segunda-feira, junho 02, 2008
Escola Secundária - Declaração sobre as recentes afirmações da Ministra
---------------------------------------------- DECLARAÇÃO ---------------------------------------------
---- Relativamente às recentes declarações da Senhora Ministra da Educação, em que se mostrou preocupada com o insucesso escolar, afirmando que “os chumbos é que são facilitismo”, os professores do Departamento de Matemática da Escola Secundária de Tomás Cabreira, reunidos em 30 de Abril de 2008, declaram o seguinte: --------------------------------------- Denunciamos a distorção do conceito correspondente ao termo “facilitismo”, tendo em conta a realidade e a vivência concreta na maioria das escolas portuguesas, onde os professores são constantemente pressionados para passarem alunos que não atingem os objectivos mínimos das respectivas disciplinas. -------------------------------------------------------
---- Sublinhamos a explicitação, por parte da tutela, das verdadeiras razões que sustentam a preocupação com o insucesso, razões, quer de ordem economicista – chegando a argumentar com o preço de 3000 euros a que fica cada “chumbo” –, quer de ordem estatística – pretendendo comparar níveis de sucesso de países com realidades sociais que não são comparáveis; ---------------------------------------------------------------------------------------------------- Não obstante não enjeitarmos a responsabilidade que nos cabe na parte em que a Senhora Ministra afirma que não é com “chumbos”, mas com mais trabalho dos professores que se atinge o sucesso, não deixamos de lamentar que a tutela continue a enviar a falsa mensagem aos alunos e respectivas famílias de que os professores trabalham pouco, em vez do apelo, que vem tardando, de estudo, rigor, trabalho e disciplina nas aulas para a maioria dos alunos e maior acompanhamento e exigência, por parte de muitas famílias, no sentido de cumprirem plenamente o papel que lhes cabe na educação dos filhos; ----------------------------------------------- Atendendo ao momento em que foram proferidas – perto do final de ano lectivo –, classificamos de irresponsáveis as declarações da Senhora Ministra da Educação, pela pretensão de condicionamento dos professores no processo de avaliações que se avizinha. -----
---- Mais declaramos que a mensagem de desresponsabilização dos alunos e respectivas famílias, essa sim, hipoteca o futuro dos nossos jovens e do País num mundo global cada vez mais exigente. -----------------------------------------------------------------------------------------------
---- Depois de discutida, a declaração foi aprovada, por unanimidade, pelos professores do Departamento. ----------------------------------------------------------------------------------------------
domingo, maio 25, 2008
Reclamações contra o Ministério da Educação
24.05.2008]
Quase metade das reclamações visaram o Ministério da
Educação
Em ano de concurso para a nova categoria de professor
titular, de cujo acesso está dependente a progressão
na carreira, este foi mesmo um dos assuntos que mais
queixas motivaram junto do provedor de Justiça. Basta
ver que, na área que respeita ao emprego público,
quase metade das queixas (45 por cento) visou a
actuação dos serviços e organismos do Ministério da
Educação (ME). O Ministério da Saúde surge a seguir,
mas com apenas 11 por cento.
A verdade é que a definição de um novo estatuto da
carreira docente e a abertura do concurso
extraordinário que permitiu a entrada de 32 mil
professores na categoria mais alta foram dos assuntos
que mais polémica causaram no sector. Em muitos casos,
o "volumoso número de queixas" mereceu a concordância
de Nascimento Rodrigues, que decidiu enviar um ofício
à ministra da Educação, recomendando medidas para
corrigir "flagrantes injustiças" originadas no
concurso.
Apesar de a ministra da Educação não ter dado resposta
positiva às propostas de Nascimento Rodrigues, já este
ano o Tribunal Constitucional veio confirmar uma das
reservas feitas então pelo provedor. A impossibilidade
de os professores temporariamente dispensados da
componente lectiva concorrerem a titulares foi
declarada inconstitucional e a tutela vai mesmo ter de
fazer um concurso extraordinário.
Mas não foram apenas professores e funcionários que se
queixaram ao provedor de Justiça. Também os pais
reclamaram do funcionamento do sistema educativo, em
particular no que respeita à entrada dos filhos nas
escolas do 1.º ciclo. A provedoria registou um aumento
de dúvidas sobre os critérios de colocação dos alunos
nos estabelecimentos que não conseguem dar resposta a
todos os pedidos de inscrição.
