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sexta-feira, janeiro 23, 2009

2007 - Delegação à AR e Carta aos Deputados do PS (CDEP)

Delegação à AR: Dossier + Processo Verbal do encontro com o Deputado do PS responsável pela Comissão de Educação (1 de Agosto de 2007)


Carta Aberta aos Deputados do PS: SUBSCREVA-A E DIVULGUE-A! (24 de Abril de 2007)



Carta aberta aos deputados do PS


No passado dia 14 de Abril, realizou-se em Algés um Encontro em Defesa da Escola Pública.

Nele participaram educadores e professores de todos os graus de ensino, pais e encarregados de educação, estudantes, sindicalistas e técnicos ligados ao ensino.

No Encontro foi adoptada uma Carta aos deputados do PS, que está agora a recolher assinaturas nas escolas.

Senhores Deputados do PS,

Docentes e outros trabalhadores ligados ao ensino, estudantes, pais e encarregados de educação, sindicalistas e responsáveis por associações de pais, reunimo-nos em Algés – no dia 14 de Abril de 2007 – extremamente inquietos com a situação da Escola Pública, com as consequências das medidas que estão a ser tomadas ou já foram anunciadas.

Dirigimo-nos a vós por entendermos que, como deputados da maioria, têm os meios políticos e democráticos que vos foram dados pelo voto do povo para modificar o curso dos acontecimentos.

Todos reconhecemos que Portugal deu um enorme salto, em matéria de educação, nos 32 anos que nos separam da Revolução do 25 de Abril.

Muitos de nós fazemos parte da geração que – pela sua mobilização esperançada na construção de um país livre, liberto da injustiça social e do obscurantismo – participou nesse processo democrático.

No entanto, também é uma realidade que este empenhamento de milhares e milhares de trabalhadores ligados ao ensino tem sido sistematicamente atropelado e subvertido – em nome da adaptação de Portugal às normas da União Europeia – ao ponto de serem muitos os que afirmam hoje que a Escola de Abril está desfigurada.

Hoje já são visíveis, na sociedade portuguesa, as consequências dessa linha de orientação.

Podem ver-se, por exemplo, os resultados do que foi a negação da entrada de muitas dezenas de milhar de estudantes no Ensino superior público e a sua canalização para escolas privadas, onde em muitos casos o abaixamento dos critérios de admissão e de avaliação dos alunos foi uma realidade.

Mas, por outro lado, o nosso país pode constatar, dramaticamente, o resultado de “numerus clausus” apertadíssimos na formação de pessoal ligado ao sector da Saúde.

Poderão facilmente prever-se quais irão ser as consequências, em termos da formação dos alunos, da redução das cargas horárias, ou da retirada de disciplinas (como foi o caso da Formação política).

Foi certamente por isso que, quando o PS recebeu uma votação massiva há dois anos, era uma preocupação expressa por muitos cidadãos o facto de que a consistência dos saberes e dos graus académicos, bem como dos valores éticos e democráticos, estava a ser minada, em troca da subordinação da Escola às necessidades do lucro, bem como das exigências do cumprimento do “Pacto de estabilidade e crescimento” da União Europeia.

As expectativas de milhões de portugueses perante a eleição de uma maioria de deputados do PS eram de que começaria, certamente, a haver uma modificação positiva na vida do país e, em particular, no sector do Ensino.

Mas, quando se encerram milhares de escolas, se reduz o orçamento para o ensino e para a cultura, se aceita trocar os programas nacionais por um conjunto de competências, se retiram os textos dos autores portugueses da disciplina de Língua materna, se entrega o ensino de disciplinas curriculares a empresas privadas, se transformam bacharelatos em licenciaturas e licenciaturas em mestrados, se elimina na prática a disciplina de Filosofia no Ensino secundário, se desmoraliza e frustra a esmagadora maioria dos professores e educadores, se despede ou ameaça colocar no quadro excedentário dezenas de milhar de professores, se deixam sem apoio 70 mil crianças com necessidades educativas especiais, está-se seguramente a defraudar as expectativas de milhões de portugueses e a dar continuidade, da forma mais brutal, à política dos governos anteriores.

Nós constatamos, pela intervenção de um colega nosso – dirigente sindical em França, que foi convidado a participar neste Encontro – que, tal como no nosso país, os professores e a população francesa se confrontam com “reformas educativas” semelhantes.

