terça-feira, maio 20, 2008

5 Nov.: do CANADÁ apelo para jornada internacional contra as propinas caras





Dear Activists,


The following message was just posted on a
Facebook-group calling itself 'International Students
Movement for Free and Emancipating Education'
(http://www.facebook.com/group.php?gid=24722765003):


The Canadian Federation of Students is planning a
Canada-wide National Day of Action Against Tuition
Fees on November 5th this year. This is a call-out to
all students across the globe, organize a rally in
your city and let's make this an international day
against tuition fees!

Remember, remember, the fifth of November...





Maybe other groups in other countries also want to
join the protests on that day!?!



Get organized globally and struggle together!!! Spread
the Word~



In Solidarity from Germany,

Mo.


PS: As a result of the increasing commercialisation of
education and the transformation of universities into
businesses students in Canada (Ottawa) are also
struggling for their rights:
http://uk.youtube.com/watch?v=bvM_TNuIhXE



--
"When ignorance reigns life is lost!" - RATM
Infos on corporate criminals & much more @
http://fading-hope.blog-city.com ~

Apoio a colega

MUP SOLIDÁRIO!

VAMOS APOIAR ESTA COLEGA PROFESSORA!

Veja aqui:


A “educação” no parlamento

A “educação” no parlamento, a 25 de Abril,

ou de Ítaca à Ilha dos Amores

Ítaca é uma ilha grega situada no mar Jónico. Tem 96 Km2 e cerca de 3.600

habitantes. Mas não é por isto que ela é conhecida. Ítaca é um símbolo de vontade e de ambição. Um objectivo ou uma meta a alcançar. Surge no horizonte de heróis, marinheiros, construtores, gente inquieta e insatisfeita

Ei! Cuidado, Ítaca é apenas isso. Ítaca é um ponto, um lugar que desejo alcançar e onde invisto toda a minha afectividade. O melhor de Ítaca é o tempo, as vivências e a riqueza que alcanço pelo caminho…

Por isso, diz o poeta, Cavafy (Alexandria, 1863 – 1933): “Quando partires de

regresso a Ítaca, / deves orar por uma viagem longa, / plena de aventuras e de

experiências.” E, ainda: “Terás sempre Ítaca no teu espírito, / que lá chegar é ao teu destino último. / Mas não te apresses nunca na viagem. / É melhor que ela dure muitos anos, / que sejas velho já ao ancorar na ilha.”

Ítaca dá-nos essa viagem esplêndida. Sem ela, nunca teríamos partido, e nada

mais tem para nos dar, pois ela é a viagem, é o sonho de chegar. Torga retoma este universal humano, para concluir que o importante é partir não é chegar:

“Aparelhei o barco da ilusão / E reforcei a fé de marinheiro. / Era longe o sonho,

e traiçoeiro / O mar… / […] / Mas corto as ondas sem desanimar. / Em qualquer

aventura, / O que importa é partir, não é chegar.” (“Viagem”)

Vem do fundo dos tempos esta verdade reiterada em cada projecto, acção humana ou vida autêntica. Há casos em que ela surge brilhante e clara no feito e no dito. Como na Ilha dos Amores (Os Lusíadas, IX, X) cujo simbolismo é, também ele,universal, justo e motivante para o ser humano.

António Sérgio vê nela a recompensa pelos altos feitos que a deusa amiga,

Vénus, oferece aos esforçados marinheiros portugueses. E que recompensa é essa? – O deleite, o descanso, o repouso, nessa “ínsula divina”, para aqueles que cumpriram o dever.

Ao mérito desses, Camões contrapõe o demérito: dos que vendem ilusões no

paço, em vez de divulgarem a sã doutrina; dos que amam o mando e a riqueza,

simulando justiça e integridade, no lugar de seguirem a pobreza, à qual se votaram;dos que não amam o que devem, antes, desejam o que moralmente é indevido.Gama e os marinheiros desembarcam nessa Ilha Angélica e aí se refazem física e mentalmente. Tétis e suas Nereidas sãos as anfitriãs de exemplos vivos de “caminhantes da virtude”, que durante a viagem, e antes de regressarem à Pátria, a sua Ítaca, recebem as honras deleitosas, os triunfos da palma e do louro, glória e maravilha. Tão elevados prémios, narra Camões, mereceram-nos por obras valorosas, trabalho imenso, caminho da virtude, feitos imortais e soberanos. Seus autores são humanos, mas o esforço e a arte fizeram-nos divinos. Participam da natureza dos deuses pela coragem e pela sabedoria, pela dedicação e pela sublimação, colocadas nessas acções.

O nosso épico desafia o futuro e coloca tal prémio ao alcance dos vindouros: “

[…] ó vós que as famas estimais, / se quiserdes no mundo ser tamanhos, / despertai do sono do ócio ignaro, / Que o ânimo de livre, faz escravo”. E alerta-nos para o facto de que as honras vãs e o ouro puro não dão verdadeiro valor à gente, concluindo “melhor é merecê-los sem os ter, / Que possuí-los sem os merecer.”Por último, generaliza o princípio e convida os vindouros a fazerem leis justas para pequenos e grandes ou a investirem contra as leis injustas, assim, serão mais e não menos, acenderão à riqueza e à honra, e, assegura-lhes, “Sereis entre os heróis esclarecidos, / E nesta ‘Ilha de Vénus’ recebidos.”

Nas celebrações do 25 de Abril deste ano, fomos confrontados pelo Presidente da República com um estudo que caracteriza a sociedade portuguesa e os jovens, em particular, como estando bem afastados desta elevação alcançada pelos nossos de Maiores. Ao interpretar alguns dados, falou-se em “pessimismo que muitos dizem ser uma característica singular do povo português”! Nem todo o povo, como vimos, pois não era o pessimismo que guiava os portugueses de quinhentos e seiscentos…

O apelo aos jovens para que não se resignem, contrasta com o apelo de

Camões aos vindouros, onde se encontram também os próprios jovens. E a abertura de uma parte significativa da sociedade a “profundas mudanças” contrasta com a leitura que alguns fazem da mesma e até com o apelo referido. Há, sim, é que descobrir e propor as mudanças pertinentes e oportunas.

Criticou-se nesse dia a venda de ilusões, expressão curiosa também usada pelo nosso épico. Mas este avançou com aquilo que devia ser divulgado no seu lugar. E hoje? Que devemos nós propor aos jovens e aos país? O Presidente avançou: com a tomada do futuro nas nossas mãos, em vez de o procurarmos em qualquer bola de cristal; com uma política de proximidade; com uma sociedade mais justa; com maior empenho cívico dos cidadãos; enfim, com nova atitude da classe política!

Talvez seja pouco, Senhor Presidente, talvez não chegue, e, porventura, passe

ao lado do essencial. E o essencial, são os portugueses. É de cultura que eles

precisam, de humanismo(s), também de História (por que não?) de substância para se pensarem, a si e ao mundo (será de filosofia?) É de ilustração das mentes e dos de comunicação, das empresas e organizações, das famílias e dos clubes que se precisa. E dizer ilustração é dizer luz, é dizer sabedoria, é dizer um pouco de silêncio e de paz.

J. Esteves Rei

In Correio da educação nº326 de 1-15 de Maio de 2008

Notícias a respeito do memorando de entendimento

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO

Gabinete da Ministra

Despacho n.º 13459/2008

No Memorando de Entendimento celebrado em 12 de Abril com as associações sindicais representativas do pessoal docente que integram

a Plataforma Sindical de Professores ficou acordada a constituição de

Secretaria-Geral

Despacho (extracto) n.º 13460/2008

Considerando que o Decreto -Lei n.º 314/2007, de 17 de Setembro, veio estabelecer um regime específico de reclassificação profissional

aplicável ao pessoal docente que se encontra a exercer funções nos serviços centrais e periféricos do Ministério da Educação (ME) ou noutros

uma comissão paritária com vista a garantir o acompanhamento da concretização do regime de avaliação de desempenho do pessoal docente,

definido no Decreto Regulamentar n.º 2/2008, de 10 de Janeiro.Nestes termos, e dando execução ao disposto no n.º 4 do Memorando

de Entendimento já referido, determino o seguinte:
1 — Com o objectivo de garantir o acompanhamento pelas associações sindicais representativas do pessoal docente do regime de avaliação de

desempenho do pessoal docente, é constituída uma comissão paritária com representantes dessas associações e da Administração Educativa.

2 — A comissão paritária terá acesso aos documentos de reflexão e avaliação do regime de avaliação de desempenho do pessoal docente,

designadamente aos que forem produzidos pelos agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas e pelo conselho científico para a Avaliação

de Professores.

3 — À comissão paritária cabe também preparar a negociação, com as associações representativas do pessoal docente que a integram, de

eventuais alterações que se mostre necessário introduzir no regime de avaliação de desempenho.

4 — A comissão paritária é composta por representantes da Administração Educativa e por representantes das associações sindicais representativas

do pessoal docente que constituíram entre si a Plataforma Sindical de Professores.

5 — A comissão paritária é coordenada pelo Director -Geral dos Recursos Humanos da Educação, com faculdade de delegação.

6 — Os representantes das associações sindicais representativas do pessoal docente que constituíram entre si a Plataforma Sindical de

Professores são em número de 13, sendo dois representantes respectivamente da Federação Nacional dos Professores (FENPROF) e da

Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE) e um representante de cada uma das outras associações sindicais (SPLIU — Sindicato

Nacional dos Professores Licenciados pelos Politécnicos e Universidades; SNPL — Sindicato Nacional dos Professores Licenciados; SEPLEU — Sindicato dos Educadores e Professores Licenciados pelas

Escolas Superiores de Educação e Universidades; FENEI — Federação Nacional do Ensino e Investigação; ASPL — Associação Sindical de

Professores Licenciados; PRÓ -ORDEM — Associação Sindical dos Professores Pró -Ordem; FEPECI — Federação Portuguesa dos Profissionais

de Educação, Ensino, Cultura e Investigação; SIPPEB — Sindicato dos Professores do Pré -Escolar e do Ensino Básico; SIPE — Sindicato

Independente dos Professores e Educadores).