O provedor não se pronunciou sobre os critérios
definidos pelo ME, mas considera "inadmissível que as
estruturas regionais possam aplicar de modo diverso a
mesma estrutura normativa de prioritarização". A
situação mereceu uma chamada de atenção de Nascimento
Rodrigues, "tendo em vista a correcção de
comportamento para 2008/2009".
As matérias relacionadas com o ensino superior também
aumentaram muito em 2007, nomeadamente no que respeita
à avaliação, recusas de apreciação de equivalências
estrangeiras e acesso, com reclamações sobre o regime
especial de ingresso em Medicina e os concursos para
maiores de 23 anos.
quinta-feira, maio 22, 2008
PROmova: Encontro de Professores em Vila Real
professores em Vila Real para continuar luta contra
Ministério
21 de Maio de 2008, 17:51
Vila Real, 21 Mai (Lusa) - O movimento "Promova"organiza a 07 de Junho, em Vila Real, um encontro que
pretende juntar professores inconformados com o acordo
entre os sindicatos e o Ministério da Educação e
definir formas de intervenção contra a política
educativa.
O movimento espontâneo "Promova" nasceu na Escola de
São Pedro, em Vila Real, e disseminou-se por todo opaís.
Um dos responsáveis pela criação do movimento, o
professor Octávio Rodrigues, lançou duras críticas à
actuação dos sindicatos no processo negocial com a
ministra Maria de Lurdes Rodrigues, que culminou com a
assinatura do Protocolo de Entendimento em Abril.
"O movimento Promova não se conforma com o modo como a
Plataforma Sindical hipotecou a indignação dos
professores e desbaratou o capital de protesto que foi
possível conglutinar, enveredando por manifestações
folclóricas e esvaziadas de eficácia, que veicularam
uma mensagem falseada de pretensa concordância dos
professores com o Memorando de Entendimento", disse
hoje Octávio Rodrigues à Agência Lusa.
Porque se diz convicto de que os "professores
continuam a rejeitar o essencial da política educativa
deste Governo" e de que o novo modelo de avaliação,
entre outros aspectos, é uma "peça deplorável", o
movimento convida todos os educadores de infância e
professores dos ensinos básico e secundário a
juntarem-se em Vila Real no dia 07 de Junho.
O objectivo é debater o "estado actual de
descontentamento da classe docente e definir as
melhores estratégias de actuação".
O "Promova" quer definir "um núcleo consensual de
reivindicações e de ideias mobilizadoras a concretizar
no imediato e no próximo ano lectivo".
Octávio Rodrigues afirmou-se "desiludido" e "traído"
pelos sindicatos e sustentou que o acordo com o
Ministério da Educação apenas serviu para "legitimar o
modelo de avaliação".
"O acordo não representou nenhuma vitória para os
professores. Mais não fez do que adiar o problema para
Setembro", referiu.
O docente considerou que se "mantêm todas as questões
em relação à avaliação dos professores e que o modelo
de avaliação em causa está inquinado desde o começo e
é de natureza gravosa".
Frisou ainda que a principal reivindicação dos
professores que era a suspensão do actual modelo de
avaliação "não se verificou".
Octávio Rodrigues defendeu que a avaliação dos
professores deveria ser feita por uma "comissão de
avaliação multidisciplinar, proposta pelos
departamentos de cada escola e sujeita a uma formação
especializada".
"Este processo permitiria avaliar a docência em todas
as suas componentes", frisou.
PLI.
Lusa/Fim
sábado, abril 12, 2008
Convocatória da Ministra à Plataforma Sindical
Guimarães: 5 horas de reunião dos CE com Jorge Pedreira/Ministra da Educação
Reunião hoje (4/Abril) em Guimarães com a Ministra
Vivam!
