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sexta-feira, março 14, 2008

Cancelamento da Reunião de 15/Março em Leiria

Caros colegas,
O Movimento Cívico em Defesa da Escola Pública vai reunir internamente, analisar as consequências da manifestação e das respostas políticas, cívicas e sindicais dela decorrentes e definir estratégias de actuação.
Nesse sentido, e como haverá muito trabalho de análise a fazer, bem como de redefinição de propostas dentro de cada movimento, damos por cancelada a reunião que tinha sido proposta para Leiria, no sábado, dia 15.
Entretanto, desejamos um bom, efectivo e consequente trabalho a cada um de vós.
Abreijos solidários
Movimento Cívico
Em Defesa da Escola Pública
Fernando José Rodrigues
--
blogue
http://emdefesadaescolapublica.blogspot.com/

Movimento Cívico
Em defesa da Escola Pública

segunda-feira, março 10, 2008

Proposta para discussão

Luis Filipe Torgal questiona:

«Quando estará este Ministério da Educação disponível para reflectir
e debater com os professores as questões de fundo e disfunções da
escola pública (currículos, programas, práticas pedagógicas, a obscena
burocracia em que as escolas soçobraram, qualidade e caminhos do
ensino profissional, obviamente, processos de formação e avaliação de
professores, etc.)?»

Quando Maria Lisboa exclama:

«Portanto não me falem de reformas, não me falem de castigos para os
professores, não me falem da necessidade de intervenção de pais e
forças vivas, não me falem de passagens para as autarquias (que como
já vimos não cumpriram enquanto detentoras do domínio do pré-escolar
e do 1º ciclo e ainda menos das AEC), não me falem de avaliações como
medida de promoção do mérito, não me falem de cursos de formação (dos
vários tipos) e de novas oportunidades. Falem-me, sim, do objectivo
da escola, do que queremos que ela "produza". »


Paulo Guinote denuncia a campanha mediática anti-profs:

«Constato factos e explico-os à luz de um certo e determinado perfil
que deve ser indispensável para ter sucesso no mundo da direcção dos
jornais que, como sabemos, é um universo indispensável da democracia,
mas que ao que parece - com as devidas excepções - anda com os seus
problemas comerciais e uma pessoa interroga-se sobre o porquê de
pessoas de tanto sucesso não conseguirem demonstrá-lo na sua prática
profissional. »

Eu verifico que está bem esclarecida entre nós a essência da questão:

Augusto Santos Silva involuntariamente deu a deixa (pois disse, em tom
de desprezo, que nós não sabíamos distinguir «os democratas» -referia-
se a ele e aos seus acólitos- do Salazar).

Há um enorme défice democrático neste país!!!

O poder é sempre tendencialmente totalitário. Se há uma maioria
absoluta, ela tende a exercer o poder de modo absoluto.

A única alternativa, a meu ver, é nos auto-organizarmos ao nível de...

- escola (e/ou agrupamento):
com um núcleo local em defesa da escola pública englobando
docentes ,funcionários não-docentes, encarregados de educação e alunos

- local (ou concelhio): reunindo as escolas e indivíduos para
coordenarem as acções ao nível local, distrital (ou regional):
federando as várias instâncias locais.

- nacional: organizando encontros periódicos para dar visiblidade mas,
sobretudo, para enraizar o hábito de se debater com vista a obter
consensos que depois se devem traduzir em acções no terreno.

Antes de mais é um desafio pedagógico de cidadania.

Eis a minha proposta para discussão (pode ser considerada uma achega
para Leiria, dia 15)

Manuel Baptista

Encontro dos Movimentos em Lisboa a 8 de Março, no Ateneu

From: Em defesa da Escola Publica


> Caros colegas,
>
> Recebemos algumas respostas, relativas à reunião
> para afinarmos estratégias comuns. No entanto, e
> tendo em conta que os colegas são de longe e no dia
> seguinte estamos todos na manif em Lisboa, passamos
> a fazer uma nova proposta:
>
> ENCONTRO EM LISBOA no dia 8 de MARÇO para trocarmos
> ideias e podermos marcar então a data de uma reunião
> alargada.
>
> SE PENSÁSSEMOS NA REUNIÃO com TODOS OS COLEGAS,EM
> LEIRIA, no dia 15, poderia ser que desse para alguns
> virem na véspera (14) e prepararmos o(s)
> documento(s) a aprovar pela assembleia da Plataforma
> Nacional.
>
> Resumindo: reunião em Lisboa, neste sábado. Digam a
> que horas chegam e marca-se um local de encontro. De
> acordo?

> Abraço muito solidário
>
> Fernando José Rodrigues
>
> blogue
> http://emdefesadaescolapublica.blogspot.com/
>
> Movimento Cívico
> Em defesa da Escola Pública
> --
> Participa! Discute! Passa a palavra!

Assembleia Magna de todos os movimentos - Leiria

Caros colegas e cidadãos,

Aproximam-se momentos importantes na luta por uma escola pública e democrática.

Os diversos movimentos têm sido o eco importante do profundo mal-estar
que reina entre os docentes, conseguindo mobilizar, sem outros apoios nem
máquinas aparelhísticas, milhares de cidadãos.

A acção destes movimentos não colide com a dos sindicatos; pelo
contrário, se não fosse a acção decidida de grupos de cidadãos
empenhados e de milhares de docentes nas ruas, os sindicatos ainda
estariam amarrados a pequenas vigílias, sem conseguirem dar expressão
à voz de professores e de muitos outros cidadãos.

