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quarta-feira, maio 20, 2009

Aumento de famílias dependentes do Rendimento Social Mínimo

do DN de hoje:

Mais 33 mil estão a receber rendimento mínimo

por Carla Aguiar

Há mais 16 mil famílias que acederam ao RSI do que em Março do ano passado. A situação pode piorar, pois foram feitos dez mil novos pedidos por mês, quase o dobro da média registada em 2008
O número de beneficiários do Rendimento Social de Inserção (RSI) subiu para 367 702 em Março último, o que significa que há mais quase 33 mil pessoas abrangidas por aquela prestação social do que em igual período do ano anterior. Pior é o cenário que se pode antever, a partir dos novos requerimentos entrados nos primeiros três meses do ano, e que ainda aguardam deferimento: a média mensal de pedidos passou dos cerca de 6600 registados em 2008 para mais de 10 mil.

[VER CONTINUAÇÃO DO ARTIGO http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1236018 ]

comentário:

A guerra de classes que o capital tem levado a cabo contra os trabalhadores e os pobres em geral, alcançou um novo patamar com a violenta exclusão social que está a ser praticada: desde Janeiro deste ano, mais de 100 pessoas por dia são lançadas no desemrego.
A «crise» TEM AS COSTAS LARGAS, para os patrões despedirem os trabalhadores com menos possibilidades de defesa ou seja, os que têm contratos precários. Mas os outros também são despedidos colectivamente, com sobrecarga do sistema da segurança social. Mas, quando as oportunidades de negócio tornarem indispensável de novo contratar trabalhadores, irão usar todos os meios (contratos precários, «recibo verde», agências de trabalho temporário...) para que os novos empregados tenham um baixo salário e nenhuma hipótese de reivindicar seja o que fôr.
Os governantes sabem isso, mas fingem acreditar que o patronato está realmente a tentar «salvar» as empresas, quando - na verdade - as empresas são muitas vezes «auto-sabotadas» pelo patronato e administração. Aproveitando o pretexto de crise, avançam com os despedimentos em série, com o uso e abuso de «layoff». Estão a fazer chantagem sobre os seus trabalhadores.
Num país onde 25 % da população está abaixo do limiar da pobreza e muitos desempregados não têm ou perdem rapidamente qualquer direito a subsídio de desemprego, o rendimento mínimo surge assim como uma necessidade de caridade social, estatal. Assim se evita que os poderosos tenham de enfrentar uma revolta da fome...

Os trabalhadores têm de usar todos os meios para impedir que sejam eles próprios as vítimas de uma crise que eles não provocaram.
Para se exigir a proíbição imediata dos despedimentos deve-se preparar uma greve geral interprofissional recondutível, o único meio que poderá colocar um travão à ofensiva conjugada do patronato e com o beneplácito da «súcia - lista» governação!
MB
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Publicada por Luta Social em Luta Social a 5/18/2009 05:58:00 PM

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Colectivo Anti-Autoritário e Anti-Capitalista
de Luta de Classes, baseado em Portugal
www.luta-social.org

Fernando Savater: A indisciplina nas escolas

Especialistas reunidos em Espanha

Aumento da violência nas escolas reflecte crise de autoridade familiar


Especialistas em educação reunidos na cidade espanhola de Valência defenderam hoje que o aumento da violência escolar deve-se, em parte, a uma crise de autoridade familiar, pelo facto de os pais renunciarem a impor disciplina aos filhos, remetendo essa responsabilidade para os professores.
Os participantes no encontro 'Família e Escola: um espaço de convivência', dedicado a analisar a importância da família como agente educativo, consideram que é necessário evitar que todo o peso da autoridade sobre os menores recaia nas escolas. '
As crianças não encontram em casa a figura de autoridade', que é um elemento fundamental para o seu crescimento, disse o filósofo Fernando Savater.
'As famílias não são o que eram antes e hoje o único meio com que muitas crianças contactam é a televisão, que está sempre em casa', sublinhou.
Para Savater, os pais continuam 'a não querer assumir qualquer autoridade', preferindo que o pouco tempo que passam com os filhos 'seja alegre' e sem conflitos e empurrando o papel de disciplinador quase exclusivamente para os professores.
No entanto, e quando os professores tentam exercer esse papel disciplinador, 'são os próprios pais e mães que não exerceram essa autoridade sobre os filhos que tentam exercê-la sobre os professores, confrontando-os', acusa...
'O abandono da sua responsabilidade retira aos pais a possibilidade de protestar e exigir depois. Quem não começa por tentar defender a harmonia no seu ambiente, não tem razão para depois se ir queixar', sublinha.
Há professores que são 'vítimas nas mãos dos alunos'.
Savater acusa igualmente as famílias de pensarem que 'ao pagar uma escola' deixa de ser necessário impor responsabilidade, alertando para a situação de muitos professores que estão 'psicologicamente esgotados' e que se transformam 'em autênticas vítimas nas mãos dos alunos'. A liberdade, afirma, 'exige uma componente de disciplina' que obriga a que os docentes não estejam desamparados e sem apoio, nomeadamente das famílias e da sociedade. '
A boa educação é cara, mas a má educação é muito mais cara', afirma, recomendando aos pais que transmitam aos seus filhos a importância da escola e a importância que é receber uma educação, 'uma oportunidade e um privilégio'.
'Em algum momento das suas vidas, as crianças vão confrontar-se com a disciplina', frisa Fernando Savater.
Em conversa com jornalistas, o filósofo explicou que é essencial perceber que as crianças não são hoje mais violentas ou mais indisciplinadas do que antes; o problema é que 'têm menos respeito pela autoridade dos mais velhos'.
'Deixaram de ver os adultos como fontes de experiência e de ensinamento para os passarem a ver como uma fonte de incómodo. Isso leva-os à rebeldia', afirmou.
Daí que, mais do que reformas dos códigos legislativos ou das normas em vigor, é essencial envolver toda a sociedade, admitindo Savater que 'mais vale dar uma palmada, no momento certo' do que permitir as situações que depois se criam.
Como alternativa à palmada, o filósofo recomenda a supressão de privilégios e o alargamento dos deveres.

quarta-feira, abril 08, 2009

Pais Condenados (Espanha) por agressividade do filho na escola

Condenada pela agressividade do seu filho

O título bem poderia ser 'Condenada pela agressividade do seu educando ou as razões porque, por cá, somos tão estranhos'.

