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sexta-feira, janeiro 30, 2009

Estudo "da OCDE" alvo de contestação

No Correio da Manhã


28 Janeiro 2009 - 00h30

Educação: Documento encomendado pelo governo sob fogo

Estudo alvo de contestação

As associações de professores de matemática (APM) e de português (APP) não foram consultadas pelos peritos internacionais independentes contratados pelo Governo para avaliar as reformas introduzidas no 1º ciclo do ensino básico. Também a Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) ficou de fora, criticando as conclusões apresentadas no relatório divulgado segunda-feira.

Nuno Crato, presidente da SPM, critica o relatório encomendado pelo Governo, no que diz respeito aos resultados na disciplina. "Não há instrumentos que permitam saber se o ensino de matemática no primeiro ciclo está melhor. Os exames e as provas de aferição, que o Governo faz, não têm critérios definidos. Esses critérios variam de ano para ano, logo, é impossível dizer-se que está a melhorar", afirmou Nuno Crato ao CM, referindo-se ao documento apresentado anteontem, com a presença do primeiro-ministro José Sócrates e da ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues, no qual a equipa de peritos diz que "os resultados estão a melhorar em matemática."

Da mesma opinião é Arsélio Martins, presidente da APM. "Parece haver alguma precipitação por parte do Governo. Como professor é muito difícil dizer que já se tem resultados em tão pouco tempo. Dizer que os alunos estão a ter melhores resultados, é um desejo político", disse Arsélio Martins, confirmando que "a APM não teve qualquer participação no estudo".

Em relação ao programa de formação contínua de professores de Matemática, também elogiado pelos peritos internacionais, Nuno Crato é peremptório. "O modelo de formação continua de professores foi amplamente criticado logo no inicio, pois foi dirigido pelos mesmos critérios que levaram a erros em outros anos", sublinhou, garantindo que "a SPM não foi consultada para a elaboração do relatório encomendado pelo Ministério de Educação".

Já Paulo Feytor Pinto, presidente da APP, reconhece qualidade à responsável pelo Programa de Formação em Português, mas garante desconhecer o que está a ser feito no terreno. "As pessoas envolvidas dão garantias de um bom trabalho. Sabemos que está a ser feito alguma coisa no plano de formação continua, mas não sabemos o quê em concreto", referiu Paulo Feytor Pinto.

Para a elaboração do relatório, os peritos internacionais reuniram com a Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP), mas deixaram de fora a Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE). Uma decisão contestada por Maria José Viseu, porta-voz da comissão: "Não fomos ouvidos para a elaboração deste relatório e devíamos ter sido. Representamos cinco federações - Lisboa, Beja, Guarda, Viseu e Leiria - e temos tantos associados como a CONFAP".

André Pereira

quinta-feira, junho 12, 2008

Inevitável colapso do sistema público de ensino [*]

[transcrevo apenas as conclusões deste estudo de Maria Helena Ramalho,
mas recomendo a leitura atenta de todo o conteúdo em:
http://www.educare.pt/educare/Opiniao.Artigo.aspx?contentid=4EC424B24861721DE04400144F16FAAE&opsel=2&channelid=0
]

Resultados finais:
1. A curto prazo, por certo que as estatísticas do insucesso e do
abandono escolar vão apresentar valores mais reduzidos, não
necessariamente porque as aprendizagens venham a ser mais conseguidas
mas porque, a nível dos docentes, as ‘pressões' e o ‘instinto de
sobrevivência' falarão mais alto.

[*] 2. A médio e longo prazo, a implosão do sistema educativo e/ou a
explosão dos docentes será, infelizmente, o que se vislumbra. A
pressão de uma avaliação nestes moldes, feita em contínuo (ano após
ano, ao longo de toda uma carreira), irá exercer sobre todos os
envolvidos um desgaste incomportável; a missão dos docentes na escola
dificilmente será encarada com a alegria e a dedicação espontânea com
que muitos até agora (ou até há alguns anos) a viviam. Deixará de
haver uma missão por vocação para termos uma escravatura alienante.

Esperanças que ainda nos restam:
1. Antes de mais, que, a nível dos órgãos de gestão das escolas e dos
avaliadores em particular, haja (i) o sentido crítico necessário e a
assunção da responsabilidade que lhes cabe no denunciar (a instâncias
superiores) de problemas e incoerências do sistema, (ii) bom senso e
competência q.b. para não se cair na tentação de operacionalizar de
forma incomportável e ainda mais perversa o estabelecido pela tutela.

