terça-feira, março 11, 2008

Escola Secundária de Casquilhios: Suspensão do decreto 2/2008!

O CONSELHO PEDAGÓGICO DA SECUNDÁRIA DOS CASQUILHOS (BARREIRO) SUSPENDEU O PROCESSO DE AVALIAÇÃO NA SUA ESCOLA

OS CONSELHOS EXECUTIVOS E PEDAGÓGICOS SÃO ELEITOS PELOS PROFESSORES, DEVEM RESPEITAR A SUA VONTADE!

O Conselho Pedagógico da Escola Secundária dos Casquilhos (Barreiro) em reunião realizada no dia 5, decidiu, por unanimidade, “suspender a aplicação do decreto regulamentar 2/2008 (sobre a avaliação de desempenho) aguardando a decisão dos tribunais relativamente às providências cautelares interpostas”.

O Conselho Pedagógico da escola agiu de acordo com a vontade da maioria, respeitando o mandato dado aos coordenadores pelos professores dos respectivos departamentos. Agiu também de acordo com a lei, a qual considera que os procedimentos relativos à avaliação de desempenho não são válidos enquanto não houver decisão dos tribunais.

O Ministério da Educação quer fazer dos Conselhos Pedagógicos e Executivos meros aplicadores das suas directivas. Mas eles são órgãos eleitos pelos professores, e não de nomeação ou confiança política de qualquer governo. É necessário que os órgãos de gestão das escolas de todo o país ouçam os professores e ajam de acordo com o seu mandato, não se deixando intimidar pelas pressões do ME.

Este é um dos passos fundamentais para se chegar à revogação do decreto regulamentar 2/2008. É também um dos passos fundamentais para se caminhar em direcção à revogação do ECD da Ministra, origem de toda a actual situação de desmantelamento da nossa carreira e de instabilidade nas escolas.

Deste ECD parte tudo: a divisão dos professores em duas carreiras; a avaliação de desempenho; a agora regulamentada “prova de competências”, que cria mais um estrangulamento à entrada na carreira dos professores contratados.

Em reunião sindical, também realizada no dia 5, os professores da Escola Secundáriados Casquilhos reafirmaram o seu acordo para, em unidade com todos as nossas organizações, prosseguirmos a luta em defesa das reivindicações urgentes da nossa classe:

NÃO A ESTA AVALIAÇÃO! REVOGAÇÃO DO DEC. 2/2008!

NÃO À “PROVA DE COMPETÊNCIAS” PARA OS CONTRATADOS!

PELA REPOSIÇÃO DA CARREIRA ÚNICA! REVOGAÇÃO DO ECD DA MINISTRA!

Barreiro, 8 de Março de 2008

A Comissão sindical da

Escola Secundária dos Casquilhos



segunda-feira, março 10, 2008

Que opinião vergonhosa, senhor Emídio Rangel!

Protesto

Como professor, repudio, de forma veemente e triste, a opinião emitida pelo Sr. Rangel, na coluna "Coisas do Circo" (CM, de 08-03-08). Caso o jornal não emita, num dos seus próximos editoriais, um pedido formal de desculpa aos professores, como forma de protesto pelas barbaridades aí escritas e pelas ofensas nela contidas, eu, que sou leitor assíduo do jornal, vou deixar de o adquirir para sempre e exercer a minha influência para que outros façam o mesmo. Espero também que todos os meus colegas tomem igual postura... Afinal, fomos mais de 100.000, não contando com muitos outros que, por razões diversas, não puderam estar presentes.


Não deixem de ler e reenviar... por favor!
(in Correio da Manhã de 08.03.08) - Vejam ficheiro; cliquem na imagem!

Como é que é possível um anormal deste calibre envergonhar e emitir opiniões absurdas destas num jornal, chegando a ofender (eu sinto-me altamente ofendido) milhares de pessoas em praça pública?? Uma opinião que começa com um relato de algo que ainda nem sequer tinha começado.... O Jornal saiu antes de se iniciar a manifestação!!!

Desculpem a minha ignorância mas pergunto: é possível processar este anormaloide? Reparem como trata Professores, Partidos, etc.

Que demonstração de raiva, de ódio desmesurado, sei lá de que mais... revelando também que não percebe nada de educação, simplesmente relatando as mentiras que têm circulado acerca desta classe que está a ser massacrada como nunca se viu em lado nenhum...

NEM TENHO MAIS PALAVRAS!!!!!
Quem quiser protestar para o dito cujo ou para o jornal poderá fazê-lo através do endereço cartas@correiomanha.pt .

Escola Secundária D. Maria II: Suspensão imediata da Avaliação

Os professores do Departamento de Línguas e Literaturas, da Escola Secundária D. Maria II, Braga, na sua reunião ordinária de hoje, 5 de Março, abordaram, inevitavelmente, o modelo de avaliação que nos querem impor. Após demorada, participada e viva discussão, os respectivos professores decidiram redigir e aprovar o documento que, de seguida, transcrevo na íntegra:

. Atendendo a que, sem fundamento válido, se fracturou a carreira docente em duas: professores titulares e não titulares;

. Atendendo a que essa fractura se operou com base num processo arbitrário, gerando injustiças inqualificáveis;

.Atendendo a que os parâmetros desse concurso se circunscreveram, aleatória e arbitrariamente, aos últimos sete anos, deitando insanemente para o caixote do lixo carreiras e dedicações de vidas inteiras entregues à profissão;

. Atendendo a que, por via de tão injusto concurso, não se pode admitir, sem ofensa para todos, que seguiram em frente só os melhores, e que ficaram para trás os que eram piores;

. Atendendo a que esse concurso terá repercussões na aplicação do assim chamado modelo de avaliação, já que, em princípio, quem por essa via acedeu a titular será passível de ser nomeado coordenador e, logo, avaliador;

. Atendendo a que, por essa via, pode muito bem acontecer que o avaliador seja menos qualificado que o avaliado;

. Atendendo a que o modelo de avaliação é tecnicamente medíocre;

. Atendendo a que o modelo de avaliação é leviano nos prazos que impõe;

. Atendendo a que o modelo de avaliação contém critérios subjectivos;

. Atendendo a que há divergências jurídicas sérias relativas à legitimidade deste modelo;

. Atendendo a que o Conselho Executivo e os Coordenadores de Departamento foram democraticamente eleitos com base nas funções então definidas para esses órgãos;

. Atendendo a que este processo, a continuar, terá que ser desenvolvido pelos anunciados futuros Conselhos de Escola, Director escolhido por esse Conselho, e pelos Coordenadores nomeados;

. Nós, professores do Departamento de Línguas, da Escola Secundária D. Maria II, não reconhecemos legitimidade democrática a nenhum dos órgãos da escola para darem continuidade a um processo que extravasa as funções para as quais foram eleitos;

. Mais consideram que:

. Por uma questão de dignidade e de solidariedade profissional, devem, esses órgãos, suspender, de imediato, toda e qualquer iniciativa relacionada com a avaliação;

. Caso desejem e insistam na aplicação de tão arbitrário modelo, devem assumir a quebra do vínculo democrático e de confiança entre eles próprios e quem os elegeu, tirando daí as consequências moralmente exigidas.

Notas:

1 – Dos 22 professores presentes, 21 votaram favoravelmente e 1 votou ccontra:
2 – Para além de darem conhecimento imediato deste documento aos órgãos, ainda democráticos, da escola, os professores decidiram dá-lo a conhecer a todos os colegas da escola;
3 – Decidiram também dar ao documento a maior divulgação pública possível, e enviá-lo directamente para outras escolas e colegas de outras escolas;
4 – Pede-se a todos os professores que nos ajudem na divulgação deste documento, e que o tomem como incentivo e apoio para outras tomadas de posição;
5 – Este documento ficou, obviamente, registado em acta, para que a senhora ministra não continue a dizer que nas escolas está tudo calmo, e que só se protesta na rua;
6 – A introdução e as notas são da minha exclusiva responsabilidade;
7 – Tomo a liberdade de agradecer com prazer aos professores da Escola Secundária D. Maria II, Braga, e principalmente às mulheres, as mais aguerridas, pelas posições firmes que têm assumido, e por rejeitarem qualquer outro lugar que não seja a linha da frente da luta pela dignidade docente. É um orgulho estar entre vós.

