quinta-feira, janeiro 29, 2009

Memória de lutas passadas

Visconde Juromenha – memórias de uma luta exemplar

70 dias de greve em defesa da gestão democrtática

Fotos: José Manuel Albuquerque (José MAN) *

Texto: Paulo Ambrósio **

Na Primavera de 1978, a Escola Preparatória Visconde Juromenha transformou-se literalmente num campo de batalha de importância nacional, em que se defrontaram defensores e inimigos da gestão democrática consagrada na Constituição da República de 1976. É preciso não esquecer que tinham decorrido pouco mais de dois curtos anos sobre o golpe militar de 25 de Novembro e uma vaga contra-revolucionária percorria então o país, procurando sob a capa da “normalização democrática” ajustar contas com o 25 de Abril, eliminando as suas conquistas mais avançadas. E, na Educação, a gestão democrática das escolas - através das comissões directivas eleitas por professores, funcionários, alunos e encarregados de educação - era sem dúvida a marca mais forte de Abril, logo um alvo a tentar abater.

A Escola Preparatória Visconde Juromenha, mal acabou de ser construída, iniciou as actividades do ano lectivo de 1975/76 com um jovem corpo docente de pouco mais de 70 professores, dos quais mais de 50 contratados (então dizia-se provisórios), que imprimiam ao funcionamento da escola uma marca muito própria.

Formada por pavilhões térreos pré-fabricados, ligados por corredores e escadarias, dispostos por uma vasta área e situada num local ermo, ao cimo da Tapada das Mercês. A toda a sua volta crescia um espesso mato de carrascal, com algumas pequenas azinheiras, eucaliptos e pinheiros. Os acessos que ligavam a escola às localidades mais próximas (Rinchoa, Algueirão e Mercês) resumiam-se a vários carreiros por entre o matagal e uma estrada de terra batida que levava à estrada do Pinhal do Escouto.

Mal servida de transportes (dois autocarros de manhã outros dois à noite) igualmente a segurança deixava muito a desejar: uma vedação de rede frágil e uma iluminação exterior quase inexistente. Assolada pelas frequentes as faltas de água, frequentes na década de setenta, especialmente nas zonas altas de todo o concelho. A deficiente instalação eléctrica da escola motivava cortes de luz quase diários, principalmente em dias frios, e aos últimos tempos. No Inverno, especialmente a horas de lusco-fusco e à noite, os assaltos e roubos começaram a ser quase diários, visando especialmente as alunas e os alunos mais indefesos no seu trajecto para casa, o que legitimamente preocupava os encarregados de educação.

Há três anos que o corpo docente da escola vinha exigindo às autoridades competentes melhores condições para a prática do ensino, no que toca a meios, acessos, iluminação e vigilância. O governo da época era de coligação PS-CDS e no MEC pontificava o tristemente célebre ministro da Educação Sottomayor Cardia, que nunca respondeu positivamente às reivindicações da escola, pelo que o braço-de-ferro entre as duas entidades prosseguia.

Aos assaltos e cenas de violência no Inverno, começaram a somar-se no Verão os incêndios de origem criminosa, ateados em redor da escola, principalmente na Tapada das Mercês.

A situação agrava-se com o início de uma onda de assaltos à própria escola. A vedação aparece cortada e as portas arrombadas. São visadas inicialmente salas de aula, especialmente de Educação Visual e Trabalhos Oficinais, com o roubo de materiais, ferramentas e máquinas. Sucedem-se as participações da escola às autoridades competentes civis e policiais, sem resultados práticos. O clima é de impotência perante o desenrolar dos acontecimentos.

Há indícios de que os autores destes assaltos são alunos mais velhos ligados a certa marginalidade social radicada em bairros de retornados das ex-colónias, quer militares, quer civis, e que agem encorajados e organizados por quadros políticos de extrema-direita. Contudo, das investigações oficiais, nada disto fica provado.

No ano lectivo de 1977/78 atinge-se o auge deste crescendo. Em Abril de 78, o aumento do clima de instabilidade provoca a demissão do Conselho Directivo, que alega falta de condições e tensões com os funcionários. Reunidos em plenário, os professores decidem paralisar no dia 21 e informar os encarregados de educação da gravidade da situação. O Sindicato dos Professores da Grande Lisboa, chamado a apoiar a luta, envia para o local os jovens e combativos quadros Óscar Soares e Augusto Pascoal, hoje discretos militantes socialistas, mas à época engajados na extrema-esquerda parlamentar.

Na madrugada de 23 para 24 de Abril dá-se o último grande assalto à escola e nem a sala de professores e os serviços administrativos escapam. Entre outros actos de vandalismo é arrombado o cofre da escola e desfeitos ou parcialmente queimados alguns livros de ponto. Os materiais para as planeadas comemorações do 25 de Abril na escola são destruídos. Nenhuma importância ou objecto de valor é furtado, mas o ano escolar fica em risco.

Esta é a oportunidade que o MEC aguardava para abafar o clima reivindicativo da escola e impor-lhe um “representante” à sua medida. No próprio dia 24, os responsáveis do MEC, alegando a concordância do CD demissionário, ordenam o encerramento da Visconde Juromenha, para “reorganização”. Logo que a decisão é conhecida gera-se grande tumulto. A GNR é requisitada e acaba por montar cerco à escola, dia e noite.

Ao portão da escola ocorrem os primeiros confrontos provocados por civis e militares de direita, com a cobertura da GNR. São agredidos um dirigente sindical, um jornalista de “A Capital” e o professor José MAN, que é intimado por um dos GNR’s a entregar a sua máquina fotográfica com que registava os acontecimentos. Nega-se a fazê-lo e é socado no rosto pelo guarda, que lhe parte os óculos e lhe subtrai a máquina. Depois de a transportarem para o jipe e tentarem sem êxito abri-la para retirar o rolo fotográfico, os guardas acabam por devolvê-la, mas com o manípulo partido. Outro momento de tensão gera-se quando um jipe da GNR, alegadamente, é apedrejado e em resposta um dos guardas puxa da pistola de serviço e aponta-a na direcção de um aluno de cerca de 12 anos de idade que se esgueirava pelo mato. O SPGL acaba por apresentar queixa-crime contra dois oficiais da Força Aérea, o tenente-coronel Ferreira Morais e o tenente Jorge Silva, a quem responsabiliza pelas agressões verificadas.