No nosso país, tal como no resto da Europa, estão a ser postas em prática leis que subordinam a Escola Pública às necessidades do lucro e da competitividade.

Milhões e milhões de cidadãos europeus mostram-se profundamente preocupados e procuram mobilizar-se contra este processo de destruição de toda a nossa sociedade democrática, contra as próprias bases da civilização.

Nós partilhamos esta inquietação e fazemos parte deste processo de mobilização, porque defendemos a democracia e o futuro, impossível de assegurar sem uma Escola com um corpo docente socialmente reconhecido e dotado de um Estatuto que garanta a sua independência e a sua dignidade. É por isso que nos pronunciamos pela revogação do novo Estatuto da Carreira Docente (ECD) para o ensino não superior, promulgado em Março de 2007.

Nós não nos resignamos. Todos e cada um deverão assumir as suas responsabilidades.

É do futuro das jovens gerações, é do futuro do nosso país, da nossa identidade como nação livre e soberana que se trata.

Por isso nos dirigimos a vocês, senhores deputados, pedindo-vos que recebam uma delegação deste Encontro, para vos expormos esta inquietação e o desejo de que esta política seja alterada: nomeadamente através do restabelecimento de todos os direitos de todos os professores e educadores do Ensino Básico e Secundário, com base numa carreira única e no vínculo ao Ministério da Educação, incompatíveis com o novo ECD – responsável por lançar a divisão entre professores; revogação das disposições regulamentares desresponsabilizando o Estado das disciplinas do 1º Ciclo (Educação artística, da Educação física e do ensino do Inglês) e a manutenção de todas as disciplinas, a todos os níveis do Ensino, no Programa nacional, asseguradas por professores e educadores vinculados ao Ministério da Educação, colocadas a partir da Lista Graduada, a nível nacional; do restabelecimento, no Ensino Especial, das formas de organização e da colocação dos técnicos necessários para responder às 70 mil crianças com necessidades educativas especiais.

Primeiros subscritores:

Maria Adélia Gomes (Professora); Margarida Pagarete (Dirigente da AE da FPCE); Manuela Ribeiro (Professora); Maria do Carmo Vieira (Professora); Maria da Graça Nunes (Professora); Maria Paula Montez (Encarregada de educação); Maria Cândida Barros (Professora); Aida Silva (Professora); Ricardo Gomes de Macedo (Médico, Professor assistente); Sara Coelho (Psicóloga); Raquel Iara Martins (Professora); Catarina Pedrosa (Professora); Elsa Afonso (Professora); Carmelinda Pereira (Professora); Santana Castilho (Professor e jornalista) e os,s os professores face ao Governo - um__________________________________________________________; Carlos Chagas (Dirigente do SINDEP); Maria La Salette Silva (Professora); Maria Manuela Leitão (Educadora de infância); Maria de Lourdes Coelho (Professora); José Courinha (Dirigente do SINDEP); Maria da Luz Oliveira (Professora); Maria do Rosário Rego (Professora); Rita Maria Neves da Cruz (Professora); Lucília Pinho Lopes (Professora); Maria de Fátima Pessegueiro (Professora); Santana Henriques (Trabalhador do Círculo de Leitores); Joaquim Pagarete (Professor); Maria Marques Pinto (Professora); Cristina Matos (Estudante); Rosa Cândida Pereira (Professora); Joana Patuleia (Educadora de infância); Maria João Carreira (Encarregada de educação); Aida Sousa Dias (Professora); Luísa Martins (Professora); Luís António Carneiro (Professor).

Contactar :

Carmelinda Pereira - carmelinda_pereira@hotmail.com (telem : 966368165)

Joaquim Pagarete - japagarete@fc.ul.pt (telem : 964272436)


http://escola-publica.blogspot.com/2007/04/carta-aos-deputados-do-ps-subscreva-e.html

terça-feira, novembro 18, 2008

APEDE e MUP na Assembleia da República

Manifestação dos Professores, 15/11/2008

MOVIMENTO PROFESSORES REVOLTADOS

Uma delegação da APEDE (Associação de Professores e Educadores em Defesa do Ensino) e do MUP (Movimento Mobilização e Unidade dos Professores) irá ser recebida na Assembleia da República, nesta terça-feira, dia 18, às 15 horas, pelo deputado do PS António José Seguro, na qualidade de Presidente da Comissão Parlamentar de Educação e Ciência.

