sábado, janeiro 15, 2011
«Cortes nas escolas vão provocar revolução» (JN, 14/01/2011)
extracurriculares – por ALEXANDRA INÁCIO (JN de 14/1/2011)
Se a proposta de despacho de organização do ano lectivo for aprovada sem alterações, as escolas serão
obrigadas a mudar a sua estrutura: desporto escolar, clubes e apoios podem estar em risco, o que significa
que os alunos podem ficar com horários reduzidos.
O Orçamento do Estado da Educação sofreu um corte este ano de 11,2 % em relação a 2010 - são menos
803,2 milhões de euros. O maior impacto da redução financeira vai ser sentido pelas escolas no próximo
ano lectivo. Menos verbas para funcionamento, menos professores (Fenprof estima mais de 30 mil) e menos
horas para actividades de enriquecimento curricular. Já os alunos podem passar a sair mais cedo, se todos os
cortes se confirmarem.
Todos os projectos, incluindo o desporto escolar, os clubes de Matemática ou Ciência, plano de acção
para a Matemática, apoios e até aulas de substituição podem estar em risco se a proposta de despacho de
organização do ano escolar for aprovada sem alterações, garantem docentes e directores.
O Conselho de Escolas aprovou, por unanimidade, um parecer que considera "comprometidos o apoio
educativo, a escola a tempo inteiro, as aulas de substituição, o desporto escolar, o de-senvolvimento de
projectos educativos, o cumprimento das metas de aprendizagem, e os objectivos a atingir até 2015" se o
Governo não mudar o diploma.
"Os alunos não são os culpados e não podem ser as vítimas", frisou, ao JN, o presidente da Associação
Nacional de Directores de Agrupamento e Escolas Públicas (ANDAEP). Tanto Adalmiro Botelho da
Fonseca, como o presidente do Conselho de Escolas (CE), Manuel Esperança, e o líder da Fenprof, Mário
Nogueira, convergem: as cortes obrigam as escolas a uma nova organização a partir de Setembro. "Não vão
fechar, naturalmente, mas só vão conseguir assegurar um ensino mínimo, vá lá, razoável", teme Nogueira.
A Fenprof estima que a conjugação das medidas já aprovadas - como a eliminação da Área de Projecto
e Estudo Acompanhado - com as agora planeadas possa conduzir ao despedimento de mais de 30 mil
professores, que pode atingir não só os contratados como a redução dos horários (ou aumento de horários
zero) entre os de quadro.
O JN confrontou o Ministério da Educação com as preocupações dos docentes e fonte do gabinete de Isabel
Alçada sublinhou que a proposta "ainda não está fechada"; que o desporto escolar "será alvo de despacho
específico" e que o "sistema educativo gera milhões de horas não lectivas", pelo que o Governo decidiu
redistribuir o crédito concedido às escolas, "de forma mais equitativa".
Nogueira classifica as reduções "brutais" feitas ao crédito de horas das escolas, e à redução da componente
lectiva por exercício de cargos de "cegueira" economicista. Manuel Esperança acredita que o ME altere
o diploma depois do parecer enviado pelo CE - "como órgão consultivo, temos o dever de aconselhar e a
convicção de ser ouvidos".
As alterações nos horários dos docentes e no crédito das escolas é que ameaçam, garantem docentes e
directores, postos de trabalho e actividades de enriquecimento e apoio aos alunos. Entre elas, o desporto
escolar, que na proposta do ME sai da componente lectiva para a não lectiva. O que poderá permitir "a
redução drástica" do quadro desses docentes, receia o presidente do Conselho Nacional das Associações de
Professores e Profissionais de Educação Física, João Lourenço.
segunda-feira, novembro 24, 2008
Aguardam-se novidades...
O maior debate da televisão portuguesa abre a porta aos professores para uma discussão alargada sobre Educação.
Como é que a avaliação dos docentes afecta a vida escolar?
O que vem aí? A Paz ou a Guerra nas escolas?
quinta-feira, março 13, 2008
Como interpretar a Marcha da (nossa) Indignação?
[Hoje, na Antena 1, Carlos Magno e Carlos Amaral Dias abordaram a Marcha da Indignação. Aqui ficam os aspectos mais importantes...]
Derrotados da Marcha da Indignação:
- A Ministra;
- Os sindicatos e partidos políticos (porque em nenhum momento seriam capazes de pôr na rua 100.000 professores).