Vou colocar-vos mais ou menos a par das CINCO horas de reunião... cheguei à
pouco e sem apetite, sequer, para comer, e já pouca capacidade tenho para
reflectir, por isso perdoem qq coisinha:
1. presença do Pedreira, que esteve uma hora a apresentar o 2/2008, como se
ninguém o conhecesse!!!! ficou tudo já à beira de um ataque de nervos;
2. entretanto, chegou a ministra... quem já esteve noutras reuniões com ela,
confirmou que se apresentava muito mais conciliadora, compreensiva, muito
mansa.... umas das pérolas que disse, no meio de toda a sua infinita
compreensão, é que "ninguém pode dizer que os professores titulares são os
que têm mais mérito"... lá do fundo eu exclamei logo, que ela mesma o tinha
dito (não, não me ouviu... o ruido foi muito) - afirmou que compreendia
(pois...) que muitos pusessem em causa a credibilidade dos seus avaliadores,
por essa razão, mas tal não se aplicava a todos os casos, que aquele tinha
sido um concurso, que a partir de agora seriam avaliados e, mesmo esses
titulares, poderiam estar sujeitos a avaliações menores... em todo o caso,
tanto ela como o secretário disseram que o executivo podia, de acordo com a
sua autonomia (!), dispensar um titular que considere não oferece garantias
nem inspira confiança nos colegas (não... não me perguntem mais nada! o
espanto foi geral e objectivamente não responderam às objecções levantadas)
3. mesmo a questão de uns professores estarem sujeitos a avaliação externa
dos exames e outros não.... "as escolas podem desenvolver outros mecanismos
que considerem necessários para a ferir com justiça".... ou seja, podem até
escolas agrupar-se e realizar exames aos restantes, partilhando a
experiência (lindo, não é?!?!?!....)
4. até ao fim desta semana (sim, a ministra disse saber que hoje é quinta)
sai o despacho com as orientações para a simplificação, que não ficou, mesmo
assim clara... as escolas podem sempre decidir.... há uns mínimos... os
itens podem ser reduzidos/compactados para um, mas não se pode mexer nos
parametros ou subparametros (mas depois já dizia que sim... sei lá!) e pode
haver observação de aulas, se se enteder, enfim.... dizem que não podem
impor um modelo, já que há escolas que têm o processo a decorrer e não lhes
podem dizer que está tudo errado... e É VERDADE!!! houve uma artista que
apresentou a sua preocupação, pela falta de tempo no caso dos contratados,
porque entende que os coordenadores devem tb avaliar e que, pelo menos, deve
observar duas aulas - já tinha reunido com os contratados, já tinham
acordado tudo isso, mas não tinha tempo! (cá para mim queria que
prolongassem o calendario escolar até agosto!)
5. Quotas e impedimentos... pois, parece que nos vão tirar o tapete: sairá o
despacho em breve (tem que ter a assinatura da ministra e do ministro das
finanças), mas "a questão dos interesses está a ser acautelada". Mais ainda,
as quotas estarão distribuidas, não por departamentos, mas por grupos:
contratados, professores dos quadros, professores titulares. Creio que,
deste modo (mas já não me sinto capaz de pensar escorreitamente) elimina a
quetsão dos interesses, não? a bolsa é diferente...
6. certamente há muito mais, mas já nem me ocorre. Deixo-vos só outra
pérola, agora do Pedreira: "o ministério não está disposto a apadrinhar uma
avaliação de faz de conta. Não há renovação de contrato nem progressão sem
avaliação. A lei é clara e só pode ser alterada por decreto lei... nem este
governo, *nem outro futuro*, o fará"!!!!
Pronto... que me dizem?!?!?!
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"Vivo em roxo e morro em som"! Mário de Sá-Carneiro
quinta-feira, março 27, 2008
Carta à ministra da educação com conhecimento
A Sua Excelência a Srª Ministra da Educação
Às/Aos Presidentes dos Sindicatos de Professores
Às minhas Colegas e aos meus Colegas
Às/aos Alunas e Alunos, Mães e Pais e demais População Portuguesa
Aos Órgãos da Comunicação Social
Fada? Fada boa? Fada má?
A fadar lindo rosto à educação? A dar-lhe, olhando-a, morte a prazo? A salvá-la in extremis pelo beijo redentor dum príncipe?
A abraçar o saber multiplicando números numa sempre mais extensa prole documentada e responsável, livre, pois, para uma assumida cidadania e efectivo bem estar e progresso? Ou a abraçar o número dividindo saberes numa violentada prole singular e estrictamente subalternizada?
Tenho vindo a ter notícia de si não só pelos jornais. Também li o documento que lavrou como solução para os problemas que diz detectar no ensino. E também ouvi na íntegra a entrevista que foi para o ar na Antena 2.
Então o fogo político que abrasa V.Ex.cia não tem carácter, não tem natureza? Será que pensa que a simples assunção de funções políticas é banho lustral a transformar a pergunta acima numa pura discussão do sexo dos anjos?