Os dois movimentos independentes de professores irão entregar a Declaração de Princípios e de Exigências que entregaram, na sequência da manifestação deste último Sábado, aos grupos parlamentares do PSD , do CDS/PP e do Bloco de Esquerda e aproveitarão o encontro para expor as inaceitáveis condições de trabalho com que os professores hoje se debatem nas escolas, a exemplo do que fizeram no passado dia 15.

Por sua vez, António José Seguro fez saber que está a acompanhar, com atenção e preocupação, o clima que se vive actualmente nos estabelecimentos de ensino.


Mário Machaqueiro (pela Direcção da APEDE)

Ilídio Trindade (pelo MUP)

Movimento Professores Revoltados Integra a A.P.E.D.E. desde a sua formação!

segunda-feira, julho 21, 2008

Encontro de 19/Abril - Nota de Abertura

Pais e Professores unidos numa mesma luta em defesa da escola pública

Paula Montez

(Mãe e encarregada de educação, também presidente da Associação de Pais da EBI de Miraflores e membro desta Comissão)

Nota de abertura

Em nome da Comissão de Defesa da Escola Pública saúdo todos os que escolheram estar hoje aqui neste Encontro-Debate, unidos no nobre propósito de debater a Escola Pública.

A Comissão de Defesa da Escola Pública foi criada em 1998 e retomada em Maio de 2002. Agrupa um conjunto de cidadãos: professores, educadores, auxiliares de acção educativa, pais e estudantes, os quais sentiram a necessidade de se unir em defesa de uma escola pública, democrática e de qualidade. Consideramos a escola como um espaço de liberdade, de responsabilidade e de crescimento, cuja finalidade central seja a formação do ser humano e, só depois, do trabalhador. Não pretendemos substituir-nos a qualquer organização sindical, partidária ou associativa, nem dispomos de quaisquer apoios financeiros. Temos a firme convicção de que só num quadro de unidade entre todas as organizações e movimentos será possível reconstruir e manter viva a escola pública.

Este Encontro vem na sequência de uma delegação da Comissão de Defesa da Escola Pública, que em Julho do ano passado foi recebida na Assembleia da República por um membro da Comissão de Educação do PS. Nessa delegação foi entregue uma carta saída de um Encontro realizado aqui mesmo, nesta sala, onde se expressava a nossa preocupação face ao processo de destruição da Escola Pública, em consequência das políticas educativas praticadas pelos sucessivos governos. Esta delegação permitiu abrir a perspectiva de um Encontro a realizar na Assembleia da República, previsto para Outubro de 2007, o qual não se concretizou por ter sido posteriormente considerado contraproducente pelos outros membros da Comissão de Educação do PS. Desde logo ficou assente que – dentro ou fora da Assembleia da República – o Encontro haveria de ter lugar, e que tomaríamos em consideração o desafio que nos foi lançado de partirmos de exemplos de experiências positivas realizadas na escola pública.

Face ao modo acelerado como a equipa ministerial, dirigida por Maria de Lurdes Rodrigues, tem entretanto insistido em impor aos intervenientes no processo educativo as metas preconizadas na “Agenda de 2010”, adoptadas pela União Europeia no seguimento da Cimeira de Lisboa, realizada em Março de 2000, tornou-se ainda mais premente juntarmo-nos para debater qual o caminho positivo para uma escola com capacidade para responder a todos os alunos, capaz de garantir a tranquilidade do trabalho dos docentes e dos alunos, uma escola com recursos, com exigências de qualidade e onde se ensine e se pratique a democracia.

Esta necessidade conjuga-se com a exigência de responder positivamente ao profundo movimento iniciado pelos professores, em unidade com os as suas estruturas sindicais que viria a culminar na Marcha da Indignação de 8 de Março, mobilização de 100 000 apoiada e participada também por pais e cidadãos em defesa da escola pública.

É assim que este Encontro, agendado desde há alguns meses, se torna ainda mais actual e pertinente.

Este Encontro está dividido em duas partes:

A primeira procurará abordar – a partir das intervenções de professores que estão nas escolas, de professores ligados à investigação e dos que estão ligados à luta política e institucional – como é possível perspectivar uma escola capaz de formar e de qualificar as jovens gerações para um futuro de democracia e desenvolvimento, para um futuro de liberdade.