Sistemas de avaliação em países europeus: Alemanha e Suíça

E então na famosa Finlândia??
"Neither teachers nor their teaching are evaluated in Finland as such. However, the principal is always the pedagogical leader of his/her educational institution, thus being responsible for both instruction and teaching staff. Most schools have a quality system, which includes annual development discussions. These discussions are organised to evaluate the achievement of the objectives set for the previous year and the teaching staff's objectives or needs for the following year."

Uma tradução à pressa:

Nem os professores nem o seu ensino são avaliados como tal na Finlândia. No entanto o director é sempre o responsável pedagógico da sua instituição, sendo, por conseguinte, responsável pela instrução e pelo corpo docente. A maioria das escolas têm um sistema de qualidade que inclui discussões anuais tendo em vista o aperfeiçoamento. Estas discussões são organizadas para avaliar os objectivos estabelecidos para o ano anterior e os objectivos do corpo docente ou necessidades para o ano seguinte.

Se assim for,parece-me um sistema burocraticamente aligeirado baseado, sobretudo, na responsabilidade. Parece-me também uma avaliação centrada na escola e no seu aperfeiçoamento e não uma avaliação punitiva bloqueante da carreira dos professores.
Para saber mais sobre os sistemas educativos europeus ver o site www.eurydice.org
Haverá outra profissão que seja avaliada diariamente como a nossa? Pelos alunos e respectivos pais?
Isabel G.

Debater a Precariedade

Escola a crédito:
estudar para a precariedade ?

Precári@s Inflexíveis
convidam:
Rui Tavares - Historiador e jornalista
António Nóvoa - Reitor da Universidade de Lisboa

Quarta-feira 12 Março
19h Sala de Exposições
Fac. Letras (Universidade Lx)

O PI - Precários Inflexíveis é um grupo de denúncia e resposta à precariedade no trabalho e na vida. precariosinflexiveis@blogspot.com

Avaliação dos professores contratados

Os professores contratados que cumpram seis meses numa
escola e que entretanto deixem de dar aulas sem serem
avaliados podem ficar sem os seus contratos de
trabalho renovados.
O aviso, lançado pelos sindicatos da edução, faz
manchete na edição desta segunda-feira do Diário de
Notícias, a qual acrescenta que a medida pode abranger
os sete mil professores que a ministra da Educação
garantiu à SIC estarem em condições de ser avaliados
já neste ano lectivo.
Os sindicatos afirmam ainda ser este mais um exemplo
da precipitação da entrada em vigor do processo de
avaliação por parte do Ministério.
O secretário-geral da Fenprof lembra mesmo que os sete
mil professores que a ministra Maria de Lurdes
Rodrigues referiu sábado no Jornal da Noite estarem em
condições de serem avaliados são docentes contratados,
que nunca poderão ter a sua avaliação concluída de
imediato, por este ser um processo que demora dois
anos.
Segundo Mário Nogueira, além de colocar em causa as
renovações dos contratos dos professores contratados,
a avaliação dos docentes apresenta outras graves
injustiças.
«Não faz sentido nenhum que se avalie o desempenho de
um ano inteiro apenas em três meses, o que só vem
provar que este é um processo precipitado», argumenta
Mário Nogueira, que acusa a ministra da Educação de
confundir avaliação, que decorre durante dois anos,
com classificação.
Na fase da negociação do processo de avaliação dos
docentes entre o Ministério da Educação e os
sindicatos, ficou estabelecido que um professor terá
de dar um mínimo de seis meses de aulas num mesmo
estabelecimento de ensino.
O objectivo da medida é, por um lado, o de encontrar
solução para os casos de docentes contratados por
curtos períodos de tempo e que mudam constantemente de
escola e, por outro, criar alguma relação entre o
docente e a escola onde vai ser avaliado.
Desta forma, todos os professores que cumpram menos de
seis meses numa escola podem voltar a ser contratados
sem qualquer tipo de condicionantes, mas os que passem
o mínimo de tempo exigido pelo processo de avaliação
ficarão impossibilitados de renovar contrato enquanto
não receberem a correspondente nota positiva

In Diário Digital- 10-03-2008 8:24:10

Reportagem Fotográfica da Marcha da Indignação de 8/Março

Veja aqui uma reportagem fotográfica da Marcha da Indignação de 8/Março/2008


Proposta para discussão

Luis Filipe Torgal questiona:

«Quando estará este Ministério da Educação disponível para reflectir
e debater com os professores as questões de fundo e disfunções da
escola pública (currículos, programas, práticas pedagógicas, a obscena
burocracia em que as escolas soçobraram, qualidade e caminhos do
ensino profissional, obviamente, processos de formação e avaliação de
professores, etc.)?»

Quando Maria Lisboa exclama:

«Portanto não me falem de reformas, não me falem de castigos para os
professores, não me falem da necessidade de intervenção de pais e
forças vivas, não me falem de passagens para as autarquias (que como
já vimos não cumpriram enquanto detentoras do domínio do pré-escolar
e do 1º ciclo e ainda menos das AEC), não me falem de avaliações como
medida de promoção do mérito, não me falem de cursos de formação (dos
vários tipos) e de novas oportunidades. Falem-me, sim, do objectivo
da escola, do que queremos que ela "produza". »


Paulo Guinote denuncia a campanha mediática anti-profs:

«Constato factos e explico-os à luz de um certo e determinado perfil
que deve ser indispensável para ter sucesso no mundo da direcção dos
jornais que, como sabemos, é um universo indispensável da democracia,
mas que ao que parece - com as devidas excepções - anda com os seus
problemas comerciais e uma pessoa interroga-se sobre o porquê de
pessoas de tanto sucesso não conseguirem demonstrá-lo na sua prática
profissional. »

Eu verifico que está bem esclarecida entre nós a essência da questão:

Augusto Santos Silva involuntariamente deu a deixa (pois disse, em tom
de desprezo, que nós não sabíamos distinguir «os democratas» -referia-
se a ele e aos seus acólitos- do Salazar).

Há um enorme défice democrático neste país!!!

O poder é sempre tendencialmente totalitário. Se há uma maioria
absoluta, ela tende a exercer o poder de modo absoluto.

A única alternativa, a meu ver, é nos auto-organizarmos ao nível de...

- escola (e/ou agrupamento):
com um núcleo local em defesa da escola pública englobando
docentes ,funcionários não-docentes, encarregados de educação e alunos

- local (ou concelhio): reunindo as escolas e indivíduos para
coordenarem as acções ao nível local, distrital (ou regional):
federando as várias instâncias locais.

- nacional: organizando encontros periódicos para dar visiblidade mas,
sobretudo, para enraizar o hábito de se debater com vista a obter
consensos que depois se devem traduzir em acções no terreno.

Antes de mais é um desafio pedagógico de cidadania.

Eis a minha proposta para discussão (pode ser considerada uma achega
para Leiria, dia 15)

Manuel Baptista

Sindicatos: A Luta Continua. Tomada de Posição da FENPROF

Semana Nacional de Luto nas Escolas

Os professores e educadores portugueses reafirmam (na Marcha de 8 de Março) a sua profunda indignação e, por esse motivo, reafirmam, também, toda a sua determinação para prosseguirem a luta, caso as suas propostas não sejam tidas em conta, anunciando, desde já:

- Uma Semana Nacional de Luto nas Escolas na última semana de aulas deste segundo período, ou seja, a próxima, adoptando-se o luto nas escolas entre os dias 10 e 14 de Março. O vestuário escuro e a colocação de sinais visíveis de luto nas escolas - apelando-se à criatividade dos professores, que tão bons resultados tem dado nesta luta - será a forma de manifestarmos o nosso mais veemente protesto pelas actuais políticas educativas. Um luto que os professores adoptarão sempre que um membro do Governo se desloque à sua escola e da visita se tenha conhecimento prévio.

- A aprovação de "Tomadas de Posição" nas escolas, ao longo da Semana de Luto, que reafirmam a resolução que hoje aprovamos e serão enviadas ao Primeiro Ministro, à Ministra da Educação e à Comissão Parlamentar de Educação.

- A entrega ao Governo, no primeiro dia de aulas do 3º período, do Abaixo-Assinado que hoje (na Marcha) correu e correrá, ainda, nas escolas, em que se reafirmam, mais uma vez, as posições que iremos aprovar.