7 — Os representantes da Administração Educativa são designados, até ao limite do número de representantes das associações sindicais, de

entre os serviços do Ministério da Educação, designadamente a Direcção--Geral dos Recursos Humanos da Educação e as Direcções Regionais

de Educação, e dos gabinetes dos membros do Governo.

8 — Os representantes da Administração Educativa, independentemente do número designado ou presente nas reuniões, correspondem

sempre e para todos os efeitos a metade do total da comissão paritária.

9 — Os representantes das associações sindicais representativas do pessoal docente são indicados pelas respectivas organizações sindicais.

10 — A comissão paritária pode constituir uma comissão permanente em quem pode delegar todas as suas competências.

11 — O disposto no presente despacho não pode pôr em causa a igualdade de tratamento entre associações sindicais representativas do

pessoal docente, nos termos legais, pelo que:

a) Todos os documentos previstos no n.º 2 e demais informação relevante são igualmente facultados às associações sindicais representativas

do pessoal docentes que não integrem a comissão paritária e que o requeiram;

b) A atribuição referida no n.º 3 não prejudica o procedimento de negociação previsto na Lei n.º 23/98, de 26 de Maio.

30 de Abril de 2008. — Pela Ministra da Educação,

Jorge Miguel de Melo Viana Pedreira, Secretário de Estado Adjunto e da Educação.

--
http://silvanapaulino.blogspot.com

«Sozinho na rua» (Kaos)

Segundo as noticias, hoje foi dia de manifestação dos
professores, mas parece quase sem professores,
sobretudo se nos lembrarmos dos 100 mil que desfilaram
e "derrotaram" a Sinistra Ministra. Porquê toda esta
falta de motivação para a luta quando há pouco tempo
pareciam dispostos a tudo? Será que sentiram que não
valia a pena continuar, que o acordo assinado pela
Plataforma Sindical não era aquilo porque lutaram, que
não representava nem satisfazia as suas causas? Por
mais razões que tenham os professores para desconfiar,
terão certamente muito mais a perder se baixarem os
braços que se continuarem a lutar. Seja através da
Plataforma Sindical ou através de organizações e
grupos de professores, em todas as formas ou formatos
em que se criem, unidos na mesma vontade e em luta
pelas mesmas causas. O importante é que não deixem que
nada nem ninguém se coloquem entre a vossa luta e o
alcançarem os vossos objectivos. Já aqui disse que não
sou professor, mas um simples pai preocupado com o
futuro dos seus filhos. É por eles que considero a
luta dos professores como algo de importantíssimos e
pela oportunidade de mostra que a luta por aquilo que
consideramos justo pode ser vencida. Esta luta é
importante porque sendo os professores uma classe
instruída, com conhecimentos e capacidade para
comunicar, para pensar, para organizar, podiam, na
consciência da justeza da vossa luta, derrotar o
sistema e mostrar aos outros que com vontade e
determinação se consegue vencer o sistema. É por isso
que lhes peço que não desistam, que se organizem, que
lutem e que vão até ao fim. É importante para a classe
dos professores, mas também para o futuro de todos nós
e dos nossos filhos.


Publicada por Kaos aqui

QUEIXAS DE PROFESSORES

A partir de hoje, passamos a disponibilizar um serviço de recolha de
queixas dos colegas professores e educadores, relativas ao seu
desempenho profissional, através do e-mail profqueixa@gmail.com.

Todas as queixas recebidas serão reenviadas para:
- Presidente da República;
- Assembleia da República;
- Procurador-Geral da República;
- Vários deputados da Assembleia da República (de todos os partidos
representados) e comissões parlamentares;
- Órgãos de comunicação social.

Sempre que assim for solicitado, as queixas serão também publicadas no
blog MUP - QUEIXAS DE PROFESSORES, podendo-se, caso vontade expressa,
apresentá-las de forma anónima.

A responsabilidade pelo teor da queixa é sempre do emitente que a fez
chegar.

mobilizacaoeunidadedosprofessores.blogspot.com/
obrigada

A afronta não é de hoje...

"... O professor hoje, em Portugal, vive com dificuldades de vida e com medo, esse terrível medo que se apoderou da quase totalidade da população portuguesa. Tenho já o tempo de vida bastante para poder ter observado, durante mais de 20 anos, a evolução duma certa corporação científica, e ter verificado nela a instalação e o alastramento desse processo de destruição progressiva do professor português. E é preciso registar que, a despeito de casos isolados de resistência heróica, esse processo de destruição tem produzido os seus efeitos.

A coisa vai mesmo mais longe – a política do medo não atingiu apenas uma determinada camada social ou profissão. Não, essa política foi a todos os sectores da vida nacional e a todos os núcleos de actividade privada e pública, procurando transformar-nos num povo aterrado, reduzido à condição deprimente de passarmos a vida a desconfiar uns dos outros. Mas o que é curioso, nesta questão, é que, ao fim e ao cabo, não se conseguiu apenas que os pequenos tenham medo uns dos outros e dos grandes, ou os indivíduos tenham medo das instituições. O próprio Estado foi vitima do seu jogo e acabou por ser tomado de medo dos cidadãos ..."

[Bento de Jesus Caraça, in Conferências e Outros Escritos, Lisboa, 1978, p. 203 - via Almanaque Republicano]

Criar comissões de base

Ler aqui

Ser ou não ser professor

Estudo: 44% professores não escolheriam a profissão de novo
(em http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=332877)

Quase 44% dos professores não escolheriam a sua profissão hoje em dia, revela um estudo, hoje apresentado no Porto, realizado pelo Instituto Politécnico de Castelo Branco (IPCB) a pedido da Associação Nacional de Professores (ANP).

«O facto dos professores estarem insatisfeitos com a sua condição tem um grave reflexo na aprendizagem dos alunos», disse João Ruivo, responsável pelo estudo realizado pelo Centro de Estudos e de Desenvolvimento Regional (CEDER), à margem do V Encontro Luso-Espanhol sobre a profissão docente.

João Grancho, presidente da ANP, disse que, segundo o estudo, «quase 80 por cento dos professores querem um sistema de auto-regulação, uma Ordem dos Professores».

«Como ponto de partida para este sistema, enfatizamos (ANP) a criação de um código deontológico para a profissão de docente, que é a única que trata da formação das pessoas que não tem um código», afirmou.

«Uma larga maioria dos professores consideram importante o surgimento de uma entidade de auto-regulação, não só por questões meramente corporativas mas porque entendem que essa é uma forma de reconfigurar a própria profissão de docente, conceder-lhe um outro reconhecimento social e por outro lado contribuir para a melhoria da qualidade da educação», salientou.

O estudo baseado numa amostra de educadores de infância e professores do ensino básico e do secundário e que João Ruivo considerou «marcante por não existir nenhum sobre a matéria, com rigor científico, desde 1990», revela ainda que 61 por cento não sente que o seu trabalho seja reconhecido pela sociedade.

Para além disso, mais de 90 por cento revelam uma grande preocupação para com o seu futuro profissional e não estão satisfeitos com o pouco apoio pedagógico que o Ministério da Educação lhes dá.

Dos resultados obtidos foi também possível concluir que «a maioria não está satisfeita com o interesse revelado pelos alunos nas questões de aprendizagem escolar, e também apresenta insatisfação quanto às políticas educativas do Ministério da Educação, assim como com o trabalho desenvolvido pelos sindicatos».

Os concursos profissionais são também alvo de críticas, revelando os professores inquiridos, que estes causam instabilidade profissional.

Segundo o presidente da ANP, o estudo, que culminou no lançamento do livro «Ser Professor: Satisfação Profissional e Papel das Organizações de Docentes», será enviado ao Ministério da Educação «pela sua utilidade, importância e relevo».

«Há um caminho ainda a percorrer. Há que dar um novo sentido à forma como se olha para a construção da própria educação. E o Ministério da Educação tem falhado numa atitude arrogante que vai levar a um isolamento com consequências que pela primeira vez vamos poder atribuir a alguém em concreto», disse João Grancho.

A música, essa aliada esquecida da matemática

A pretexto de uma conferência com especialistas internacionais para debater o insucesso na disciplina de Matemática em Portugal, a Ministra da Educação veio chamar a atenção para o “passivo enorme” nesta área. Atribuídas (mais uma vez) as culpas aos professores, estando presentemente alguns milhares a receber formação contínua nesta matéria; lançado um Plano de Acção para a Matemática, aumentando a carga horária na disciplina, resta-nos prever quais serão as recomendações que resultarão de mais esta conferência.

Porventura os sucessivos responsáveis pela pasta da educação em Portugal – eles próprios fruto de uma sociedade com fraquíssima cultura musical – não têm sido sensíveis ao papel fundamental que a música pode e deve ter na formação integral do indivíduo, não só ao nível da sensibilidade estética e do desenvolvimento emocional mas também ao nível da estruturação do pensamento lógico e do raciocínio matemático/geométrico, estimulando a concentração, disciplinando a actividade de grupo, favorecendo a comunicação, a cooperação e a entreajuda – tudo isto num clima de grande criatividade e franco prazer.

No entanto, desde Pitágoras – que para além de um contributo fundamental para a Matemática e a Geometria, também estabeleceu as bases da Teoria Musical – têm vindo a comprovar-se as muito estreitas relações entre a Música e a Matemática.