2. Que a equipa ministerial e todo o conjunto de órgãos que constituem
seus interlocutores directos e privilegiados, muitos dos quais com
especialistas na área da educação, encontrem o equilíbrio razoável
entre opções políticas para "respostas externas" a curto prazo e
opções educativas de fundo e internas, com efeitos a médio e longo
prazos (trata-se de algo muito sério - a educação de gerações dos
cidadãos do País).

Estudo sobre as causas do descontentamento dos docentes

Professores descontentes com a profissão
Factores externos à escola pressionam docentes


Os resultados de um estudo realizado pelo Instituto Politécnico de Castelo Branco revelou dados que explicitam o descontentamento dos professores com a sua situação profissional, pelo que, 43,6% dos inquiridos disse que não voltaria a fazer a mesma escolha profissional.

Os resultados estão à vista e demonstram que quase 44% dos professores garantem que não repetiriam a opção nem a aconselham a amigos.

A explicação encontrada não refere o mal-estar entre alunos nem o ambiente na sala de aulas, foram antes apontados factores exteriores à escola e à atribuição constante de funções que exercem pressão crescente entre os docentes.

Entre os dados referidos, 92,4% dos inquiridos revelaram ter preocupações relativas ao seu futuro profissional, a maioria afirmou não sentir reconhecimento pela sociedade e 81,1% considera que existe pouco interesse escolar por parte dos alunos.

O Instituto Superior fez o estudo a pedido da Associação Nacional de Professores para medir o grau de satisfação dos profissionais da área do ensino. A finalidade do inquérito era a análise da viabilidade da ideia de criar uma «ordem de professores».

Nesse sentido, 81,7% demonstraram-se a favor da iniciativa de criar uma «ordem de professores», 69,4 mostraram insatisfação para com os sindicatos e 77,1% foram a favor da coexistência entre ordem e sindicatos, informa a SIC Online.

O estudo contou com a participação de 352 inquiridos de educação de infância e ensino secundário e os dados foram recolhidos em 2006, antes da manifestação da plataforma nacional.

Veja-o aqui

http://www.saladosprofessores.com/forum/index.php?topic=13506.0

Atenciosamente,
A Equipa do Sala dos Professores.

terça-feira, junho 03, 2008

Estudo: 7 concelhos limítrofes de Lisboa - Privação e infelicidade das nossas crianças

Andreia Sanches [O Público]:

maioria não faz refeições completas

ao jantar

nem vai ao médico

regularmente


Crianças acham que os pais têm dificuldades
financeiras


Inquérito mostra que maioria não faz refeições
completas ao jantar nem vai ao médico regularmente.
01/Junho/2008 - Dia Mundial da Criança


Geralmente sentem-se felizes, gostam da escola e do
bairro onde vivem. Mas quase metade (45,8 por cento)
das cinco mil crianças inquiridas em sete concelhos da
Grande Lisboa diz que sente que a família tem
dificuldades financeiras.
Apesar de serem raras as que afirmam que não têm
comida em casa quando têm fome (2,4 por cento), só uma
pequena parcela (12 por cento) costuma fazer uma
refeição completa de sopa, prato e fruta ao jantar. O
que, segundo um grupo de investigadores, indicia
"potenciais problemas ao nível da dieta alimentar".
Chama-se Um olhar sobre a pobreza infantil - Análise
das condições de vida das crianças e é um estudo de
Amélia Bastos, Graça Leão Fernandes e José Passos, do
Instituto Superior de Economia e Gestão, em Lisboa, e
de Maria João Malho, do Instituto de Apoio à Criança.
Um total de 5161 crianças da Amadora, Cascais, Lisboa,
Loures, Odivelas, Oeiras e Sintra foram entrevistadas
pessoalmente nos anos lectivos de 2004/2005 e
2005/2006. A média de idades é de nove anos. A amostra
é representativa das crianças que, naqueles concelhos,
frequentavam os 3.º e 4.º anos do 1.º ciclo do ensino
público.