- A promoção, ao longo do 3º período, das "Segundas-feiras de Protesto", como forma de iniciar cada semana de trabalho. Os professores concentrar-se-ão em locais públicos, como têm feito, e manifestar-se-ão de acordo com o seguinte calendário: 7 de Abril - iniciativa para divulgação do calendário das acções e locais de concretização; 14 de Abril - protestos no Norte do País, em todas as suas capitais de distrito e em algumas das maiores cidades da região; 21 de Abril - protestos na região Centro; 28 de Abril - protestos na área da Grande Lisboa; 5 de Maio -protestos no Sul e nas Regiões Autónomas. Após esta ronda retomaremos o protesto pela mesma ordem.

- Marcação de um Dia D, de Debate, no 3º período, em que os professores, em todas as escolas e agrupamentos, tendencialmente no mesmo dia e à mesma hora, paralisarão a sua actividade para reflectirmos sobre as suas condições de trabalho e do exercício da profissão, para além de aprovarem posições que serão tornadas públicas.

- Promoção de uma Campanha em Defesa do Horário de Trabalho, com a distribuição de esclarecimentos e minutas para que seja requerido o pagamento do serviço extraordinário sempre que, em qualquer semana, sejam ultrapassados os limites legalmente estabelecidos , quer em actividade lectiva ou não lectiva, quer em reuniões.

Da intervenção de Mário Nogueira, no Terreiro do Paço

Testemunhos da Marcha da Indignação

Olá pessoal!

Grande dia este sábado! Mostrámos a nossa força, e uma
união pouco vista da nossa classe.

A todos aqueles que foram, gostava que me mandassem o
vosso testemunho desse dia. Aquilo que viram, aquilo
que sentiram, pormenores que tenham gostado, etc
Se tiverem fotos, também agradeço. Gostava de os
publicar nos blogs onde participo.
Leiam o meu testemunho aqui

Quem me mandar o testemunho, assine apenas se quiser.

Cumprimentos, Filipe Araújo
Movimento Democracia
visiense@sapo.pt

A LUTA CONTINUA! DEPOIS DISTO, NÃO PODEMOS PARAR!

Análise da imprensa do dia da Marcha da Indignação

Frete De Sábado De Manhã
Paulo Guinote

Se exceptuarmos o Público que deu espaço na primeira página à
contestação dos professores, a imprensa de sábado de manhã fez os
possíveis por assobiar para o lado quanto à manifestação que se
preparava para esse dia, mesmo se abordava o assunto nas páginas
interiores.
O caso do Público, obviamente, é explicado pela sapiência comum como
um resultado do falhanço da OPA da Sonae.
O resto não sei o que o explicará.
Ou talvez saiba.
A verdade é que um punhado de directores de jornais e outros órgãos de
comunicação social, ditos de "referência", são desde há muito
profundamente hostis para com a classe dos professores e educadores.
Não alinho em teorias da conspiração ou cabalas.
Eu acredito sinceramente que <> não gostam de <>. Coisas da
infância, ou juventude, sei lá. Poderes analíticos superiores. Ouvem a
palavra <> e disparam as sinetas no cérebro. Não há beta-
blocker que resista.
Constato factos e explico-os à luz de um certo e determinado perfil
que deve ser indispensável para ter sucesso no mundo da direcção dos
jornais que, como sabemos, é um universo indispensável da democracia,
mas que ao que parece - com as devidas excepções - anda com os seus
problemas comerciais e uma pessoa interroga-se sobe o porquê de
pessoas de tanto sucesso não conseguirem demonstrá-lo na sua prática
profissional.
* Se o Correio da Manhã parece um pouco à margem desta questão e tem,
curiosamente, uma pluralidade de olhares sobre o tema, no caso do
Público, José Manuel Fernandes só na última semana deu uma <> à razão dos professores.
* No Diário de Notícias, João Marcelino parece ver nos professores uma
espécie de nemésis incompreensíveis. Não revela especiais (ou mínimos)
conhecimentos sobre o sector, mas isso não o impede de fazer uma
espécie de comentário futebolístico comprometido com uma das equipas.
Quase lembra os relatos daqueles jornalistas objectivos que gritam
<> a plenos pulmões quando a sua equipa marca e alegam fora-
de-jogo quando os <> empatam.
* No Expresso, Henrique Monteiro não dá qualquer hipótese aos
professores, reclama para si ideias revolucionárias sobre o tema
(adiante, em outro post, já as veremos) e dita de cátedra que os
docentes são uns ineptos conservadores, no que é acompanhado pelo seu
vice Fernando Madrinha, que a cada manifestação de rua vê o fantasma
do PC erguer-se, maus uns quantos Gulags atrás.
* No Sol, não se percebe bem sobre que mundo escreve o director.
Felizmente tem andado fora da área da educação, mas verdade seja dita
que a edição deste sábado do jornal é lamentável. Talvez seja
explicável, pelo contrário, à luz dos escritos de José António Lima
que alinha pela aversão ás posições dos docentes. Basta tê-lo lido no
sábado, dia 1 e ver que blogues o citam a propóstio.
* No Jornal de Notícias, a tarefa de zurzir forte e feio nos docentes
parece ficar reservada a uma segunda linha, de que é exemplo o
editorial de hoje de David Pontes, director-adjunto. Neste editorial
David Pontes faz de tudo um pouco: recusa a tese de alinhamento de
muita comunicação social com o poder usando como argumento a cobertura
do acontecimento pelas televisões. Ou seja, não compreende que se algo
vende, a TV mostra. Seguindo a sua lógica transparente, David Pontes
achará que a cobertura do caso Maddie confirma o apoio da comunicação
social a potenciais raptores (homicidas?) de crianças. Para culminar,
e por mero acaso, Pontes atinge, qual Pacheco Pereira, o <> do
seu poder argumentativo. É sempre emocionante descobrir palavras
novas. A mim acontece-me ao ler Mia Couto. David Pontes deveria
experimentar.
* Já quanto à TSF, Paulo Baldaia em duas semanas seguintes ultrapassa
os limites do razoável na sua forma de escrita persecutória em relação
aos professores em crónicas exactamente no JN, a quem ainda atribui
outros malefícios cívicos estranhos. Neste sábado, evoca mails
anónimos que atribui a professores (nem sequer lhe ocorre que alguém
pode forjar uma identidade num mail), cita Carvalho da Silva como
exemplo de sindicalista bom (o qual este ontem, para mim erradamente,
no Terreiro do Paço a discursar). Dá a entender que tem um problema
com o civismo dos docentes. No entanto, a rádio que dirige noticiou na
passada semana um putativo processo judicial contra mim, mas não se
deu ao trabalho de me contactar sobre o assunto. Nada de mais: os
princípios cívicos e ético-profissionais quando nascem não são para
todos.
Como, apesar disto, os professores ainda conseguiram passar parte da
sua mensagem - que não se resume aos comunicados da Fenprof como
muitos destes senhores parecem acreditar, por comodidade de
<> - é quase um mistério que só o profissionalismo de
muitos outros jornalistas conseguirá explicar.
E muito do ressentimento acumulado pelos professores ao longo destes
anos se deve ao facto de, contrariamente a advogados, médicos, juízes,
arquitectos ou outras profissões superiormente qualificadas, eles
nunca terem disposto nos jornais de mais do que um cantinho nas Cartas
ao Director, se possível com a missiva truncada.
Porque de Justiça podem falar juízes e advogados.
Da situação da Saúde, podem falar os médicos e os seus representantes.
E assim sucessivamente por vários sectores de actividade.
Só de Educação parece ser condição sine qua non ser não-professor para
ter tempo de antena na imprensa <>.

Desmistificação do conteúdo e da forma das políticas educativas do ME

Ainda que mal pergunte: existe algum país democrático onde um Governo
tenha desejado e conseguido instituir uma reforma em qualquer das suas
áreas vitais sem a participação maior ou menor dos seus protagonistas?