Nos dias seguintes, Cardia publica um ofício aceitando a demissão do CD e nomeando um gestor, um professor de fora, com um “currículo” impressionante: director da Escola Preparatória D. Carlos I - Sintra até ao dia 25 de Abril de 1974, foi então saneado por comprovada colaboração com a PIDE/DGS, agressões bárbaras a alunos, entradas abusivas nas instalações sanitárias das alunas da escola e outros comportamentos indecorosos, pelos quais foi afastado do ensino. E é este personagem, Manuel Barrinho – de meia-idade, cabelo à escovinha, bigode minúsculo, fato aos quadrados e gravata, calças por dentro das botas altas de cabedal, porta-chaves com a efígie de Salazar e cavalo-marinho sempre ao alcance da mão – que, pela mão de Cardia, agora diariamente começa a passar pelo portão da escola, escoltado pela GNR, com a aparente missão de “restabelecer a normalidade”.

Ao tomarem conhecimento deste ofício, os professores da Visconde Juromenha reúnem-se em plenário onde unanimemente repudiam esta nomeação ilegal. Igualmente, a Pró-Associação de Estudantes convoca uma reunião geral de alunos no ginásio, em que o que ressalta é o impressionante espírito de solidariedade para com os professores e funcionários. Ali, e em apoio das reivindicações dos professores, os alunos declaram-se em “greve por tempo ilimitado”.

Manuel Barrinho passa ao contra-ataque: convoca novo plenário e impede que nele participem pais e funcionários. Por requisição formal do novo gestor, na manhã do dia 29 de Abril, uma força de 30 elementos da GNR cerca a escola, impedindo os professores de entrar. O mesmo acontece aos funcionários, que durante duas horas, são obrigados a permanecer à chuva intensa, antes de lhes ser permitida a entrada. Este dispositivo manter-se-á dias a fio, até à sua rendição pelos homens da polícia de intervenção.

Entretanto, Barrinho procura afincadamente identificar os promotores e participantes no plenário anterior, que passam a ser constantemente alvo de chantagem ou ameaças e acusados de “não quererem dar aulas”. Daí ao levantamento de processos disciplinares é um curto passo. Desta forma, todos os 70 professores da escola (excepção aos membros do CD demitido) são rapidamente suspensos sem vencimento. Os mais de cinquenta professores provisórios começam a ser chamados individualmente às instalações do MEC na rua Júlio de Andrade, em Lisboa, para serem ouvidos em fase de inquérito. Objectivo das audições: tentar averiguar as motivações, a disposição para continuar a luta e, obviamente, através de ameaças várias, tentar criar divisões no seio do corpo docente. A reacção da escola, apoiada pelo SPGL, não se fez esperar: depois de uma nocturna operação relâmpago de colagens, o edifício ministerial amanheceu com as paredes completamente revestidas de cartazes alusivos à luta da Visconde Juromenha. Entrementes, para assegurar a substituição dos docentes provisórios suspensos, o MEC fez publicar um vulgar anúncio de emprego nas páginas do “Diário Popular”. Os professores-substitutos, assim contratados, apresentam-se na escola, sendo de imediato ostracizados pelo legítimo corpo docente, alunos e funcionários.

Os encarregados de educação, na sua maioria, solidarizam-se com a luta. O grupo de pais que se opõe à luta, agitando o risco dos seus filhos poderem perder o ano, acaba por ficar isolado. A comunidade escolar, a uma só voz, exige do MEC condições para leccionar e a imediata e incondicional reintegração de todos professores saneados. É decidido que a escola permaneça em greve por tempo ilimitado até à realização destes objectivos. O mal-estar é generalizado mas ninguém recua. O dispositivo da GNR é então rendido pela Polícia de Intervenção, com dezenas de agentes de capacete, escudo, pistola e bastão posicionados ao longo do perímetro de toda a vedação da escola. Nela, contudo, junto ao portão principal, continuam teimosamente afixadas as três faixas com os seguintes dizeres: “A TUA ADERÊNCIA É FUNDAMENTAL PARA A VITÓRIA!”, “NÃO AO DIRECTOR IMPOSTO! PELA GESTÃO DEMOCRÁTICA” e “ADERE Á GREVE PELO REGRESSO DOS PROFS. SUSPENSOS”.

O sindicato acciona o fundo de greve, suportando integralmente o vencimento dos professores suspensos, até ao fim do processo de luta. Os professores sindicalizados quotizam-se entre eles e retiram uma percentagem que entregam aos colegas não sindicalizados.

As moções de solidariedade recebidas das mais variadas proveniências sucedem-se em catadupa. Pelo meio há mais reuniões gerais de escola, uma das quais, realizada na terceira semana de Maio, abarrotou a Delegação de Sindicatos de Mem Martins.

Nela é decidida a afixação de faixas frente ao MEC e é constituída uma delegação com dois pais, dois alunos, e dois professores para ser recebida pela Presidência da República. Dando cumprimento a outra decisão lá aprovada, no dia 22 de Maio os professores suspensos, funcionários, alunos e pais realizam uma participada e combativa manifestação pelas ruas da localidade que termina frente à sede da Junta de Freguesia.

A greve só termina em Junho, durando 70 dias, e após o MEC ceder em toda a linha: todo o corpo docente é reintegrado, o sinistro Barrinho deixa a escola, o aparato policial é removido e é empossada uma Comissão Directiva Provisória composta por professores da escola. Quanto às condições de segurança, exigidas, só aos poucos começam a ser satisfeitas pelas autoridades responsáveis.

Em Julho de 1978 a escola respira a normalidade possível e os alunos finalistas realizam a 1ª chamada dos exames do 9º ano de escolaridade. Dias depois o impopular II governo constitucional acaba por cair, arrastando consigo o ministro Sottomayor Cardia. Em meados de Agosto o independente Nobre da Costa é indigitado pelo PR para constituir o novo Governo.