Pouco tempo para os filhos

Aos seus professores foi pedido que validassem os
resultados dos inquéritos. Amélia Bastos, uma das
autoras - com um doutoramento e vários trabalhos
publicados na área da pobreza infantil - diz que não
teme que desta validação resulte algum tipo de
adulteração das respostas das crianças. Procurou-se
antes de mais, dada a faixa etária dos alunos,
garantir que alguém que os conhece bem, como o
professor do 1.º ciclo, confirmasse algumas
informações, explica.

O livro com os resultados do estudo, publicado pela
Fundação Económicas (ed. Almedina), vai ser lançado na
terça-feira, no ISEG, em Lisboa. E aborda um tema que,
segundo Amélia Bastos, "é pouco estudado em Portugal"
- onde, segundo o Eurostat, se registam das taxas de
pobreza infantil mais elevadas da União Europeia (25
por cento em 2005).

Para os autores, a pobreza não se reduz, contudo, aos
rendimentos das famílias, que é o que o Eurostat
avalia. Optaram assim por "dar voz às crianças" de
forma a detectar, através de inquéritos, a "existência
de carências em áreas fulcrais do bem-estar".

Comer sopa, prato e fruta antes de deitar não é um
hábito enraizado entre os inquiridos e seis por cento
diz mesmo que o seu jantar costuma ser apenas "sopa e
pão" ou então "sopa, pão e fruta". Para a
investigadora, este é um dado preocupante: "Uma
refeição completa é o que é considerado essencial para
o desenvolvimento da criança, é o que qualquer cantina
de escola oferece".

10% ajudam no trabalho

As carências económicas não explicam tudo. "O que
muitas vezes acontece é que famílias que não são
consideradas carenciadas têm a sua vida organizada de
tal forma que não têm possibilidade de suprir todas as
necessidades que a criança tem. Por falta de tempo, de
informação e de cuidado."

Poucas são também as crianças (39,3 por cento) que vão
ao médico por rotina - "Significa que não vão lá para
aquelas consultas próprias de crianças desta idade,
ver como está a altura, o peso, ver se está tudo bem.
E, uma vez mais, isto não acontece necessariamente ou
apenas nas famílias carenciadas".

"Aliás, há um dado curioso. Perguntámos às crianças se
elas se sentiam felizes." Loures tem a maior taxa de
infelicidade (7,2). "Mas a proporção de crianças que
na Amadora diz ser infeliz [6,7 por cento das
crianças] é idêntica à de Oeiras [6,3 por cento]." A
curiosidade aqui é que Amadora e Loures são os
concelhos com maior percentagem de crianças com um
índice de privação acima da média. E Oeiras é o que
tem a menor percentagem de todos - "É o concelho onde
os pais têm maiores níveis de qualificação, mas onde,
se calhar, têm menos tempo para os filhos".

Como ajudas em casa? Esta era outra pergunta às
crianças: 27,5 por cento ajudam a tomar conta dos
irmãos e dez por cento dizem que ajudam os pais nas
respectivas profissões. Trabalho infantil? Amélia
Bastos não tem elementos para responder. Mas admite
que nalguns casos, se estas crianças gastarem muito
tempo a "ajudar o pai no café, por exemplo", poderão
estar a ser prejudicadas.

quinta-feira, maio 22, 2008

Fusão 1º. e 2º ciclos - Estudo do Conselho Nacional de Educação (CNE)

