

- À manifestação do próximo dia 15 de Novembro, convocada pelos Movimentos de professores.

2- Comentando estas acções foram emitidas as seguintes opiniões:

2.1 - A luta dos professores é de uma grande seriedade e não ganha nada se for confundida com acções de arruaça.

Elas podem até ser compreendidas, por se tratar de alunos muito jovens, sendo expressão também do grau de desrespeito em que cai o Ministério, na sua postura contra a esmagadora maioria dos professores e, por outro lado, na falta de orientação destes alunos. Por isso, o Conselho Executivo e os pais de uma das escolas em causa se pronunciaram contra as suas atitudes. A este propósito foi lembrado a atitude da ministra da Educação, no passado ano lectivo, que – perante uma manifestação de vaias, feita por alunos no pátio de uma escola – resolveu pegar no microfone e gritar também, para mostrar que a sua voz era mais alta do que a deles.

2.2- Sobre a vontade de realizar uma greve ilimitada, expressa por centenas de professores em Braga, embora cheios de razão, esta acção – desligada da massa dos professores – só serviria para poder levar ao enfraquecimento da mobilização. É absolutamente necessário que esta seja feita em unidade com as organizações sindicais, para que todos os passos possam ser assumidos por todos.

2.3- Por isso, o problema que está colocado é o das direcções sindicais retirarem a sua assinatura do “Memorando de Entendimento”, rompendo de vez qualquer acordo com o Governo. Note-se que elas apenas suspenderam a sua participação na Comissão Paritária, sobre a base da exigência da suspensão da avaliação do desempenho docente.

Sendo um passo positivo, cujas consequências estão à vista – expressas na confiança dos professores e nas iniciativas que tomam nas escolas – ele não é suficiente. Aliás o “Memorando de Entendimento” não se resume à avaliação dos docentes. Ele contem a aplicação da nova gestão e a aplicação do ECD – desde a divisão dos professores em duas categorias, ao horário de trabalho incomportável, ou à negação do direito dos docentes poderem actualizar a sua formação de forma livre, de acordo com a profissão, tal como está explicitado na Lei de Bases do Sistema Educativo.

2.4- Neste sentido, foi aprovada uma declaração a ser emitida pela CDEP, expressando esta necessidade de denúncia do “Memorando de Entendimento” por parte da Plataforma sindical dos docentes.

3- Perante a manifestação do dia 15 de Novembro, uma colega levantou a sua preocupação com o facto desta poder ser explorada pela Comunicação social, como um factor de enfraquecimento do movimento dos professores, pois não poderá ter a dimensão da do dia 8 de Novembro.

Esta opinião foi contestada por outros elementos presentes, com os seguintes argumentos:

«Não se trata de uma manifestação sindical. Logo, não tem que ser representativa da massa dos professores; mas ela vai expressar o que são as suas exigências, por um lado em relação aos deputados – cujo mandato é o de ouvir e respeitar aqueles que lhe deram o voto; e, por outro lado, em relação aos dirigentes da Plataforma sindical, para que eles rompam formalmente com o “Memorando de Entendimento”, deixando o Governo sozinho, face a uma acção unida dos professores com os seus sindicatos.»

Com este sentido, a CDEP – cuja vocação é a de agir para unidade de todas as forças que intervenham na defesa da Escola Pública – participará na manifestação, distribuindo a declaração aprovada nesta reunião, levando a faixa utilizada na manifestação do dia 8 de Novembro, e pedindo a palavra para ler a declaração distribuída.

Se, porventura, a manifestação for orientada no sentido do insulto às organizações sindicais e da divisão, a CDEP retirar-se-á da manifestação.

4- Esta reunião da CDEP decidiu ainda:

4.1- Aceitar a proposta da colega Conceição Rôlo, para se realizar uma reunião sobre avaliação dos docentes, para a qual serão convidados os investigadores que se mostraram disponíveis para participar numa iniciativa com este carácter.

4.2- A próxima reunião da CDEP, definirá a data (de preferência a uma sexta-feira à noite), organizará o processo de preparação da reunião e, ainda, da publicação de um novo Boletim da CDEP.