Que papel terá a rua, à luz do sistema representativo que temos e das democracias modernas?
O que aconteceu foi um sintoma de qualquer coisa!
A sociedade civil está a romper com as categorias político-partidárias e se está a exprimir em algo não contenível.
Foi uma Manifestação pós-moderna, em que tudo é relativo.
Quem estava na Manifestação?
20.000 ou 100.000 não é a mesma coisa!
Líderes sindicais que estão a trabalhar para lideres da CGTP, pessoas sindicalizadas há muito tempo que vão sempre. E também pessoas de direita e de esquerda e deste mundo e do outro que foram porque estão contra a Ministra.
Qual é o ponto de retorno?
Não há ponto de retorno. Estes professores ficam com fôlego suficiente para levar a manifestação para dentro das escolas. Sendo assim não há avaliação. Não vai haver avaliação nas escolas... Curiosamente é a posição do Marcelo Rebelo de Sousa e António Vitorino, que até já apresentaram na televisão a receita para o recuo.
O que quer isto significar do ponto de vista da governação?
Está criada uma rebelião, pois quando não se cumpre a legislação é isso que acontece.
Como resolver?
Esquecer que a Marcha aconteceu seria o mais fácil, mas não é possível (!!!). A Minstra não recuou. Há um problema político: nas escolas nao se vai cumprir uma lei que este governo e esta assembleia da republica aprovaram. Qual vai ser a posição do Presidente da República perante a rebelião?
Do ponto de vista politico, como vai isto evoluir?
Vai evoluir para um ponto de ruptura. A Ministra não precisa de avançar nem de recuar. O recuo vai ser feito pelos professores que se vão recusar a proceder à avaliação. depois vão surgir os maquilhadores para inventar uma forma de maquilhar a situação.
Conclusão:
A Ministra da Educação, o Governo e os Sindicatos meteram-se num 31, cada qual à sua maneira, do qual vai ser difícil sairem!
Texto de Mário Crespo: «Acabou-se»
Acabou-se
MárioCrespo
Jornalista
Maria de Lurdes Rodrigues não tem condições para continuar a gerir o sistema de educação
Da necessidade de reformas sabe-se com fundamento científico desde o trabalho de Ana Benavente que denunciou que um quarto dos portugueses mal sabia ler e que só dez por cento da população é que entendia completamente aquilo que está escrito. Mas esse estudo tem década e meia e nada de substancial foi feito no entretanto. Por isso, o que está em questão não é a avaliação de professores. Apreciações de desempenho são meros pormenores de gestão de pessoal. O que é preciso, como consta de uma lúcida reflexão dos docentes da Escola Rainha D. Amélia, é fazer a escola cumprir com as suas funções na socialização de crianças e jovens. É promover a criação de hábitos de disciplina interiorizados que se multipliquem depois na vida adulta. Entre Cavaco Silva, o governante confrontado com o estudo de Ana Benavente, e José Sócrates, este processo de calamitosa estupidificação do país não foi interrompido por um projecto lúcido. O governo actuou agora como se o problema estivesse nos docentes e não no sistema de docência e nos curricula. Actuou como se o problema único de Portugal fosse o do excesso de privilégios e não o do defeito de cultura.
E assim as frágeis construções da demagogia política trouxeram, mesmo com a intimidação de PSPs à paisana e processos disciplinares da DREN, uma centena de milhar para as ruas de Lisboa. E o Primeiro-ministro mostrou a sua fibra assistindo em silêncio ao martírio de Maria de Lurdes Rodrigues que se desdobrou nas TVs a tentar demonstrar o indemonstrável axioma socrático que a sua política é infalível e o défice de compreensão é do país. A resposta de Sócrates foi a de marcar uma manifestação de desagravo para o Porto. Primeiro era para ser na rua, depois numa praça, depois num pavilhão e vai sempre soar a falso no clamor sem fim das turbas dos indignados. Foi um contra-ataque ridículo no meio de muito comportamento bizarro. O Professor Augusto Santos Silva protagonizou o momento de infelicidade quando em Chaves quis assinalar os três anos de governação numa espécie de estágio para o anunciado comício do desagravo. Foi vaiado. Ripostou tentando conjurar os seus Manes. Invocou os nomes dos pais fundadores, dos velhos companheiros que diz serem os seus da luta que diz ser a sua. Salgado Zenha, Mário Soares e Manuel Alegre. E nenhum lhe respondeu. Tentou depois o exorcismo, amaldiçoando os seus demónios pessoais, os grandes e os mais pequenos. Álvaro Cunhal e Mário Nogueira. E nenhum lhe respondeu. Ouviu vaias cada vez mais altas e a voz embargou-se e disse: "eu não me calo...eles calam-se primeiro que eu." Depois repetiu, baixinho como que a querer convencer-se "...eles calam-se primeiro que eu". E não se calaram. Ao ouvir na Antena 1 este terrível registo de desgovernação só me ocorreram as sábias palavras de Juan Carlos para o tiranete venezuelano: "por que no te callas".