A segunda parte procurará centrar-se na resistência e mobilização dos docentes portugueses, em ligação com as mobilizações e resistências que se estão a desenvolver em toda a Europa, bem como nos caminhos que estas mesmas mobilizações abrem e que ultrapassam largamente o quadro da Escola – ou não fosse a Escola a base do futuro.

quinta-feira, novembro 08, 2007

Ponto de Partida para uma Reflexão

Processo verbal

do encontro com o deputado do PS, Luís Duarte Fagundes,

responsável pela

Comissão de Educação do PS da Assembleia da República

No passado dia nove de Julho realizou-se, na Assembleia

da República, um encontro, no qual participaram o

deputado Luís Fagundes e uma delegação composta por

docentes, encarregados de educação e uma estudante

universitária, todos elementos ligados à Comissão de

Defesa da Escola Pública.

Este encontro resultou de um pedido de audiência feito

pela referida Comissão, visando entregar aos deputados do

PS uma carta assinada por duzentos e oitenta cidadãos,

sobretudo professores e educadores.

Nela está expressa a grande inquietação perante o

desfigurar da Escola Pública e democrática, a Escola para

todos, na qual se empenharam muitos milhares de

docentes em ligação com as comunidades locais – a

Escola do 25 de Abril. É, também, referida a similitude

entre as políticas educativas dos outros países e o que se

passa em Portugal – todas elas correspondendo a

orientações da UE – e são formulados dois pedidos aos

deputados do PS.

O primeiro pedido é a necessidade de ser reposta a carreira

única dos professores e educadores dos ensinos básico e

secundário; o segundo, é a defesa incondicional das

respostas educativas para todas as crianças com

necessidades educativas especiais, crianças que estão já a

ser muito penalizadas com a aplicação das novas políticas

nesta área, estimando-se em 70 mil o número daquelas que

ficarão sem a resposta educativa que lhes é devida.

No início do encontro, a Comissão apresentou as razões da

sua existência, e entregou ao deputado um dossier

contendo – além da referida carta –, alguns testemunhos

de docentes, recolhidos nas salas de professores das

escolas, no momento da recolha das assinaturas.

Ao longo da reunião, cada um dos presentes expressou –

livremente – a inquietação sentida perante as

consequências das medidas que têm estado a ser tomadas,

e também foi comum o desejo de ver modificados os

rumos da educação, mostrando inclusive que tal era

possível: por um lado, porque havia muitos professores

prontos a fazê-lo, como o já mostraram nas suas práticas,

através de milhares de projectos; e, por outro lado, porque

havia uma maioria do PS, eleita para que não fosse dada

continuidade ao descalabro dos governos anteriores.

Entre os problemas levantados poderemos salientar:

-- A divisão da carreira docente dos

professores e educadores, dos ensinos básico e

secundário, quando a todos é exigido o mesmo

trabalho (Fátima Bastos).

-- Os critérios de avaliação usados no

recente concurso para professor titular,

desvalorizando a prática pedagógica em contexto

de sala de aula e pontuando sobretudo os papéis

respeitantes a cargos e as chefias. C.R. citou,

mesmo, casos exemplares da Escola Paula

Vicente – onde exerce funções docentes desde há

28 anos – como o de Margarida Leão, docente que

ao longo da sua vida profissional se preocupou e

investiu na procura das melhores respostas para o

sucesso dos alunos, através da leitura e da escrita,

foi responsável por múltiplas acções de formação

para outros colegas, tem livros publicados, e corre

o risco de não ter pontuação para professora

titular, por não ter ocupado outros cargos de

chefia. Por ver estas aberrações, Conceição Rôlo

recusou ser professora classificadora deste

Concurso a Professor Titular.

-- Professor Titular.

Vários intervenientes foram unânimes em denunciar as

consequências destas avaliações e divisões, em termos da

destruição do trabalho em equipa, no quadro da

cooperação entre pares. Conceição Rôlo disse,

nomeadamente:

“Não há ninguém que ponha mão nisto?

Isto enfraquece o PS. Havia muita coisa mal feita, que era

preciso arrumar, como por exemplo a situação de

professores que estavam somente 12 horas na escola. Mas

isto já não é arrumar, é uma ministra a desacreditar um

batalhão de gente.

Isto enfraquece o PS.

O que é que vai acontecer ao PS um dia destes?

E depois, com quem poderemos dialogar?”