Desenhado pelo professor MAN – que à altura era o gráfico do sindicato - o autocolante que no decorrer da luta foi orgulhosamente ostentado por todos, acabava por fazer jus à simbologia do seu lettering: o “V” de “Visconde” e, simultaneamente, de “Vitória!”.

(*) José MAN estreou-se na docência em 1976, como professor provisório, na Escola Visconde Juromenha.

(**) Paulo Ambrósio foi aluno do prof José MAN na Escola Preparatória Visconde Juromenha em 1977/78. Membro da Comissão de Homenagem de ex-alunos a José MAN, através da recriação de uma aula (leccionada pelo próprio) na mesma sala da antiga escola, a 19 de Junho de 2004.

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Quem é o professor José MAN

José MAN - aliás, José Manuel de Campos Albuquerque - nasceu em Lisboa, a 1 de Março de 1941.

É professor de arte visuais do ensino secundário desde 1976. Dirigiu cursos de serigrafia no IADE (73) e no Centro de Formação de Professores de Cascais (99/02). Realizou o arranjo plástico do Ginásio Clube Português (73), um conjunto de 22 quadros sobre os atletas portugueses nos Jogos Olímpicos (88 e 02) e um mural cerâmico de 160 m2 na Escola Sec. S. João do Estoril (98). Organizou, entre muitas outras, a exposição 56 Artistas da António Arroio (86). Fundou o grupo de poesia Palavras Vivas (98), que dirige e no qual actua. Foi dirigente da VIRAGEM - Associação de Artes Plásticas de Cascais (83/92) e da Federação Portuguesa de Halterofilia (71/77).

Iniciou actividade jornalística (72), colaborando em diversos jornais e revistas, sempre na área desportiva, tendo-a exercido profissionalmente no República (75). Editou e dirigiu as revistas Halter e Gente Miúda (80/84). É autor do livro Companheiros da Minha Estrada. Entendendo o desporto como acto de cultura, praticou halterofilia (67/74) e pratica a corrida desde 1984.

Está referenciado em diversos livros de arte e no Grande Livro dos Portugueses (Círculo de Leitores, 91). Tem obras no Museu de Södertälge - Suécia, Museu Nacional de Angola, Museu Nacional do Desporto, Museu Armindo Teixeira Lopes - Mirandela, Museu de Setúbal, Fundação Calouste Gulbenkian, Museu Malhoa - Caldas da Rainha, Museu Amadeu de Souza-Cardoso - Amarante, Centro de Arte Contemporânea - Amadora e Museu da Cidade - Lisboa, além de outros organismos, museus municipais e colecções particulares. Foram-lhe atribuídos diversos prémios, entre os quais o Prémio Manuel Filipe da Viragem (89) e Prémio Salão Convívio de Sociedade Nacional de Belas-Artes (97).

EXPOSIÇÕES

Desde 1959 realizou 42 exposições individuais e participou em mais de duas

centenas de exposições colectivas, das quais se destacam:

No país

1959- IV Salão da Primavera da Junta de Turismo da Costa do Sol - Estoril.

1967- III Exposição dos Universitários, na Sociedade Nacional de Belas-Artes.

1970- I Salão Mobil de Arte, na Sociedade Nacional de Belas-Artes.

1972- I Bienal Nacional dos Artistas Novos - Vila Nova de Famalicão.

1973- VII Salão de Arte Moderna da Cidade de Luanda.

1974- Salão de Março, na S.N. Belas-Artes; II Exposição AICA, na S.N.B.A.

1975- Abstração Hoje, na Sociedade Nacional de Belas-Artes.

1976- Pena de Morte, Tortura e Prisão Política, na SNBA; Gravura Portuguesa

Contemporânea, na Secretaria Estado da Cultura e Fundação C. Gulbenkian.

1977- As Mitologias Locais, na S.N.B.A e C. Arte Contemporânea - Porto.

1980 - Homenagem a Alves Redol e Desenho e Gravura, na S.N. Belas-Artes.

1981- III Bienal do Avante; Arte Abstracta Portuguesa, na S.N. Belas-Artes.

1984- Exposição Nacional de Pequeno Formato da Árvore - Porto.

1986-III Bienal de Artes Plásticas - Lagos. 56 Artistas do António Arroio.

1988- I Bienal de Gravura da Amadora; II Bienal dos Açores e Atlântico.

1989- VI Bienal de Artes Plásticas do Avante.

1991- Exposição e Apoio à Viragem, no Casino Estoril.

1995- IX Bienal de Artes Plásticas do Avante.

1997- IX Bienal de Vila Nova de Cerveira; II Bienal da Utopia - Cascais;

Prémio de Pintura Júlio Resende; I Prémio Amadeu de Souza-Cardoso.

1999- II Prémio Amadeu de Souza-Cardoso - Amarante; Encontros de Verão

na Quinta das Cruzadas - Alcabideche.

2001- III Prémio Amadeu de Souza-Cardoso - Amarante; Fronteiras do Além, Galeria Domus Varius.

2002- 100 Anos - 100 Artistas, S.N. de Belas-Artes.

2003- III Bienal de Artes Plásticas do Avante; IV Prémio Amadeu de Souza-Cardoso, Amarante; Transcendências, Galeria Associação 25 de Abril..

No estrangeiro

1969- Il Bienal Intemacional del Desporte en las Belas Artes - Madrid.

1970- 41 st Seattle Print Internacional Exhibition - Washington; IX Prémio

lnternacional Dibujo Joan Miró - Barcelona.

1971- Gravura Portuguesa Contemporânea - S. Salvador da Baía.

1972- IV Biennale International de la Gravura - Museu Nacional de Cracóvia;

Third British International Print Biennalle - Bradford; 2nd International

Biennalle Exhibition of Print - Seul; II Exposição Internacional de Gravura -

Museu de Arte Moderna de S. Paulo.

1973- XII Prémio Dibujo J. Miró - Munique; I Bienal de Gráfica - Segóvia.