Na verdade, vários estudos revelam que a maioria dos jovens que aprendem música, para além de serem alunos mais criativos em todas as áreas, também obtêm bons resultados em Matemática, sendo certo que, para alem de um papel muito positivo no ensino de crianças disléxicas e autistas, a Música é, de facto, aquela aliada que, como por encanto, leva qualquer criança a fazer a ponte entre o concreto e o abstracto, levando-a a descobrir novas formas de comunicação e linguagem e ajudando-as assim a apreender a lógica e a simbólica da Matemática.

A Educação Musical consta, de facto, do currículo da escola em Portugal desde 1971, ano da reforma de Veiga Simão que introduziu alterações significativas neste campo. No entanto, ao contrário do que sucede em muitos outros países, para lá de se iniciar já numa idade tardia, a Educação Musical tem estado confinada ao 2º Ciclo do ensino básico – no 3º Ciclo tem expressão muitíssimo limitada – e, a partir da última reforma curricular, a sua carga horária sofreu mesmo uma redução substancial de 45 m, passando a dispor apenas de 90 m semanais.

Foi feita alguma avaliação destas reformas?

Ainda a este propósito, é importante também referir que uma manifesta falta de instrumentos disponíveis nas salas de aula – e o facto de muitos dos que existem já estarem danificados – o que limita, muitas vezes, os professores a um ensino elementar da prática de flauta, impedindo, dessa forma, os alunos de adquirirem as “competências” (irrealistas) previstas para a disciplina pelo próprio Ministério da Educação.

A nível do 1º Ciclo, a recente introdução do ensino da Música, embora louvável, mais não fez do que pôr em prática um aspecto que, previsto no currículo, geralmente se não cumpria, sendo que os professores, recrutados em empresas privadas, trabalham em condições muito discutíveis.

Como se tudo isto não bastasse, mais recentemente ainda, sob a capa de uma alegada “Democratização do Ensino Artístico” o Governo decidiu acabar com o chamado regime de ensino supletivo, que permitia a frequência de disciplinas de formação especializada nos Conservatórios, a par das de formação geral numa escola à sua escolha.

Promovida pela Unesco, teve lugar em Lisboa, em 2006, a 1ª Conferência Mundial de Educação Artística, da qual resultaram orientações importantes no domínio da educação artística. A sua aplicabilidade foi debatida no ano seguinte na Conferência Nacional de Educação Artística. Que repercussões têm tido eventos como estes no ensino da Música em Portugal?

O Ministério da Educação insiste agora na avaliação dos professores mas não deveria ser o próprio Ministério a ser objecto de avaliação, entre outras coisas, pela sua manifesta desatenção relativamente ao ensino da Música?

Ainda vamos a tempo de investir numa formação musical de qualidade desde o jardim de infância, da qual a Matemática, bem como as outras áreas possam vir a beneficiar e de que possa resultar um maior equilíbrio emocional dos jovens.

Sigamos então as tão apregoadas “boas práticas”: sigamos o exemplo da Finlândia onde os pais podem mandar os filhos para escolas de música patrocinadas pelo estado desde tenra idade; sigamos o exemplo da própria Venezuela (retratado numa reportagem transmitida na televisão há dias), onde a fundação «El Sistema» recorre à música para reabilitar, ensinar e proteger crianças de meios desfavorecidos, prevenindo comportamentos criminosos...!

Leibniz (filósofo e matemático alemão) afirmou: Musica est exercitium arithmeticae occultum nescientis se numerare animi (A música é o exercício oculto de matemática do espírito que não se apercebe que calcula).

Os fracos resultados dos estudantes portugueses na disciplina de matemática estarão, seguramente, na proporção exacta do desprezo que tem sido dado ao ensino da Música na Escola Pública.

Isabel Guerreiro

Professora de Educação Musical do Ensino Público

Monte Estoril

França: Greve de liceais, profs, função pública hoje

[dados retirados do jornal Le Monde (em francês)]

* Education : Cinq fédérations d'enseignants, deux
syndicats de lycéens et trois organisations étudiantes
ont appelé à la grève contre les 22 900 suppressions
de postes inscrites au budget 2008. Ils ont été
rejoints par une intersyndicale de l'enseignement
supérieur et de la recherche, qui demande "l'arrêt du
projet de dissolution des organismes de recherche". La
FEP-CFDT, principal syndicat d'enseignants du privé
sous contrat souhaite également mobiliser contre les
nouveaux programmes de l'école primaire. Selon un
recensement établi par le Snuipp-FSU, près des deux
tiers (63 %) des professeurs des écoles devraient être
en grève. Un "service minimum" sera effectif dans 2
300 communes.
* Fonction publique d'Etat (2,54 millions d'agents) :
sept fédérations de fonctionnaires (FSU, CGT, FO,
CFDT, CFTC, UNSA, Solidaires) sur huit appellent à une
journée d'actions et de grèves, qui devrait toucher
notamment les douanes, les finances (impôts,
trésoreries, etc.), la culture (musées, etc.) et
l'équipement (DDE).
* Fonction publique territoriale (1,61 million
d'agents) : six fédérations (FSU, CGT, FO, CFTC, UNSA,
Solidaires) appellent les agents à se mobiliser dans
les collectivités locales (mairies, conseils généraux,
conseil régionaux, etc.).
* Hôpitaux (1,02 million d'agents) : six fédérations
de fonctionnaires (FSU, CGT, FO, CFTC, UNSA,
Solidaires) appellent les agents hospitaliers à la
grève, ainsi que deux syndicats de l'Assistance
publique-Hôpitaux publics (CGT et FO), et cinq
syndicats de praticiens hospitaliers chargés de la
permanence des soins (urgentistes, samu, etc.). Le
personnel sera néanmoins réquisitionné pour le
maintien du service et l'accueil des malades.
* La Poste (172 000 fonctionnaires et 116 000 salariés
de droit privé) : quatre syndicats (CGT, SUD, FO et
CFTC) ont déposé des préavis de grève. Ils dénoncent
"les réorganisations" et "suppressions de postes", et
appellent à la défense du service public.
* France Télécom (108 000 salariés en France, dont 70
% de fonctionnaires) : trois syndicats (CGT, SUD et
FO) ont déposé des préavis, également pour la défense
du service public et contre les suppressions de
postes.
* ANPE (30 000 agents) : quatre syndicats ont appelé à
la grève (SNU, FO, CGT, SUD). Ils s'inquiètent
notamment de la fusion avec les Assedic, et d'une
menace de disparition de l'Ircantec, le régime de
retraite complémentaire des agents non-titulaires.
* Médias : le SNJ-CGT (journalistes) de France 3
appelle à la grève pour demander un moratoire sur la
suppression de la publicité.
* Météo France : trois syndicats (Solidaires, CGT, FO,
90 % du personnel) appellent à la grève, contre des
fermetures de centres météo et des réductions
d'effectifs.
* Transports : des perturbations sont "possibles" dans
le trafic aérien, selon la Direction générale de
l'aviation civile (DGAC), notamment en début de
journée. Aucune perturbation n'est prévue à la RATP.
La circulation des trains régionaux (TER) sera
perturbée en Provence-Alpes-Côte d'Azur à partir de
jeudi 18 heures en raison d'un préavis de grève des
contrôleurs de la région de Marseille déposé par la
CGT, et jusqu'à samedi 8 heures. Selon un
porte-parole de la SNCF, les grandes lignes (TGV et
Téoz) ne seront pas affectées et fonctionneront
normalement.

25 perguntas e respostas sobre as leis e projectos de decr. leis do governo

Veja aqui

A posição dos Pais face à perspectiva do Cheque-Ensino

Associações de pais cépticas
Parlamento discute projecto do CDS-PP que prevê livre escolha de escolas no sistema público
14.05.2008 - 09h58 Lusa
A Assembleia da República discute hoje um projecto de lei do CDS-PP que prevê uma rede de serviço público de educação, integrada inicialmente pelas escolas do Estado e pelos estabelecimentos privados com contrato de associação, sendo depois aberto um concurso para a adesão das restantes escolas.

O mesmo documento reconhece aos pais e encarregados de educação o direito de livremente escolherem o estabelecimento de ensino para os seus filhos.

As duas confederações de associações de pais consideraram hoje que ainda não estão reunidas as condições para uma "verdadeira liberdade de escolha" das escolas por parte dos encarregados de educação, devido à desigualdade da oferta das escolas.

Em declarações à Lusa, o presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap) considerou que "neste momento" ainda não estão criadas as condições para se falar numa "verdadeira liberdade de escolha".

"Para haver liberdade de escolha dos pais é necessário que haja igualdade de circunstâncias na oferta educativa das escolas estatais, privadas e cooperativas. As famílias deveriam poder escolher tendo em conta o projecto educativo, mas primeiro é preciso que a oferta das escolas públicas se aproxime à da escola privada. Isso está longe de acontecer", afirmou Albino Almeida.

Confap diz que escolha só é possível nas grandes cidades

Para o responsável, é essencial, para começar, que a oferta educativa das escolas estatais se aproxime à oferta proporcionada pelas escolas privadas e cooperativas, nomeadamente no que toca ao fornecimento de refeições ou às actividades de enriquecimento curricular, entre outros aspectos.

"Em muitas zonas do país, fora das grandes cidades, não há condições para o exercício da liberdade de escolha por parte dos pais. Enquanto não houver condições de igualdade entre as escolas públicas não se pode falar de liberdade de escolha das famílias", acrescentou.

Para Albino Almeida, o projecto do CDS-PP é eminentemente voltado para as grandes cidades, onde é possível essa escolha, mas não se aplica "seguramente" no resto do país "porque não há opção além da escola estatal".

No entanto, o presidente da Confap acredita que "a prazo" haverá uma maior igualdade entre as escolas públicas, na sequência do novo diploma de gestão, autonomia e administração escolar.