Conceição Rôlo mostrou a sua surpresa com o facto de a

DGIDC ter cortado o “link” do projecto Literatura &

Literacia, sendo alegada a extinção do Instituto de

Inovação Educacional em cujo site se encontrava alojado,

desde 2001.

Explicou que se tratava de um projecto teoricamente

fundamentado, 1º classificado a nível nacional no Sistema

de Incentivos à Qualidade da Educação, e escolhido, em

1998, pelo próprio Ministério da Educação, para integrar o

Programa Boa Esperança Boas Práticas, por sua vez ligado

à iniciativa Shcooling for Tomorrow dos Ministros da

Educação da OCDE.

Lamentou não estarem a ser aproveitadas – pelo Plano

Nacional de Leitura – muitas das propostas que este

projecto, pago em grande parte pelo erário público,

mostrou serem valiosas para o desenvolvimento da

competência leitora das crianças apoiadas pelas famílias

no seu esforço de aprender. Referiu que havia mais de cem

professores ligados a este projecto, cujo esforço a Civitas

procurou não perder para a tarefa de elevação dos níveis

de literacia, aliás proposto ao Governo socialista de então,

aquando da apresentação do Plan Nacional de Lectura da

Argentina, no II Encontro Internacional O Desafio de Ler

e Escrever. Leitura e Coesão Social (2001). Leu uma

passagem das respectivas Actas e fez a entrega de um

volume dos Diálogos com a Literacia, lançados pela

Civitas em 2005, no Auditório da Assembleia da

República, integrados neste plano.

Fez, ainda, questão de ler breves passagens do Relatório

PISA 2000 que mostra, com toda a evidência, uma

correlação positiva entre a leitura de literatura clássica e a

performance em compreensão da escrita. – OCDE (2001)

“Connaissances et compétances: des atouts pour la vie.

Premiers résultats de PISA 2000”, pp 156-159.

Salientou, igualmente, as vantagens em competência

leitora dos alunos que lêem mais de 30 minutos por dia,

por prazer, (op. cit. p. 142) completando esta informação

com a de um estudo inglês, do National Literacy Trust,

realizado em 2005, que comprovou que existe uma

tendência acentuada para o abandono das práticas de

leitura quando esta é exclusivamente associada aos usos

escolares.

Conceição Rôlo concluiu denunciado o facto de muitos

alunos do 2º ciclo terem apenas três horas de Língua

Portuguesa por semana, o que é manifestamente

insuficiente para o exercício da leitura e da escrita

necessário a uma boa aprendizagem.

Carmo Vieira denunciou o esvaziamento da maior parte

do texto literário da disciplina de Português, nos novos

programas, e a teimosia do Governo em implementar a

Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e

Secundário (TLEBS), mesmo se se diz que ela está

suspensa.

Denunciou, ainda, o processo de destruição da Escola

Pública – em total contradição com o seu voto no PS,

afirmando:

“Uma Comissão de Educação do PS não pode aceitar

isto.

São os mais medíocres que estão à frente das escolas.

A DREL pediu aos serviços da minha escola (Marquês de

Pombal) todas as minhas avaliações ao longo de 23 anos

de serviço e ainda disseram para não me avisarem, que eu

saberia depois o que me iriam fazer.

O objectivo é mesmo destruir a Escola Pública. A área de

projecto é uma treta.

Acabaram com a disciplina de Organização Política,

minimizam a História, a Filosofia e a Literatura… e

depois vêm falar de cidadania!

Isto é abjecto. E… está a fazer-se por toda a Europa. É

muito triste que um PS se deixe ir a reboque de uma

política tão pouco socialista.

Na minha escola, organizaram-se visitas de estudo ao

local onde se fazem as filmagens da telenovela

“Morangos com açúcar”. O cenário era um banco onde

estava escrita a frase – filhos da puta. É esta a Escola

Pública que querem fazer? Os titulares que aceitam estes

caminhos, sem sequer se indignarem, vão ser os broncos

da nossa escola. Sempre votei PS, mas sinto que não

posso voltar a votar. Sinto que os meus alunos estão a ser

enganados.

Não é correcto que o PS deixe achincalhar os mais

fracos.”

Luísa Cintrão referiu o facto de serem os professores mais

experientes e empenhados – normalmente, também, os que

mais se indignam ao ver o descaminho da Escola Pública

– que estão a ser discriminados e silenciados. Apelou à

responsabilidade do PS: “Muitos professores votaram no

PS. Não sei se a senhora ministra é do PS. Mas vocês,

deputados do PS, têm uma grande responsabilidade.