A Srª Ministra é igual a um Presidente de uma escola aqui em Ponta Delgada, que nos queria obrigar a fazer entrar os alunos por ordem do Livro de Ponto, com chamada à porta da sala, “nem que percam dez minutos, até ir tudo ao sítio”, justificando tal humilhação generalizada, a professores e a alunos, com a afirmação, aleatória e genericamente falsa, de entrarem aos troncos e barroncos dentro das salas de aula! A verificar-se tal coisa, por que não actuou ele sobre o prevaricador ou prevaricadora, e/ou turma? Da mesma maneira, pergunto-lhe: por que não actuou ou actua o Ministério sobre esse tal professor ou tais professores que, indignada, diz, estão no 10º escalão sem terem mais de dois anos de efectivo trabalho escolar? Pergunto-lhe: como justifica tal cobardia, ou, se preferir, tal ineficácia da Administração? É falta de regime legal? Ou é usar uma situação que a própria Administração proporcionou para responsabilizar os docentes do que é da responsabilidade da Administração, para isolar os docentes junto da opinião pública, para mais facilmente fazer cair os docentes nas malhas da humilhação e da exploração assalariadas, liquidando práticas pré-capitalistas no ensino, é certo, mas em vez de o fazer elevando ao novo patamar as relações humanas que por todo o lado se desenham, fá-lo tentando pôr os professores no lodo das inquinadas relações de produção e de distribuição de quem, tudo o leva a crer, lhe enquadra a acção e lhe paga o serviço?
As suas determinações parecem chantilly no bolo que Roberto Carneiro começou no tempo em que era Primeiro Ministro o actual Presidente da República. Não espanta por isso que este olhe com tão bons olhos o desempenho de V.Ex.cia. É no tempo daquele Ministro da Educação que se fez ponto final na estratégia abraçada nos finais de sessenta e princípios de setenta, assim como nos desenvolvimentos pontuais pós 25 de Abril de 74. Ponto final a quê? Ponto final, em primeiro lugar, a “veleidades” científicas da aprendizagem centrada no sujeito que percepciona e organiza conhecimento. Com Roberto Carneiro a educação das percepções do próprio e a educação pelas próprias percepções sofre um rude golpe. A afirmação do grande matemático que foi Sebastião e Silva “uma vez que a máquina vem substituir o homem progressivamente em trabahos de rotina, não compete à escola produzir homens-máquina mas, pelo contrário, formar seres pensantes, dotados de imaginação criadora e de capacidade de adaptação em grau cada vez mais elevado” é preterida em favor, de novo, de novas remessas de saber já feito, agora sob modernas formas industrializadas, normalizadas, uniformizadas, tudo pronto e rápido para o deificado consumo. E ponto final ainda em quê? Ponto final, ainda, na criação superiormente não prevista de saber. A partir de final de oitenta ganha corpo não só, pois, a aversão institucional ao sujeito criador das suas próprias aprendizagens, como também institucionalmente se foram desenhando fossos e paliçadas e organizando as milícias de controlo da mercadoria saber, de controlo dos criadores e fruidores de saber e de controlo da interacção dos sujeitos criadores e fruidores de saber, isto é, nós todos sob o cada vez mais estrito controlo de uns tantos de entre nós que a tal se prestam à luz do sufragado direito divino por obra e graça do marketing eleitoral, da premência ou premências da chamada, mas nunca explicada, “economia”, e da coacção das armas de fogo.