Notas compiladas por Carmelinda

segunda-feira, novembro 03, 2008

Reflexão

48 HORAS

Afinal, depois de 48 horas que considero confusas, há 2 manifestações marcadas: uma a 8 de Novembro e outra a 15 de Novembro.
Durante 48 horas passou a ideia de que os movimentos e a Fenprof tinham chegado a um acordo.
Os responsáveis pelos movimentos deixaram que se colasse, junto dos professores, essa convicção e durante essas 48 horas, nada se TENDO ESCRITO efectivamente sobre o facto de haver um ÚNICA MANIFESTAÇÃO (os comunicados conjuntos apenas referiam a hipótese), também nada foi feito pelos responsáveis para fazer descolar essa mensagem que circulava nos media.
Pessoalmente, acho que o texto que FENPROF/MOVIMENTOS publicaram, NUNCA devia ter sido aceite pelos movimentos, pois essa posição enquadrava-se numa perspectiva de não ceder naquilo que os Movimentos consideravam essencial: a denúncia do memorando de entendimento.
Se se ler atentamente o comunicado conjunto, embora os movimentos e a Fenprof tivessem chegado a pontos de vista convergentes, ficou/ficava por resolver a DENÚNCIA DO MEMORANDO DE ENTENDIMENTO.
Ora, sendo a denúncia do memorando uma condição prévia, não fazia sentido aceitar, num texto conjunto, a gabarolice sindical sobre o "forçar" da assinatura.
Aliás, os professores sempre criticaram as direcções sindicais por terem assinado o Memorando: foram os dirigentes sindicais (e não os sindicatos) quem, à revelia de cem mil professores, não prosseguiram a luta, (não) fazendo cair um ministério que estava preso por arames. Foram os dirigentes sindicais (e não os sindicatos) que deram, a uma ministra acossada e a um primeiro-ministro em aperto, o balão de oxigénio que lhes permitiu levar para a frente a ofensiva contra os professores e contra a Escola Pública.
Neste contexto, era imperativo NÃO LEGITIMAR A TRAIÇÃO, não dando azo a que, no comunicado conjunto, as direcções sindicais limpassem a face. Tanto mais que para os movimentos a denúncia do memorando de entendimento era, repito, condição, julgava eu, sine-qua-non.
Assim, o comunicado (ou lá o que é) foi um mau comunicado e fez com que, durante as tais confusas 48 horas, galopasse a ideia de que manifestação só haveria uma.
E quando na madrugada de sexta para sábado a manifestação do dia 15 é novamente retomada o mal, no meu entender, já estava feito.
Temos agora duas manifestações: a de dia 8, na qual marcharemos (será assim?) com dirigentes sindicais que "forçaram o ME", que "salvaram o 3º período" do ano passado, etc...
O inimigo, o ME, dir-me-ão que é comum: para mim sim, para outros não sei.
E a de 15, que a ter sido preparada sem cedências, teria sido uma grande vitória dos professores.
Será ainda possível que o venha a ser?

sábado, novembro 01, 2008

quarta-feira, outubro 22, 2008

Tomada de Posição

O inimigo é a política do Governo, através do seu Ministério da Educação

Todos unidos para a derrotar

Retirada da assinatura no “Memorando de Entendimento” entre a Plataforma dos sindicatos dos professores e o ME

A FENPROF lançou um abaixo-assinado exigindo a revogação do ECD do ME, e um verdadeiro estatuto que:

«- Consagre apenas uma categoria de Professor;

- Garanta a contagem integral de todo o tempo de serviço;

- Estabeleça um modelo de avaliação pedagogicamente construído, tendo em conta a especificidade do exercício profissional da docência; valorize a componente lectiva expurgando do horário dos docentes os cada vez maiores tempos destinados a tarefas burocráticas e a outras actividades sem interesse pedagógico;

- Elimine todos os mecanismos criados para afastar da profissão docentes que são necessários às escolas, designadamente a espúria prova de ingresso.»

Por outro lado, a FNE repudia o mesmo Estatuto do ME, reafirmando que: “Categoria há só uma, a de Professor e mais nenhuma.”

Então, a conclusão lógica que decorre destas posições não é a retirada da sua assinatura no “Memorando de Entendimento” com o ME?

Milhares de docentes preparam-se para participar numa manifestação, a 15 de Novembro, diante da AR, convocada por vários movimentos de professores, exigindo a retirada do decreto-lei da avaliação do desempenho do ME e de todas as medidas sufocantes da sua vida profissional e da Escola Pública.

Entretanto, a Plataforma dos sindicatos dos professores convocou uma outra manifestação para a frente das instalações do ME, uma semana antes daquela que milhares de professores já estavam a preparar.