Há muita gente que sabe como é que se organiza uma

escola, como é que se seduzem alunos para aprender; já o

provaram, e estarão prontos a retomar esse trabalho para

a construção de uma escola democrática.”

Pelo seu lado, Maria da Luz Oliveira – uma das

responsáveis pelo texto sobre as Actividades de

Enriquecimento Curricular – referiu a discriminação

existente entre o calendário escolar dos educadores de

infância e os restantes professores do Ensino Básico.

Ao concluir-se este encontro o deputado Luís Duarte

Fagundes afirmou que era conhecedor do empenhamento

de muitos professores, através das suas visitas às escolas e

que naquela reunião se levantaram questões pertinentes,

tendo sido uma delas a da leitura.

E a este propósito levantou a hipótese de organizar uma

iniciativa que permitisse uma reunião conjunta de

professores da Comissão em Defesa da Escola Pública e

do Grupo Parlamentar do PS.

O objectivo do encontro seria o de divulgar as

experiências positivas já realizadas para através delas

indicar os possíveis caminhos de construção da Escola

Pública. Propunha que o encontro se realizasse em

Outubro e a CDEP escolheria os temas a debater,

propondo-se ele distribuir o Dossier entregue pela

delegação aos outros deputados da Comissão de Educação

do PS.

Face a esta proposta, vários elementos da Comissão em

Defesa da Escola Pública tomaram a palavra para mostrar

a sua concordância, ficando decidido que – assim que

possível – seria enviado para a Comissão de Educação do

PS da Assembleia da República um esboço do programa

de trabalhos para essa iniciativa.

quarta-feira, outubro 03, 2007

Nova reunião da CDEP - Dia 3 de Outubro

Caras(os) colegas,


É necessário discutir entre nós qual o seguimento a dar ao trabalho da Comissão de defesa da Escola Pública (CDEP), tendo em vista os resultados obtidos no Encontro de 14 de Abril, na subsequente recolha de assinaturas na Carta aos deputados do PS e nas respostas obtidas nas delegações à Comissão de Educação do Grupo parlamentar do PS.

É por isso que apelamos à tua participação na nova reunião da CDEP, a realizar na próxima 4ª f, 3 de Outubro, na Biblioteca municipal de Algés, às 16 h 30 m.

Saudações fraternas

Pel' A Comissão de Defesa da Escola Pública

Carmelinda Pereira

sexta-feira, setembro 21, 2007

Participem activamente!


Cartaz do Maio de 68

No dia 26 a Comissão de Defesa da Escola Pública reúne com o deputado Luís Fagundes e outros deputados na Assembleia da Republica. Esperamos ver a sessão agendada para o mês de Outubro.

«O silêncio é que não se ouve certamente»

Gostávamos que nos sugerissem temas: que questões queremos levar a debate numa sessão pública sobre o Ensino?

quinta-feira, setembro 20, 2007

CDEP: Balanço das actividades recentemente desenvolvidas

Ponto da situação no sector do Ensino (20/9/2007)

A actividade desenvolvida durante o 3º período do passado ano lectivo abarcou:

1) A intervenção no congresso da FENPROF de Abril, expressando a reivindicação central dos professores – a revogação do novo ECD;

2) Uma campanha de assinaturas numa carta dirigida aos deputados do PS, colocando a exigência de manutenção da carreira docente única, a defesa do Ensino especial e denunciando a política da UE.

Esta campanha concluiu-se com a realização de uma delegação à AR, recebida pelo responsável do PS pela Comissão de Educação na AR, o qual – no final da reunião – propôs a realização de um Encontro nacional organizado pelos deputados da Comissão de Educação e a Comissão de Defesa da Escola pública.

O objectivo de tal iniciativa seria permitir o relato de experiências pedagógicas que demonstrassem, pela positiva, como a Escola pode funcionar de outra maneira.

3) Uma campanha no Ensino superior, em torno de uma carta aos deputados do PS, pedindo a retirada da proposta do governo sobre o Regime Jurídico das Instituições do Ensino Superior (RJIES), aprovada contra a vontade da maioria dos estudantes e professores, e que permite transformar as universidades e politécnicos em instituições de direito privado.