1974- II Prémio Internacional di Gráfica - Pomero; Bienal Ibizagrafic 74 -

Museu de Arte Contemporânea de Ibiza.

1975- Gravura Moderna Portuguesa - Teatro Nacional de Bucareste.

1976- Arte Moderna Portuguesa na Galeria NIKI - Tóquio; Pintura

Contemporânea Portuguesa - Södertälge, Estocolmo e Caracas; Jovem

Pintura Portuguesa - Centro Cultural da Fundação C. Gulbenkian em Paris.

1977 - Gravura Moderna Portuguesa - Belgrado, Atenas e Madrid.

1978- Gravura Portuguesa Contemporânea - Rio de Janeiro, S. Paulo e

Brasília; Gravura Moderna Portuguesa - Florença.

1984- I Exposição Ibérica de Arte Moderna - Cáceres.

1986- I Bienal Internacional Esportistes en el Arte - Barcelona e Zaragoza;

Operação Ensino Árvore - Bordéus.

1988- Prémio di Gráfica - Pomero; Arte Portuguesa Contemporânea - Vilnius.

1989 - IX Bienal Internacional de Artes Plásticas - Valparaíso.

1999- Pintura Moderna Portuguesa - Bruxelas.

A VIA DA GREVE POR TEMPO INDETERMINADO

Os professores em greve há um mês no Chile conseguiram que o governo desistisse do ridículo modelo de avaliação semelhante ao nosso. Já é oficial! Este modelo absurdo já só existe em portugal (sim, este país com letra pequena).

Penso que está na hora de ponderarmos na necessidade de fazer greve por tempo indeterminado e perdermos o amor a um mesito de ordenado (não acredito que aqui seja necessário mais de uma semana ou duas, com os pais passados com os filhos em casa... e as eleições à porta... o governo tem de ceder!)

Já vários colegas me disseram que não podem passar sem o vencimento de um único mês, mas será que ponderam os milhares de contos que estamos e vamos perder? para além dos cortes nas reformas? Não podem perder um mês de ordenado? e se perderem o emprego? morrem no mês seguinte? Não! Está na altura de fazer um pequeno sacrifício perante o que se avizinha! E um mês de ordenado é um pequeno sacrifício perante o que estamos na eminência de perder!

Ponham os olhos no exemplo Chileno! Vamos ser a única classe profissional, no único país do mundo a viver este horror de avaliação, divisão artificial e castração na carreira?

Abram os olhos! a greve por tempo indeterminado é cada vez mais a única saída para a queda completa deste modelo de avaliação.

Temos de espalhar esta ideia rapidamente, sobretudo agora que os sindicatos vão dar a luta por estagnada de novo e o modelo saiu em Diário da República obrigando a que as escolas façam a avaliação sob hipótese de despedimento dos avaliadores que se neguem a avaliar e processos disciplinares aos elementos do CE que não apliquem o modelo. E nem vale a pena que os colegas peçam para não ser avaliados, pois isso implica que não progridem garantidamente e isso é
só o que interessa ao governo, pois querem lá saber da avaliação...

Colegas: ainda não avançamos nem ganhamos nada! Temos de endurecer a luta. Passem a palavra para alertar os colegas. Se nada fizermos agora, dentro de 10 dias, como ratos, teremos entregue os objectivos individuais e estaremos a pedir para sermos avaliados um a um! com algumas heróicas excepções que serão prejudicados caso a caso facilmente pelo governo.

Não podemos ceder agora!

(RECEBIDO POR MAIL)

Avaliar professores ou mera empreitada administrativa?

(recebido por mail):

Este é um artigo do Prof. João Ruivo que foi Vice-Presidente do

Instituto Politécnico de Castelo Branco...onde o outro "senhor" foi
Presidente do mesmo Instituto e ocupa agora o cargo de Secretário de
Estado da Educação.

É uma das análises mais completas e lúcidas que li sobre o tema.

Avaliar professores é fácil?