Fazemos nossas as palavras do colega João Vasconcelos, membro do Conselho Nacional da FENPROF, escritas a 15 de Outubro:

«Os 100 mil professores que protagonizaram a Marcha da Indignação no passado dia 8 de Março nas ruas de Lisboa, responderam em uníssono aos apelos dos Sindicatos e dos Movimentos. A unidade foi a razão da nossa força e todos compreenderam isso. Cometeu-se um erro com a assinatura do Memorando. Mas tudo isto pode ser ultrapassável continuando a apostar na unidade e de novo na luta.»

É a unidade que queremos preservar, de todos os professores com os nossos sindicatos, com todos os movimentos, para que seja retirada a assinatura do “Memorando de Entendimento”, e retomada a acção unida do passado ano lectivo, até se conseguir a revogação do ECD com tudo o que de grave ele contém, desde a divisão em categorias, à avaliação destruidora da vida dos professores e das escolas, à prova de ingresso na profissão, bem como a revogação do novo decreto-lei de gestão das escolas.

Primeiros subscritores: Isabel Guerreiro (EB2 João de Deus – São João do Estoril); Maria da Luz Oliveira (EB1 Sá de Miranda – Oeiras); Luísa Martins (EB1 Gil Vicente – Queijas); Conceição Rolo (Professora 2º e 3º ciclos, aposentada, em solidariedade); Adélia Gomes (Professora Ensino Especial, aposentada); Maria do Rosário Rego / Ana Filipa da Silva / Carla Freitas / Carla Farinha / Teresa Sousa (professoras da EB1 Conde de Leceia – Barcarena); Carmelinda Pereira (Professora 1º ciclo, aposentada); Sandra Cruz / Cristina Pinheiro / Paula Pereira (professoras da EB1/JI Amélia Vieira Luís – Outurela); Ana Sardinha (EB1 Sofia de Carvalho – Algés).

domingo, outubro 19, 2008

Posição assumida pelo Conselho de Docentes da EB1 Conde de Leceia

Cara(o)s colegas,

Enviamos em anexo a posição assumida pelo Conselho de Docentes da EB1 Conde de Leceia, por iniciativa de membros da Comissão de Defesa da Escola Pública (CDEP).

Apelamos à vossa divulgação da reunião do próximo dia 28 de Outubro (3ª f), às 18 horas. E também à eventual participação, uma vez que se trata de uma reunião aberta.

Abraço fraterno

Carmelinda Pereira

Conselho de Docentes da Escola EB1 Conde de Leceia (Barcarena), apela à mobilização unida pela revogação do ECD e a retirada da assinatura das direcções sindicais do “Memorando de entendimento” com o ME

O inimigo é a política do Governo, através do seu Ministério da Educação

Todos unidos para a derrotar

Retirada da assinatura no “Memorando de Entendimento” entre a Plataforma dos sindicatos dos professores e o ME

A FENPROF lançou um abaixo-assinado exigindo a revogação do ECD do ME, e um verdadeiro estatuto que:

«- Consagre apenas uma categoria de Professor;

- Garanta a contagem integral de todo o tempo de serviço;

- Estabeleça um modelo de avaliação pedagogicamente construído, tendo em conta a especificidade do exercício profissional da docência; valorize a componente lectiva expurgando do horário dos docentes os cada vez maiores tempos destinados a tarefas burocráticas e a outras actividades sem interesse pedagógico;

- Elimine todos os mecanismos criados para afastar da profissão docentes que são necessários às escolas, designadamente a espúria prova de ingresso.»

Por outro lado, a FNE repudia o mesmo Estatuto do ME, reafirmando que: “Categoria há só uma, a de Professor e mais nenhuma.”

Então, a conclusão lógica que decorre destas posições não é a retirada da sua assinatura no “Memorando de Entendimento” com o ME?

Milhares de docentes preparam-se para participar numa manifestação, a 15 de Novembro, diante da AR, convocada por vários movimentos de professores, exigindo a retirada do decreto-lei da avaliação do desempenho do ME e de todas as medidas sufocantes da sua vida profissional e da Escola Pública.

Entretanto, a Plataforma dos sindicatos dos professores convocou uma outra manifestação para a frente das instalações do ME, uma semana antes daquela que milhares de professores já estavam a preparar.

Fazemos nossas as palavras do colega João Vasconcelos, membro do Conselho Nacional da FENPROF, escritas a 15 de Outubro:

«Os 100 mil professores que protagonizaram a Marcha da Indignação no passado dia 8 de Março nas ruas de Lisboa, responderam em uníssono aos apelos dos Sindicatos e dos Movimentos. A unidade foi a razão da nossa força e todos compreenderam isso. Cometeu-se um erro com a assinatura do Memorando. Mas tudo isto pode ser ultrapassável continuando a apostar na unidade e de novo na luta.»