Em Portugal uma aluna agride a professora. Pena máxima: transferência de escola. Ou seja: 'Passa a outro e não ao mesmo'!
Em Espanha, os pais são responsabilizados. Leia-se este artigo no
El País (que aqui publicamos).
Vale a pena ler e repassar, para ver se este artigo chega ao PR, ao PM, ao PGR ou a qualquer outro que tenha responsabilidades neste país onde os pais nunca são responsabilizados pela educação que dão aos filhos...

Uma colega, num e-mail que me enviou, dizia 'Se eu for atacada por um cão, que é um animal irracional, o dono é responsável pelos actos e pelos danos que o animal causar. Mas se eu for 'atacada' por um aluno, a culpa é minha porque não soube impor respeito.


Como é que os pais podem ser desresponsabilizados pelas atitudes dos filhos, pelos valores e exemplos que lhes deram, pela falta de cuidado e de preocupação com que os deixaram crescer em auto-gestão, sem lhes impor regras nem limites?
Já a minha avó dizia que 'de pequenino é que se torce o pepino'. Mas hoje os pais têm medo de educar os filhos; têm medo que eles fiquem traumatizados porque, ao obrigá-los a pôr o cinto na cadeirinha do carro, eles começam a chorar...

É lógico que aos 10 - 15 anos (quando não mais cedo) o 'pepino' já está demasiado torcido e 'Quem torto nasce, tarde ou nunca se endireita'.


Eis a notícia:

Condenada por la agresividad de su hijo


La Audiencia de Sevilla encuentra culpable a una madre por su 'laxitud y tolerancia' a la actitud violenta de su vástago
La Audiencia de Sevilla ha condenado a una mujer a pagar 14.000 euros de multa por una agresión de su hijo en el Instituto de Secundaria en el que estudia. El tribunal considera que la 'laxitud y tolerancia' de la mujer a la hora de educar al menor han motivado el comportamiento violento del adolescente.
La multa pagará el tratamiento para recomponer los dientes de otro menor, compañero de Instituto Castilla de Castilleja de la Cuesta, Sevilla. En el juicio, la mujer intentó desviar la responsabilidad hacia el centro educativo por no hacer 'labores suficientes de vigilancia' de los alumnos, pero la sentencia estima que los adolescentes no necesitan una vigilancia tan rígida, sino que 'la brutalidad e intensidad' de la agresión evidencian 'una falta de inculcación o asimilación de educación y moderación de costumbrse en el agresor para la convivencia en valores'.
La Audiencia confirma así el primer fallo judicial que hablaba de una 'incorrecta educación', que los jueces equiparan a aquellas situaciones en las que los progenitores 'permiten o no se preocupan de controlar que sus hijos no lleven al centro escolar objetos que puedan resultar en sí mismos peligrosos'.

Confira a notícia no El País.


Se tiver dificuldade em compreender o castelhano, leia o texto numa tradução rápida:
Condenada pela agressividade do seu filho

O Tribunal de Sevilha condenou uma mãe pelo 'laxismo e tolerância' que provocou a atitude violenta do seu educando.
O Tribunal de Sevilha condenou uma mulher ao pagamento de uma multa de 14.000 euros por causa de uma agressão do seu filho ocorrida no Instituto de Secundaria em que anda a estudar. O tribunal considerou que o 'laxismo e tolerância' da mulher na educação do menor é que motivaram o comportamento violento do adolescente.
A multa servirá para pagar o tratamento de reconstituição dos dentes do outro menor, colega no Instituto Castilla de Castilleja de la Cuesta, Sevilha. Durante o julgamento, a mulher tentou atribuir a responsabilidade ao centro educativo por não ter executado as 'tarefas suficientes de vigilância' sobre os alunos, mas a sentença ajuizou que os adolescentes não necessitam de uma vigilância tão rígida, antes que 'a brutalidade e intensidade' da agressão evidenciam 'uma falta de comunicação ou assimilação de educação e a moderação de costumes no agressor para uma convivência assente em valores'.
O Tribunal confirma assim a primeira decisão judicial que referia uma 'educação incorrecta ', que os juízos comparam com aquelas situações em que os progenitores 'permitem ou não se preocupam em controlar os seus filhos para que não levem para as escolas objectos que possam tornar-se, por si mesmos, perigosos'.

Publicada por ILÍDIO TRINDADE

Comentário:

Esta questão é delicada. Culpar as famílias pelo que se passa nas escolas é sempre uma questão susceptível de se incorrer em muitas injustiças. Foi por via do governo francês que essa "moda" pegou na Europa. O problema, aqui e em França, está no modo como a sociedade está organizada e todos os implicados se devem procurar entender para encontrar soluções para os problemas da violência nas escolas, das famílias desestruturadas, do desemprego e da precariedade, do autoritarismo que se prepara para reinar nas escolas.


Paula Montez