Sou e sempre fui professor a tempo inteiro e dedicação exclusiva e
ainda tenho a paixão por trabalhar na sala de aula com os meus alunos.
Sou também pai de uma aluna que frequenta a escola pública. Nunca fui
militante de nenhum partido (embora não consiga imaginar uma
alternativa ao sistema democrático partidário) e não me move, por
isso, como diz invariavelmente o primeiro-ministro, sempre que ocorre
uma manifestação contra a sua política, uma intenção de luta
partidária ou sindical, como se tal comportamento fosse um crime de
lesa-democracia. Fiz a minha formação académica superior (nove anos:
licenciatura, estágio no ramo educacional e mestrado) na Universidade
de Coimbra e considero-me defensor do rigor e da exigência na
educação. É justamente em nome desses valores que desejo aqui
desmistificar o conteúdo e a forma das políticas educativas do
Ministério da Educação (ME).

1. Esta redentora ministra da Educação optou por legislar em catadupa
sem nunca ouvir os professores. Desautorizou as escolas e execrou os
seus docentes, desprezou os pareceres do consagrado Conselho Nacional
de Educação e abjurou as opiniões de todas as associações
profissionais de professores. Ainda que mal pergunte: existe algum
país democrático onde um Governo tenha desejado e conseguido instituir
uma reforma em qualquer das suas áreas vitais sem a participação maior
ou menor dos seus protagonistas? Alguém acredita que seja possível e
legítimo implementar em Portugal reformas, por exemplo, nos sectores
da Saúde e da Justiça à revelia das opiniões de médicos, enfermeiros,
juízes e advogados?

2. Este ME, porque desprezou as opiniões dos professores, engendrou,
unilateralmente, um sistema de avaliação de docentes kafkiano,
perverso e impossível. É kafkiano porque não são claros os objectivos
e os critérios de avaliação basilares exigidos e, por isso, as grelhas
de avaliação instituídas são tão labirínticas e herméticas que
transformam o mais meritório e excelente professor (avaliador e
avaliado) num frustrado, taciturno e, nos casos mais patológicos,
prepotente escriba. É perverso porque, tratando-se de um modelo de
avaliação arrevesado, desgastante e controverso, deveria primeiro ser
discutido, experimentado e corrigido, e não iniciado de modo impetuoso
a meio de um ano lectivo; é perverso porquanto põe professores de
áreas disciplinares diferenciadas e em muitos casos com competências
científicas e pedagógicas inferiores a avaliar os seus pares; é
perverso porque põe ao mesmo nível e condiciona a avaliação de
professores de áreas disciplinares tão heterogéneas como Educação
Física, Educação Tecnológica, Introdução às Tecnologias da Informação
e da Comunicação, Educação Moral e Religiosa Católica, Matemática,
Ciências, Português ou História pelas classificações académicas dos
seus alunos; é perverso porque admite que a avaliação dos professores
possa ser condicionada por pais e encarregados de educação, os quais,
salvo honrosas excepções, mal conhecem os professores, raramente vão
às escolas e quase sempre responsabilizam os docentes pelos erros dos
filhos e deles próprios; em última análise, é perverso porque, a médio
prazo, vai, inevitavelmente, criar nas escolas um ambiente de forte
crispação e extorquir aos docentes ainda mais tempo e tranquilidade
para aquilo que eles têm a obrigação de fazer melhor: preparar aulas e
leccionar. É impossível porque muitos docentes titulares terão tantos
professores para avaliar que não irão conseguir conciliar no seu
horário lectivo as aulas leccionadas nas suas turmas com as aulas
assistidas nas turmas dos professores avaliados; é impossível porque
não existem inspectores disponíveis com formação científica adequada
para avaliar os professores titulares avaliadores de todas as
disciplinas.

3. Este ME engendrou, unilateralmente, um novo diploma de gestão
escolar que limita a democracia directa nas escolas públicas. Na
prática, suspeito que a autonomia das escolas continuará a não passar
de mera retórica. Entretanto, aumentam perigosamente os poderes do
Director (antigo presidente do Conselho Executivo), que deixará de ser
votado em eleições directas maioritariamente pelos seus pares. O
Conselho Pedagógico passa a ser nomeado pelo Director e terá apenas
poderes consultivos, facto que pulveriza o princípio do primado das
questões pedagógicas e científicas sobre as questões administrativas
(será esta a estratégia admirável forjada pelo ME para abrir caminho
às tais lideranças fortes?!). Os professores perdem a maioria no
Conselho Geral (antiga Assembleia de Escola) - que, entre outras
funções, elege o Director - em nome de uma suposta abertura inovadora
das escolas às autarquias e à comunidade local. Isto apesar de todos
sabermos que esta velhíssima e até hoje quase impraticável aspiração
esteve sempre contemplada no sistema ainda em vigor: com efeito, a
ainda actual Assembleia de Escola já integra vários elementos da
autarquia e da comunidade local que, como a realidade tem demonstrado
à saciedade, são em regra incapazes ou estão indisponíveis para
participarem de forma mais empenhada e criativa nas escolas. Por outro
lado, os agrupamentos de escolas passam também a depender do poder dos
autarcas, os quais agem muitas vezes movidos por interesses
arbitrários e são não menos vezes desprovidos de sensibilidade, de
cultura e de conhecimentos científicos e pedagógicos para interferirem
de forma francamente positiva nos destinos destas instituições.

4. O novo estatuto do aluno decretado quase a meio do ano lectivo
determina que, em nome do combate ao insucesso escolar, os estudantes
dos ensinos Básico e Secundário não reprovem por faltas
injustificadas. Doravante, estes irão poder comparecer nas aulas
quando lhes aprouver e depois fazer sucessivas provas de recuperação
nas disciplinas onde forem acumulando excesso de faltas. A ideia é
peregrina, e é o mínimo que apetece dizer: desresponsabiliza os alunos
e os seus encarregados de educação; potencia actos de indisciplina e
de total absentismo que constituem já o drama cada vez mais
insuportável de tantas escolas; responsabiliza e desautoriza os
professores e até parece não compreender que tais alunos só providos
de inspiração divina poderão reunir condições mínimas para alinhavarem
as respostas às questões enunciadas nas provas atrás mencionadas.

A maior parte da legislação produzida por este ME tem apenas um
propósito: aumentar rapidamente o sucesso educativo através da
burocratização sistemática das escolas (como se educar significasse
burocratizar); manter os alunos todo o dia fechados em escolas vedadas
e, em demasiados casos, nada aprazíveis, bem como converter estes
locais em "fábricas" capazes de produzir em massa e com menos dinheiro
um sucesso educativo formatado e desalmado - como se o complexo
sistema educativo das escolas portuguesas pudesse ser decalcado por
decreto pelas cartilhas tecnocráticas que determinam a organização de
uma qualquer empresa capitalista...

Mas, como é depois possível que a melhoria do sucesso educativo
vislumbrado nas estatísticas possa coincidir com o sucesso científico,
educacional, técnico e artístico intrínseco obtido por cada aluno?
Decididamente, esta é uma questão que os amanuenses do ME, a sua
infalível ministra e o rigoroso engenheiro Sócrates desprezam e
devolvem aos professores. De facto, esse não é um problema digno de
ocupar os espíritos dos governantes portugueses, os quais vivem
tragicamente divorciados do mundo real e são desprovidos de qualquer
imaginação e sentido prospectivo.

Entretanto, enquanto estes se entretêm com as suas diáfanas jogadas
políticas, os professores lá vão continuando a desenvolver
estoicamente o seu trabalho de campo em condições cada vez mais
insuportáveis - turmas mais numerosas; alunos mais desmotivados e mal-
educados; apoio psico-pedagógico insuficiente prestado aos alunos
necessitados; professores com horários de trabalho formais mais
repletos, mais níveis, mais turmas, mais alunos e menos horas semanais
para leccionar a cada turma; burocracia inútil e esquizofrénica
(torrentes de reuniões, mais grelhas, matrizes, relatórios, actas,
planificações, planos educativos e uma panóplia de outros documentos
inenarráveis para elaborar); nenhum tempo para pensarem e planificarem
as aulas; nenhum tempo para actualização científica; tempo e paciência
esgotados para descodificarem a forma, o conteúdo e o alcance
metafísicos das sucessivas leis evacuadas pelo ME; serões perpétuos
passados a elaborarem e corrigirem resmas de fichas de avaliação;
ambiente escolar mais arrebatado e, em certos casos, violento;
indisponibilidade de tempo para a família.