Neste contexto, seria importante que estes movimentos,
independentemente da sua forma de organização, se reunisssem numa
Plataforma Nacional e definissem formas de acção conjunta.

Assim, o Movimento Cívico Em Defesa da Escola Pública, convida
representantes dos diversos movimentos para uma reunião em Leiria,
sexta-feira, 7 de Março, pelas 20.30.

Nesta reunião ( 2 ou 3 elementos por Movimento) redigiríamos um
Manifesto Comum que seria apresentado, discutido e votado numa
Assembleia Magna de todos os Movimentos, a realizar no dia 15 de
Março, pelas 15 horas, no Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria.

Pensamos que Leiria é o lugar mais central e adequado para as
deslocações dos colegas.

Esperando a vossa resposta urgente,
Movimento Cívico
Em Defesa da escola Pública
Vitorino Guerra
Acácio Bárbara
Fernando José Rodrigues

domingo, março 09, 2008

Seremos capazes de encontrar uma forma comum?

Chegada da Marcha da Indignação, fui ao site da FENPROF à procura de informação sobre a grandiosa manifestação a que assisti. Sim, li bem - “cem mil, número confirmado às 17h25” - e prossegui lendo que este foi um “ protesto gigantesco dos educadores e professores portugueses, presentes nesta Marcha da Indignação, a maior manifestação de sempre do sector da Educação. Um oceano de revolta inundou o Terreiro do Paço: é tempo de respeitar os professores e de pôr fim a uma política que os desrespeita e desconsidera”. Fiquei curiosa de saber quais as propostas de luta a partir deste ponto. O que vão agora os professores fazer a seguir para continuar demonstrado o seu descontentamento? Era o que eu procurava saber. A resposta foi “Semana Nacional de Luto nas Escolas: de 10 a 14 de Março”. Luto? Mas luto porquê, por o movimento dos professores estar bem vivo, por se ter conseguido manifestar em conjunto, numa grande Marcha da Indignação, apesar das divergências? Mas será isso razão para os professores fazerem luto? Luto porquê se foram eles que saíram vencedores desta primeira batalha? 100 000 professores e educadores não é número que se menospreze assim. Por que insistem os sindicatos no luto dos professores? Que significado positivo poderá ter esse luto?

E eu, que sou mãe, encarregada de educação e cidadã consciente que se preocupa com a educação? Também devo estar de luto? Não vejo razões. Luto ponho eu quando a causa estiver perdida, quando a escola pública deixar de existir para todos, quando a educação for paga e a qualidade do ensino público preparar os meus filhos apenas para serem mão-de-obra barata, sem formação nem cultura, apenas aptos a aceitar sem questionar que o seu emprego se sujeite à flexigurança, desprovidos de capacidade de argumentação, sem perspectiva histórico-filosófica, sem sentido crítico, sem exigência nem preparação, simplesmente formatados para se adequarem ao sistema. Então aí terei razões para pôr luto pelo futuro comprometido dos meus filhos e pela minha incapacidade de intervenção no presente para não permitir esse futuro.

Ninguém a partir de hoje tem motivos para estar de luto porque a nata dos professores velhos e novos estava ali e havia muitos pais e muitos cidadãos e muita gente, muita gente com vontade de dizer: não estamos contentes, estas políticas não nos servem, não as queremos. Saberão os sindicatos interpretar esta vontade conjunta das massas? Poderá a melhor solução ser submeter os professores a uma semana de luto? E depois virão as férias da Páscoa e tudo ficará para trás? São estes os sindicatos que se propõem a negociar o que não podemos aceitar? Os movimentos dos professores vão contentar-se com esta resposta à sua mobilização?

Foi na procura de uma resposta a esta pergunta que a seguir participei numa reunião dos movimentos dos professores no Ateneu Comercial de Lisboa. Como mãe, encarregada de educação, presidente de uma associação de pais participante no Movimento Associativo dos Pais (MAP), membro da Comissão de Defesa da Escola Pública e cidadã interessada nas questões do ensino, tinha necessidade de saber qual a posição dos movimentos ali presentes em relação à participação obtida por esta Marcha e de que forma deveríamos agir a partir dela.

Parecia simples ter feito sair dali um comunicado em que todos nos congratularíamos pela grandiosidade da Marcha e nos proporíamos a prosseguir o nosso projecto de de defesa unida da escola pública num encontro agendado para o dia 15 de Março em Leiria. Parecia simples encontrar uma forma para exprimir um mesmo conteúdo: continuamos como antes empenhados em defender a escola pública, conservamos na retina a imagem da nossa força quando nos juntamos. Por que tudo parece tão simples quando se vê todas as pessoas caminhando lado a lado por uma mesma causa? Por que tudo se torna tudo tão complicado quando algumas pessoas se juntam para discutir que forma e que fundo dar a esse movimento?

O tempo urge, temos uma semana de reflexão para encontrar as motivações para que esta luta renove o seu sentido. Dentro de uma semana voltaremos a nos reunir, possivelmente em Leiria para determinarmos quais os pontos comuns, que princípios defendemos para a escola pública, que políticas queremos ver retiradas, que acções podemos desenvolver e ajudar outros a desenvolver. Apesar de todas as divergências que possamos ter, se realmente queremos agir em conjunto, e em conjunto com as massas que hoje saíram à rua para dizer BASTA!, valerá a pena orientarmos os nossos movimentos para em conjunto encontrarem uma linha de acção. Se não puder ser uma linha política, porque certamente existirão várias linhas políticas, ao menos que seja uma linha de acção orientada na defesa da escola pública e na defesa de um ensino de qualidade. Se assim for, lá estarei.

Paula Montez