Esta carta recolheu centenas de assinaturas e permitiu agrupar um pequeno número de jovens, numa situação em que mais nenhuma força política exigia a retirada da proposta. A reivindicação de todas essas outras forças políticas era o adiamento da votação.

A política do ME

Em vez de colocar no Ensino as dezenas de milhar de professores e educadores que já estão no desemprego, o ME eliminou este ano lectivo mais 12 mil postos de trabalho.

Cada Agrupamento de Escolas tem, agora, o poder de fazer contratação directa de professores, acabando na prática com a lista graduada nacional.

Para além do aumento do horário de trabalho, os professores e educadores estão divididos em categorias, sabendo que um pequeno grupo de entre eles – os titulares – são a prova real de que todos os restantes dificilmente passarão do meio da carreira, com a consequência de uma diferença salarial de pelo menos 500 euros.

Os professores passaram à categoria de titulares, através de um mecanismo de avaliação de tal maneira arbitrário e em contradição com a Lei de Bases do Sistema Educativo, que o próprio Provedor da Justiça propôs à Ministra da Educação a repetição do Concurso para Professor Titular.

Ao mesmo tempo, a institucionalização do princípio da subsidariedade e da autonomia das escolas, num contexto em que o ME manda para os Conselhos Executivos despachos e regulamentos (que ainda nem sequer foram, oficialmente, publicados ou mesmo aprovados – como é o caso, por exemplo, da avaliação dos professores) conduzem a que haja situações da maior arbitrariedade e diferenciação, de agrupamento para agrupamento, ou mesmo de escola para escola.

Como consequência desta acção do ME, podemos enumerar algumas situações concretas:

a) Horários de 38 h na escola, onde estão incluídos tempos lectivos de carácter extraordinário (para que não sejam contratados mais professores);

b) Professores do 2º ciclo a dar aulas ao 1º ciclo, para colmatar a não colocação dos professores deste grau de ensino;

c) Professores titulares do 1º ciclo obrigados a assumir todas as tarefas correspondentes às funções de coordenação, avaliação e supervisão, em simultâneo com a responsabilidade directa de uma turma (com todas as outras tarefas que isso implica: 2 h semanais de apoio ao estudo dos alunos, formação em exercício, reuniões com os pais);

d) Professores do 1º ciclo a ter que acumular, sobre as 27 h lectivas, os horários das Actividades de enriquecimento curricular para as quais ainda não foram colocados (ou não comparecem) os professores que são da responsabilidade das autarquias.

e) Turmas sobrecarregadas, com as crianças de outras turmas para as quais os professores ainda não foram colocados.

Nunca os professores foram tão atacados, tão sobrecarregados e humilhados.

Mais de 2000 escolas do primeiro ciclo já fecharam, como parte de um plano para serem encerradas todas as que tiverem menos de 19 alunos.

Ao mesmo tempo, as taxas de insucesso e abandono escolares mantém-se na ordem de 40%, e os resultados nos exames nacionais de Matemática (do 9º ano) atingem o valor de dois terços de negativas.

Como medidas para combater o insucesso escolar, o Governo apresenta a campanha dos computadores e dos quadros interactivos, a validação de “competências”, as medidas de autonomia para as escolas, ao mesmo tempo que desenvolveu uma campanha mediática apresentando os professores como bodes expiatórios da situação que existe no Ensino.

É neste quadro de tão grande ofensiva que as direcções sindicais aceitam continuar a “negociar” com o ME a regulamentação do novo ECD, o que só leva à divisão e à desorientação dos professores.

Entretanto, nos Açores foi promulgado o novo ECD, sem a categoria de professor titular nem quotas para progressão na carreira. Trata-se de um Governo do PS nos Açores. A mesma situação se verifica na Madeira, com um governo do PSD.

A situação dos Açores tem sido evocada pelas direcções sindicais para exigir a carreira única, posição que os militantes pertencentes à Comissão de Defesa da Escola Pública também utilizaram, como ponto de apoio para lutar pela frente única.

Se todas as direcções sindicais defendem a carreira única dos professores e sem quotas, se o Governo dos Açores a pode pôr em prática, tal como recusa taxas moderadoras sobre os doentes internados em hospitais – rejeitando assim as exigências do PEC imposto pela Comissão Europeia de Durão Barroso – por que não hão-de tomar a mesma medida a maioria PS existente na AR e o Governo?