É a unidade que queremos preservar, de todos os professores com os nossos sindicatos, com todos os movimentos, para que seja retirada a assinatura do “Memorando de Entendimento”, e retomada a acção unida do passado ano lectivo até se conseguir a revogação do ECD com tudo o que de grave ele contém, desde a divisão em categorias, à avaliação destruidora da vida dos professores e das escolas, à prova de ingresso na profissão, bem como a revogação do novo decreto-lei de gestão das escolas.

Conselho de Docentes da Escola EB1 Conde de Leceia (Barcarena)

Leceia, 17 de Outubro de 2008

O Grito de Revolta de João Vasconcelos

CONTRA A ESPADA DE DÂMOCLES O MEU GRITO DE REVOLTA!

UNIDADE E LUTA É O CAMINHO!

João Vasconcelos (*)

Sou membro do Conselho Nacional da Fenprof e também faço parte do Movimento Escola Pública pela Igualdade e Democracia. Mas acima de tudo sou um modesto professor. Um professor que discordou – tal como todos os professores do meu Agrupamento que reuniram no Dia D - do Memorando de Entendimento assinado entre o Ministério da Educação e a Plataforma Sindical de Professores. E porquê? As razões encontram-se expostas num artigo que escrevi no passado dia 14 de Abril (antes do Dia D, 15 de Abril e em que a Plataforma já anunciara que aceitava o Memorando). Este artigo, com o título “Vitória Pírrica?”, circulou pelos blogues e até motivou a criação do blogue http://fenixvermelha.blogspot.com/, (aqui se encontra como 1º artigo), perante o grande descontentamento e revolta face à previsível assinatura do memorando. Na reunião do Conselho Nacional da Fenprof, de Junho, continuei a discordar do acordo e, a realidade dos últimos desenvolvimentos – com apenas um mês de aulas – estão a provar a justeza das minhas posições (e de todos aqueles que não aceitaram o memorando, um pouco por todo o país).

Escrevi em “Vitória Pírrica?” que o «Memorando (…) se transformará numa grande vitória de Sócrates e da Ministra e numa profunda e dramática derrota dos professores, se estes não continuarem vigilantes e mobilizados. Afinal o que se conseguiu com o Memorando? Muito pouco, tendo em conta que vieram 100 mil professores para a rua. A Marcha da Indignação do passado dia 8 de Março é a prova provada do descontentamento e da revolta de uma classe profissional como nunca se viu neste país. E tudo levava a crer que os professores estavam dispostos a continuar uma luta que só agora a iniciaram em força. Ficamos com um sentimento de vazio e com uma sensação de que era possível ir muito mais além. Conseguiram os professores uma vitória pírrica? Se assim foi, vão ser, nos próximos tempos, inevitável e clamorosamente derrotados. E a Escola Pública vai ser, inexoravelmente destruída».

Efectivamente, digo e reafirmo hoje que os professores conseguiram “uma mão cheia de nada” e a questão central – esta avaliação de desempenho - apenas foi protelada no tempo. Com uma agravante: bem muito pior do que julgou a Plataforma Sindical. Passou apenas um mês de aulas e os docentes estão fartos, já não aguentam mais. Tal como no início do ano, a sua revolta surda sente-se e ouve-se nas escolas e vai explodir de novo. É por isso cedo para Sócrates e a Maria de Lurdes cantarem vitória, pois os professores vão mobilizar-se de novo e voltar à rua, não obstante ter sido assinado um Memorando de entendimento. A próxima vitória não poderá ser à moda de Pirro – as consequências para a classe docente seriam desastrosas.

Voltando ao artigo, sublinhava a dado passo: «Só nos meses de Junho e Julho de 2009 – como prevê o Memorando – é que haverá ‘um processo negocial com as organizações sindicais, com vista à introdução de eventuais modificações ou alterações’ do modelo. Mas então não se trata de um modelo de avaliação altamente burocrático, injusto, punitivo, subjectivo, arbitrário, economicista, quer vai manter as quotas e assente numa estrutura de carreira dividida em duas categorias? É este o cerne da questão – o Estatuto da Carreira Docente tem de ser revisto, alterado, revogado e os professores jamais poderão aceitar estarem divididos, de forma arbitrária, em duas categorias. O grito dos professores mais ouvido foi: ‘categoria só há uma, a de professor e mais nenhuma’. Disto não podemos abdicar».