"É necessário não abandonar o esforço de intervenção na requalificação e melhoria da qualidade da escola pública e promover a oferta das privadas mesmo fora das grandes cidades, e aí as câmaras municipais têm responsabilidades através das cartas educativas", acrescentou.

CNIPE pede escolas em pé de igualdade

Também a récem-criada Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE) considera que "neste momento não estão criadas todas as condições para que efectivamente possa existir liberdade de escolha".

"As escolas deveriam estar em pé de igualdade, com os mesmos recursos e meios, quer sejam públicas, quer privadas ao serviço do Ministério da Educação. A liberdade de escolha estará limitada porque existem escolas com melhores recursos materiais e humanos que outras", afirmou Maria José Viseu, presidente da comissão instaladora da CNIPE, em declarações à Lusa.

Na opinião da responsável, deveria haver um reforço do apetrechamento dos estabelecimentos de ensino em termos materiais e humanos, para que todos os estabelecimentos de ensino estejam em pé de igualdade. "A partir daí, os pais deveriam poder optar não pelo aspecto material ou humano, mas sim pelo projecto educativo da escola", afirmou.

Fonte: http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1328692&idCanal=12

Comentário:

Um apontamento positivo e outro negativo: pelo menos já não se ouve só a voz do Albino Almeida, falando em nome dos pais; a nova voz que se ouve agora, a CNIPE, não aparece para dizer claramente o quanto é importante neste momento a vontade dos pais para salvar a escola pública e para travar este processo dissimulado de destruição da escola pública e de privatização do ensino. Ambas defendem a possibilidade de escolha, o que pressupões que aceitam que uns possam escolher e que outros tenham que se conformar com o que sobrar da escola pública, o que dependerá do poder de compra de cada um.
O Estado não pode continuar a canalizar as verbas que faltam à escola pública para financiar as escolas privadas. Se os privados querem abrir escolas, devem arcar com as despesas. Os privados estão sempre a pensar como se hão-de abotoar com os dinheiros da escola pública. Não querem Estado, mas vivem a querer sugar subsídios do Estado.
O que o governo está a fazer, passar os fundos públicos e até a propriedade pública e os nossos recursos -- a privatização da água é uma ideia atroz! -- para os privados, é um autêntico roubo, o qual é transversal aos outros países da União Europeia, em alguns ainda mais descarado (veja-se o processo de privatização dos museus (!) em França: até o património cultural pode ser privatizado, ou seja usurpado à Nação.)

Inquietam-me estas ideias do cheque-ensino. Vai ser a fórmula para as pessoas o desejarem (quando lhes acenarem com um cheque, vão agarrá-lo, mas nada lhes garante que um dia o cheque não se desvalorize e elas passam a ter que pagar a escola do seu bolso. É a morte anunciada da escola pública, democrática e equitativa.
Salvo erro o PSD até votou favoravelmente este projecto do CDS/PP.
Quanto ao PS está à espera que cheguem as ordens da união europeia e da economia global que as altas esferas do poder - Durões, Sarkozys e Merkels - enviam lá do alto, para justificarem políticas mais de direita do que as de direita. Imagine-se quando o Tratado de Lisboa der mais poderes a estes!
E a maioria dos pais vão ficar todos contentes com um cheque-ensino, nem sabem eles que ensino lhes vai ser permitido pagar com aquele cheque! Quando descobrirem, já pode ser tarde demais para a escola pública.

Paula Montez

As 96 Condutas do Docente

O NEGÓCIO DA AVALIAÇÃO DE PROFESSORES COM O BENEPLÁCITO DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO

Chamo em especial a atenção para as 96 condutas propostas pelo guru fatal da formação do INA sobre a avaliação dos docentes, as quais passo a transcrever para divertimento geral. Para quem achava que as grelhas do ME eram um perfeito delírio, ponham-me os olhos nas teorias deste experto e digam-me lá se não há gente que deveria ser vacinada em pequenina contra a burocratite galopante. E há quem ande a pagar 200 euros para aprender isto!

Destaquei a vermelho e verde apenas alguns dos disparates (alguns não passam de adaptações canhestras de coisas recolhidas em obras sobre gestão de recursos humanos para tótós) e assinalei a azul uma repetição óbvia que deve ter escapado á argúcia do elencador de parâmetros a metro.

CONDUTAS
1.
É pontual.
2. Disponibiliza-se para actividades que ultrapassam obrigações horárias/profissionais.
3. Cumpre prazos .
4. Quando trabalha em equipa é um elemento participativo e não conflituoso.
5. Zela e preserva material/equipamento escolar.
6. Proporciona ambiente calmo, propício à aprendizagem.
7. Numa reunião tem uma atitude de colaboração e de entreajuda.
8. Manifesta opinião própria e construtiva relativamente a assuntos debatidos.
9. Não gera mau ambiente no local de trabalho.
10. Evita banalidades e perda de tempo.
11. É receptivo à mudança.
12. Dá sugestões / tem opiniões críticas para melhoria de serviços.
13. Faz formação de acordo com o projecto educativo da escola (1/3).
14. Faz formação na sua área específica (2/3).
15. Disponibiliza-se para apoiar os alunos após as horas lectivas, sempre que considere necessário.
16. Regista e avalia o cumprimento das actividades planificadas.
17. Estabelece planos de acção para corrigir desvios.
18. Apoia o desenvolvimento de métodos de aprendizagem / estudo.
19. Estabelece e faz respeitar regras de convivência, colaboração e respeito.
20. Aplica os critérios de avaliação aprovados pelos órgãos competentes.
21. Cumpre o horário - substituir parâmetros de assiduidade
22. Mantém a calma perante uma situação de tensão com alunos, professores ou pais.
23. Mantém limpo e arrumado o local de trabalho.
24. Oferece-se para ajudar em outras áreas que não a sua quando é necessário.
25. Predispõe-se para ajudar as pessoas aquando da necessidade de urgência no serviço
26. Conhece o PE da escola, a missão e a visão da escola.
27. Utiliza correctamente os equipamentos.
28. Verifica o estado dos equipamentos antes e depois da sua utilização.
29. Zela pelo cumprimento do regulamento interno da escola.
30. É educado e cordial com todos os elementos da comunidade escolar
31. Perante uma situação determinada, apresenta diferentes alternativas como solução.
32. Comunica por escrito ao conselho executivo sugestões a implementar (por ex:com base na análise de melhores práticas de outras escolas ou organizações) que ajudam a garantir um serviço de mais qualidade.
33. Mantém a confidencialidade e discrição perante determinadas situações.
34. Recolhe diferentes opiniões ou sugestões procurando criar sinergias com os seus colegas com a mesma função.
35. Colabora / age no sentido de proporcionar um bom clima de escola.
36. Resolve situações de conflito sem ter que solicitar ajuda extra.
37. Assiste a aulas de colegas sempre que considera útil.
38. Permite que outros colegas assistam a aulas suas.