Quando estará este Ministério da Educação disponível para reflectir e
debater com os professores as questões de fundo e disfunções da escola
pública (currículos, programas, práticas pedagógicas, a obscena
burocracia em que as escolas soçobraram, qualidade e caminhos do
ensino profissional, obviamente, processos de formação e avaliação de
professores, etc.)? Até quando estarão os professores dispostos a
consentir que a arrogância e o folclore pseudo-reformista das
políticas educativas deste Governo abastardem irremediavelmente as
suas vidas e penhorem o futuro do País?

Diria para terminar, à maneira de síntese, que esta política de
educação imposta num tempo de crise desperta-nos para uma máxima
fundamental e urgente (antes que seja tarde...): é preciso educar a
política ("esta politica"... escrita em minúscula), é urgente que os
políticos sejam educados. A política em democracia não é uma arte do
poder, à maneira maquiavélica, mas é um exercício de rigor e de
diálogo, é uma vivência de cidadania.

Luís Filipe Torgal
Professor de História do 3.º ciclo do Ensino Básico
Em educare.pt

Não me falem de "reformas" educativas!

[recebido via Amélia Pais]
.
Aí está! Não a bem da educação, do ensino, da formação do futuro
cidadão interventor! E esse é o problema... o país é uma entidade de
costas largas em nome da qual se têm feita politicamente os maiores
disparates. E, normalmente, quando se vem com a história do "a bem do
país" está-se, simplesmente, a tentar remediar asneiras que políticos
fizeram, querendo deixar nome em DR com as mais absurdas "pseudo-
reformas", nunca pensadas, nunca apropriadas às questões em causa,
nunca para o bem dos cidadãos mas sempre para o bem de um país de que
eles são os únicos "accionistas". E para o bem do país copiam-se
reformas de países como a Inglaterra e outras "terras", reformas essas
que não tendo dado resultados já foram postas de lado nesses países.
.
Sim. A Educação não vai bem.
Não há resultados!
Todos o sabemos e todos temos consciência disso.
Ninguém quer que fique como está.
.
A Educação (falando dela como de um bolo, um todo) tem inúmeras
variáveis de contexto, funciona como um puzzle. O problema é que este
ME anda a colocar enfeites numa série de peças do puzzle, sem qualquer
fundamentação, sem qualquer estudo que suporte as suas "reformas" e
não toca na principal.
Partiram de estatísticas sobre insucesso e abandono, divulgadas a
nível da Europa, mas não tentaram, nestes 3 anos, saber quais as suas
causas, quais os problemas que levavam à sua existência. Chegaram
insultando e denegrindo os professores, contribuindo ainda mais para
que algumas causas desses resultados crescessem. Quiseram, apenas,
através do que iniciaram, justificar a redução de professores, a
sobrecarga de trabalho, as medidas que nos impuseram para castigar os
calões, englobando nesta categoria todos os professores. Não
analisaram condições de trabalho, não fizeram investigação de
problemas. Fundamentaram-se nos resultados e no ouvir dizer. Nivelaram
por baixo todo o trabalho existente nas escolas. Atribuíram-nos
privilégios. Atribuíram-nos mordomias. Fizeram crer à opinião pública
e aos ALUNOS e seus PAIS que os professores são um bando de
malfeitores, ricos, sem escrúpulos, sem apresentar trabalho. Tiraram-
nos toda a dignidade e todas as armas que pudéssemos usar nas escolas
para pedir trabalho aos alunos. Não contentes com isso, dizem
taxativamente aos alunos que não necessitam de ir à escola - haverá
uma prova de recuperação! Como é que uma prova recupera?! Dizem aos
alunos que os resultados deles não são culpa da sua falta de trabalho,
mas sim da falta de trabalho dos professores! Onde fica a autoridade
do professor para os obrigar a trabalhar?!
.
Ainda não satisfeitos, apesar de todos os relatórios da IGE, inventam
a figura de um Director, inventam que não deixamos entrar os pais nas
escolas e que portanto têm que ser estes e as "forças vivas da terra"
a mandar para pôr os professores nos eixos!
Cumulativamente inventam um processo de avaliação diabólico, em que se
passa o ano a preencher fichas e mais fichas para implementar, sem
qualquer experiência, com prazos e normas absurdas, tudo isso a meio
dum ano lectivo, indo coincidir com a parte mais importante da vida
das escolas - a aferição de resultados dos alunos.
Continuam, num ME que se pressupõe da educação, a não perceber que não
trabalhamos "ao ano civil", mas sim de acordo com um calendário
próprio que se chama ano lectivo. Continua, este ME a não perceber que
não é pondo rendas nas peças do puzzle que envolve a peça principal
chamada "ensino e consequente aprendizagem" que se vai lá.
Continua, este ME, a não perceber que não é uma questão de
envolvimento, mas sim uma questão do que se ensina e de que exigências
fazer, o problema principal. Ainda ontem, VL acusava AB de ter
contribuído para a implementação da baixa sucessiva de resultados.
Quer isto dizer que ele sabe exactamente qual é o problema da
educação. No entanto não querem mexer-lhe porque ele próprio é um
defensor das mesmas pedagogias e da mesma forma de estar relativamente
às aprendizagens. Basta ver a sua proposta de um ensino básico
"prolongado na vida" e a infantilização cada vez mais acentuada que
isso vai provocar nos nossos jovens/adolescentes.
.
Continuam a suceder-se reformazinhas a toda a volta da peça principal.
Continua a sair legislação, diariamente: leis, decretos-leis, decretos
regulamentares, despachos, circulares, memorandos, explicações de
articulados que por não saberem escrever (culpa dos professores, de
certeza!) podem ter diversas interpretações, power points que servem
de legislação, e depois segue-se outra catadupa de documentos das mais
variadas "etnias" legislativas que revogam o anterior, que alteram
parte de um outro, que regulamentam aqueloutro, que explicam o que não
souberam dizer. Não há escola nem professor que resista a toda esta
diarreia legislativa, a este tsunami de leis! E tudo isto sem ter em
conta os relatórios que vão produzindo ou as opiniões dos diversos
suportes de aconselhamento que eles próprios instituem. E tudo isto
sem mexer no cerne da questão: que cidadão se quer formar, que valores
e que conhecimentos deve adquirir na escola, que expectativas para a
vida activa se lhe deve propiciar.
Para isto diz-se aos alunos que não vale a pena estudar, no ciclo
normal de estudos, porque quando deixarem de ter a idade de frequência
obrigatória poderão "adquirir" um diploma em 2 ou 3 meses ainda por
cima com "brinde" - um computador a preço da chuva.
Continua a ter-se um ensino para formar "dótôres", coisa que muitos
dos nossos alunos não querem ser (grande parte do insucesso vem daqui)
e depois inventam-se CEF e outros quejandos, em vez de se instituir,
nas escolas, cursos de formação de raiz, para dar oportunidade, a quem
quer ser um "especialista" em qualquer arte/ofício, a ter,
simultaneamente, acesso a uma formação e à aquisição de uma cultura
básica. E como o ensino assim não funciona, nivela-se por baixo,
fazendo com que, quer os que querem ser doutores, quer os que querem
ser profissionais de "qualquer coisa", tenham um número reduzido de
aprendizagens e caminhem para o insucesso por falta de interesse, por
falta de exigência (não nossa... mas sim institucional), por falta de
oportunidades.
.
Portanto não me falem de reformas, não me falem de castigos para os
professores, não me falem da necessidade de intervenção de pais e
forças vivas, não me falem de passagens para as autarquias (que como
já vimos não cumpriram enquanto detentoras do domínio do pré-escolar e
do 1º ciclo e ainda menos das AEC), não me falem de avaliações como
medida de promoção do mérito, não me falem de cursos de formação (dos
vários tipos) e de novas oportunidades. Falem-me, sim, do objectivo da
escola, do que queremos que ela "produza". Dêem-me o direito a ter
autoridade para exigir o cumprimento de normas e de aprendizagens.
Depois disto peçam-me satisfações. Até lá metam a mão na consciência e
reconheçam os erros dos sucessivos ME e não acusem os professores, em
praça pública, apenas com o fito de arrecadarem 30 dinheiros para
poderem pagar a "especialistas em não se sabe o quê" compilações em
legislação educativa, ao preço mensal do custo de um campo de jogos
(que a minha escola não tem), de um laboratório, ou mesmo de uma sala
de convívio que faça com que os alunos sintam a escola como sua, e
para os quais dizem não haver verbas para dispender, apesar da "srª
ME" dizer que o problema do seu ministério não é dinheiro!
.
Quanto à nossa avaliação de desempenho, vou só referir o problema
último e mais grave deste "quiproquó" (explicá-lo-ei noutro post). A
avaliação entre pares é muito bonita, diz a "srª"! Pois é! Só que a
"srª" não explica a ninguém que avaliadores, avaliadores/avaliados e
só-avaliados são decisores e simultaneamente candidatos às MESMAS
CLASSIFICAÇÕES, às MESMAS QUOTAS de notações que dão benefícios para
progressão na carreira. Nas reuniões de decisão quanto às
classificações só não estarão os só-avaliados. E isto é maquiavélico!
.
Sim! A escola não está nada bem!
Mas não são operações de lifting, nem maquilhagens que vão mudar os
resultados. Podem mudar as estatísticas, mas não alteram os
resultados!