Por que é que V.Ex.cia, sendo formada, e ainda por cima em Sociologia, não explica a razão dos seus actos no contexto das páginas, que ora se viram, da nossa história? Por que não usa do saber, que tem obrigação académica de dominar, para ajudar a massa da população portuguesa a superar os transes próprios de uma época de crise, ao invés de agravar os factores da arbitrariedade, da obscuridade, do oportunismo, da cobardia, do conflito, da violência, da ineficácia, do descontentamento? Se quer melhores desempenhos científicos, por que faz depender estes de imposições admnistrativas e não, ao contrário, estas daqueles? Se quer ciência a produzir-se, por que razão destrói os grupos científicos nas escolas? Por que faz depender planos de aula, decisões pedagógicas e didácticas, avaliações específicas, de Coordenadores de Departamento com formações científicas as mais aleatórias e das mais díspares áreas disciplinares? O que diria se eu a obrigasse administrativamente a dar um parecer sobre o diagnóstico do médico com quem a pusesse a trabalhar, e a obrigasse ainda, administrativamente, a decidir tecnicamente da correcção ou da incorrecção do plano que ele traçara para o paciente, e vice-versa, o médico a falar de cátedra do que V.Ex.cia, na sua especialidade, formulasse ou fizesse? E que faria se a conservação do seu emprego dependesse dessa ignomínia, e se em cumpri-la dependesse o pão para a boca das suas filhas? Isto não é vil? Não é brutal? Mas isto é o que se está passando no ensino em Portugal! É tudo um sonho feio? Estamos perante uma performance surrealista? Se ama a ciência, por que intimida os que a criam? Se ama a ciência, por que razão a uns obriga ao uso de rendas e de folhos, dragonas e até cacete, e, a outros, só a parra e, amarrados, quantas vezes, mais, só, pés e mãos lhes deixa? Afirma-se ferida com os 400.000 jovens que não terminaram, nos últimos dez anos, o Secundário, e os também não sei quantos milhares que abandonaram o Básico: já pensou um minuto na responsabilidade que o Ministério da Educação devia assumir, e na explicação que devia facultar ao país, ao dar prioridade e validação aos seus “grupos” de trabalho (ou melhor, a alguns dos seus “grupos de trabalho”, também pagos pelo erário público, é bom que não se esqueça, pois a outros, talvez por mais estruturados e honestos, o ministério fez e continua a fazer orelhas moucas) em detrimento da voz dos que no terreno dão atenção aos problemas, e corpo ao que superiormente modelam? Já pensou no porquê do que se vive no ensino? Nunca ouviu a frase, muito usada entre técnicos, “o material tem sempre razão”? Sabe, por exemplo, por que temos em Portugal resultados tão maus em Matemática? É simples de enunciar: é porque, anquilosadamente, deve dizer-se, o Ministério, e uma massa significativa de mangas de alpaca do ensino, continuam a tentar subverter uma preclara linguagem num depósito de linguagens passadas a estereótipo e embaladas em preconceitos, e, mais, tão grave como a precedente deturpação, irradicando das percepções do sujeito a sua utilização, impondo-lhe um discurso a que o sujeito da aprendizagem de um modo geral não acede senão à custa da perpetuação, de novo, do estereótipo, do preconceito e da incompreensão quase generalizada. E há que acrescentar ainda: em finais de oitenta, intencionalmente ou ignorantemente, estou ainda para saber ao certo, o já por mim referido seu homólogo Roberto Carneiro irradicou do ensino uma questão decisiva para o sucesso ou para o insucesso, especialmente nos jovens, de qualquer aprendizagem: a questão da passagem das operações concretas para as operações formais. Eu tenho detectado nos últimos anos, com tendência para se agravar, muitos alunos no início do terceiro ciclo e até no Secundário, com grandes dificuldades em aceder ou mesmo sem ainda terem acedido a operações formais, e, quando aparentemente parece que sim, o fazem numa quase só formalidade mimética sem outra consistência interna senão a da mera repetição mecanizada. Esses alunos, ao serem confrontados com questões que não coincidam com o que levianamente ou brutalmente foram coagidos a memorizar, ficam incapacitados ou com acrescidas dificuldades para resolverem problemas ou situações novas (que é no essencial o que vai continuar a acontecer com o estafado “reforço” de tempo e de agentes que a Srª Ministra defende em simultâneo com a repressão sobre tudo e todos que conduzam ao repensar de metodologias e de programas).
V.Ex.cia, como Socióloga, sabe bem que as opções organizativas são elas mesmas tão ou mais expressivas que os enunciados escritos ou verbalizados que as justificam ou camuflam.
A relação que V.Ex.cia estabelece com os professores (e todos os demais sujeitos nas escolas, alunos incluídos) não se centra na criação de saber e na decorrente satisfação dos envolvidos. A preocupação centra-se, sim, na apropriação de saber para satisfação de uma parte, de uma pequena parte, deve sublinhar-se, dos envolvidos.