Editorial



Não! A avaliação de professores não é uma tarefa simples. Que o digam
os supervisores que, durante décadas, promoveram a formação inicial e
permanente dos nossos docentes. Para avaliar professores requerem-se
características pessoais e profissionais especiais, para além de uma
formação especializada e de centenas de horas de treino, dedicadas à
observação de classes e ao registo e interpretação dos incidentes
críticos aí prognosticados.
Cuidado com as ratoeiras! Quem foi preparado para avaliar alunos não
está, apenas pelo exercício dessa função, automaticamente preparado
para avaliar os seus colegas...
A avaliação de professores é uma tarefa complexa. Desde logo, requer
um perfil específico do avaliador. Ou seja, nem todos os professores
reúnem as condições para avaliarem. O avaliador terá que ser uma
pessoa com conhecimentos especializados, com enorme sensibilidade, com
capacidade analítica e de comunicação empática, com experiência de
ensino e elevada responsabilidade social. Terá que ser um profissional
que sabe prestar atenção, sabe escutar, sabe clarificar, sabe
encorajar e ajudar a encontrar soluções, sabe dar opiniões, e que sabe
ainda negociar, orientar, estabelecer critérios e assumir todo o risco
das consequências da sua acção.
É necessário que domine com rigor as técnicas de registo e de
observação de aulas, conheça as metodologias de treino de
competências, os procedimentos de planeamento curricular, e as
estratégias de promoção da reflexão crítica sobre o trabalho
efectuado.
Escolher um avaliador obriga a uma selecção aturada, fundamentada,
baseada em critérios de indiscutível mérito e, depois, a uma demorada
formação específica e especializada. Para que uma avaliação tenha
consequências, o avaliado não pode ter quaisquer dúvidas sobre o
mérito do avaliador.
Avaliar é uma tarefa periscópica. O avaliador é chamado a
pronunciar-se sobre inúmeros domínios sobre os quais se reflecte o
pluridimensional acto de ensinar. Quando avalia, olha o professor
sobre variadíssimos ângulos e prismas: aprecia o professor enquanto
pessoa, como membro de uma comunidade profissional, como técnico
qualificado na arte de ensinar e como especialista das matérias que
ensina.
Por outras palavras o avaliador avalia o professor em vertentes tão
diferenciadas quanto o são o seu ser, o seu saber e o seu saber fazer.
Logo, o avaliador tem que estar atento a um grande número de variáveis
que intervêm na função docente: variáveis de produto, de processo, de
presságio, de carácter pessoal e profissional...
O avaliador recolhe elementos que permitam avaliar, e depois
classificar, o professor enquanto tenta responder às seguintes
questões: Onde ensina? O que é que ele ensina? Como é que ensina? O
que aprendem os seus alunos? Como se auto avalia? Que capacidade tem
para reformular a sua actuação? Com que profundidade domina as
matérias que pretende ensinar?
O avaliador não trabalha com o professor apenas na sala de aula. Ele
tem que apreender o modo como o professor se envolve com os seus
alunos numa situação de classe, mas também como este se implica junto
da comunidade escolar e na sociedade que envolve a escola. Porque
trabalha com ele como profissional, mas também enquanto pessoa.
Formar um avaliador leva tempo, elevadas doses de paciência, muito
treino e conhecimento especializado. A escolha de um avaliador não
pode ser casual e, sobretudo, não pode depender de critérios político
administrativos.
Porquê? Porque o avaliador tem que saber verificar não só o que os
professores fazem, mas também como o fazem e, simultaneamente,
garantir a melhoria da qualidade da sua intervenção na sala de aula,
bem como a qualidade do produto, isto é, da aprendizagem dos alunos.
Por isso mesmo a avaliação de um professor não pode ser uma actividade
episódica, pontual e descontinuada. A avaliação de um professor requer
uma actividade continuada, porque importam mais as actividades de
reformulação que venham a ser consideradas do que o simples
diagnóstico da sua actual situação. A avaliação de um professor é
então uma actividade projectada no futuro.
Avaliar um professor é, pois, dizíamos, uma tarefa muito, mesmo muito
complexa. Simples, muito simples mesmo, é avaliar um ministro que
pensa ser possível reduzir a avaliação dum professor a uma mera
empreitada administrativa, compilada em duas páginas de panegíricos ou
de recriminações.

João Ruivo
ruivo@rvj.pt
http://www.ensino.eu/home.html

terça-feira, janeiro 27, 2009

Reunião escolas Oeiras/Cascais - 28/Jan, 17:30h

Reunião de Coordenação de escolas dos Concelhos de Oeiras e Cascais

4ª feira, 28 de Janeiro de 2009, às 17 horas e 30 minutos

na EB2,3 de São Julião da Barra (Av. D. João I, em Oeiras – junto ao Tribunal)

Alguns factos:

1) A 19 de Janeiro, os docentes voltaram a mostrar a sua determinação em não aceitar o ECD, a Avaliação do Desempenho Docente (ADD) e o novo modelo de gestão das escolas, realizando uma nova greve massiva ao apelo de todos os sindicatos de professores.

2) A 23 de Janeiro, na Assembleia da República um Projecto de Lei para suspender a ADD do ME foi derrotado, no quadro de uma situação em que o Grupo Parlamentar do PS estava a sofrer tão grande abalo que, a sua Direcção e membros do Governo, expressaram publicamente que estava iminente uma crise política com a demissão da Direcção do Grupo Parlamentar, caso a sua ADD fosse suspensa na Assembleia; tal acto, seria interpretado como uma moção de censura ao Governo; poderemos imaginar, assim, a pressão a que estão sujeitos estes deputados, cujo mandato deve ser o respeito pela vontade da maioria do povo; mesmo assim, cinco deputados do PS votaram a favor dos professores.

3) Nesta mesma semana, o Governo Regional dos Açores decidiu suspender este modelo de ADD no arquipélago.

4) No sábado, dia 24, cerca de 3 mil professores de todo o país decidiram vir, pelo seu próprio pé, a uma concentração diante da Presidência da República, para afirmarem a sua indignação – em conjunto com os “movimentos de professores” que organizaram esta iniciativa – exprimindo que não podem aceitar que, perante um ataque tão grande aos docentes e à Escola Pública, e face à sua resposta irrepreensível, numa unidade fortíssima com todas as suas organizações, o Presidente da República não tenha uma palavra de apreço e de reconhecimento para o conjunto dos professores e educadores portugueses.

5) Entretanto, o processo de ADD continua suspenso em centenas e centenas de escolas;

6) Em várias zonas do país, estão a constituir-se Comissões Inter-Escolas, para quebrar o isolamento e tentar coordenar as acções dos docentes nas respectivas regiões.

7) Centenas de Conselhos Executivos de escolas de todo o país procuram agrupar-se e coordenar-se para responderem à situação.

8) A Plataforma Sindical decidiu convocar uma “Marcha pela Educação”, na qual devem participar – para além dos docentes – todos os outros elementos ligados à comunidade educativa.

Cara(o) colega,

Nesta situação, o que é necessário fazer?

O que é que nós podemos fazer para a resolução dos problemas do conjunto dos docentes?

É neste quadro que convocamos a primeira Reunião da Coordenação que se formou com todos os colegas presentes no Encontro do passado dia 9 de Janeiro, no Auditório da Biblioteca Municipal de Oeiras.

Aproveitamos, desde já, para reconhecer a atitude solidária da Presidente do CE da EB2,3 de São Julião da Barra, ao colocar à disposição dos docentes desta região o espaço da sua escola.

Obviamente, que esta reunião é aberta a todos os colegas que nela desejarem participar, independentemente de terem estado ou não no Encontro de 9 de Janeiro.