Mário Crespo escreve no JN, semanalmente, às segundas-feiras (10.3.08)
segunda-feira, março 10, 2008
Análise da imprensa do dia da Marcha da Indignação
Paulo Guinote
Se exceptuarmos o Público que deu espaço na primeira página à
contestação dos professores, a imprensa de sábado de manhã fez os
possíveis por assobiar para o lado quanto à manifestação que se
preparava para esse dia, mesmo se abordava o assunto nas páginas
interiores.
O caso do Público, obviamente, é explicado pela sapiência comum como
um resultado do falhanço da OPA da Sonae.
O resto não sei o que o explicará.
Ou talvez saiba.
A verdade é que um punhado de directores de jornais e outros órgãos de
comunicação social, ditos de "referência", são desde há muito
profundamente hostis para com a classe dos professores e educadores.
Não alinho em teorias da conspiração ou cabalas.
Eu acredito sinceramente que <
infância, ou juventude, sei lá. Poderes analíticos superiores. Ouvem a
palavra <
blocker que resista.
Constato factos e explico-os à luz de um certo e determinado perfil
que deve ser indispensável para ter sucesso no mundo da direcção dos
jornais que, como sabemos, é um universo indispensável da democracia,
mas que ao que parece - com as devidas excepções - anda com os seus
problemas comerciais e uma pessoa interroga-se sobe o porquê de
pessoas de tanto sucesso não conseguirem demonstrá-lo na sua prática
profissional.
* Se o Correio da Manhã parece um pouco à margem desta questão e tem,
curiosamente, uma pluralidade de olhares sobre o tema, no caso do
Público, José Manuel Fernandes só na última semana deu uma <
* No Diário de Notícias, João Marcelino parece ver nos professores uma
espécie de nemésis incompreensíveis. Não revela especiais (ou mínimos)
conhecimentos sobre o sector, mas isso não o impede de fazer uma
espécie de comentário futebolístico comprometido com uma das equipas.
Quase lembra os relatos daqueles jornalistas objectivos que gritam
<
de-jogo quando os <
* No Expresso, Henrique Monteiro não dá qualquer hipótese aos
professores, reclama para si ideias revolucionárias sobre o tema
(adiante, em outro post, já as veremos) e dita de cátedra que os
docentes são uns ineptos conservadores, no que é acompanhado pelo seu
vice Fernando Madrinha, que a cada manifestação de rua vê o fantasma
do PC erguer-se, maus uns quantos Gulags atrás.
* No Sol, não se percebe bem sobre que mundo escreve o director.
Felizmente tem andado fora da área da educação, mas verdade seja dita
que a edição deste sábado do jornal é lamentável. Talvez seja
explicável, pelo contrário, à luz dos escritos de José António Lima
que alinha pela aversão ás posições dos docentes. Basta tê-lo lido no
sábado, dia 1 e ver que blogues o citam a propóstio.
* No Jornal de Notícias, a tarefa de zurzir forte e feio nos docentes
parece ficar reservada a uma segunda linha, de que é exemplo o
editorial de hoje de David Pontes, director-adjunto. Neste editorial
David Pontes faz de tudo um pouco: recusa a tese de alinhamento de
muita comunicação social com o poder usando como argumento a cobertura
do acontecimento pelas televisões. Ou seja, não compreende que se algo
vende, a TV mostra. Seguindo a sua lógica transparente, David Pontes
achará que a cobertura do caso Maddie confirma o apoio da comunicação
social a potenciais raptores (homicidas?) de crianças. Para culminar,
e por mero acaso, Pontes atinge, qual Pacheco Pereira, o <
seu poder argumentativo. É sempre emocionante descobrir palavras
novas. A mim acontece-me ao ler Mia Couto. David Pontes deveria
experimentar.