E isso é por demais evidente com o permitido e clamoroso desperdício de saber e de criação de saber que ocorre no sistema de ensino (desperdício, aliás, que parece continuar a ser um traço dominante da política portuguesa em muitas ou quase todas as frentes). Evidente ainda com a tentativa de V. Ex.cia, Srª Ministra, ao querer criar, sob o mais estrito controlo das Administrações Central e Regionais, multiplicadas oligarquias, Escola a Escola, conforme consta do “regime legal” que preconiza para a função docente, num exclusivismo de palavra e de salário a fazer inveja ao “Estado Novo” ou ao “Nacional Socialismo”, ainda, pelos vistos, para alguns, de boa memória. Não é só a toda poderosa arbitrariedade da hierarquia administrativa, é também agora, e em força, o exercício da repressão que se advoga e organiza contra tudo e contra todos que lhe contrariarem exacção.
É nesse contexto, creio, que se percebe também as alterações que V.Ex.cia pretende prosseguir no que respeita às relações da Administração Central com os Sindicatos. Face a um previsível aumento do descontentamento entre os docentes, uma parte dos dirigentes sindicais, dirigentes que até hoje aprovaram quase todos quase tudo na generalidade, para gáudio da Administração, ao não concordar agora com o remate da obra a que todos deram corpo, deixa literalmente de ter qualquer valor, pelo que é perfeitamente compreensível que não queira suportar-lhe sinecuras. Compreensível também que queira gerir os recursos financeiros por forma a alimentar ilusões e nalguns casos mesmo, mesmo que sem intenção, substanciar suborno naqueles que deviam era ter a mais clara compreensão dos acontecimentos e fazer a mais firme defesa dos seus iguais. Ao Estado reclama-se antes de tudo e acima de tudo, justamente, creio, uma relação do mais total respeito para com os Sindicatos, assim como do mais total respeito também para com quantos neles trabalham, sem intimidação, sem chantagem, sem prejuízo dos direitos pessoais, incluindo reduções ou licenças para o trabalho sindical, contagem integral para efeitos de tempo de serviço, ADSE, e demais inerências profissionais.
Grato por eventual atenção.
Com os melhores cumprimentos,
Ponta Delgada, 21/27 de Junho de 2006
Pedro Albergaria Leite Pacheco
Professor na Escola Secundária Antero de Quental
quarta-feira, março 26, 2008
Avaliação: Modelo do Chile?
http://mobilizacaoeunidadedosprofessores.blogspot.com/
Relativamente à avaliação dos professores, hoje colocou-se-me uma dúvida que, por séria demais, não é uma mera "dúvida metódica."
Terá a nossa ministra importado os modelos - imagine-se - do Chile?
Abram os documentos que se encontram no endereço que segue e tirem as vossas conclusões!
http://www.docentemas.cl
SERÁ POSSÍVEL ?
quarta-feira, março 05, 2008
TSF só ouve uma das partes: o senhor Albino Almeida
A Confap Pretende Processar-me
Posted by Paulo Guinote under Confap, Intimidações, Tribunais
A Educação do Meu Umbigo
A caminho da Escola, enquanto ouvia a TSF, descobri que a Confap, pela voz do senhor Albino Almeida, pretende processar-me judicialmente por ter inferido, a partir das suas contas, que a organização definharia sem os subsídios estatais. Pelo caminho também afirma que também processará o blogue Ensinar na Escola.
Claro que em plena via rápida uma pessoa deve manter-se calma ao volante e não começar a rir de forma descontrolada.
É que em nenhum momento o senhor Almeida afirma que eu divulguei dados erróneos ou deturpados. Processa-me porque eu tenho uma opinião sobre esses factos.
Mais interessante: diz que o subsídio é legal, algo que nunca contestei. Pois se resulta de um protocolo feito de livre vontade pelas partes…
Diz que é para pagar as deslocações dos dirigentes da Confap e duas funcionárias. Certíssimo: efectivamente escrevi que o presidente da Confap passeia pelo país com os ditos subsídios.
Como sou distraído, não relaciono isto com pressões diversas que me chegaram nas últimas semans, nem com a retractação pública do colega do Ribeirão ou a investida mediática do ME para calar as vozes desagradáveis.
Como sou mesmo muitíssimo distraído, nem questiono com que dinheiro a Confap irá pagar aos advogados a quem afirmou ir entregar a documentação para me processar.
Provavelmente alguém poderá pensar que é exactamente com uma parcela dos subsídios em causa, legais, para apoio à actividade da Confap. Mas isso não seria ético, nem compaginável com as despesas elegíveis no plano de actividades que é apresentado todos os anos ao ME para aprovação. Ou será?
Para finalizar, dois detalhes:
- A TSF deu voz a Albino Almeida na sua diatribe, mas não contactou os visados.