CONVOCAM A REUNIÃO: Helena Gomes (Sec. Linda-a-Velha) / Manuela Leitão (JI “O Palhaço”) / Carmelinda Pereira (Apos.) / Manuel Baptista (Sec. Quinta do Marquês) / Joaquim Pagarete (Apos.) / Mª Rosário Rego (EB1 Visconde de Leceia) / Mª Paula Montez (Enc. de Educação)

MEP - «Escola: o que temos, o que queremos» - 31/Jan, Esc. Sec. Camões

(carregue na imagem para aumentar)

Escola: o que temos, o que queremos

Há mais escola para lá da avaliação de professores e do Estatuto da Carreira Docente. Que escola procuramos e defendemos?
A escola inclusiva é uma miragem?
O sucesso para todos é facilitismo?
A escola é prazer, esforço ou disciplina?
Professores: profissionais livres e responsáveis ou funcionários obedientes?
Alunos: aprender como e o quê?

É urgente.....Agir sobre o que conta!


31 de Janeiro, Auditório da Escola Secundária Camões, Lisboa (Metro Picoas)


15h: Debate - Escola: o que temos, o que queremos

Com:

Luíza Cortesão (docente na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Univ. do Porto, Presidente do Insitituto Paulo Freire – Portugal)
Manuel Sarmento (docente na Universidade do Minho)

Painel de comentadores:


Isabel Salavessa (Associações de Pais e Encarregados de Educação das Escolas Inês de Castro e Avelar Brotero, de Coimbra)
Joaquim Raminhos (Director do Centro de Formação de Professores de Escolas do Barreiro e Moita)
Rosário Matos (Presidente do Conselho Executivo do Agrupamento de Escolas Francisco Arruda, de Lisboa)

17h30: Sessão com representantes de movimentos e sindicatos de professores para debater futuras acções de luta



Iniciativa promovida pelo Movimento Escola Pública Igualdade e Democracia

segunda-feira, janeiro 26, 2009

Intervenção de Carmelinda Pereira (CDEP)


Concentração frente à Presidência da República
24/01/2009

Intervenção de Carmelinda Pereira, na concentração de 24 de Janeiro

A difícil e complexa situação em que se encontram a sociedade portuguesa e o resto do mundo não podem deixar de se reflectir e “cair dentro da Escola”, aumentando as dificuldades crescentes tanto ao nível do processo educativo como do processo de aprendizagem.

Neste contexto, os professores e educadores deveriam estar completamente centrados no seu trabalho de ensinar e de formar, através da construção das necessárias equipas pedagógicas e da potencialização de todos os recursos humanos e materiais para reconstruir uma Escola Pública capaz de responder a todos as crianças e jovens do nosso país.

Para isso, deveríamos ter um Governo que apostasse numa dinâmica de construção e de organização de uma Escola, na qual os alunos sejam o seu centro e os professores a sua pedra angular.

Mas, em vez dessa dinâmica, temos um Governo e uma equipa do Ministério da Educação que – desde a sua entrada em exercício – não têm parado de fustigar os docentes, de nos rebaixar e caluniar, perante toda a sociedade portuguesa, como sendo os bodes expiatórios de tudo o que de negativo existe nas escolas, sem jamais ter equacionado todas as variáveis que estão em jogo, entre as quais ocupam a primeira linha as sucessivas contra-reformas impostas à Escola Pública pelos anteriores governos.

O actual processo da Avaliação do Desempenho Docente (ADD) – materializando na prática a nossa divisão entre “professores de primeira” e “professores de segunda”, e instituindo as condições para que, em cada escola, fosse instalado o clima de suspeição e de individualismo, quando não o medo, a subserviência e a prepotência – constitui o nó górdio de toda uma ofensiva que nós, professores e educadores, jamais poderemos aceitar.

A força da nossa razão e a legitimidade da nossa luta levaram a que conseguíssemos realizar a unidade, com os nossos sindicatos e movimentos, impondo-se a toda a sociedade portuguesa.

Essa unidade começou mesmo a abalar a estrutura parlamentar que suporta o Governo que nos está a atacar.

E foi também a força da nossa unidade que “convenceu” o Governo Regional dos Açores a suspender o modelo da Avaliação do Desempenho Docente no arquipélago.

Foi ainda o medo de que este abalo se traduzisse num resultado positivo para os docentes, relativamente ao Projecto de Lei apresentado ontem pelo CDS na Assembleia da República, que obrigou o Governo e a Direcção do Grupo Parlamentar do PS a terem que lançar mão da “bomba atómica”: “Se o modelo de ADD de Maria de Lurdes Rodrigues for derrotado, poremos o nosso lugar à disposição, pois encaramos isso como uma moção de censura ao Governo.” E acrescentavam: “Tiraremos disso todas as consequências.”

E nós, professores e educadores, que consequências tiramos da actuação de um Governo que afirma fazer depender a sua existência da derrota de um Projecto de Lei cujo conteúdo seria a suspensão do seu modelo da Avaliação do Desempenho Docente?

O Governo sabe que, se a sua ADD fosse derrotada, tudo ficaria posto em causa: o seu ECD, o novo modelo de gestão das escolas, a precarização das relações de trabalho – decorrente da nova Lei dos Concursos para a colocação nas escolas –, a municipalização do Ensino. Ficariam em causa todas as suas contra-reformas, que constituem a transposição para as escolas das contra-reformas que pretendem fazer aplicar a todos os serviços públicos, a começar pelo SIADAP (Sistema Integrado de Avaliação do Desempenho da Administração Pública), a perda do vínculo à Função Pública e os correspondentes “contratos individuais de trabalho”.

Tal como ficariam os seus ataques aos trabalhadores do sector privado, concentrados no novo Código Laboral, que destrói a contratação colectiva.

É por isso que faz todo o sentido a Moção aprovada pelos nossos colegas de Beja, para que a Marcha em Defesa da Educação seja assumida não só pelas organizações sindicais dos professores, mas também pelas duas Centrais sindicais (a CGTP e a UGT), por todo o movimento sindical.

A Comissão de Defesa da Escola Pública (CDEP) – que não se quer substituir, nem quer concorrer com as organizações que dirigem a luta dos docentes e dos outros trabalhadores – agirá, com os meios democráticos que estiverem ao seu alcance, no sentido de ajudar à realização deste movimento de unidade.

sábado, janeiro 24, 2009

Em Defesa da Escola Pública...