Para evitar transições bruscas

Conselho Nacional de Educação defende fusão do 1º e 2º ciclos

19.05.2008 - 17h17 Lusa
Um estudo do Conselho Nacional de Educação (CNE) recomenda a fusão dos 1º e 2º ciclos do ensino básico para acabar com "transições bruscas". O objectivo é que os alunos deixem de ser acompanhados apenas por um professor e passem, progressivamente, a ser apoiados por outros docentes, em pelo menos duas áreas.
Segundo o estudo "A Educação das crianças dos 0 aos 12 anos", este ciclo de seis anos "visaria neutralizar as transições bruscas identificadas ao nível da relação dos alunos com o espaço-escola, as áreas e os tempos de organização do trabalho curricular, a afiliação dos professores, o seu papel de aluno e com o desenvolvimento gradual das competências esperadas". Por outro lado, recomenda-se para este ciclo o regime de monodocência com progressiva co-adjuvação, pelo menos em duas áreas, uma mais voltada para as ciências e outra para as letras.
No entanto, os autores do estudo, que será apresentado terça-feira num seminário no CNE, reconhecem que o modelo "ideal, mais interessante e mais flexível" estaria assente em "equipas multidisciplinares", lideradas por professores "especialmente vocacionados" para iniciar as crianças no domínio das literacias e professores mais orientados para o conhecimento disciplinar, embora ainda integrado. "Este modelo permitiria articular a exigência da competência disciplinar face ao crescente desenvolvimento do conhecimento sem relegar para um plano secundário a importância do vínculo pedagógico, da relação de pessoalidade e do conhecimento interpessoal que a actual organização do ensino desestabiliza com a entrada do aluno no 2º ciclo do ensino básico", lê-se no documento.
Isto porque, analisando a situação actual, os autores constatam que existe um "contraste violento e repentino entre o regime de monodocência do 1º ciclo e o regime de pluridocência do 2º, "contraste que é acentuado e intensificado pelas diferentes lógicas organizativas que estruturam o trabalho escolar". "O contraste acentua-se ainda pela diferença de cultura profissional entre os professores do 1º ciclo e do 2º ciclo. Enquanto os primeiros se assumem como professores de crianças cuja missão se centra na promoção de aprendizagens fundamentais por parte dos alunos, os segundos assumem-se primeiramente como professores de uma disciplina escolar", lê-se no estudo.
Foco nos alunos vs. Foco na disciplina escolar
"Ou seja, para os primeiros o que interessa é que os alunos aprendam, enquanto para os segundos o que interessa é que a sua disciplina seja aprendida. Para os primeiros o foco são os alunos, enquanto para os segundos o foco é a disciplina escolar", acrescenta.
Em entrevista em Fevereiro, a ministra da Educação anunciou que, no âmbito da revisão do currículo do 2º ciclo, o Governo vai concentrar algumas disciplinas para reduzir o número de docentes a leccionar em cada turma. A ministra explicou que as escolas nunca puseram em prática um mecanismo que permitia que um só professor leccionasse um conjunto de disciplinas à mesma turma, como Matemática e Ciências ou Língua Portuguesa e Inglês, por exemplo, apesar de o currículo prever essa possibilidade. "Na prática, o que acontece é que cada um dos espacinhos é preenchido por um professor e é isso que dá lugar à situação de os alunos do 2º ciclo conhecerem, por exemplo, 16 professores", criticou Maria de Lurdes Rodrigues, defendendo a necessidade de estimular as escolas para que façam uma concentração das áreas disciplinares para que os alunos possam ter uma visão mais integrada do conjunto das disciplinas.
Mudança brusca de espaço
O estudo do CNE salienta, por outro lado, que o aluno passa de uma escola de pequenas dimensões e uma sala única, "onde tudo é próximo e familiar", para uma escola de tamanho médio com aulas em salas diversificadas, com uma organização dos tempos mais rígida, onde cada disciplina existe como um compartimento de saber. O estudo reconhece, no entanto, riscos com a fusão dos dois primeiros ciclos do básico: uma possível descoordenação das equipas multidisciplinares e uma eventual influência disciplinar e académica dos actuais professores do 2º ciclo (alunos dos 06 aos 09 anos) sobre os do 1º (10 e 11 anos), entre outros.
O documento recomenda, ainda, o alargamento dos apoios destinados às crianças dos zero aos 03 anos de idade, a profissionalização das amas, uma melhor oferta de ocupação de tempos livres e uma articulação entre serviços sociais e serviços educativos que "ultrapasse a tradicional associação de serviços de carácter social às populações mais carenciadas e de serviços educativos às mais favorecidas". Aliás, "desarticulação" é a palavra mais usada pelos autores do estudo para resumir as "áreas problemáticas" da educação das crianças dos zero aos 12 anos, por exemplo entre as políticas que influenciam a vida das crianças: saúde, segurança social, educação, família, emprego, etc.
Segundo os autores, "esta disparidade de olhares, por vezes muito fechado no seu âmbito restrito, ignora a criança na sua globalidade e na ecologia do seu desenvolvimento e revela a ausência de uma política global, integrada, para a infância". "Ainda nesta matéria é de referir a desarticulação de políticas entre sucessivos governos, como se tudo tivesse sempre de ser questionado e alterado, provocando descontinuidades, ambiguidades, desalento e falta de confiança", consideram os autores.