- Se a coisa tiver méritos para chegar a julgamento, essa será uma Tribuna excelente para muitos de nós tomarmos conhecimento de tudo o que aqui foi escrito em toda a sua plenitude.
- Na sequência disso, claro que eu me reservo o direito de considerar que Albino Almeida me está a caluniar, a intimidar e a querer silenciar. O que, no actual contexto, é muito elucidativo da sua forma de agir e interesses que o movem. Em nome da indepedência, claro.
Adenda: Logo que possa elencarei aqui tudo o que foi escrito sobre o assunto, solicitando que todos os interessados divulguem esses materiais nos seus espaços.
http://educar.wordpress.com/2008/03/04/a-confap-pretende-processar-me/#comment-32946
segunda-feira, fevereiro 25, 2008
Movimento PROmova: convidados a confrontar a ministra da educação no programa Prós & Contras
Olá colegas,
A luta quando é justa e transparente, apenas ao serviço da valorização e da dignificação de uma classe que merece ser tratada com o respeito que a sua preparação técnica, científica e humana exigem, acabará por dar os seus frutos. Se ainda não são frutos, não temos dúvida que a árvore começa a florir.
Comunicamos a todos que o movimento PROmova foi convidado a participar no programa PRÓS E CONTRAS da próxima segunda-feira (25 de Fevereiro), confrontando directamente a Sra. Ministra da Educação com as nossas reivindicações.
COMO TAL, SOLICITAMOS A TODOS OS COLEGAS QUE TENHAM DISPONIBILIDADE DE SE DESLOCAR A LISBOA NA SEGUNDA-FEIRA À NOITE (DEPOIS COMUNICAREMOS O LOCAL EXACTO) QUE NOS ACOMPANHEM E DIGAM PRESENTE. O PAÍS HÁ-DE SABER RECONHECER A JUSTEZA DA NOSSA INDIGNAÇÃO!
PROmova
P.F. Reencaminhem a mensagem para os vossos contactos clicando em "Enviar Tópico" no canto superior direito desta mensagem. Veja-o aqui
(recebido por mail)
quinta-feira, janeiro 24, 2008
E se ela (*) fizesse uma mínima ideia do que está a fazer?
(*)- ela e a União Europeia. De facto ela não passa de uma lacaia da U.E.
O sistema educativo não estava famoso, mas não precisava, Senhora Ministra da Educação, de aparecer para estragar o resto!
Vem, V/ Exa., perguntar agora o que estão 30 professores a fazer numa sala de professores?
Sabe que também me coloco (e coloquei aqui) essa questão muitas vezes? E sabe o que estão lá a fazer?
O que V/ Exa. mandou: a cumprir horário!
Não aumentou a carga horária dos docentes?
Esqueceu-se, foi?
Tal como as utilíssimas «aulas de substituição» em que V. Ex.ª coloca um professor de Matemática a substituir um de Educação Física e vice-versa.
V/ Exa. Manda e os professores obedecem! Não têm alternativa, não é verdade?
Pode, portanto, V/ Exa. orgulhar-se dos resultados obtidos!
Eles são a consequência da sua «reforma»!
Mas não se preocupe pois vão piorar! Com o escabroso Estatuto da Carreira Docente que V/ Exa. inventou, os resultados só podem evidentemente piorar! Nenhuma reforma, nunca, se conseguirá impor por decreto-lei nem contra a vontade da maioria dos envolvidos!
Os professores, obedientemente, cumprem e cumprirão sempre as suas ordens! Contrariados… muito contrariados… mas cumprirão! Não lhes pode é pedir que, apesar de tudo, as cumpram de sorriso nos lábios, felizes, contentes e totalmente envolvidos com as suas orientações! Não há milagres!
Cumprirão e ponto final! Que é o que V. Exa. quer?
Não se pode, portanto, queixar.
Continue a mandar assim e verá a tal curva de crescimento em queda absoluta.
É que não pode V/ Exa. exigir que se cumpram 35 horas de serviço na escola e se venha para casa preparar fichas de trabalho… apontamentos… actividades…estratégias… visitas de estudo… grelhas… avaliações… relatórios… currículos alternativos…programas adaptados… trabalhos em equipa… etc.… etc.… etc.•
V/ Exa. Tem família?