Publicado por Maria Lisboa em http://professorsemquadro.blogspot.com/

Dar a conhecer a escola real e promover assembleias nas escolas
















Isabel Guerreiro



Assunto: Sugestão prática

O problema mais grave com que nos deparamos neste momento parece-me
ser a desinformação sistemática sobre tudo o que se passa nas nossas
escolas e sobre as verdadeiras razões da nossa luta. Qualquer fala-
barato se permite falar sobre os problemas da educação sem conhecer
minimamente as condições das nossas escolas. Nesse sentido parecia-me
interessante organizarmo-nos para fazer frente a essa desinformação,
designadamente incitando as pessoas a virem avaliar as condições
tantas vezes deficientes em que somos obrigados a trabalhar. Essas
visitas seriam também uma óptima oportunidade para distribuirmos um
documento claro sobre as razões da nossa luta, a escola pública que
defendemos e sobre as consequências desastrosas que para ela terá a
política deste governo.

Olá Isabel,

Estou com a sensação de que não existe (ainda?) um
eixo definido nesta luta actual.
Isto porque as propostas sindicais, embora válidas, me
sabem a pouco e porque as vozes fracamente coordenadas
dos movimentos têm nenhum efeito, a não ser dar algum
protagonismo às pessoas mais activas dentro destes.
Aquilo que continua por fazer... o trabalho de casa,
esse é - mais uma vez- eternamente adiado!
Quando me refiro ao trabalho de casa é os
trabalhadores (incluindo os EEs, afinal trabalhadores
como nós, na sua imensa maioria) se unirem em
assembleias nos locais de trabalho, tratarem de
decidir o que fazer ecomo fazer. A partir daí, pode-se
continuar a lutar.
Se não apelarmos a fazer reuniões DENTRO das escolas o
que estamos nós a fazer???
A tua proposta faz sentido para fazer numa dessas
assembleias que eu refiro: aliás não haveria outra
maneira de a levar à prática, se eu bem entendi.
Como a tua proposta, haverá imensas que as pessoas
farão se tiverem opoertunidade, nos seus locais de
trabalho.

Temos de convocar reuniões, com ou sem sindicatos!
Os sindicatos dizem que vão fazer um dia de reflexão
nas escolas... no 3º período!
Eu acho que devemos fazer isso, mas várias vezes,
renovando essas assembleias de reflexão e DECISÃO, e
quanto mais cedo melhor!

Aguardo feed-back da lista!

Solidariedade,
Manuel Baptista

A CONFAP do Albino Almeida não é "a voz dos pais"

António Castela Diz:
Março 4, 2008 at 5:54 pm

Caros senhores

Soube do V. Blogue pela notícia da TSF.
E vim aqui apenas para vos informar de cinco questões:

1 - Em fevereiro de 2007 aquando da apresentação de uma candidatura independente política e partidariamente aos órgãos sociais da CONFAP constituída por 5 Federações Regionais, elementos anónimos mas notoriamente apoiantes da candidatura do Sr. Albino Almeida lançaram um blogue - As Farpas - para caluniar e desfazer o nome dos que lhe seriam oponentes. Gravuras de todo o tipo, algumas a raiar a obscenidade, reproduções de cheques inexistentes, textos plenos de mentira, tudo valeu. O silêncio do Sr. Albino Almeida sobre esta matéria foi exemplar. Daqueles de que se costuma afirmar que quem cala consente. Levantado um processo crime contra os autores, ainda hoje desconheço qualquer resultado…
2 - As eleições 2007 da CONFAP foram exemplares em golpadas por parte do sr. presidente da MAG, candidato da lista do sr. Albino e personagem bem conhecida pela arrogãncia agressiva contra professores, ipss, e pais e associações de pais que não sejam vox dixit ministerial. O Sr. Fernando Gomes foi exímio em sistemáticas anulações do processo eleitoral, recostruindo paulatinamente os cadernos eleitorais que passaram de cerca de 1200 associados em fevereiro, para os derradeiros 250 em setembro do mesmo ano e das mesmas eleições. Ufano reconheceu esse número para o jornal público, para explicar o inexplicável, ou seja o expurgo do incomodatório.
Esta situação deu lugar a um processo ainda a decorrer em tribunais.
Por outro lado por efeito de um Protocolo com o Ministério que é público e por via de um regulamento aprovado em conselho consultivo, uma verba insignificante dos mais de 150 mil euros que o ministério envia para a CONFAP, é redistribuído pelas Federações Regionais (entre 10 e 15 mil euros).
Albino Almeida usurpou estas verbas às federações que se lhe opuseram em processo eleitoral. Razão: aquelas federações tinham recorrido para os tribunais e obrigaram a CONFAP a gastar dinheiro com advogados. Houve queixas para o Ministério, mas nada.
3 - Agora em Assembleia Geral no passado domingo é anunciado o desfalque de 60 mil euros na CONFAP pelo tesoureiro do sr. Albino Almeida.

4 - Por fim, relembrar: a) a clásula quatro do protocolo com a CONFAP que reza que “1. a confap apresentará até 30 de Julho de cada ano um plano das actividades a executar no ano lectivo seguinte; 2. Até 31 de Março de cada ano apresentará também um relatório detalhado das actividades e contas relativos ao ano lectivo anterior.”
Assim não se entende como houve transferência de verbas nos primeiros oito meses de 2007, quando os pressupostos para elas serem legais só foram concretizados em 15 de Setembro, data em que uma assembleia restrita aprovou contas, plano e relatório. E o Ministério foi atempadamente avisado disso.

5 - E relembrar ainda a alínea a) do nº 1 da Cláusula Primeira do Acordo CONFAP/Ministério que esteve na origem daquele protocolo de financiamento e que reza: “A CONFAP compromete-se a: a) pôr em prática uma parceria escola-família, com clara demarcação de funções e sem qualquer tipo de ingerência no exercício da actividade docente” Marçal Grilo ministro e Fernando Regateiro confap dixit.

António Castela (FERLAP) no blog A Educação do Meu Umbigo

http://educar.wordpress.com/2008/03/04/a-confap-pretende-processar-me/#comment-33173

Proposta vinda da SALADOSPROFESSORES

Olá a todos,
Professores como eu.

Não consideram que nos encontramos no momento
certo para mais do que fazer manifestações e vigílias que parecem não
estar a ter o efeito que todos queremos, (apesar de toda a divulgação
na comunicação social),e que é o recuo deste ministério nas suas
políticas erradas que estão a matar a educação neste país,não devemos
nós todos dizer à sra Ministra e ao governo que nos recusamos a
trabalhar assim, e o ministério e o país não nos merece, não merece o
nosso trabalho?
Para mim é hora de fazermos uma semana de greve geral ao trabalho!
Depois do 8 de Março, antes ou depois do 2º periodo terminar, e em
tempo de aulas, é hora de dizermos basta!

Organizemo-nos mesmo à margem dos sindicatos e unamo-nos nesta ideia.
Abraço a todos.
:hand: :naughty:
É hora, companheiros, é hora!