* Já quanto à TSF, Paulo Baldaia em duas semanas seguintes ultrapassa
os limites do razoável na sua forma de escrita persecutória em relação
aos professores em crónicas exactamente no JN, a quem ainda atribui
outros malefícios cívicos estranhos. Neste sábado, evoca mails
anónimos que atribui a professores (nem sequer lhe ocorre que alguém
pode forjar uma identidade num mail), cita Carvalho da Silva como
exemplo de sindicalista bom (o qual este ontem, para mim erradamente,
no Terreiro do Paço a discursar). Dá a entender que tem um problema
com o civismo dos docentes. No entanto, a rádio que dirige noticiou na
passada semana um putativo processo judicial contra mim, mas não se
deu ao trabalho de me contactar sobre o assunto. Nada de mais: os
princípios cívicos e ético-profissionais quando nascem não são para
todos.
Como, apesar disto, os professores ainda conseguiram passar parte da
sua mensagem - que não se resume aos comunicados da Fenprof como
muitos destes senhores parecem acreditar, por comodidade de
<
muitos outros jornalistas conseguirá explicar.
E muito do ressentimento acumulado pelos professores ao longo destes
anos se deve ao facto de, contrariamente a advogados, médicos, juízes,
arquitectos ou outras profissões superiormente qualificadas, eles
nunca terem disposto nos jornais de mais do que um cantinho nas Cartas
ao Director, se possível com a missiva truncada.
Porque de Justiça podem falar juízes e advogados.
Da situação da Saúde, podem falar os médicos e os seus representantes.
E assim sucessivamente por vários sectores de actividade.
Só de Educação parece ser condição sine qua non ser não-professor para
ter tempo de antena na imprensa <
quarta-feira, março 05, 2008
TSF só ouve uma das partes: o senhor Albino Almeida
A Confap Pretende Processar-me
Posted by Paulo Guinote under Confap, Intimidações, Tribunais
A Educação do Meu Umbigo
A caminho da Escola, enquanto ouvia a TSF, descobri que a Confap, pela voz do senhor Albino Almeida, pretende processar-me judicialmente por ter inferido, a partir das suas contas, que a organização definharia sem os subsídios estatais. Pelo caminho também afirma que também processará o blogue Ensinar na Escola.
Claro que em plena via rápida uma pessoa deve manter-se calma ao volante e não começar a rir de forma descontrolada.
É que em nenhum momento o senhor Almeida afirma que eu divulguei dados erróneos ou deturpados. Processa-me porque eu tenho uma opinião sobre esses factos.
Mais interessante: diz que o subsídio é legal, algo que nunca contestei. Pois se resulta de um protocolo feito de livre vontade pelas partes…
Diz que é para pagar as deslocações dos dirigentes da Confap e duas funcionárias. Certíssimo: efectivamente escrevi que o presidente da Confap passeia pelo país com os ditos subsídios.
Como sou distraído, não relaciono isto com pressões diversas que me chegaram nas últimas semans, nem com a retractação pública do colega do Ribeirão ou a investida mediática do ME para calar as vozes desagradáveis.
Como sou mesmo muitíssimo distraído, nem questiono com que dinheiro a Confap irá pagar aos advogados a quem afirmou ir entregar a documentação para me processar.
Provavelmente alguém poderá pensar que é exactamente com uma parcela dos subsídios em causa, legais, para apoio à actividade da Confap. Mas isso não seria ético, nem compaginável com as despesas elegíveis no plano de actividades que é apresentado todos os anos ao ME para aprovação. Ou será?
Para finalizar, dois detalhes:
- A TSF deu voz a Albino Almeida na sua diatribe, mas não contactou os visados.
- Se a coisa tiver méritos para chegar a julgamento, essa será uma Tribuna excelente para muitos de nós tomarmos conhecimento de tudo o que aqui foi escrito em toda a sua plenitude.
- Na sequência disso, claro que eu me reservo o direito de considerar que Albino Almeida me está a caluniar, a intimidar e a querer silenciar. O que, no actual contexto, é muito elucidativo da sua forma de agir e interesses que o movem. Em nome da indepedência, claro.
Adenda: Logo que possa elencarei aqui tudo o que foi escrito sobre o assunto, solicitando que todos os interessados divulguem esses materiais nos seus espaços.
http://educar.wordpress.com/2008/03/04/a-confap-pretende-processar-me/#comment-32946