Saberá, porventura, o que é a dor de um pai que se vê obrigado a negligenciar a educação e o crescimento do seu próprio filho para acompanhar os filhos dos outros?
Esquece V/ Exa. Que os professores também são pais?
Também são pais, Senhora Ministra! Pais!
Que estabilidade emocional pode um professor ter se V/ Exa. resolve, 30 anos depois de Abril, impedir os professores de acompanharem os seus próprios filhos ao médico … à escola… aos ATLs?
Não têm os pais que são professores os mesmos direitos dos outros pais?
Conhecerá V/ Exa. a dor de uma mãe que se vê obrigada a abandonar o seu filho, prometendo-lhe voltar dali a uma semana?
E quer V/ Exa. motivação natural?
Com a vida familiar desfeita?
Não é do conhecimento público que os professores são os maiores clientes dos psiquiatras?
E que é entre os professores que se encontra a maior taxa de divórcios?
Porque será, Senhora Ministra?
Motivação?
Motivação, como? Se V/ Exa. obriga os professores a fazerem de auxiliares de acção Educativa?
Motivação, como? Se V/ Exa. obriga os professores a estarem na escola mesmo sem alunos? Motivação como se V/ Exa. obriga a cumprir 35 horas na Escola mesmo não tendo esta os meios essenciais para que se possa trabalhar.
Motivação, como? Se temos que pagar fotocópias, tinteiros para as impressoras da Escola…canetas… papel?
Motivação, como? Se o clima é de punição e de caça aos mais frágeis?
Motivação, como? Se lava as mãos como Pilatos e deixa tudo à deriva passando toda a responsabilidade para as escolas?
Não é função de V/ Exa. resolver os problemas?
Não seria mais produtivo trabalhar ao lado dos professores?
Motivação, como? Se de cada vez que abre a boca para as televisões fá-lo para tentar virar toda a sociedade portuguesa contra a classe?
Motivação, como? Se toda a gente percebe que o seu objectivo é dividir para esfrangalhar a classe e poupar uns cobres?
Quer lá V. Exa. saber da qualidade do Ensino para alguma coisa!.... Quer é poupar!
O que vale é que por todo o país a opinião pública – e principalmente os Pais – já se estão a aperceber disso.
Motivação, como? Se V/ Exa. tem feito de tudo para isolar os professores dos alunos, dos pais, dos Sindicatos, da sociedade em geral?•
E fica V/ Exa. admirada com os resultados?
Não eram estes os resultados que esperava obter quando tomou posse e iniciou a sua cruzada contra os professores?
A sua estratégia é a mesma daqueles professores que V/ Exa. acusa de não estarem preocupados com os resultados escolares dos seus alunos.
Sabe, Senhora Ministra da Educação?
O sucesso não depende do manual… como não depende de decretos---lei!
O sucesso depende do envolvimento que o professor consegue com os seus alunos!
Depende da capacidade de motivar! Depende da capacidade de o professor ir ao encontro dos interesses dos seus alunos.
Depende da relação professor-aluno! - a tal que V/ Exa. queria que fosse avaliada por alguém de fora da escola!
A mesma que, se fosse feita a V/ Exa., daria nota zero.
E, já agora, Sra. ministra, já que a esmagadora maioria (quase totalidade) dos seus colegas de governo são reformados – alguns 2 vezes – siga-lhes, por favor, o exemplo.
Eu não me importo de trabalhar até aos setenta se V. Exa. se reformar já - mas da política!
Pode ser?
(recebido por mail)
domingo, dezembro 09, 2007
Para uns, nada. Para outros, tudo.
quinta-feira, setembro 20, 2007
O Silêncio do nosso Descontentamento

No site do farinhas uma colega (nick: Sofia) colocou um post a apelar a UNIÃO dos colegas de modo a enviar para o mail do programa PRÓS E CONTRAS o que nos vai na alma e toda a informação possível sobre a Precariedade de muitos de nós
Não tenham medo e participem, pode não ser mencionado sequer (não vos vou mentir) mas enviem mails até entupir de modo a os PROFESSORES se fazerem sentir. O silêncio é que não se ouve certamente» (retirado de O Cartel)
E já agora enviem esses mails também para
escolapublicablog@gmail.com
Na Assembleia da República queremos dar voz às inquietações dos pais e dos professores.
Concurso a Professor Titular/Provedor de Justiça
Posição pública do Senhor Provedor de Justiça sobre o Concurso a Professor titular.
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