Veja-o aqui

http://www.saladosprofessores.com/forum/index.php?topic=12406.0

Encontro dos Movimentos em Lisboa a 8 de Março, no Ateneu

From: Em defesa da Escola Publica


> Caros colegas,
>
> Recebemos algumas respostas, relativas à reunião
> para afinarmos estratégias comuns. No entanto, e
> tendo em conta que os colegas são de longe e no dia
> seguinte estamos todos na manif em Lisboa, passamos
> a fazer uma nova proposta:
>
> ENCONTRO EM LISBOA no dia 8 de MARÇO para trocarmos
> ideias e podermos marcar então a data de uma reunião
> alargada.
>
> SE PENSÁSSEMOS NA REUNIÃO com TODOS OS COLEGAS,EM
> LEIRIA, no dia 15, poderia ser que desse para alguns
> virem na véspera (14) e prepararmos o(s)
> documento(s) a aprovar pela assembleia da Plataforma
> Nacional.
>
> Resumindo: reunião em Lisboa, neste sábado. Digam a
> que horas chegam e marca-se um local de encontro. De
> acordo?

> Abraço muito solidário
>
> Fernando José Rodrigues
>
> blogue
> http://emdefesadaescolapublica.blogspot.com/
>
> Movimento Cívico
> Em defesa da Escola Pública
> --
> Participa! Discute! Passa a palavra!

Assembleia Magna de todos os movimentos - Leiria

Caros colegas e cidadãos,

Aproximam-se momentos importantes na luta por uma escola pública e democrática.

Os diversos movimentos têm sido o eco importante do profundo mal-estar
que reina entre os docentes, conseguindo mobilizar, sem outros apoios nem
máquinas aparelhísticas, milhares de cidadãos.

A acção destes movimentos não colide com a dos sindicatos; pelo
contrário, se não fosse a acção decidida de grupos de cidadãos
empenhados e de milhares de docentes nas ruas, os sindicatos ainda
estariam amarrados a pequenas vigílias, sem conseguirem dar expressão
à voz de professores e de muitos outros cidadãos.

Neste contexto, seria importante que estes movimentos,
independentemente da sua forma de organização, se reunisssem numa
Plataforma Nacional e definissem formas de acção conjunta.

Assim, o Movimento Cívico Em Defesa da Escola Pública, convida
representantes dos diversos movimentos para uma reunião em Leiria,
sexta-feira, 7 de Março, pelas 20.30.

Nesta reunião ( 2 ou 3 elementos por Movimento) redigiríamos um
Manifesto Comum que seria apresentado, discutido e votado numa
Assembleia Magna de todos os Movimentos, a realizar no dia 15 de
Março, pelas 15 horas, no Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria.

Pensamos que Leiria é o lugar mais central e adequado para as
deslocações dos colegas.

Esperando a vossa resposta urgente,
Movimento Cívico
Em Defesa da escola Pública
Vitorino Guerra
Acácio Bárbara
Fernando José Rodrigues

domingo, março 09, 2008

Seremos capazes de encontrar uma forma comum?

Chegada da Marcha da Indignação, fui ao site da FENPROF à procura de informação sobre a grandiosa manifestação a que assisti. Sim, li bem - “cem mil, número confirmado às 17h25” - e prossegui lendo que este foi um “ protesto gigantesco dos educadores e professores portugueses, presentes nesta Marcha da Indignação, a maior manifestação de sempre do sector da Educação. Um oceano de revolta inundou o Terreiro do Paço: é tempo de respeitar os professores e de pôr fim a uma política que os desrespeita e desconsidera”. Fiquei curiosa de saber quais as propostas de luta a partir deste ponto. O que vão agora os professores fazer a seguir para continuar demonstrado o seu descontentamento? Era o que eu procurava saber. A resposta foi “Semana Nacional de Luto nas Escolas: de 10 a 14 de Março”. Luto? Mas luto porquê, por o movimento dos professores estar bem vivo, por se ter conseguido manifestar em conjunto, numa grande Marcha da Indignação, apesar das divergências? Mas será isso razão para os professores fazerem luto? Luto porquê se foram eles que saíram vencedores desta primeira batalha? 100 000 professores e educadores não é número que se menospreze assim. Por que insistem os sindicatos no luto dos professores? Que significado positivo poderá ter esse luto?

E eu, que sou mãe, encarregada de educação e cidadã consciente que se preocupa com a educação? Também devo estar de luto? Não vejo razões. Luto ponho eu quando a causa estiver perdida, quando a escola pública deixar de existir para todos, quando a educação for paga e a qualidade do ensino público preparar os meus filhos apenas para serem mão-de-obra barata, sem formação nem cultura, apenas aptos a aceitar sem questionar que o seu emprego se sujeite à flexigurança, desprovidos de capacidade de argumentação, sem perspectiva histórico-filosófica, sem sentido crítico, sem exigência nem preparação, simplesmente formatados para se adequarem ao sistema. Então aí terei razões para pôr luto pelo futuro comprometido dos meus filhos e pela minha incapacidade de intervenção no presente para não permitir esse futuro.

Ninguém a partir de hoje tem motivos para estar de luto porque a nata dos professores velhos e novos estava ali e havia muitos pais e muitos cidadãos e muita gente, muita gente com vontade de dizer: não estamos contentes, estas políticas não nos servem, não as queremos. Saberão os sindicatos interpretar esta vontade conjunta das massas? Poderá a melhor solução ser submeter os professores a uma semana de luto? E depois virão as férias da Páscoa e tudo ficará para trás? São estes os sindicatos que se propõem a negociar o que não podemos aceitar? Os movimentos dos professores vão contentar-se com esta resposta à sua mobilização?

Foi na procura de uma resposta a esta pergunta que a seguir participei numa reunião dos movimentos dos professores no Ateneu Comercial de Lisboa. Como mãe, encarregada de educação, presidente de uma associação de pais participante no Movimento Associativo dos Pais (MAP), membro da Comissão de Defesa da Escola Pública e cidadã interessada nas questões do ensino, tinha necessidade de saber qual a posição dos movimentos ali presentes em relação à participação obtida por esta Marcha e de que forma deveríamos agir a partir dela.

Parecia simples ter feito sair dali um comunicado em que todos nos congratularíamos pela grandiosidade da Marcha e nos proporíamos a prosseguir o nosso projecto de de defesa unida da escola pública num encontro agendado para o dia 15 de Março em Leiria. Parecia simples encontrar uma forma para exprimir um mesmo conteúdo: continuamos como antes empenhados em defender a escola pública, conservamos na retina a imagem da nossa força quando nos juntamos. Por que tudo parece tão simples quando se vê todas as pessoas caminhando lado a lado por uma mesma causa? Por que tudo se torna tudo tão complicado quando algumas pessoas se juntam para discutir que forma e que fundo dar a esse movimento?

O tempo urge, temos uma semana de reflexão para encontrar as motivações para que esta luta renove o seu sentido. Dentro de uma semana voltaremos a nos reunir, possivelmente em Leiria para determinarmos quais os pontos comuns, que princípios defendemos para a escola pública, que políticas queremos ver retiradas, que acções podemos desenvolver e ajudar outros a desenvolver. Apesar de todas as divergências que possamos ter, se realmente queremos agir em conjunto, e em conjunto com as massas que hoje saíram à rua para dizer BASTA!, valerá a pena orientarmos os nossos movimentos para em conjunto encontrarem uma linha de acção. Se não puder ser uma linha política, porque certamente existirão várias linhas políticas, ao menos que seja uma linha de acção orientada na defesa da escola pública e na defesa de um ensino de qualidade. Se assim for, lá estarei.

Paula Montez

quarta-feira, março 05, 2008

APELO à MARCHA DA INDIGNAÇÃO, LISBOA - 8/MARÇO/2008

COMISSÃO DE DEFESA DA ESCOLA PÚBLICA

http://escolapublica2.blogspot.com escolapublicablog@gmail.com

Todos na Manifestação Nacional de 8 de Março

Sim a uma Escola Pública para qualificar e formar as jovens gerações

Sim ao respeito pela dignidade da função docente

A grave situação em que se encontra a Escola Pública, fruto da aplicação de mais de 20 anos de “reformas” sucessivas, por todos os governos – para a adaptar às exigências das instituições da União Europeia – em conjugação com o conjunto dos problemas sociais que inevitavelmente se reflectem na vida de centenas de milhar de alunos, implicam a reorganização e refundação da Escola Pública.

Esta exigência só poderá realizar-se com a participação empenhada dos docentes, pedra angular do sistema de ensino, e em cooperação com os restantes intervenientes no processo educativo, em particular os pais e encarregados de educação.