39. Actua de forma rápida e eficaz, de acordo com critérios predefinidos, dentro das acções previstas nos processos de trabalho em que está envolvido
40. Age com assertividade e discernimento, encontrando as soluções mais pertinentes para cada situação, apresentando-as ao respectivo responsável hierárquico.
41. Analisa problemas e toma decisões relativas a rotinas de trabalho, não necessitando de apoio superior.
42. Avalia sistematicamente os resultados que se propõe atingir e reformula as actividades para atingir os resultados de forma mais eficaz.
43. Cumpre prazos.
44. Transmite a sua opinião de forma racional e controlada.
45. É receptivo à mudança e envolve os seus pares para melhorar a sua área, a dos outros e a escola no seu todo, não se opondo às questões.
46. Quando é chamado a desenvolver outras actividades, encara sempre a situação de uma forma positiva, predispondo-se para actuar.
47. Revela empenho no desenvolvimento das tarefas, realizando-as antecipadamente.
48. Toma decisões e assume a responsabilidade não jogando a culpa dos problemas para cima de outros.
49. Sugere soluções inovadoras, antecipando a ocorrência de problemas.
50. Gere com eficiência todos os meios existentes na escola.
51. Procura todas as oportunidades de formação de forma a alargar conhecimentos específicos relativos à área da sua intervenção.
52. Propõe actividades com vista à modernização e desenvolvimento da comunidade onde se integra (extravasando os limites da escola).
53. Supera as expectativas do grupo com contribuições activas de desenvolvimento, motivando estes a seguir o exemplo, oferecendo ajuda e dando opiniões construtivas (não havendo rejeições das suas contribuições).
54. Assiste a eventos desenvolvidos por qualquer tipo de entidade.
55. Está ao corrente de situações e dificuldades de outras escolas desenvolvendo soluções na escola como prevenção.
56. Perante uma dificuldade na escola conversa com outros colegas que possam partilhar situações similares e sugere determinadas acções.
57. Traz à escola pessoas de assuntos de interesse partilhando experiências.
58. Desenvolve planos de acção para a implementação de melhores práticas pesquisadas e adequadas à escola.
59. Fomenta o networking interno e externo através de comunicações e actividades.
60. Analisa continuamente as tendências dos outros e procura implementar as melhores práticas para encontrar as melhores soluções.
61. Aplica a formação recebida nas tarefas que lhe são atribuídas.
62. Aproveita ideias de outras áreas ou de organizações semelhantes e adapta-as à sua.
63. Avalia sistematicamente os resultados que se propõe atingir e reformula as tarefas, no sentido da melhoria, ou seja, faz alterações ao previsto, para atingir os resultados de forma mais eficaz.
64. Consegue sinergias com outras áreas da organização no sentido de facilitar ou agilizar o serviço.
65. Identifica situações que fogem do padrão do controle previsto e apresenta soluções ao Coordenador no sentido de evitar possíveis problemas.
66. Organiza e coordena actividades consideradas por outras áreas como melhores práticas e incorpora-as com vista à superação dos resultados previamente estabelecidos, apresentando propostas ao Coordenador para superação de objectivos através de um plano de a
67. Orienta e planeia acções com uma visão partilhada que potencia a missão e os valores da organização.
68. Partilha técnicas, ferramentas e conhecimentos dentro da organização.
69. Partilha técnicas, ferramentas e conhecimentos fora da organização, por exemplo fazendo apresentações em congressos, palestras, etc
70. Partilha técnicas, ideias e recursos melhorando o trabalho em equipa através de aconselhamentos aos seus colaboradores.
71. Predispõe-se para ajudar as pessoas aquando da necessidade de urgência no serviço.
72. Procura todas as oportunidades de formação de forma a alargar conhecimentos específicos relativos à área da sua intervenção.
73. Sempre que verifica alguma anomalia mesmo que não seja da sua área sugere soluções simples mas concretas.
74. Contribui para a mudança planeando melhores práticas e tomando iniciativas, com base em projectos de autonomia e liderança, medindo o grau de satisfação de pelo menos 75% dos seus colaboradores através de pesquisas de satisfação rápidas
75. Apresenta por escrito propostas de soluções novas de problemas fora da sua área de trabalho e de actuação
76. Cria acções novas e motivadoras para a manutenção da disciplina na sala.
77. Cria e implementa novas formas e metodologias que favorecem a participação dos alunos na realização da aula.
78. Cria ferramentas de controle da sua actividade ou de outros dentro da organização que sejam simples mas resolvam os problemas de acompanhamento.
79. Cria instrumentos que proporcionam auto avaliação dos alunos com rigor e objectividade.
80. Cria novos métodos de estudo para os alunos, demonstrando a sua eficácia.
81. Cria novos sistemas ou metodologias nas turmas que estimulam o processo de ensino-aprendizagem.
82. Cria processos e critérios de avaliação e partilha com os avaliados, obtendo consenso e validação.
83. Desenvolve recursos inovadores para a realização de actividades lectivas.
84. É capaz de desenhar condutas observáveis dos colegas avaliados de forma simples e objectiva.
85. Envolve-se em projectos comunitários inovadores por iniciativa própria.
86. Estabelece mecanismos novos de seguimento ou acompanhamentos da implementação dos planos de melhoria negociados com os avaliados.
87. Executa um projecto de liderança inovador e consegue implementar ideias revolucionárias e estratégicas, envolve as pessoas nesses projectos não deixando de fora ninguém.
88. Inova com ideias jamais testadas em algum lado e prova que a organização poderá beneficiar disso.
89. O professor cria e implementa processos claros e reconhecidos pelos alunos para facilitar a sua disponibilidade e apoio aos mesmos.
90. Preocupa-se no desenho e implementação de novas ideias criadas por ele que ajudem a escola na redução do abandono escolar.
91. Propõe novas actividades com vista à modernização e desenvolvimento da comunidade onde se integra.
92. Quando apresenta os problemas apresenta também hipóteses de várias soluções criadas por ele, devidamente estudadas e analisadas e dá a sua opinião de como o problema pode ser resolvido da melhor forma.
93. Sugere novas estratégias para a resolução de problemas.
94. Sugere novos critérios que permitam fazer uma análise da planificação e estratégias de ensino para a adaptação ao desenvolvimento das actividades lectivas.
95. Sugere soluções inovadoras, antecipando a ocorrência de problemas.
96. Utiliza os resultados da avaliação dos alunos como base para criar novas formas de actividade lectiva que permitam desenvolver com eficácia e competência as atitudes dos alunos.
Paulo Guinote
Está em curso o professoricídio !!!!!
Eu chamava a esta lista 'Receita Para Domesticar Professores Incómodos'.

A fascinante tese do ensino da ignorância

[do diário económico]

A fascinante tese do ensino da ignorância
Os alunos portugueses de 15 anos estão abaixo da média
entre 57 países a Ciências, Matemática e Leitura.

Manuel Gonçalves da Silva

"A educação de massa, que prometia democratizar a
cultura, antigamente reservada às classes
privilegiadas, acabou por embrutecer os próprios
privilegiados."
C. Lasch.

Em Dezembro, o estudo da OCDE afirmava: os alunos
portugueses de 15 anos estão abaixo da média entre 57
países a Ciências, Matemática e Leitura. Este facto
gerou mais um conceito "eduquês" de um secretário de
Estado que disse à TV qualquer coisa do tipo "Os
alunos são ignorantes porque são reprovados" já que os
resultados se devem em larga medida às elevadas taxas
de retenção. Tão irresponsável doutrina dá crédito a
uma curiosa tese da qual se pincelam os traços
principais abaixo.


Humanidade supra-numerária
A correspondência entre "progresso da ignorância" e
declínio da inteligência crítica é evidente, como o é
a necessidade de competência linguística elementar
para o exercício do juízo crítico. Isto assente,
porque se aprofunda e tolera a iliteracia que o
quotidiano e estudos demonstram?

Michéa atribui-a à implantação da Escola do Poder
Transnacional assente em reformas perversamente
justificadas pela "democratização do ensino" e
"adaptação ao mundo moderno".

Ilustra a teoria com reunião de "quinhentos homens
políticos, líderes económicos e científicos de
primeiro plano", em S. Francisco, que concluiu que "no
século XXI, dois décimos da população activa serão
suficientes para manter a actividade da economia
mundial", pondo a questão: como manter a
governabilidade dos oitenta por cento da humanidade
supra-numerária?

A solução mais razoável lá defendida é do conhecido Z.
Brzezinsky: "criando 'cocktail' de diversão
embrutecedora e alimentação suficiente que permita
manter o humor dessa população". Este cínico objectivo
implicaria reconfigurar o sistema educativo do modo
que se passa a sintetizar e se vem assistindo.


Excelência para poucos
Primeiro, há que manter um selectivo sector de
excelência que forme as elites científicas e de
gestão, enformado pelo modelo da escola clássica,
criador de espírito crítico.

No escalão seguinte, ensinam-se competências técnicas
com semi-vida estimada de dez anos e ligadas a
tecnologias efémeras. Competências descartáveis quando
as tecnologias são superadas e cuja aprendizagem não
exige autonomia, nem criatividade e, no limite, pode
ser feita em casa, frente ao computador. Ajustada ao
ensino multimédia à distância proporciona negócio às
grandes firmas e torna dispensáveis milhares de
professores, sonho economicista e político dos meios
do poder.


Ignorância para muitos
Resta o escalão dos supra-numerários (com emprego
precário e flexível) que, "jamais constituirão um
mercado rentável" e a quem "a transmissão de saberes
críticos e mesmo de comportamento cívicos e o
encorajamento à rectidão e à honestidade" é
indesejável.

A esses se destina a escola dos grandes números, a
escola que deve ensinar a ignorância coerente com
Brzezinsky. É a escola que produz ignorantes
diplomados, incapazes de compreender um texto, ou
serem proficientes em matemática. O ensino da
ignorância é objectivo ao qual os professores
tradicionais, apesar de excepções, se ajustam mal o
que implica a sua reeducação por neo-especialistas em
ciências da educação.

Estes peritos têm por missão impor condições de
"dissolução da lógica" no Ensino, real revolução
cultural porque, até recentemente, "toda a gente
pensava com um mínimo de lógica, com a notável
excepção dos cretinos e dos militantes" . Os
professores tornar-se-ão animadores de actividades
transversais e assistentes psicológicos. A escola será
um espaço acrítico, um local de animação
(Thanksgiving, Halloween...) confiada a associações de
pais, aberto a todas as mercadorias tecnológicas ou
culturais.


Fascinante e preocupante!
Difícil acreditar que haja esta estratégia capitalista
específica, mas as mesmas consequências resultam de
políticas incompetentes e do deslumbramento
estrangeirado que assolam o país. É imperativo de
cidadania reverter decisões e políticas que alicerçam
um Ensino da Ignorância que converta 80% dos
portugueses em supra numerários embrutecidos de uma
UE, ela própria, ameaçada pelo mesmo mal.
____

Manuel Gonçalves da Silva, Professor Catedrático da
Faculdade de Ciências e Tecnologia da UNL e membro do
painel Ciência e Sociedade

O Ensino do nosso Descontentamento + Comentários

[do meso autor e da mesma fonte, diário económico]

Em Lisboa, sem Física, uma escola pública preencheu
todas as 135 vagas em Engenharia Civil, outra,
exigindo Física e Matemática, ficou com 15% de vagas
por preencher.

Manuel Gonçalves da Silva

Em Lisboa, sem Física, uma escola pública preencheu
todas as 135 vagas em Engenharia Civil, outra,
exigindo Física e Matemática, ficou com 15% de vagas
por preencher. A frágil qualidade do ensino superior
de engenharia assenta em incompetências e compadrios,
como se ilustra com casos paradigmáticos, que urge
eliminar. Acesso facilitista à Engenharia

* A admissão a Civil, Electrotécnica ou Mecânica deve
exigir, ao menos, nota de 9,5 na prova de Física. Os
exames têm, porém, tido média em torno de 8, o que
reduz muito a ocupação das vagas disponíveis e o
subsídio estatal. Qual a solução adoptada pela maioria
das Escolas? Não exigir a prova de Física!

A manobra é rentável: por exemplo, em Lisboa, sem a
exigência da Física, uma escola pública preencheu
todas as 135 vagas em Engenharia Civil, enquanto
outra, exigindo Física e Matemática, ficou com 15% de
vagas por preencher, teve um corte de 15% no
orçamento, prejuízos de planeamento e transmitiu uma
imagem de insucesso. Estes procedimentos são
intoleráveis e requerem intervenção. Complementarmente
é indispensável recuperar o aprendizado da Física,
alicerce básico da Engenharia.