Esta bandeira necessita de ser mantida, ao mesmo tempo que se continua a exigir a revogação do novo ECD, nomeadamente no que respeita à avaliação dos professores.

Encontro na AR

Como vamos bater-nos por esta exigência central – a revogação do ECD –, ao mesmo tempo que queremos que não caia no esquecimento a proposta do Encontro que nos foi feita pelo deputado do PS?

Sobre a concretização desta proposta, está já agendada uma reunião na AR com deputados do PS, para o dia 26 de Setembro, e está marcada uma reunião da Comissão de Defesa da Escola Pública, para preparar uma proposta a apresentar nessa reunião.

Que conteúdo deverá ela ter? Como vamos elaborá-la?

O nosso desejo, com esta iniciativa, é o de fazer com que ela seja um factor de moralização e de ânimo, no seio os professores e educadores, para que acreditem que a unidade é possível, para através dela se impor de novo a carreira única.

Como conseguir este objectivo, estabelecendo acordos com deputados do PS, sem comprometer a independência política da Comissão de Defesa da Escola Pública?

Temas debatidos na reunião de 20/09

1) Ponto da situação no sector do Ensino

2) O que pode fazer, nesta situação, a Comissão de Defesa da Escola Pública

3) Reunião com a Comissão de Educação do PS na AR (26 de Setembro, às 10 h)

4) Novo Boletim da Comissão de Defesa da Escola Pública

5) Plano de intervenção e data da próxima reunião.

terça-feira, setembro 18, 2007

20 de Setembro, Algés: Reunião da Comissão


Comissão de Defesa da Escola Pública

Reunião, dia 20 de Setembro, 16 h 30 m

Biblioteca Municipal de Algés


Cara(o) Colega, Caro Encarregada(o) de Educação,


Aí está o início de mais um ano lectivo, carregado de expectativas, tarefas, constrangimentos e dificuldades – num ambiente agora marcado pela divisão dos professores em categorias, enquanto para outros é o desgosto e o vazio do desemprego.

Um novo ano lectivo que o Governo utiliza para fazer uma operação de charme, ignorando o conjunto dos professores, dos educadores e de todos quantos são imprescindíveis na vida de cada escola.

Eis uma das facetas do que se está a passar na Escola Pública.

Não vamos ficar conformados. No seguimento da intervenção realizada no passado ano lectivo, estamos a retomar a intervenção da Comissão de defesa da Escola Pública.

Esta foi interrompida em Julho, depois da audiência na Assembleia da República – onde foi aberta a perspectiva de um Encontro nacional, naquele espaço, por iniciativa dos deputados do PS, ligados à Comissão de Educação (ver caixa).

Cabe-nos, agora, elaborar uma proposta a apresentar àqueles deputados, com aquilo que desejamos que sejam os temas e organização do Encontro.

Para debatermos este assunto, vamos juntar-nos – no próximo dia 20 de Setembro, pelas 16 h 30 m­ –, na sala de reuniões da Biblioteca de Algés.

Todos somos importantes. Será com a experiência de cada um que vai ser possível pôr de pé um ponto de apoio que possa contribuir para unir professores, educadores e pais, com as suas organizações, na defesa de uma escola para responder a todos, perante uma ofensiva sem precedentes.

Aqui fica o desafio. Se puder, não falte a esta reunião.

Saudações fraternas

Pela Comissão

Adélia Gomes

Carmelinda Pereira

Joaquim Pagarete

Paula Montez


Contactos:

degomes@gmail.com
carmelinda_pereira@hotmail.com
montez.paula@gmail.com



Intervenção do deputado Luís Fagundes Duarte, no final de um encontro com uma delegação da Comissão de Defesa da Escola Pública, realizado na Assembleia da República, no passado dia nove de Julho

“Foram levantadas, nesta reunião, questões que são pertinentes. Uma delas foi a da leitura.

Há coisas que não funcionam.

Poderemos organizar uma iniciativa do Grupo Parlamentar e da Comissão em Defesa da Escola Pública.

O Grupo Parlamentar faria a sua divulgação, a nível nacional.

O importante é dizer as experiências positivas, dizer o que já se fez, indicar o que é preciso para a construção da Escola Pública.

Deverão escolher os temas a debater.

Para já, a Comissão dos deputados do PS vai ver o dossier que me entregaram.

O debate poderá ser em Outubro.”