CONCENTRAÇÃO

MANIFESTAÇÃO DE 24 DE JANEIRO EM FRENTE AO PALÁCIO DE BELÉM





Lisboa, 19 de Janeiro de 2009

Exmo. Senhor

Presidente da República

A APEDE (Associação de Professores e Educadores em Defesa do Ensino), o MUP (Movimento de Mobilização e Unidade dos Professores), o MEP (Movimento Escola Pública), o PROmova (Movimento de Valorização dos Professores) e a CDEP (Comissão em Defesa da Escola Pública), em articulação com a Comissão Provisória de Coordenação das Escolas em Luta, promotores da Concentração/Manifestação de professores que vai ter lugar no próximo dia 24 de Janeiro em frente do Palácio de Belém, vêm, por este meio, solicitar uma audiência junto de V. Exa., a fim de poderem comunicar ao órgão máximo de soberania do Estado português o sentimento de indignação que hoje é comum a uma larga maioria dos professores deste país face à degradação do seu estatuto profissional e ao esvaziamento do sentido da escola pública.

Ao longo do ano de 2008, os professores organizaram-se de forma muitas vezes autónoma nas suas escolas para exprimir o profundo descontentamento perante o modo como o actual Governo e o Ministério da Educação definiram, numa postura autocrática e de costas voltadas para a classe docente, reformas que em nada têm beneficiado a escola pública, traduzindo-se no contínuo desprezo pela relevância social da profissão de professor, na deterioração das condições de trabalho dentro dos estabelecimentos de ensino e na pressão para que as escolas produzam um falso sucesso escolar, meramente estatístico e sem correspondência ao nível dos conhecimentos realmente apresentados pelos alunos. Os professores sentem, justamente, que é todo o futuro da educação em Portugal que está hoje comprometido pelas políticas do actual Governo.

Cumpre dizer que alguns dos movimentos acima referidos foram já recebidos na Assembleia da República por quase todos os grupos parlamentares e ouvidos pela Comissão Parlamentar de Educação e Ciência. Julgamos que é agora o momento de expor igualmente a V. Exa. os motivos que têm mobilizado os professores para sucessivas greves e manifestações de descontentamento, na convicção de que V. Exa. partilha a preocupação com que muitos portugueses acompanham o clima de tensão que se vive actualmente nas escolas portuguesas.


sexta-feira, janeiro 23, 2009

Mensagem da CDEP aos deputados e grupos parlamentares da AR

Exmo(a)s. senhore(a)s deputado(a)s e Grupos Parlamentares,

A Comissão de Defesa da Escola Pública (CDEP) envia em anexo a documentação relativa à sua Delegação à Assembleia da República em 2007.

Apelamos a todas as senhoras e senhores deputados, e aos grupos parlamentares, para que hoje a votação na Assembleia da República do Projecto de Lei do CDS-PP AR seja favorável à suspensão imediata da Lei da Avaliação do Desempenho Docente. Esta lei absurda e burocrática, da responsabilidade desta equipa ministerial, foi tornada ainda mais absurda pela versão "simplex" entretanto revogada pelo senhor Presidente da República.


Além do direito que os professores e todos os outros sectores profissionais têm a defender os seus direitos e a sua dignidade, trata-se também de defender a escola pública portuguesa e de reestabelecer a normalidade nas escolas.

A CDEP não partilha da convicção que a luta dos professores é uma luta politicamente oportunista, contra o governo, como alguns governantes e alguns meios de comunicação têm procurado difundir. Esta luta é bem mais do que isso: é uma luta contra as políticas educativas que, mesmo ainda numa fase insipiente, se têm revelado penosas para os profissionais e lesivas para a escola pública democrática e para o futuro das novas gerações.

Estes documentos são prova como esta luta não é de hoje, não se prendendo a campanhas eleitorais nem a agendas políticas. É a luta dos professores e dos educadores em defesa da dignidade e da credibilidade da escola pública portuguesa.

Cada dia que passa é um passo atrás para a criação de condições favoráveis à melhoria do Ensino em Portugal.

Cumprimentos

Pela CDEP

Maria Paula Montez
(encarregada de educação)

2007 - Delegação à AR e Carta aos Deputados do PS (CDEP)

Delegação à AR: Dossier + Processo Verbal do encontro com o Deputado do PS responsável pela Comissão de Educação (1 de Agosto de 2007)


Carta Aberta aos Deputados do PS: SUBSCREVA-A E DIVULGUE-A! (24 de Abril de 2007)



Carta aberta aos deputados do PS


No passado dia 14 de Abril, realizou-se em Algés um Encontro em Defesa da Escola Pública.

Nele participaram educadores e professores de todos os graus de ensino, pais e encarregados de educação, estudantes, sindicalistas e técnicos ligados ao ensino.

No Encontro foi adoptada uma Carta aos deputados do PS, que está agora a recolher assinaturas nas escolas.

Senhores Deputados do PS,

Docentes e outros trabalhadores ligados ao ensino, estudantes, pais e encarregados de educação, sindicalistas e responsáveis por associações de pais, reunimo-nos em Algés – no dia 14 de Abril de 2007 – extremamente inquietos com a situação da Escola Pública, com as consequências das medidas que estão a ser tomadas ou já foram anunciadas.

Dirigimo-nos a vós por entendermos que, como deputados da maioria, têm os meios políticos e democráticos que vos foram dados pelo voto do povo para modificar o curso dos acontecimentos.

Todos reconhecemos que Portugal deu um enorme salto, em matéria de educação, nos 32 anos que nos separam da Revolução do 25 de Abril.

Muitos de nós fazemos parte da geração que – pela sua mobilização esperançada na construção de um país livre, liberto da injustiça social e do obscurantismo – participou nesse processo democrático.

No entanto, também é uma realidade que este empenhamento de milhares e milhares de trabalhadores ligados ao ensino tem sido sistematicamente atropelado e subvertido – em nome da adaptação de Portugal às normas da União Europeia – ao ponto de serem muitos os que afirmam hoje que a Escola de Abril está desfigurada.

Hoje já são visíveis, na sociedade portuguesa, as consequências dessa linha de orientação.