Médias mentirosas no acesso à Universidade
Outro truque é facilitado pela regra oficial de
cálculo da média na selecção dos "melhores" alunos:

* O peso da classificação do ensino secundário não
inferior a 50% e o das provas de ingresso não inferior
a 35 %.

As notas do "secundário", sabe-se, são mais altas do
que as das provas de ingresso. Logo, várias Escolas
atribuem 60% ao "secundário", em vez dos 50%
atribuídos pelas Escolas de maior rigor, e "derrotam"
a concorrência, conseguindo melhores médias aparentes
e mais alunos sem que a habilidade transpareça.

A comparação qualitativa entre Escolas, através da
média de entrada mais baixa, isto é, do "último
admitido", é outro logro: se uma Escola admite 120
alunos e outra 35, compara-se o 35º classificado da
segunda com o 120º da primeira! Se uma Escola exige
Física e a outra Desenho faz algum sentido comparar as
médias respectivas?

Mais (investigação) é menos?
O novo "eduquês" inclui um mestrado de 2º ciclo (nome
dado aos 4º e 5º anos, pós licenciatura de 3 anos) que
requer 42 unidades de investigação e um mestrado
integrado com 5 anos corridos (embora kafkianamente
exija diploma ao fim de 3) que apenas exige 30
créditos de investigação. Como autoriza o ministério
um ou outro?

A Direcção Geral pediu um parecer a dois académicos da
química da Universidade do Porto, um deles proeminente
na Ordem dos Engenheiros, e a um terceiro de área não
tecnológica. O parecer é desastroso, muito pior do que
o Ensino que subjuga:

* "Projecto" não deve ser ensinado nas Universidades,
onde o ensino não curricular deve ser "de natureza
científica". O erro é tal que dispensa análise.

* Mestrados integrados (os tais com menos
investigação) são, transcreve-se, de apoiar apenas nas
Escolas que desenvolvem nessas áreas de engenharia ...
investigação...em unidades ... com Muito Bom ou
Excelente.

Aos outros mestrados, os de 2º ciclo, que exigem mais
40% de investigação ... não é pedida essa qualidade.
Com este incompetente parecer, a Direcção Geral (DG)
vem introduzir graves iniquidades na engenharia
nacional.

Amigos só precisam de "Bom"?
Definido o critério acima descrito, critério que a lei
não comporta, a DG aplica-o, ou não, conforme a
arbitrariedade que lhe é consentida. Houve cursos sem
Muito Bom que foram aprovados. Houve cursos sem
unidade de investigação que foram aprovados. Sem que
se entenda e sem que o Ministro responda aos recursos
apresentados pelos rejeitados.

Engenharia Civil para Biólogos?
Para terminar com humor em alta, diz-se que está quase
aprovado um mestrado integrado de engenharia civil,
associado ao trivial "Bom", porque terá colaboradores
num Centro de Departamento de Zoologia que uma
Comissão de Biólogos classificou de "Muito Bom". Será
possível?

A alegada baixa qualidade das Escolas Públicas de
Engenharia vai ser sujeita a uma Agência de
Acreditação, com avaliadores estrangeiros, criação
favorita do ministro e de avulsos académicos, em geral
sem experiência profissional.

Os factos justificam outra proposta: que seja criada
uma Agência de Acreditação para decidir quem pode
exercer funções públicas adstritas ao Ensino,
incluindo as de Director Geral e superiores.


Manuel Gonçalves da Silva, Professor Catedrático da
Faculdade de Ciências e Tecnologia da UNL emembro do
painel Ciência e Sociedade

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Comentários

vg
Felizmente que a minha Ordem não passa título de
engenheiro apenas pelo "canudo".Por isso"sabem quem "
até nem estava interessado...A degradação da educação
é uma factura que vai ser paga por várias gerações.Não
se percebeu que a explosão do número de
alunos,legítima e democrática,impunha melhor qualidade
do ensino ,em vez do laxismo cómodo.Bem tuga...

LL
E ainda há quem bata palmas a Mariano Gago... É a
bandalheira esquerdóide no seu melhor! Falta pouco
para tentarem inscrever o direito ao "canudo" na
Declaração Universal dos Direitos do Homem. Já agora
dava-se logo um com a certidão de nascimento para
alegria dos papás e alívio do rebento. Ao Dr. Gago,
que para Ministro da República já sabíamos de outros
governos que não serve, eu recomendo-o para instrutor
da Brigada de Minas e Armadilhas, já que é perito em
desactivar bombáticas, nem que seja à custa de manter
no activo um bando de malfeitores que prejudicou e
continuará a prejudicar os incautos que lá se
matricularem.

Alentejano
Prf.,candidate-se a Ministro da Educação,e resolva os
problemas.Isto de ser "treinador" de bancada,é muito
bonito,mas resolver ,ou seja Governar,já é mais
complicado,não concorda.

Ana Fontes
O LL,desculpe,ou não percebe nada ou é parvo. Até
parece,que este Governo,é que tem culpa de tudo.Então
e os anteriores?E os cursos,que se tiraram nos anos a
seguir a 1974? Quem autorizou a Uni e outras? Quem tem
telhados de vidro,devia estar calado.Ao menos,leiam o
artigo,bem lido. Sinceramente.

Rui Baptista (ruivbaptista@sapo.pt)
A degradação do ensino superior começou com o 25 de
Abril, e continuou por aí adiante. Começou por se
transformar do dia para a noite cursos médios em
cursos superiores politécnicos. A princípio, com a
duração de 2 anos, depois de 3 anos e o grau de
bacharel, bem, depois, 4 anos e licenciatura. Agora
com a atribuição do mestrado! Fui, desde o início, um
crítico a pregar aos peixes, do ensino politécnico no
que se reporta à formação dos professores para o 1.º e
2.º ciclos do ensino básico, em que, por exemplo, um
professor licenciado pela universidade e um outro pelo
ensino politécnico só por este ter mais um valor de
formatura do que aquele lhe passa à frente nos
respectivos concursos para a docência do 2.º ciclo. De
supetão, surgem escolas superiores universitárias e
politécnicas privadas em que o ensino se transformou
numa espécie de padaria que distribui pão mal cozido
que sacia a fome de ignorantes com bolsas bem
recheadas. Em tempos mais recentes, surgiu o Processo
de Bolonha para degradar as licenciaturas
universitárias obtidas em anterioridade. No
estrangeiro ao 1.º ciclo de estudos superiores deu-se
o nome de bacharelato. Em Portugal de
licenciatura!...Mas onde o arrojo atinge proporções de
verdadeiro escândalo é o facto da Universidade
Independente ter admitido alunos sem o 12.º ano,
obrigando-se a obtê-lo no decurso do curso. Para mais,
"houve falsificação de diplomas do 12.º, ou
equivalente, para ingresso na Universidade
Independente", Mariano Gago, "dixit"! Rui Baptista
(Coimbra) CONTINUA!

Um engenheiro de ... RVCC
26 ministros depois... o que queria... desta veloz
democracia...espere pelos frutos da Novas
Oportunidades... que a procissão ainda vai no adro.

Rui Baptista (ruivbaptista@sapo.pt)
CONTINUAÇÃO Mas onde este "statu quo" atinge
verdadeiro escândalo é no que se refere ao Decreto-Lei
64/2006, de 21 de Março (obviamente, publicado antes
de rebentar o escândalo da Universidade Independente),
que estipula o acesso ao ensino superior
"independentemente das habilitações académicas". Quer
isto dizer, segundo a letra da lei, que o 1.º ciclo do
ensino básico "quantum satis" para o efeito! Estas
provas de acesso que se podem classificar de pontapé
no fundo das costas e já estás lá dentro, são elas
elaboradas pelo próprio estabelecimento de ensino e
classificadas por professores da casa!...Oportunidade
caída dos céus aos trambolhões, para possíveis
deputados sem o 12.ºano que encontraram aqui um
verdadeiro Cabo das Tormentas. Agora ele transposto há
que ir em frente com mar calmo e ventos de feição com
as velas enfunadas para uma universidade privada. O
pior já foi ultrapassado: não é que maganão do 12.º
ano era mesmo difícil? Porque ficaram surdos, os
vários ministros do Ensino Superior, às palavras do
Prof. Isidro Alves, antigo Reitor da Universidade
Católica, com mais de uma década? Recordo-as: "O poder
político não conseguiu programar o sistema, foi ao
sabor das ondas e, assim, resolveu problemas, em vez
de programar politicamente um sistema!". Prof. Manuel
Gonçalves da Silva, vai-me desculpar! Mas o facto de
haver uma faculdade pública de Engenharia que dispensa
os candidatos à sua frequência da disciplina de Física
do 12.º ano, é uma ligeira brisa no facilitismo que
reina no ensino superior nacional perante o verdadeiro
tsunami que sobre ele se abateu e virá a causar
prejuízos incalculáveis num futuro não muito distante
com candidatos a "Engenharia" recrutados de entre
indivíduos que demonstrem serem capazes de alinhar uns
tantos tijolos em cima dos outros e saibam contar até
100!... Rui Baptista (Coimbra)

Canudos
O drama dos canudos no país dos mesmos! Mas não há
drama nenhum! Os melhores trabalham como escravos, os
que tem um nome de família dirigem, sabe Deus como, os
que tem cunhas desenrascam-se (se não estorvarem já é
uma sorte) e os outros vão trabalhar como
trabalhadores indiferenciados. Quando quiserem
inquirir porque nada funciona já não há empresas para
estudar o fenómeno. Estes defeitos não são de esquerda
nem de direita são portugueses! Todos sabemos e todos
aceitamos! Como hoje é dia do trabalhador aqui vai a
minha saudação para os que com ou sem canudo trabalham
para pagar esta pesada factura.