Para se iniciar este caminho é urgente restabelecer a tranquilidade e a confiança entre os professores e educadores, o que exige a revogação ou suspensão de todos os despachos, decretos e leis responsáveis pelo mal-estar e pela legítima revolta dos docentes.

A maioria absoluta dos deputados eleitos pela população trabalhadora tem o dever de responder a esta exigência, chamando à Assembleia da República estas medidas, para as revogar ou modificar, e não continuar a subordinar-se às orientações e directivas das instituições da União Europeia.

Participemos na manifestação convocada, em unidade, por todos os sindicatos dos professores, para que esta seja mais um elo fundamental para a ligação das iniciativas dos professores e educadores, que se têm vindo a desenvolver por todo o país.

Sim a uma carreira única dos professores - Revogação do ECD!

Sim a uma avaliação formativa, para melhorar a qualidade das respostas educativas das escolas - Revogação do decreto-lei sobre a avaliação do desempenho dos docentes!

Sim a equipas pedagógicas multidisciplinares, assentes no profissionalismo responsável, na democracia e na cooperação - Revogação do decreto de gestão escolar, que institui o director e os coordenadores nomeados!

Sim às respostas educativas para todos os alunos, a começar pelos que têm problemas de aprendizagem ou pertencem à Educação especial!

Sim à cooperação com os pais e encarregados de educação!

Sim à responsabilização do Estado pelo Sistema Nacional de Ensino!

Não à sua fragmentação! Não à sua municipalização!

Sim a tudo o que de positivo a Escola de Abril construiu, dos jardins-de-infância e ATLs ao ensino superior (das ciências, às letras e às artes) - Ruptura com as directivas da União Europeia!

A Comissão de Defesa da Escola Pública, do Concelho de Oeiras

28 de Fevereiro de 2008

CONTACTOS: carmelinda_pereira@hotmail.com (telem: 966368165); degomes@gmail.com (963262578); montez.paula@gmail.com (967636341)

Livro de Presenças e Faltas na Marcha da Indignação 8/3/2008


Secretário-geral dos TSD vai estar na manifestação, mas não em representação do PSD

Manifestação de professores: Ana Benavente pondera ir, Louçã será o único líder presente

Publico última hora

04.03.2008 - 23h00 Margarida Gomes, São José Almeida, Sofia Branco


A militante e dirigente socialista Ana Benavente ainda não sabe se irá à manifestação de professores convocada para o próximo sábado, em Lisboa, que se destina a protestar contra a política da educação do actual Governo. “À manifestação em Lisboa só irei se houver um grupo descomprometido com a Fenprof ou de professores socialistas”, disse ao PÚBLICO a ex-secretária de Estado da Educação dos governos socialistas de António Guterres.

Por sua vez, Manuel Alegre, o candidato a secretário-geral que disputou a liderança com José Sócrates e que ficou em segundo lugar nas eleições para Presidente da República, declarou ao PÚBLICO que não irá a nenhuma manifestação. “A nenhuma. Não vou a nenhuma, nem a uma nem a outra”, afirmou, peremptório.

A outra a que Alegre se refere é ao comício de apoio ao PS marcado para o sábado seguinte ao da manifestação de professores, no Porto. “Ao comício do PS não vou. Nem sequer às Novas Fronteiras tenho ido, não faz sentido ir ao comício”, afirmou Ana Benavente, lançando um desafio à actual direcção socialista: “Onde eu iria era a um debate no interior do PS sobre a escola pública e as actuais políticas educativas.”

A socialista Teresa Portugal também não irá, “por opção, face à minha posição de deputada”. “Isso não impede, estando ou não estando, de fazer críticas ao que está a acontecer. Vejo com muita preocupação que não haja nenhum sinal no sentido do diálogo, mas de um braço-de-ferro, numa área em que as situações de conflitualidade têm consequências imprevisíveis. Não vale a pena assobiar para o ar, a situação deve ser encarada de frente. É a primeira vez que o país está suspenso de uma situação de conflitualidade com estas características e esta dimensão”, realçou. E sobre o comício de apoio ao PS, disse: “Soube pelos jornais. Ainda nem sequer pensei nisso, não é coisa que me preocupe muito.”

O líder do PSD, Luís Filipe Menezes, deu o seu apoio expresso ao protesto dos professores, mas não estará presente na manifestação que considera "legítima" e "um grande protesto de repúdio às políticas educativas". Aliás, durante todo esse dia estará, juntamente com o líder parlamentar, Pedro Santana Lopes, na reunião do Conselho nacional do partido, que decorre na Maia.

Contactados pelo PÚBLICO, a eurodeputada Ana Gomes, e os deputados Victor Ramalho e João Soares adiantaram que não vão poder participar no comício do Porto. O ex-homem-forte do PS, Jorge Coelho, ainda não sabe se pode estar presente. “Neste momento não faço ideia se posso ir”. Quanto à manifestação dos professores, sublinha que “apesar de ser professor, a sua vida já não está virada para manifestação”.

Já Arménio Santos, secretário-geral dos Trabalhadores Sociais-Democratas, vai juntar-se ao protesto. “Não vou em representação do partido, mas como responsável pela estrutura laboral, onde estão integrados muitos dirigentes sindicais”, referiu ao PÚBLICO. “Vou estar ao lado de uma causa absolutamente justa. Os professores têm sido muito maltratados na sua dignidade profissional. O Governo tem sido muito infeliz e arrogante na abordagem aos problemas da educação”, acrescentou. Emídio Guerreiro poderá ser o único deputado social-democrata a acompanhar Arménio Santos.

O coordenador nacional do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, será o único líder partidário a estar presente na manifestação – aliás, já foi o único a comparecer no protesto de 5 de Outubro de 2006. Será acompanhado por mais alguns membros da Comissão política do partido, em grande parte composta por professores.

Sem dizer directamente se estará ou não presente na manifestação, Jerónimo de Sousa adiantou que já tem a agenda preenchida para o fim-de-semana: estará no Porto e no Seixal. Mas apelou aos “professores comunistas” para que se juntem à manifestação de “protesto e indignação” marcada para sábado, sublinhando que “a sua presença é mais valiosa do que a do secretário-geral ou de uma delegação de dirigentes do partido”. Questionado pelo PÚBLICO, o líder parlamentar comunista, Bernardino Soares, escusou-se a dizer se iria ou não estar presente.

Quem vai

Francisco Louçã (BE)

Outros dirigentes da Comissão política do Bloco de Esquerda, em grande parte composta por professores

Arménio Santos, secretário-geral dos Trabalhadores Sociais-Democratas

Quem não sabe ainda

Ana Benavente (PS)

Emídio Guerreiro (PSD)

Quem não vai mas critica

Manuel Alegre (PS)

Teresa Portugal (PS)

Luís Filipe Menezes (PSD)

Paulo Portas (CDS-PP)

Jerónimo de Sousa (PCP)


Associação de Português e de Matemática de fora

Conselho de avaliação com vozes críticas

04.03.2008 - 23h00 Isabel Leiria

Electrotecnia, Biologia e Geologia, Inglês, História e Educação de Infância. São estas as cinco associações pedagógicas escolhidas pela presidente do Conselho Científico de Avaliação dos Professores (CCAP) para estarem representadas neste órgão consultivo, que tem a missão de implementar e monitorizar um processo que está em curso desde Janeiro.

De fora ficaram duas das mais representativas dos vários grupos de docência. A de Português que, segundo o seu presidente, Paulo Feytor Pinto, não recebeu qualquer convite; e a de Matemática (APM), que sempre se manifestou contra o sistema de avaliação aprovado. “Foi proposta uma reunião conjunta com todas as associações e a presidente do CCAP mas não se realizou. Não foram as associações a manifestarem-se sobre quem devia lá estar”, critica Rita Bastos, presidente da APM.

Dentro do Conselho há também vozes críticas, como Ludgero Leote, representante da Associação Nacional de Professores de Electrotecnia e Electrónica, um grupo que conta com pouco mais de mil docentes. Leote foi um dos convidados do penúltimo programa da RTP 1 Prós e Contras e manifestou-se muito crítico em relação ao modelo de avaliação. “Mantenho tudo o que disse sobre o modo como o processo foi desenvolvido e pôs as escolas de pantanas”, diz. Professor há mais de 30 anos, acredita que poderá contribuir com a sua experiência. Mas sem certezas. “Quando o processo está inquinado é difícil fazer prognósticos.”