Podem ver-se, por exemplo, os resultados do que foi a negação da entrada de muitas dezenas de milhar de estudantes no Ensino superior público e a sua canalização para escolas privadas, onde em muitos casos o abaixamento dos critérios de admissão e de avaliação dos alunos foi uma realidade.

Mas, por outro lado, o nosso país pode constatar, dramaticamente, o resultado de “numerus clausus” apertadíssimos na formação de pessoal ligado ao sector da Saúde.

Poderão facilmente prever-se quais irão ser as consequências, em termos da formação dos alunos, da redução das cargas horárias, ou da retirada de disciplinas (como foi o caso da Formação política).

Foi certamente por isso que, quando o PS recebeu uma votação massiva há dois anos, era uma preocupação expressa por muitos cidadãos o facto de que a consistência dos saberes e dos graus académicos, bem como dos valores éticos e democráticos, estava a ser minada, em troca da subordinação da Escola às necessidades do lucro, bem como das exigências do cumprimento do “Pacto de estabilidade e crescimento” da União Europeia.

As expectativas de milhões de portugueses perante a eleição de uma maioria de deputados do PS eram de que começaria, certamente, a haver uma modificação positiva na vida do país e, em particular, no sector do Ensino.

Mas, quando se encerram milhares de escolas, se reduz o orçamento para o ensino e para a cultura, se aceita trocar os programas nacionais por um conjunto de competências, se retiram os textos dos autores portugueses da disciplina de Língua materna, se entrega o ensino de disciplinas curriculares a empresas privadas, se transformam bacharelatos em licenciaturas e licenciaturas em mestrados, se elimina na prática a disciplina de Filosofia no Ensino secundário, se desmoraliza e frustra a esmagadora maioria dos professores e educadores, se despede ou ameaça colocar no quadro excedentário dezenas de milhar de professores, se deixam sem apoio 70 mil crianças com necessidades educativas especiais, está-se seguramente a defraudar as expectativas de milhões de portugueses e a dar continuidade, da forma mais brutal, à política dos governos anteriores.

Nós constatamos, pela intervenção de um colega nosso – dirigente sindical em França, que foi convidado a participar neste Encontro – que, tal como no nosso país, os professores e a população francesa se confrontam com “reformas educativas” semelhantes.

No nosso país, tal como no resto da Europa, estão a ser postas em prática leis que subordinam a Escola Pública às necessidades do lucro e da competitividade.

Milhões e milhões de cidadãos europeus mostram-se profundamente preocupados e procuram mobilizar-se contra este processo de destruição de toda a nossa sociedade democrática, contra as próprias bases da civilização.

Nós partilhamos esta inquietação e fazemos parte deste processo de mobilização, porque defendemos a democracia e o futuro, impossível de assegurar sem uma Escola com um corpo docente socialmente reconhecido e dotado de um Estatuto que garanta a sua independência e a sua dignidade. É por isso que nos pronunciamos pela revogação do novo Estatuto da Carreira Docente (ECD) para o ensino não superior, promulgado em Março de 2007.

Nós não nos resignamos. Todos e cada um deverão assumir as suas responsabilidades.

É do futuro das jovens gerações, é do futuro do nosso país, da nossa identidade como nação livre e soberana que se trata.

Por isso nos dirigimos a vocês, senhores deputados, pedindo-vos que recebam uma delegação deste Encontro, para vos expormos esta inquietação e o desejo de que esta política seja alterada: nomeadamente através do restabelecimento de todos os direitos de todos os professores e educadores do Ensino Básico e Secundário, com base numa carreira única e no vínculo ao Ministério da Educação, incompatíveis com o novo ECD – responsável por lançar a divisão entre professores; revogação das disposições regulamentares desresponsabilizando o Estado das disciplinas do 1º Ciclo (Educação artística, da Educação física e do ensino do Inglês) e a manutenção de todas as disciplinas, a todos os níveis do Ensino, no Programa nacional, asseguradas por professores e educadores vinculados ao Ministério da Educação, colocadas a partir da Lista Graduada, a nível nacional; do restabelecimento, no Ensino Especial, das formas de organização e da colocação dos técnicos necessários para responder às 70 mil crianças com necessidades educativas especiais.

Primeiros subscritores:

Maria Adélia Gomes (Professora); Margarida Pagarete (Dirigente da AE da FPCE); Manuela Ribeiro (Professora); Maria do Carmo Vieira (Professora); Maria da Graça Nunes (Professora); Maria Paula Montez (Encarregada de educação); Maria Cândida Barros (Professora); Aida Silva (Professora); Ricardo Gomes de Macedo (Médico, Professor assistente); Sara Coelho (Psicóloga); Raquel Iara Martins (Professora); Catarina Pedrosa (Professora); Elsa Afonso (Professora); Carmelinda Pereira (Professora); Santana Castilho (Professor e jornalista) e os,s os professores face ao Governo - um__________________________________________________________; Carlos Chagas (Dirigente do SINDEP); Maria La Salette Silva (Professora); Maria Manuela Leitão (Educadora de infância); Maria de Lourdes Coelho (Professora); José Courinha (Dirigente do SINDEP); Maria da Luz Oliveira (Professora); Maria do Rosário Rego (Professora); Rita Maria Neves da Cruz (Professora); Lucília Pinho Lopes (Professora); Maria de Fátima Pessegueiro (Professora); Santana Henriques (Trabalhador do Círculo de Leitores); Joaquim Pagarete (Professor); Maria Marques Pinto (Professora); Cristina Matos (Estudante); Rosa Cândida Pereira (Professora); Joana Patuleia (Educadora de infância); Maria João Carreira (Encarregada de educação); Aida Sousa Dias (Professora); Luísa Martins (Professora); Luís António Carneiro (Professor).

Contactar :

Carmelinda Pereira - carmelinda_pereira@hotmail.com (telem : 966368165)

Joaquim Pagarete - japagarete@fc.ul.pt (telem : 964272436)


http://escola-publica.blogspot.com/2007/04/carta-aos-deputados-do-ps-subscreva-e.html