LL
Claro que a desculpo, cara Ana Fontes! Desculpo-a pelo
insulto gratuito, que não é norma neste forum, como
também a desculpo por me ofender baseada em opiniões
que não escrevi: onde é que eu disse que a culpa é
somente deste governo? Que eu saiba o eduquês e a
democratização do ensino feita sem controlo de
qualidade é culpa de todos os governos. Todos,
incluindo este! Que vai deixar pior o que recebeu mau
no ensino superior. O que se pede ao Ministro da
tutela é que corrija o que está mal (o que Mariano
Gago objectivamente não faz) e não tente destruir o
que se está a fazer bem (como o tristemente célebre
acordo com o MIT). Agora lembrou-se de ter uma entrada
de leão com a ameaça de encerramento da Independente.
Vamos a ver se a saída não é de sendeiro pelos rabos
de palha do PM...

Tanta guerra meu Deus...
Foi necessário aparecer um Primeiro Ministro capaz de
reunir uma equipe e apresentar resultados para se
desencadear esta guerra de diplomas. Mais uma vez o
importante para este país são os diplomas e não as
reais capacidades de trabalho dos portugueses.
Estávamos todos distraídos, acordamos e eis que
descobrimos que estamos em Portugal. Entretanto o
Mundo vai rodando, Bill Gates é o homem mais rico do
mundo sem licenciatura nenhuma e Albert Einstein teria
reprovado no 12º ano se nascesse em Portugal. Peço ao
LL e Ana Fontes que se não zanguem!

G. Silva (mgs@fct.unl.pt)
Não sei se me é legítimo comentar os comentários, mas
gostaria de concordar com o tsunami do Rui Baptista.
Há muitos problemas, mas os maiores resultam da
passividade académica e da sua falta de interesse
pelas questões que não afectem cada um no imediato e
na proximidade. Bolonha vai mal, mas as Universidades
são grandes responsáveis porque nada fizeram, em
tempo, para tentar que fosse bem. Os pareceres são
indigentes porque quem os subscreve é míope
intelectual e esquece que há diversidade no Ensino e
não só aquilo que ensina. E, acima de tudo, há a
incapacidade orgulhosa de corrigir erros evidentes
(ainda que cometidos, quem sabe?, "por bem fazer"),
aliada ao tal "scratch my back" tornaram os dirigentes
e as instituições em repositórios de incompetência e
hipocrisia. Ou alguém acredita que o Ministro e
Ministérios não sabiam (não sabem) como funcionam a
maior parte dos cursos das privadas? Ou aceita que os
critérios de registo de cursos integrados de
engenharia pela Direcção Geral são aplicados com
isenção? Acredito que não.

Rui Baptista (ruivbaptista@sapo.pt)
Agradeço ao Prof. Gonçalves da Silva o comentário ao
meu comentário. Fi-lo por considerar o seu artigo de
um grande interesse e digno de ser meditado. Enviei
ontem, dia 2 de Maio, um artigo de opinião para o
"Diário de Coimbra", de que sou colaborador, em que
referencio o seu artigo: "O ensino do nosso
descontentamento". Título bem escolhido, pois o ensino
superior actual só pode ser, na verdade, o "nosso"
descontentamento. O descontentamento de todos aqueles
que assistem, lutando até à exaustão, como o Professor
(e eu dentro das minhas fracas possibilidades, de há
décadas a esta parte) para que das suas cinzas possa
renascer uma renovada Félix: um ensino superior
(porque o é na realidade!) e não um ensino degradado
até às fronteiras da indignidade e por elas fazendo
incursões à luz do dia ou pela calada da noite! Razão
assistiu ao falecido Francisco Sousa Tavares quando
escreveu: antes de 25 de Abril Portugal era um país de
analfabetos, hoje é um país de burros diplomados!

Inclusão e Exclusão

“A pior discriminação, a pior forma de exclusão é deixar a criança
sair da escola sem ter adquirido nenhuma aprendizagem, nenhum
conhecimento, sem as ferramentas mínimas para se integrar e participar
activamente das sociedades do conhecimento.
Depois de ter feito muitos estudos sobre vários países em todo mundo,
percebo que há uma tendência terrível: escolas para os meninos ricos
centradas na aprendizagem e escolas para os meninos pobres centradas
em tarefas sociais e assistenciais. Essa divisão, que tem aumentado
nos últimos anos, configura a possibilidade de duas escolas diferentes
para dois mundos sociais diferentes. Aceitar isso seria,
definitivamente, o fim do programa histórico da escola pública, o fim
de tudo aquilo que tentamos construir nos últimos 150 anos. Se não
formos capazes de reverter esse ciclo, prestaremos o pior serviço
possível às causas da inclusão e às causas dos mais desfavorecidos.”

António Nóvoa , in Desafios do trabalho do professor no mundo
contemporâneo., palestra.
O Link está no blog Terrear ou no meu blog.
sucosuquinhosucodinho.blogspot.com

Bloco de Esquerda - Inquérito a Docentes 2008

Caros Autores de Blogues sobre Educação,

É provável que tenham recebido recentemente a mensagem que de seguida se transcreve, sobre a versão actualizada, melhorada (e online) do inquérito a educadores do ensino pré-escolar e docentes do ensino básico e secundário, que o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda lançou há cerca de duas semanas, e cuja recolha de contributos decorre até dia 15 de Maio. Alguns de vós já colaboraram inclusivamente nesse inquérito a título individual, tendo-o provavelmente divulgado por email junto de colegas. O que muito agradecemos.

Neste momento, propomos que nos ajudem a divulgar – através do blogue de cada um de vós – esta iniciativa. É importante que os dados sejam o mais representativos possível, o que depende naturalmente no número de contributos recebidos. Se estiverem de acordo em colaborar, poderão utilizar (do modo que acharem mais conveniente) a mensagem seguinte, que procura justamente enunciar os objectivos deste questionário.

Com os melhores cumprimentos,

Nuno Serra

____________________

Caro(a) Professor(a),

Há cerca de um mês e meio, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda difundiu um inquérito dirigido a professores, através do qual pretendeu obter informações realistas sobre a carga horária e o número de turmas e alunos atribuídos aos docentes do Ensino Pré-escolar, Básico e Secundário. Os contributos recebidos, entre os quais se encontra a sua resposta – que muito agradecemos –, permitem refutar claramente os rácios de alunos por docente apresentados pelo Ministério da Educação, que apontam para médias entre 7 a 15 alunos por docente, consoante o nível de ensino.

De facto, segundo a estimativa decorrente da análise preliminar das respostas recebidas, constatamos que:

A um terço dos professores estão atribuídos mais de 100 alunos no ano lectivo em curso;

Cerca de 1 em cada 4 docentes lecciona a três ou mais anos de escolaridade distintos;

Mais de um terço dos docentes tem a seu cargo um número de turmas superior a 5.

O questionário então elaborado partiu da necessidade de constituir um documento simples e abrangente, de modo a que o mesmo se tornasse adequado a todos os docentes e níveis de ensino. Contudo, fomos sendo oportunamente alertados, por muitos dos professores que nos responderam, para um conjunto muito relevante de questões que merecem, de facto, maior clarificação e detalhe.

A diversidade de situações, actividades desenvolvidas e da natureza dos tempos subjacentes ao exercício das funções de docência é realmente muito significativa e requer, por conseguinte, que se considere um conjunto de questões capaz de captar de modo adequado a especificidade das diferentes situações. Por outro lado, fomos igualmente alertados para a necessidade de diferenciar domínios como o do Ensino Especial ou das modalidades formativas associadas à Iniciativa Novas Oportunidades. Por último, constatámos que o suporte utilizado na versão inicial do inquérito (documento de texto) não é o mais adequado e facilitador das respostas.

Estas razões levaram-nos a enriquecer e melhorar, substancialmente, os conteúdos do inquérito então divulgado, propondo neste momento uma nova versão, que permite um preenchimento directo, através do seguinte endereço:

Bloco de Esquerda - Inquérito a Docentes 2008

http://www.surveymonkey.com/s.aspx?sm=GkXdLh6_2ffW2cUAdLwsTlUg_3d_3d

(clicar ou copiar este endereço para uma nova página de navegação)

A versão actual do inquérito actual contempla três dimensões: Dados de Caracterização; Actividades Lectivas e Tempos da Actividade Docente. No segundo caso (parte II e III), cada docente deve escolher o nível e ciclo de ensino que se aplica à sua situação. As partes I e IV (relativas aos dados de caracterização e tempos da actividade docente) devem ser preenchidas integralmente por todos os respondentes. Para resolver eventuais dúvidas que se coloquem no decurso do preenchimento (que estimamos requerer entre 5 a 15 minutos), enviamos em anexo um documento de apoio, sem prejuízo de que nos contacte – sempre que surgir alguma dificuldade – para o endereço seguinte: educacao_be@be.parlamento.pt

Apelando à sua compreensão, solicitamos assim novamente a sua colaboração, que consideramos fundamental para aprofundar e dar a conhecer à sociedade um retrato realista e justo do quotidiano dos professores portugueses. Num tempo em que o discurso governamental despreza todo o esforço, empenho, dedicação e profissionalismo dos professores, deles descrendo enquanto agentes fundamentais da mudança educativa, é essencial demonstrar que as respostas que realmente importam no combate ao insucesso educativo e na promoção de um ensino de qualidade se encontram, antes de mais, na criação e reforço das condições de exercício da actividade docente, que o Ministério da Educação – na sua fúria persecutória e objectivos economicistas – tem sistemática e irresponsavelmente ignorado.

Cremos que é pela adopção de medidas tendentes à limitação do número de turmas, níveis de escolaridade e alunos atribuídos a cada professor, bem como pela adequação do tempo dedicado ao exercício das funções dos docentes, que se torna possível favorecer as condições para um acompanhamento mais individualizado e efectivo de cada aluno.