Reafirmo que aqui reside o cerne da questão – trata-se de um modelo de avaliação que divide os docentes em duas categorias e que é economicista, punitivo, subjectivo, arbitrário, injusto e terrivelmente burocratizado. Veja-se o que está a acontecer nas nossas escolas – são reuniões e mais reuniões, grelhas para tudo e para nada, objectivos individuais que não têm ponta por onde se pegue, mais instrumentos para isto e para aquilo, são os inúmeros planos de aula, as aulas assistidas por titulares com formação científica diferente dos assistidos, é o receio da não obtenção de créditos e a penalização daí decorrente, é a conflitualidade nas escolas a aumentar (e infelizmente há sempre os mais papistas que o Papa). São medidas que não promovem a melhoria pedagógica e científica, antes pelo contrário e que visam o controlo administrativo dos professores e a proibição de ascenderem ao topo da carreira. É a Espada de Dâmocles que se encontra suspensa sobre a cabeça dos professores e educadores deste país. Nunca, em caso algum, a Plataforma Sindical –e em particular a Fenprof, como a estrutura sindical mais representativa da classe docente – devia ter assinado um acordo que contemplasse a manutenção do actual ECD. E os professores estavam dispostos a continuar com a luta.

Concluía em “Vitória Pírrica?” que os professores «terão de continuar a lutar (…), mostrando à Plataforma Sindical que é possível obter conquistas bem mais significativas (…). A Plataforma deverá continuar a manter a unidade e continuar a ser a porta-voz dos anseios e reivindicações dos professores. Um passo precipitado ou mal calculado poderá deitar tudo a perder, depois será tarde demais para voltar atrás. Por mim não assinava o acordo e continuava com a luta. Há razões muito fortes para tal. Temos a força de 100 mil professores na rua. Este é o nosso ponto forte e, simultaneamente, o ponto fraco de Sócrates, de Maria de Lurdes e do governo».

Os 100 mil professores que protagonizaram a Marcha da Indignação no passado dia 8 de Março nas ruas de Lisboa, responderam em uníssono aos apelos dos Sindicatos e dos Movimentos. A unidade foi a razão da nossa força e todos compreenderam isso. Cometeu-se um erro com a assinatura do Memorando. Mas tudo isto pode ser ultrapassável continuando a apostar na unidade e de novo na luta. Um novo passo errado acarretará, certamente, consequências desastrosas para o movimento docente e para a Escola Pública, que perdurará por largos anos. Respondendo aos anseios, aspirações e revolta dos professores alguns Movimentos convocaram uma manifestação nacional, para Lisboa, dia 15 de Novembro. Mais uma vez os Movimentos se anteciparam aos Sindicatos, não havendo nenhum mal nisto. Já não vivemos nos séculos XIX e XX, a vida mudou, os tempos são outros – só não mudou a exploração e a opressão dos poderosos sobre os mais fracos, antes agravou-se. E os Movimentos hoje fazem parte da vida e das lutas dos Povos. Assim como os Sindicatos continuam a ser imprescindíveis – quem não compreender isto não percebe a realidade onde se movimenta.

A divisão será o pior se acontecer no seio dos professores e em nada acrescentam as declarações anti-sindicais ou anti-movimentos. Todos fazemos falta, tal como aconteceu no passado dia 8 de Março. Quem protagonizar a divisão só irá dar mais força a um governo que despreza, massacra e procura destruir a classe docente e a Escola Pública e, será meio caminho andado para, mais cedo do que espera, ficar arredado da marcha inexorável da História.

O meu apelo é para que todos se entendam – Sindicatos e Movimentos de Professores – chegando a um consenso para a realização, em conjunto, de uma poderosa Manifestação Nacional no mês de Novembro. Condição indispensável para a obtenção da vitória. Os professores irão provar que têm voz e que têm força. Entendimento sim, mas desde que se aniquile o “monstro” (esta avaliação de desempenho e o ECD). Caso contrário, seremos devorados. Contra a “Espada de Dâmocles” o meu grito de revolta! Unidade e luta é o caminho!

(*) Membro do Conselho Nacional da Fenprof, do Movimento Escola Pública e Delegado Sindical na Escola E. B. 2, 3 D. Martinho de Castelo Branco – Portimão

Nota: Caso considerem útil, agradeço a divulgação pelos vossos contactos e blogues.