No final do próximo mês apresentaremos publicamente os resultados desta versão melhorada e enriquecida do inquérito, solicitando assim o seu preenchimento, até ao dia 15 de Maio, e a divulgação do mesmo junto de colegas.

Muito obrigado!

Com os melhores cumprimentos,

Ana Drago

(Deputada Parlamentar do Bloco de Esquerda)

Nuno Serra

(Assessor Parlamentar do Bloco de Esquerda)

Pessoal não-docente em situação de precariedade ou em risco de desemprego

Há sete mil funcionários não-docentes que terminam
os seus "contratos a 31 de Agosto e não sabem se terão
trabalho a 1 de Setembro". O alerta foi confirmado,
ontem, ao JN, pelo secretário--geral da Federação
Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE). A FNE tem
sido o sindicato mais participativo na negociação com
a Associação Nacional de Municípios e Ministério da
Educação sobre a transferência do pessoal não-docente
para as autarquias. Na quinta-feira, volta a reunir-se
com a tutela. João Dias da Silva - ontem reconduzido
na presidência da FNE - não esconde a sua preocupação.
É que o número de transferências referido pelo
Ministério é de 36 mil funcionários e esse universo
"não abrange os precários".
[cont. em:] http://jn.sapo.pt/2008/05/12/nacional/desemprego_ameaca_7_precarios.html

Ludgero Marques acerca das Novas Oportunidades

Santa Maria da Feira, 09 Mai (Lusa) - O presidente da
Associação Empresarial de Portugal (AEP), Ludgero
Marques, defendeu hoje a necessidade de haver
"verdade" na educação e formação em Portugal,
criticando a função meramente "estatística" do
programa Novas Oportunidades.

"Não se deve desvirtuar a qualificação com propostas
de formação, ou de novas oportunidades, que nos podem
servir apenas para questões de estatística. É bom que
haja definitivamente verdade na educação e formação em
Portugal", afirmou Ludgero Marques em Santa Maria da
Feira, na cerimónia comemorativa dos 159 anos da AEP.

Ludgero Marques, que termina no final de Maio o seu
último mandato enquanto presidente da AEP, definiu a
"falta de qualidade dos recursos humanos" como "o mais
grave problema do País" e das empresas portuguesas.

"Mais de 90 por cento das nossas empresas não têm
trabalhadores e quadros que possam responder às
necessidades das exigências da economia. E não tenho
dúvida que, se a qualificação dos trabalhadores fosse
melhor, os empresários e gestores teriam
obrigatoriamente de ser melhores", salientou.

"Os novos países que aderiram à União Europeia, com as
qualificações que têm, vão todos ultrapassar-nos,
exactamente por terem uma formação muito melhor que a
nossa", acrescentou.

O presidente da AEP afirmou que também há quem não
compreenda porque é que uma empresa com trabalhadores
e quadros de "baixíssima qualificação" não os pode
"substituir por outros qualificados no desemprego",
"inviabilizando a recuperação da empresa e provocando,
quantas vezes, a falência da mesma".

Para Ludgero Marques, "não são as empresas que têm de
zelar pela educação em Portugal", nem são os
empresários que fazem as reformas.

"Os nossos governantes têm de fazer mais e não podem
adiar a tomada de decisões", frisou, reconhecendo que
"também as associações empresariais têm de mudar".

"A minha maior frustração na área do associativismo
foi não ter conseguido a formação de uma confederação
única em Portugal, capaz de representar as empresas
portuguesas nas diversas instituições nacionais e
internacionais, com qualidade e utilidade", lamentou.

O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos,
reconheceu que há em Portugal "um défice de
qualificação dos recursos humanos, que, infelizmente,
demora mais tempo a ser resolvido" do que o défice
orçamental.

[*]"A imagem de que o País tem melhores recursos
humanos é um factor de competitividade", afirmou
Teixeira dos Santos, defendendo que Portugal mostre
para fora que está a melhorar a qualificação da sua
população activa.

A cerimónia de aniversário, que decorreu no
Europarque, foi aproveitada por várias personalidades
para homenagearem Ludgero Marques, que num discurso
emocionado agradeceu aos que consigo trabalharam
nestes 23 anos de liderança da AEP.

Numa mensagem lida na cerimónia, o Presidente da
República, Cavaco Silva, enalteceu a "dimensão
verdadeiramente nacional" que Ludgero Marques deu à
AEP, deixando uma "marca que constitui um exemplo de
dinamismo".

Também o presidente da Associação Industrial
Portuguesa - Confederação Empresarial (AIP-CE), Rocha
de Matos, enviou uma mensagem, anunciando a atribuição
a Ludgero Marques da Medalha de Ouro da AIP-CE.

FZ.

Lusa/Fim

Açores: Queixa sindical contra a inconstitucionalidade do ECD

[de Publico online]

Na Provedoria de Justiça
Sindicato dos Professores dos Açores apresenta queixa
contra Estatuto da Carreira Docente

05.03.2008 - 19h34 Lusa

O Sindicato Democrático dos Professores dos Açores
apresentou hoje uma queixa na Provedoria de Justiça,
na ilha Terceira, para contestar a alegada
inconstitucionalidade de algumas normas do Estatuto
regional da Carreira Docente.

O sindicalista Fernando Fernandes adiantou que "a
queixa é mais um passo num esforço de diagnóstico de
matérias incorrectas do Estatuto" que o sindicato tem
desenvolvido, por entender que os docentes a leccionar
no arquipélago são penalizados face aos colegas do
Continente. Em causa, alegou o sindicalista, está o
impacto das faltas dadas pelos docentes, por motivos
de saúde ou assistência à família, na avaliação do
desempenho, que vai começar em Setembro.

Fernando Fernandes explicou que os professores que
derem num ano mais de cinco por cento de faltas por
motivos de saúde serão penalizados na sua avaliação
anual de desempenho e, consequentemente, na progressão
da carreira. "Com o novo Estatuto, mais de 5 por cento
de faltas por saúde equivale a uma penalização na
avaliação, porque o ano deixa de contar para a
progressão da carreira", afirmou Fernando Fernandes,
para quem o Estatuto dos professores nos Açores é
"mais restritivo e penalizador".

Sendo a classe docente constituída na sua grande
maioria por mulheres, que são mães e faltam para dar
assistência aos filhos, o sindicalista alegou que este
aspecto do estatuto é injusto. O impacto da licença de
maternidade na avaliação de desempenho é outro dos
motivos para esta queixa, uma vez que o diploma "não
contempla mecanismos de salvaguarda para esta
matéria". "Se um docente não tiver 90 dias de aulas, o
que equivale a quatro meses e meio, não é avaliado,
logo não pode progredir na carreira nesse ano",
referiu Fernando Fernandes.

O sindicalista adiantou ainda que da queixa constam
questões referentes ao direito de amamentação, que o
Estatuto determina seja descontado fora do período
lectivo, ou seja, no tempo que os professores têm para
preparar as aulas.

O regime de trabalhador/estudante e a educação
especial são outros dos pontos de discordância entre o
Sindicato Democráticos dos Professores e a secretaria
regional da Educação e Ciências.

A agência Lusa tentou obter uma reacção da secretaria
regional do sector sobre este assunto, o que não foi
possível até ao momento.

O método da 96 condutas do docente

* copiado de
http://professoresramiromarques.blogspot.com/

O célebre método das 96 condutas é uma peça que ajuda
a compreender os malefícios do modelo de avaliação de
desempenho imposto pelo decreto regulamentar 2/2008. O
método está ser divulgado numa acção de formação para
PCEs e coordenadores de departamento e custa 200
euros. A acção de formação "oferecida" pelo INA está a
ter uma aceitação grande entre os PCEs e coordenadores
de departamentos. Apesar de custar 200 euros, a
procura foi tão grande que algumas ofertas esgotaram.
De entre algumas pérolas, eu destacaria 6 condutas:
"o professor cria ferramentas de controlo da sua
actividade e dos outros".
"O professor inova com ideias jamais testadas em
alguam lado" (esta, além de perigosa é
louca!-sublinhado meu).
"O professor cria e implementa processos claros e
reconhecidos pelos alunos para facilitar a sua
disponibilidade e apoio aos mesmos".
"O professor disponibiliza-se para actividades que
ultrapassem as suas obrigações horárias e
profissionais" (Esta é inacreditável! E por que não o
professor disponibilizar-se para adoptar um aluno
violento e levar para casa os alunos cujos pais
trabalham de noite?).
"O professor não gera mau ambiente no local de
trabalho" (um professor que questiona e que reage aos
atropelos e ilegalidades provoca mau ambiente?).
"É receptivo à mudança" (mesmo que sejam mudanças
tolas ou para pior?).

É bem possível que esta lista de 96 condutas seja
apropriada para fazer a avaliação de desempenho nas
empresas que vendem bens materiais e serviços. O que
eu sei é que é inadequada para fazer avaliação de
desempenho de profissionais que trabalham em escolas,
ou seja, em instituições que produzem bens espirituais
(conhecimento). Estou certo de que o formador procura
fazer o melhor que lhe é possível e é um profissional
com credenciais em avaliação na área empresarial. O
problema central não está nem no formador nem nesta
acção de formação: está no decreto regulamentar
2/2008, que impõe um modelo de avaliação de
professores que é próprio das organizações que vendem
bens materiais e não das escolas. O cerne do problema
está na política de educação seguida pelo Governo, uma
política empresarial para as escolas, e na legislação
aprovada, em particular o ECD, que desfigura a
profissão docente e pretende fazer dos professores
funcionários sem autonomia profissional e sujeitos a
uma avaliação comportamentalista, segmentada e
burocrática, de todo incompatível com as verdadeiras
funções do professor.
Para saber mais sobre este assunto, visite o blog Terrear.

Modelos de Avaliação - Comparação

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